Notas iniciais
Agradecimentos: À Lissa Santos, Elizabeeeth, Gisele_Potter e kb_gsr que comentaram o Capítulo 19! Obrigada! Os comentários de vocês e as recomendações significam muito pra gente, de verdade!
Resumo do Capítulo: Não importa mais a causa. Importa somente o efeito.

– CAPÍTULO VINTE –

CAUSA E EFEITO

Quando retornou a Dover, Severus tomou todo o cuidado possível ao sair daquele escritório; a última coisa que precisava agora era encontrar Lorraine e Mark. Ele andou silenciosamente pelo corredor do terceiro andar e viu que as luzes da casa estavam apagadas, aparentemente os pais de Marlene já estavam dormindo. Descendo as escadas, ele chegou ao quarto dela no segundo andar, mas quando abriu a porta, viu que estava vazio; logo, algo estalou em sua mente: ele se lembrou que Marlene havia dito que amava a casa de barcos, e, arrasada como deveria estar, imaginou que ela só poderia estar lá. Saindo de novo do quarto, Severus conseguiu visualizar a casa de barcos através da imensa parede de vidro ao fundo do corredor e constatou: Marlene estava mesmo lá, mais precisamente no barco de seu pai, e parecia desanimada sentada na proa. Ele não esperou nem mais um minuto e foi até lá.

Marlene ainda olhava o mar quando ouviu passos cadenciados às suas costas. Imaginando que fosse seu pai que aparecera ali, preocupado com o avançado da hora, ela nem se virou para encará-lo; apenas respondeu desanimada:

– Eu já vou dormir, pai... – disse ela. – Só quero ficar olhando pro mar mais um pouquinho...

Severus então se aproximou mais, parando atrás de Marlene, que ainda olhava fixamente para o mar.

– Apesar de ter me comportado como seu pai na última semana – ele respondeu debochado –, acredito que ainda sou muito jovem para ter uma filha desse tamanho...

Ao ouvir novamente aquela voz arrastada, Marlene imediatamente ficou de pé, tão ansiosa que quase tropeçou nos próprios pés; por um momento, não acreditou que Severus estava mesmo ali, e para ter certeza, ela atirou-se a ele desesperadamente; quando ele a envolveu nos braços, ela disse:

– Não fale nada, por favor – pediu ela, nervosa. – Independente do que aconteceu entre o meu pai e a sua mãe, eu só quero que você fique comigo! – e afundou o rosto no peito dele.

Severus a afastou um pouco de si, para erguer o rosto de Marlene e olhar diretamente em seus olhos enquanto respondia:

– A culpa é minha, Marlene – ele disse sério.

Ela riu, agitando a cabeça.

– Não, a culpa não é de ninguém, Severus! – ela afirmou. – Quando eu convidei a sua mãe, eu não tinha como saber, nem você...!

Severus pensou que poderia aproveitar as palavras de Marlene e dar o assunto como encerrado; como ela estava dizendo, não era culpa deninguém.Mas a sua consciência não o permitiu fazer isso, não era honesto. Como ele concluíra anteriormente, já estava escondendo coisasdemaisdela, e não podia esconder isso também, não importava que consequências fosse sofrer; ele tinha que contar. E foi o que ele fez:

– Eu já sabia – admitiu ele.

Agora, foi a própria Marlene que se afastou mais de Severus, dando passos vacilantes para trás. Os olhos castanhos faiscaram, mas ele não soube dizer se era de raiva ou decepção quando ela perguntou:

– Você...sabia?ela perguntou com a voz totalmente falha.

– Eu soube disso ontem; ouvi uma conversa dos seus pais durante a madrugada e... – explicou Severus, mas ela não estava mais ouvindo.

– Não acredito que você fez isso comigo! – Marlene gritou, dando as costas a ele e se apoiando no parapeito. – Como pôde me esconder isso?

Severus manteve-se afastado dela.

– Você queria que eu lhe contasse algo que nem eu mesmo tinha certeza? – indagou ele, incerto.

Marlene suspirou cansada, fixando os olhos no mar outra vez.

– É claro que você devia ter contado! – ela disse furiosa. – Me pouparia do papel ridículo de ter convidado a sua mãe para passar o Natal aqui, da reação horrível da minha mãe, do ataque da Tanya e do meu irmão ter ido embora daqui arrasado! Imagino que esteja muito feliz mesmo com as consequências de tudo quevocêprovocou!

