Muito Bem Acompanhada
19 Arruinando a Ceia
Notas iniciais
Resumo do Capítulo: Alguns fatos do passado vem à tona e acabam arruinando a ceia de Natal...
– CAPÍTULO DEZENOVE –
ARRUINANDO A CEIA
– TANYA, NÃO! – Mike vociferou, mas foi em vão.
Antes que qualquer um pudesse perceber o que acontecia, Tanya tentou passar por Mike, mas ele a segurou por trás naquele exato segundo, prendendo-a num aperto de aço, mas de novo não adiantou: ela era incrivelmente mais forte, e ao lutar contra o namorado, o atirou de costas sobre a mesa de jantar; a mesa desabou, espalhando pelo chão o jantar de Natal e os pratos.
Com uma velocidade alarmante, Tanya avançou sobre Lorraine, jogando-a no chão com o baque; os olhos da garota ardiam numa necessidade incontrolável e um grunhido terrível escapou do fundo do peito dela; à mostra, os dentes afiados e reluzentes batiam a centímetros do pescoço de Lorraine.
Todos pareciam chocados com aquela cena que presenciavam, chocados demais para esboçar qualquer reação. Porém, Eileen foi a única que pareceu ignorar qualquer desespero aparente, e, sem pensar duas vezes, apontou a varinha na direção da vampira:
– Petrificus Totalus! – Eileen exclamou e logo Tanya estava imobilizada; a garota não conseguia se mexer, mas ainda lutava, com os olhos desvairados e vazios focados apenas em Lorraine e um rosnado baixo escapava por entre seus dentes trincados.
Recuperado do tombo, Mike lançou-se sobre a namorada; ele a livrou do feitiço e levantou-a, tirando-a de cima da mãe.
– Eu sinto muito, Mike – Tanya murmurou, envergonhada pelo descontrole e Mike percebeu que agora ela não estava respirando.
– Já passou – murmurou ele em resposta, envolvendo-a fortemente num abraço.
Mark e Marlene também ajudaram Lorraine a se levantar.
– Você está bem, mãe? – Marlene perguntou preocupada.
Enquanto isso, Eileen olhava de soslaio para Severus, como se dissesse que depois ele ia ter que explicar muito bem por que os McKinnons sequer sabiam que ela havia sido convidada, quando ele afirmara exatamente o contrário.
Lorraine, agora a salvo, se deu conta do que acontecia.
– Uma... VAMPIRA! – gritou ela, olhando repugnada para Tanya e depois se voltou desvairada para o marido, estancando o sangue da mão com uma toalha: – Mark, prepare uma fogueira! Temos que esquartejá-la e queimar os pedaços!
Indignado com o que ouvira da mãe, que para ele era um absurdo, Mike voltou-se contra Lorraine:
– CALA A BOCA! – gritou ele, ainda prendendo Tanya em seu abraço. – CALA – A – BOCA!
– Não fale assim com a sua mãe, Michael! – Mark o repreendeu.
Agora foi a vez de Mike erguer a varinha, contra o próprio pai.
– Ninguém vai encostar um dedo na Tanya, entenderam? – ele ameaçou. – NINGUÉM!
Lorraine piscou sem acreditar.
– Michael! – ela gritou com o filho. – Você sabe o que ela é, essa vampira me atacou! Não acredito que você está a favor dela, você sabe o que tem que ser feito para...
– ... matá-la? – Mike repetiu, desvairado como a mãe, mantendo a varinha empunhada. – NÃO! – anunciou ele. – Essa VAMPIRA é a minha namorada e eu a amo! E NINGUÉM – ele repetiu – encosta um dedo nela!
– Faça a fogueira, Mark, depressa! – Lorraine insistiu desesperada, mas o marido não se moveu; a frase revoltada de Mike o interrompeu:
– Eu vou embora! – ele disse a mãe. – Se você não pode aceitar uma vampira na família, então você não pode me aceitar também! – e voltando-se a namorada, pediu: – Vamos embora, Tanya. Vamos voltar pra sua casa!
Tanya assentiu com a cabeça e Lorraine voltou a gritar:
– MICHAEL!
Mas foi inútil; Mike já se afastava com a namorada em direção a frente da casa. Lorraine correu até o filho, ameaçando-o:
– Se você for embora com essa vampira, Michael, não precisa mais voltar! E não se considere mais meu filho!