– Tem razão, a culpa é minha, eu admito! – vociferou ele, já que Marlene ainda não o encarava. – Eu sei que errei quando não lhe impedi de trazer minha mãe aqui! Mas eu só fiz isso... – ele suspirou fundo antes de concluir alto e claro: – ... porque eugostode você!

Marlene finalmente se virou para Severus, dando um riso indiferente que quase o magoou.

– Eu realmente não sei qual é o conceito que você tem sobregostar de alguém, se é que você tem algum... – ela disse, com ainda mais indiferença. – Mas também não me importa. Eu só quero que você vá embora!

– Eu não vou embora – ele disse firme, e contrariando qualquer advertência, se aproximou dela.

Encostada ao parapeito, Marlene não teve como se afastar dele e assim, tendo seu rosto muito próximo ao dela, Severus viu o que mais temia: as lágrimas marejavam os olhos castanhos e agora muito tristes; era evidente que ela estava lutando com um esforço sobre-humano para não chorar. Mas ela perdeu a luta quando os olhos deles se encontraram: uma lágrima caiu pelo seu rosto, e antes que mais lágrimas pudessem cair, ele disse depressa:

– Por favor, não chore – Severus sentiu uma dor terrível ao vê-la tão triste e levou a própria mão ao rosto dela, limpando-lhe a lágrima. – Eu não queria fazer você chorar...Me desculpe– disse ele, e a última frase saiu num sussurro.

Marlene então parou de chorar de imediato, tamanha surpresa ao ouvir aquela última frase. Nunca pensou que Severus seriacapazde lhe pedir desculpas, pelo que quer que fosse. Mas não conseguiu pensar muito sobre isso; logo sentiu as mãos dele afastando o cabelo de seu rosto com delicadeza.

Sem pensar no que fazia, ele obedeceu cegamente ao impulso de apagar com um beijo qualquer dor que tivesse causado a Marlene; entrelaçou os dedos nos cabelos castanhos e então aproximou os lábios dos dela sedutoramente, com os lábios entreabertos, num beijo suave, sem pressa e ao mesmo tempo carregado de desejo. Ele a sentiu entreabrir os lábios de forma doce, deixando-o livre para explorar a boca pequena; logo, suas línguas moviam-se numa dança sensual, quente, minando as forças um do outro.

Os braços dele deslizaram lentamente sobre as costas pequenas e a envolveram por completo. Até a raiva que Marlene sentira instantes atrás acabou se transformando em outro sentimento quando ela o sentiu depositar beijos ternos ao longo do seu pescoço e agora sobre os ombros. Ela se sentiu bem, tão bem, que não desejou ouvir mais palavras, sussurros ou respostas; não desejou nada além de poder se sentir assim: querida e desejada por ele.

Aquele desejo contido inundou-os de tal forma que eles inevitavelmente acabaram rumando para o chão do barco, sem que seus lábios se separassem por um minuto sequer. Marlene gemeu ao sentir o peso do corpo quente de Severus moldar-se ao seu. Precisava de ar, mas não desejava se separar dele, de seus lábios e, mesmo quando ele abandonou-lhe a boca, contornou-lhe as maçãs do rosto e mordiscou-lhe levemente o lóbulo da orelha, antes de deslizar sofregamente por seu pescoço, sentindo-a agarrar-se a sua camisa e arranhar-lhe as costas; então cobriu o colo parcialmente desnudo com beijos úmidos e quentes, que a faziam arquear-se de puro deleite, ao mesmo tempo em que sentia as mãos pequenas dela se agarrarem a os seus cabelos.

Marlene mal sentiu o ar que começava a voltar a seus pulmões, quando os lábios dele tomaram os seus mais uma vez; as mãos de Severus percorriam seu corpo, subiam de forma suave pela lateral de seu vestido como se pedissem permissão. Por um breve momento, ela ainda buscou energias para tentar se desvencilhar, mas seu coração não queria que vencesse aquela batalha.

– Espera, espera! – ela pediu, afastando-o parcialmente de si. – Não era pra ser assim – ela explicou, levantando-se rapidamente do chão e ajeitou o vestido.

– E como era pra ser? – Severus perguntou com graça, também se levantando e caminhou até ela; levando uma das mãos com suavidade ao seu rosto, ele completou: – Marlene,eu seique você me deseja, tanto quanto eu desejo você... Qual o problema nisso?

– Ah, não, nenhum... não é isso... – ela murmurou, tomando a mão dele entre a sua e dando um sorriso zombeteiro, explicou: – Só acho que não tem nada a ver a gente ficar se agarrando aqui nesse chão gelado...

– Não? Então...? – ele perguntou, pressionando-a a se decidir.

– Acho que vai sermelhorna cama que tem lá dentro – Marlene disse, apontando para o interior do barco.

Severus nem conseguiu responder; sem demora, Marlene lançou-se em seus braços, prendendo ambas as pernas em sua cintura; ele a segurou com firmeza pelos quadris e uniu seus lábios aos dela com mais urgência ainda, sentindo-a corresponder com sofreguidão e suas mãos apertaram as costas dela. Ela sentiu um arrepio intenso cruzar-lhe o corpo, enquanto eles desciam com passos incertos pelo pequeno corredor que levava para o interior do barco. Ele ficou confuso quando viu as portas dos compartimentos, eram todas iguais; tendo Marlene ainda suspensa em seus braços, ele tentou perguntar:

– Marlene...?

– Última porta a esquerda – ela respondeu de imediato, como se já soubesse o que Severus queria perguntar e voltou a beijá-lo; não queria ficar um minuto sequer sem sentir os lábios quentes e úmidos que se moviam sobre os seus com avidez.

Ela ofegou quando a porta se fechou com um estalo, sem conseguir impedir que um fraco gemido lhe escapasse dos lábios.

– Severus... – Marlene sussurrou com a voz entrecortada quando ele finalmente a colocou no chão; simplesmente não conseguia formular nada em mente, e tudo o que tinha era o nome dele em sua cabeça.

Seu corpo roçou no dele de forma irresistível e Marlene imaginou que fosse cair, tamanho o torpor que a envolvia; seus sentidos, todos, foram assaltados por uma centena de diferentes sensações: a linha longa e dura da coxa dele entre suas pernas... Nada os deteria dessa vez. Ela estremeceu com esse pensamento, e Severus lhe enlaçou pela cintura ao notar seu pequeno desequilíbrio.

Um riso nervoso escapou dos seus lábios ao fitá-lo: os olhos negros dele estavam estampados de puro desejo. Ela perdeu a respiração e o coração parecia bater na garganta, porque os seus outros sentidos estavam concentrados demais na figura imponente a sua frente, a manifestação dos seus sonhos eróticos. A única coisa que desejava era perder-se nele, que ele lhe dominasse o corpo como tantas vezes em sonho.

Severus voltou a tomar os lábios dela com firmeza, tirando-lhe a respiração e o pensamento. Porém, o domínio dele sobre Marlene não se deteve somente nos seus lábios. Os dedos que lhe agarraram a cintura se soltaram e a mão dele subiu, deslizando pelo seu braço ao redor da cintura, puxando-a para ainda mais perto; o desejo dele se tornou alarmantemente perceptível, já que uma rígida ereção fazia pressão contra o abdômen dela.

Quando sentiu os lábios dele deslizando novamente pelo seu rosto e pescoço, Marlene soube que estava perdida. Nunca tinha sentido nada como aquela sensação ardente que a boca de Severus deixava em sua pele clara e lisa; como resposta ao ardor das carícias dele, ela enlaçou o seu pescoço, fazendo-o afundar o rosto em seu colo.

– Eu quero você – ele ergueu a cabeça e sussurrou, acariciando-lhe o rosto com a ponta dos dedos, fazendo uma série de arrepios correrem pelo corpo dela; fato que certamente não lhe passou despercebido, já que seus lábios rapidamente se curvaram num sorriso.

Marlene entreabriu os lábios para falar, mas as palavras pareciam ter sumido. Ela realmente estava sem palavras: era a primeira vez que via um sorriso no rosto dele sem ser de deboche, e concluiu que Severus precisava sorrir mais, era um desperdício ele não sorrir, porque ele até que tinha um sorriso bonito.