Ele riu sem humor, e não se virou para encarar a mãe enquanto respondia:
– É por causa de pessoas preconceituosas como você, que pessoas como Voldemort existem... – e disse em ultimato: – Adeus.
E sem esperar resposta, Mike entrou no carro com Tanya. Lorraine assistiu arrasada à partida do conversível prateado, que sumia pelos portões; logo, Mark veio ao seu encontro, confortando-a.
– Ele está nervoso, e vai reconsiderar tudo que disse – ele disse ao abraçá-la. – Confie em mim.
Lorraine então olhou por cima do ombro do marido e viu que Marlene, Severus e Eileen observavam a cena preocupados. Mas seu olhar recaiu sobre Eileen, que, na opinião dela, era quem havia provocado toda aquela desgraça. Ela se voltou com ódio para ex-amiga e disse:
– A CULPA É TODA SUA! – vociferou ela, com o dedo em riste apontado para o rosto de Eileen, que se manteve impassível. Lorraine se voltou ao marido novamente, repetindo: – A culpa é dela, Mark! Eu tenho certeza que nada disso teria acontecido se essa mulher não estivesse aqui!
– MÃE! – Marlene voltou a protestar, ainda sem entender aquela inimizade de Lorraine e Eileen.
Eileen então se pronunciou:
– Eu vou embora – ela disse tranquilamente, e Mark voltou-se a ela.
– Não precisa fazer isso, Eileen – e dirigindo-se a Lorraine agora, ele argumentou: – Por Merlin, Lola! Ela acabou de salvar a sua vida!
Lorraine gargalhou colérica.
– Eu sabia que – ela disse com sarcasmo –, entre mim e ela, você ficaria a favor dela... da sua amante!
Marlene também piscou, chocada, sentindo que algo estava lhe fugindo do conhecimento.
"Amante?" – ela pensou confusa. – "Que história é essa?". E resolveu perguntar:
– Que história é essa? – Marlene exigiu saber. – Do que estão falando?
– Nada – Mark interpôs depressa. – A sua mãe só está um pouco nervosa e...
– Eu estou nervosa? – Lorraine se intrometeu grosseiramente. – Então é isso que você vai dizer pra sua filha, pra não ter que contar que a mãe do namorado dela foi sua amante por um longo tempo?
Diante daquilo, Eileen tomou a palavra outra vez:
– Eu não deveria ter vindo – ela disse e sua voz ainda era tranquila. – Mas não se preocupem mais; eu já estou de saída – comunicou ela, virando-se em direção a casa novamente e Severus a acompanhou.
Marlene, apesar de não entender exatamente o que acontecia, correu à frente de Eileen e pediu:
– Olhe, eu não sei o que está acontecendo, ou o que aconteceu, mas eu não quero que a senhora vá embora por causa disso...
Eileen apenas sorriu gentilmente para Marlene antes de responder.
– Você é muito gentil e adorável, Marlene – disse ela. – Agradeço sinceramente o convite que você fez, mas eu realmente preciso ir embora – e vendo a decepção no rosto da garota, ela olhou para o filho e acrescentou: – Mas se você quiser almoçar conosco amanhã, a minha casa sempre estará aberta para você...
Lorraine ficou indignada com o que ouviu.
– Vai se fazer de vítima agora, Eileen? – ela provocou. – Mas claro, eu não deveria esperar outra atitude de você, porque foi isso que você sempre fez...
Ignorando aquelas palavras, Eileen se voltou a Marlene novamente para se despedir.
– Até logo, Marlene – e sem mais palavras, ela entrou na casa, seguida pelo filho.
– Era típico dela fazer exatamente isso – Lorraine ainda reclamava. – Aparecer por aqui só para causar uma desgraça e depois ir embora como se não tivesse acontecido nada...
– CHEGA, Lorraine! – Mark interferiu.
Mas Marlene não prestou atenção à pequena discussão que se iniciava entre seus pais; ela se desesperou completamente ao perceber que Severus também estava indo embora. Ela então correu até ele e sua mãe e os alcançou já no terceiro andar da casa.
– Severus! – Marlene gritou, e ele se virou para ela. – Você também vai embora?
– Não podemos ficar – ele respondeu secamente. – Fomos humilhados demais, você não vê?
– Mas... – ela não sabia nem quais palavras usar; simplesmente não tinha argumentos para convencê-lo a ficar, não depois de tudo que sua mãe havia dito sobre Eileen.