Ela então recuou um passo, quando percebeu que Severus começava a desatar alguns botões da camisa negra e engoliu em seco, lembrando-se de tudo que havia sonhado na noite anterior. E quando ele se aproximou, Marlene instintivamente recuou mais um passo, batendo contra uma mesinha paralela à parede que continha um vaso. Ela se segurou para não praguejar a respeito, pelo menos não em voz alta.

"Droga!" – Marlene virou-se rapidamente, tentando evitar a queda do vaso, mas momentos depois o recipiente de vidro partia-se no chão.

Ela se sentia infinitamente ansiosa, de uma forma quase que desesperada. Estar ali junto de Severus ainda lhe parecia tão irreal que era como se ainda estivesse presa em mais um daqueles sonhos eróticos. Podia tocá-lo, podia senti-lo, mas temia que quando o fizesse, ele fosse simplesmente desaparecer como ao final de um de seus sonhos.

Marlene então se voltou para a mesinha, dando um suspiro frustrado ao ver em que situação havia ficado o pobre vaso. A noite que ela desejava ser perfeita, já continha ares de fracasso. Era em momentos como esse que desejava ser uma pessoa menos desastrada; desejava não sera Lene de sempre, pelo menos por alguns instantes, ela pensou, fechando os olhos por alguns segundos.

– Deixa isso – ela ouviu Severus sussurrar atrás de si e estremeceu, sentindo os dedos longos dele afastarem lentamente os fios castanhos de sua nuca para em seguida, deixar os lábios quentes roçarem a pele sensível. Fechou os olhos, mal conseguindo impedir que um fraco gemido escapasse dos seus lábios.

– Mais um pouco e eu destruo o barco do meu pai... – Marlene sussurrou amuada, ainda fitando o que restara do vaso ao lado da cama. – Eu sou um completo desastre...

– Não, não é! – ele falou veementemente, tomando-lhe as mãos e ajudando-a a se recompor.

Ela mal havia ficado ereta, quando o sentiu enlaçar a cintura e suas costas tocarem o peito desprovido de tecido. Marlene então se aconchegou no calor que lhe era oferecido e suspirou. Severus acariciou-lhe os cabelos, deixando os dedos se entrelaçarem entre os fios castanhos, tirando um baixo suspiro dos lábios dela. Ele apoiou o queixo sobre seu ombro, sentindo a respiração dela tornar-se mais pesada e então aspirou longamente o perfume de Amêndoas que provinha de seus cabelos; repousando um beijo demorado sobre a curva de seu pescoço, ele tomou-lhe uma das mãos, levando-a até os lábios; em toques suaves, deixou-os correr pela ponta dos dedos dela até chegarem à palma de sua mão, sentindo-a tremula e fria e então a virou de frente para si.

Mais uma vez, Severus tomou-lhe os lábios sem pressa, provando de todo sabor que tinham enquanto suas mãos hábeis deslizavam suavemente pelo espaldar sinuoso de sua cintura. Ele a sentiu estremecer quando seus dedos por fim alcançaram o fecho do vestido, porém, contrariando todos os pensamentos de Marlene, apenas aproximou os lábios do ponto sensível atrás de sua orelha. Ela o sentiu envolver-lhe com suavidade uma das mãos e levá-la até o seu peito desnudo.

Marlene apenas suspirou e fitou intensamente os olhos negros, sentindo o coração dele bater acelerado embaixo de seus dedos. Ela então deslizou ambas as mãos sobre o tórax despido, sentindo cada músculo rijo com suavidade; chegando na altura do abdômen, ela desabotoou e desceu o zíper de sua calça, e ele mesmo a ajudou a livrar-se dela rapidamente. Ela acariciou-lhe o peito novamente e alcançando seus ombros, terminou de despi-lo, deixando que a camisa de linho deslizasse por suas costas. Apoiando-se nas pontas dos pés, ela repousou um beijo demorado sobre o pescoço dele, sentindo-o no mesmo instante envolver os braços em sua cintura. E foi a vez de Severus não conseguir conter um gemido rouco ao sentir os lábios macios em sua pele.

As mãos dele subiram lentamente por suas costas e Marlene se afastou parcialmente para fitá-lo. Em silêncio, Severus por fim completou o que havia iniciado: abriu o fecho do vestido, que deslizou sobre as curvas dela caindo displicente aos seus pés. Naquele instante foi como se ele pudesse tocá-la com seus olhos; ela viu os olhos dele percorrendo cada parte de seu corpo. Marlene enrubesceu e mais uma vez, sem que qualquer palavra fosse dita, Severus a envolveu entre os braços e a trouxe para si, sentindo os seios enrijecidos roçarem o seu corpo de forma irresistível. Tanto, que ele passou a tocá-los como se tivessem sido feitos exatamente para isso, para que os pudesse tocar com firmeza, acariciando os mamilos rosados com os polegares e sentindo a textura macia, enquanto a sua boca recapturava a dela em mais um beijo; os lábios dela tinham se aberto embaixo dos dele, e sua língua lhe esquadrinhava a boca com intensidade febril.

E então, as mãos dela, como que por vontade própria, começaram uma audaciosa exploração: introduziram-se na boxer negra dele, envolvendo o membro rígido. Marlene sentiu o desejo dele pulsando contra sua mão e levantou a cabeça, a tempo de vê-lo com os olhos semicerrados de desejo e gemeu desapontada quando ele afastou-a de si por um breve momento, apenas para que ela pudesse dar dois passos para trás, sentindo as costas dos joelhos batendo na cama e a deitou ali suavemente, indo junto por cima dela.

Naquele ardor, Marlene foi surpreendida pela boca dele, que se moveu dos seus lábios para o seu pescoço, e descendo mais, Severus lhe abocanhou um dos seios: os lábios úmidos e quentes dele traçavam linhas imaginárias, contornando o mamilo rosado com a ponta da língua, enquanto uma das mãos fazia pequenos círculos no outro mamilo, e a outra subia pela lateral de seu corpo com suavidade, fazendo-a se arrepiar.

A carícia foi repetida sem pressa no outro seio antes de deslizar suavemente, deixando aquela trilha ardente sobre o seu ventre liso e o resto de seu corpo. Os lábios, a língua, e as mãos de Severus, cada parte de si eram uma labareda, que assim que a tocava a consumia, fazendo Marlene arder de paixão; era um prazer inigualável, sentir a língua dele passeando pelo seu corpo e suas mãos firmes apertando-a embaixo dele; ela arqueou-se no mais puro deleite e suas mãos prenderam-se aos cabelos negros; sentir seus lábios e língua sobre seu corpo quase a fizeram chegar ao êxtase.

Severus continuou a sua trilha de beijos ardentes por aquele corpo suave, sentindo, provando, saboreando cada parte; senti-la entre os braços, sentir o seu perfume e provar de seus lábios doces era uma dádiva. Todos os sentidos dela despertavam a cada toque dele, como se só agora fossem verdadeiramente despertos: seus olhos viam as cores com mais fulgor, seus ouvidos ouviam a melodia suave de seus corações a baterem ansiosos, seu paladar sentia o gosto doce da paixão. E principalmente, o seu tato era posto a prova. Cada toque despertava em si uma explosão de sentimentos nunca sentida antes.

Marlene ofegou ao sentir os dedos dele deslizarem pelo seu ventre, e logo as mãos de Severus tocaram o cós da sua calcinha; ele começou a tirá-la lentamente, e embora ela quisesse que ele arrancasse aquela peça idiota rapidamente, ele demorou de propósito. Mas depois de um tempo, quando ele a livrou daquela peça, ele parou para olhar com desejo o corpo ali exposto, o que a fez corar.

Ela estava nua, a visão mais linda que já tivera na vida. Depois de admirá-la bem, ele desistiu de ficar apenas olhando e voltou-se a ela novamente ; suas mãos passearam pelo corpo dela suavemente, a cada toque ela estremecia ainda mais de prazer: a boca dele que beijava os seus seios, a língua que brincava com o mamilo e a deixava louca de desejo. Ele desceu um pouco mais o corpo, e chegando ao ventre, foi até o umbigo delicado e o circulou com a língua, fazendo os olhos dela revirarem de prazer.