Severus sentiu uma pontada de culpa quando viu as lágrimas de decepção se formarem nos olhos castanhos dela e então acrescentou:
– Você pode vir comigo se quiser – ele disse e ficou esperando a resposta de Marlene, olhando de soslaio para a mãe que já estava em frente à lareira.
Marlene parou por um minuto para refletir. Realmente, vontade de ir embora com Severus não lhe faltava, independentemente do que fora dito, se era verdade ou não que a mãe dele foi amante de seu pai, independente de qualquer coisa, ela queria ir. Mas ela pensou melhor em sua família, no quão determinado Mike fora em ir embora dizendo que não voltaria mais e achou que seria melhor ficar. Na verdade, sabia o quanto sua mãe ficaria magoada se, como filha, ela também resolvesse ir embora.
– Não posso... – ela murmurou a resposta, tentando justificar: – O Mike já foi e...
– Entendo – Severus respondeu ainda em tom seco e sem mais palavras, entrou na lareira ajeitando-se ao lado da mãe, que ainda lhe dirigia um olhar inquisidor.
Frustrada, Marlene observou Eileen e Severus desaparecerem por entre as chamas esverdeadas. Completamente arrasada com os acontecimentos da noite, ela andou vacilante em cada passo, voltando para a choupana fora da casa, onde seus pais ainda discutiam. Sem se importar com o barulho, ela chutou os pratos quebrados para anunciar sua presença.
– Agora que a ceia de Natal já foi arruinada, será que alguém pode me explicar o que realmente está acontecendo aqui? – ela perguntou, erguendo a voz.
Lorraine, dando-se por vencida, disse:
– Pergunte primeiro ao seu pai – ela pediu, e virando as costas para a filha e o marido, também entrou na casa.
Marlene voltou-se interrogativa para o pai e ele mesmo tomou a palavra.
– Eu vou contar – garantiu ele. – Só espero que você não me odeie...
– Eu nunca vou te odiar, pai – ela assegurou, encorajando-o: – Independente de qualquer coisa que tenha acontecido...
Mark suspirou fundo, levando Marlene para se sentar com ele próximo a churrasqueira. Ele então começou a contar à filha que realmente tivera um envolvimento com Eileen, explicando sobre a amizade bastante sólida dela com ele e sua mãe, mas que tudo havia mudado no último ano deles em Hogwarts e que, a cada briga que tinha com Lorraine, era nos braços de Eileen, a melhor amiga, que ele buscava conforto e algo mais.
Mark admitiu ter errado muito, tanto com Lorraine e mais ainda com Eileen, por tê-la enganado com falsas promessas durante todo o tempo que estivera noivo de Lorraine. Porém, ele ressaltou que Eileen nunca fora sua amante, como dissera Lorraine e fez questão de explicar a filha que quando Eileen descobriu sobre seu casamento, eles nunca mais se encontraram e que, três anos depois, ele recebera a notícia de que ela também havia se casado e, para a sua maior surpresa, com um trouxa.
Marlene questionou o pai em alguns momentos, sobre o anel e sobre a noite de hoje, se ele realmente teria impedido se soubesse antes do convite que ela fizera a Eileen, ou se ele realmente teve medo da reação de Lorraine, que ele já sabia qual seria e por isso não a avisou do convite. Seu pai apenas respondeu com uma pontada de arrependimento:
– A culpa disso tudo é minha – ele agora concluía. – Eu sei que nunca fui digno de nenhuma delas.
Depois de ouvir o minucioso e sincero relato de seu pai, Marlene só pode lamentar.
– Eu sinto muito, pai – disse ela com sinceridade. – Se eu tivesse falado com você antes de convidar a mãe do Severus...
– Não sinta – ele pediu. – Eu já disse que a culpa é minha – admitiu Mark. – E sobre hoje, agora vejo que a noite de Natal estaria arruinada de qualquer maneira...
– Pai! – Marlene o repreendeu pelo pensamento pessimista demais.
– É verdade – insistiu ele. – Não seja como a sua mãe, não pense que a noite terminou desse jeito só por causa da presença de Eileen; mesmo se ela não estivesse aqui, e a sua mãe não tivesse se cortado, talvez fosse outra pessoa, qualquer um de nós poderia ter se cortado, e então a Tanya se revelaria vampira, a reação de Lorraine seria a pior possível e o Mike iria embora de qualquer maneira...