Marlene respirou com dificuldade quando sentiu a mão dele descendo em direção ao seu sexo, em busca da umidade entre as suas pernas; ela só conseguia ofegar, arquejando o corpo contra o dele e um gemido alto escapou de seus lábios quando o sentiu tocar o mais intimo de si; numa reação involuntária ela contraiu o corpo e ele continuou aquela exploração suavemente: sentindo a umidade quente dela, ele ia e voltava, como se fosse penetrá-la. Ela não conseguia mais pensar, não conseguia respirar, não conseguia fazer nada a não ser se contorcer de prazer, ora arranhando-lhe as costas, ora agarrando com força aqueles lençóis macios.

Severus retirou os dedos de dentro dela, e agora eram os seus lábios e língua que deslizavam pelo ventre liso; ela gemeu alto quando sentiu os lábios dele encostando sua feminilidade, mas para sua frustração ele não se deteve ali: foi direto até as coxas, beijando-as com força. Ele as mordeu suavemente na parte interna, fazendo-as abrir involuntariamente, e então sua língua traçou um caminho de fogo até o ponto mais sensível do corpo dela.

Marlene sentiu a língua dele circulando o seu clitóris lentamente, depois aumentando a velocidade; logo, a língua frenética de Severus estava estimulando todo o seu sexo; ela sentia leves mordidas e sucções e tudo o mais se tornou colorido, um turbilhão colorido que a levava pouco a pouco a uma dimensão distante e pertencente somente a si. Ofegante, ela agarrou-se aos lençóis e se contorceu incapaz de controlar o prazer que a invadia, mas aquilo era apenas o começo.

– Você tem um gosto muito bom – sussurrou ele, voltando para cima, e afastou o cabelo dela do rosto; antes que ela pudesse responder, seus lábios chegaram firmes nos dela outra vez.

Severus estava deixando-a insana de desejo. Já não conseguia pensar em mais nada. Em sua mente só havia um desejo:o de ser dele.Mas antes, Marlene observou melhor o membro que ainda estava coberto pela boxer negra. Decidida, ela se ajoelhou na cama e passando seus dedos pelo cós daquela boxer, começou a descê-la calmamente, sentindo-o tremer sob seu toque. Pela primeira vez, ela encarou aquele membro tão próximo; era muito maior do que ela imaginava e seus sonhos não faziam jus a aquilo; ela então o tomou cuidadosamente com as mãos, fazendo-o arfar.

Ela o acariciou por toda a extensão, mas de repente parou; ainda impressionada com o tamanho do membro que estava em sua mão, ela olhou com desejo, ora nos olhos de seu namorado, ora para o membro dele. Marlene então passou a movimentar ainda mais as mãos em torno dele, estimulando a cabeça sedosa com a língua; logo, Severus levou as mãos para trás da cabeça dela, bagunçando seus cabelos; ele mesmo jogou a cabeça para trás num gemido de prazer quando ela intensificou seus movimentos. Mesmo sentindo-o pulsar em sua boca, ela não parou de estimulá-lo; não sabia se continuaria até que ele gozasse, até que ele decidiu por ela, afastando-se de sua boca.

Severus então puxou Marlene para cima, desvinculando-a por completo de seu membro e mais uma vez ela sentiu os lábios dele sobre os seus, agora com uma sede incontrolável de consumi-la por completo, como se fosse a sua única fonte de vida: a língua dele brincava com a sua num jogo sensual que a deixava sem ar e sem qualquer possibilidade de resistir; um beijo repleto de prazer, que exalava o desejo que ele tinha de estar dentro dela. Atendendo de imediato aquele pedido mudo, Marlene se agarrou a ele, aumentando o contato entre seus corpos e sua mão deslizou de forma provocante sobre o abdômen dele, sentindo-o se contrair no mesmo instante e emitir um gemido rouco.

Ela seria dele. E seria agora.

Lentamente, Marlene se aproximou de Severus e quando seus corpos nus por fim se tocaram diretamente, foi como um chamado a realidade e ela sentiu que, uma vez dele, não desejaria ser de mais ninguém.