Marlene ficou pensativa, relembrando da atitude do irmão.
– Acha que o Mike foi embora mesmo? – ela teve que perguntar. – Pra nunca mais voltar, como a mamãe disse?
Mark sorriu.
– Não – ele respondeu. – Ele ficou muito magoado quando a sua mãe disse que queria matar a Tanya. E pensando melhor agora, acho que eu teria feito a mesma coisa.
– Então você não ficou surpreso por ela ser vampira? – Marlene perguntou incrédula.
– Na verdade não – garantiu ele. – Eu percebi que havia algo diferente com ela quando a conheci ontem, mas independente do que fosse, eu prometi a mim mesmo que não iria me opor a isso, já que nunca vi o seu irmão tão feliz – e depois de um suspiro, ele concluiu: – Acho que Mike foi muito sensato no que disse: é o preconceito das pessoas que fortalece cada vez mais esse Lorde Negro... E nós, Aurores, não podemos ser assim...
Emocionada com aquelas palavras, Marlene deixou que as lágrimas enchessem seus olhos e, quando estas começaram a cair devagar, Mark a olhou preocupado.
– Está triste porque o seu namorado também foi embora? – ele perguntou direto.
Marlene não respondeu, mas fez que sim com a cabeça. No fundo, a maior parte da sua tristeza se devia ao fato de que Severus não estava ali.
– Não se preocupe com isso – Mark voltou a falar. – O que aconteceu aqui hoje, não é suficiente para abalar o relacionamento de vocês.
Era exatamente disso que Marlene tinha medo: medo de que o pouco de entendimento que chegara a ter com Severus se dissipasse completamente por causa do envolvimento que seus pais tiveram num passado em que eles nem existiam.
– Mas pai... – ela disse temerosa – ... Severus disse que se sentiu humilhado... E se ele achar que a mãe dele também...?
– Já disse, não se preocupe – Mark pediu. – Eu tenho certeza que Eileen não dirá nada a Severus que o faça mudar de ideia sobre você; vocês não têm nada a ver com essa história – e como incentivo, ele disse: – Espere um pouco, só até os ânimos se acalmarem. Depois, fale com Severus. Ou melhor: vá para a casa dele amanhã, como Eileen convidou. Só não diga nada a sua mãe; ela ainda está muito magoada, acho que ela não iria concordar...
– Está bem – concordou Marlene num meio sorriso, enxugando o choro. – Eu vou fazer isso amanhã sim...
Marlene se despediu do pai com um beijo, mas não entrou na casa; decidiu fazer uma caminhada pela praia deserta na tentativa de espairecer. Ela andou descalça pela orla da praia sob o manto prateado da lua, tendo em mãos apenas as suas sandálias. Apesar de acreditar que tudo ficaria bem, como seu pai dissera, ela estava realmente muito frustrada com tudo que havia acontecido. Aquele, sem dúvida, tinha sido o pior Natal da sua vida. Ela vira seu irmão sair de casa completamente arrasado, brigado com a mãe. Até mesmo a noite que seria a noite dos seus sonhos, tinha se transformado num pesadelo completo e a poção anticoncepcional que ela havia tomado com tanto cuidado, já não fazia sentido nenhum.
Por um momento, Marlene desejou ter a coragem de Mike para ir embora com Severus. Mas depois pensou: e se tivesse ido? Será que ele iria agir diferente a partir de agora, diante da história mal resolvida entre seus pais?
Muitas dúvidas e nenhuma certeza. Era o que Marlene tinha agora.
Ela caminhou bastante pela praia e agora chegava próximo à casa de barcos. Entrou ali, já que não queria voltar para casa ainda: era perda de tempo tentar dormir agora, que era o que ela deveria fazer, mas já sabia que não conseguiria. Então decidiu se refugiar ali mesmo, no precioso barco de seu pai; sentando-se na proa, ela se pôs a observar o mar.
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Assim que chegaram a Spinner's End, Eileen não esperou nem dois minutos para questionar Severus.
– Como você explica isso? – ela perguntou.
– Não sei do que você está falando – Severus respondeu sem expressão, largando-se no sofá e encarou o fogo da lareira.
– SEVERUS SNAPE OLHE PRA MIM! – Eileen gritou.
Ele a encarou e viu a fúria nos olhos da mãe; era assustadora quando ela disse:
– Como você pôde ter mentido desse jeito, dizendo que os McKinnons haviam me convidado, sendo que eles nem sabiam do convite que Marlene fez?
Severus suspirou fundo.
– Eu sabia que você não iria até lá se eu não dissesse que eles tinham lhe convidado – ele admitiu.
Eileen voltou-se a ele incrédula.
– Sabia? – ela o indagou. – Sabia como?
Ele decidiu falar a verdade; já estava tudo perdido mesmo.
– Eu ouvi uma conversa entre o Sr. e a Sra. McKinnon – ele disse –, em que ela disse que você tinha sido amante dele...
– Eu NUNCA fui amante dele! – exaltada, Eileen deixou-se gritar. – Todo o tempo em que estivemos juntos, eu não sabia que ele estava de casamento marcado com a Lorraine e... – e percebendo do que falava, ela se corrigiu: – Mas o que é isso que eu estou fazendo? Agora são os pais que dão satisfação aos filhos? Não! Você não podia ter feito isso comigo! Não podia...!
Depois disso, Severus perdeu a coragem para fazer qualquer questionamento que tivesse intenção. A angústia superou todos os seus sentimentos quando ele viu Eileen segurando as lágrimas. A angústia de sua mãe doía nele também.
– Me desculpe – ele murmurou.
– Não é a mim que você tem que pedir desculpas, porque não há nada que você faça que eu não possa perdoar! – Eileen respondeu. – Por Merlin, a Marlene convida você para passar o Natal na casa dela e o que você faz? Estraga tudo pelo simples prazer de... – ela não tinha nem palavras – ... de quê mesmo?
– Eu sei, eu estraguei tudo! Estraguei o Natal deles, o nosso e até o pouco do que eu tinha resolvido no meu relacionamento com ela! – Severus admitiu, e a crueldade daquelas palavras assustou sua mãe.
– O que quer dizer com isso? – Eileen forçou-se a perguntar.
– É tudo mentira, mãe! – disse ele. – O meu namoro com ela não passa de uma mentira!
– Mentira? – perguntou Eileen, surpresa. – Mas o que eu vi essa noite foi exatamente o contrário!
– Eu me apaixonei por ela! – Severus admitiu com dificuldade e Eileen suspirou. – Mesmo o nosso namoro sendo uma mentira – e quando a mãe o olhou sem entender, ele explicou: – Nós só ficamos juntos porque Marlene queria afrontar o ex-namorado, que me odeia!
Depois de mais um suspiro forçado, Eileen se pronunciou:
– O namoro de vocês não é uma mentira! Não sei até que ponto isso foi mentira, mas agora não é mais! – ela disse com uma firmeza impressionante. – E eu não vou permitir que você utilize um absurdo desse só pra não admitir que errou!
– O que quer que eu faça? – Severus não a compreendeu. – Que eu volte lá e peça desculpas a Marlene?
– Exatamente – Eileen continuou firme. – Volte lá e conte a ela o que você fez! – e diante do ar contrariado do filho, ela acrescentou: – Se você gosta mesmo dela como disse, então é isso que você tem que fazer!
Severus riu, descrente.
– Eu nem tenho certeza do que ela sente por mim, e se eu fizer isso, Marlene não vai me perdoar...
– Claro que vai – ela insistiu, encorajando-o a fazer a coisa certa: – Eu lhe disse, a Marlene gosta de você... Conte a ela o que você fez, eu tenho certeza que Marlene vai perdoar... Ela só não vai fazer isso se você continuar escondendo dela que já sabia o que podia acontecer quando ela me fez o convite...
Severus refletiu as palavras realistas de sua mãe, pensou sobre tudo que estava escondendo de Marlene, e chegou à conclusão de que estava escondendo coisas demais dela; e não, ele não podia e não iria esconder também os fatos que aconteceram na casa de praia. Ele então se levantou do sofá, e decidido, comunicou:
– Eu vou – Severus disse, caminhando até a lareira e Eileen sorriu orgulhosa com a atitude dele, vendo-o sumir pelas chamas.
SSMMSSMMSSMM
Notas finais
Mais uma vez, agradeço a todos que comentaram no capítulo anterior, significa muito, incentiva muito, de verdade!
Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no botãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses nós nunca vamos saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que nós escrevemos, então nós queremos muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, nós vamos adorar ler!
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