As mãos que deslizavam sobre seu corpo pareciam estar refazendo-a; Severus contornou-lhe os seios com as pontas dos dedos e então desceu com suavidade pela lateral de seu corpo. Ela simplesmente deixou-se guiar por ele. Ele envolveu-a completamente entre os braços e então rolou o corpo na cama, empurrando-a contra o colchão, deitando-se entre as coxas abertas. Ele não aguentava mais esperar, mas parou um minuto quando se olharam longamente, sentindo seus corpos ansiosos, porém certos de que queriam tornar-se um, encaixarem-se com absoluta precisão. Ela arqueou as costas no momento em que o sentiu entrando nela com toda a largura e comprimento que pareciam lhe rasgar a feminilidade estreita.

Severus ficou parado, de olhos fechados e sem pressa, esperou Marlene se acostumar com aquela doce invasão. Suas mãos deslizaram demoradamente sobre seus quadris e então ele finalmente enfiou-se completamente nela; ela respirou com dificuldade quando finalmente pôde senti-lo por inteiro dentro de si. Ele a ouviu gemer alto entre seus lábios e então começou a mover-se sensualmente dentro dela segurando-a firmemente pelos quadris; ela estava molhada, apertada, envolvendo-o num calor sedoso. Ele abriu os olhos e encontrou o olhar surpreso dela; não foi dor ou desconforto que viu neles, mas consciência. Estava claro que ela sentia a mesma coisa que ele; ela lhe arranhava as costas, gemia se contorcendo de prazer e então enlaçou ambas as pernas em sua cintura, dando-lhe maior acesso. Ela voltou a fechar os olhos e ele viu a sua expressão de êxtase.

Ver a expressão de deleite dela, era na verdade o seu maior prazer, Severus pensou. Ele começou a mover-se rapidamente, pretendendo se distrair, para se afastar da realidade de seus pensamentos; para ele, sexo sempre fora uma forma de alívio rápido e fácil. Não agora. Não com ela. Não se o ritmo dela complementava o dele, a respiração dela combinava com a dele e o corpo dela se moldava perfeitamente ao dele. Logo, seus lábios e língua juntaram-se a aquela doce tortura e um longo gemido escapou dos lábios de Marlene, que se arqueou ainda mais, agarrando-se aos seus cabelos. Ela puxou devagar os fios negros, fazendo-o tremer de prazer e tomou-lhe os lábios num beijo ardente.

Ele continuava a estocá-la num ritmo ainda mais intenso, sensual, e não demorou muito para que Marlene começasse a sentir a pulsação e os batimentos cardíacos acelerados; involuntariamente, ela contraiu seu sexo e todos os músculos de seu corpo, sentindo um arrepio inexplicável e um tremor diferente de todos que já havia sentido; seu corpo inteiro vibrou com a força do seu orgasmo e sensação de entrega a dominou completamente.

Severus sentiu que ela estava a ponto de desfalecer nos braços dele, mas ele queria mais. Queria dar-lhe mais: tomou os lábios dela novamente e os beijou com força, urgência, desespero e prazer, e naquele beijo pôde sentir que ela também não queria acabar com aquele ato.

Ele virou-se com ela na cama, sem interromper a penetração e nem o beijo, fazendo-a ficar em cima dele. Agarrando suas coxas, ele a instigou a cavalgá-lo e em meio a caricias e beijos. Marlene então começou a se movimentar sobre ele num ritmo cadenciado; logo, ela aumentou o ritmo dos movimentos, pulando em cima dele fazendo-o gemer, sentindo o prazer crescente que o dominava. Momentos depois, ela o sentiu estremecer embaixo de si, um gemido rouco escapando-lhe dos lábios. Quando ele estremeceu, ela estremeceu junto, contraindo seus músculos, apertando ainda mais o membro pulsante dentro de si, sentindo que ele ia derramar-se dentro dela a qualquer instante. E quando o líquido quente dele a invadiu, ela mal teve tempo de sentir; outro espasmo de prazer a estremeceu, ela atingiu o orgasmo mais uma vez, mas agora, tinha sido junto com ele.

Marlene acariciou-lhe os cabelos negros e se deitou exausta sobre o corpo de Severus sentindo-se lânguida. Uma fina camada de suor cobria seus corpos. Ela se sentiu completa naquele momento, como se fosse a primeira vez que pudesse verdadeiramente se sentir assim. E ele, que estava respirando com dificuldade, puxou-a para mais junto de si, e a fez repousar a cabeça sobre o seu peito; depositou-lhe um beijo suave sobre os cabelos castanhos e suas mãos acariciaram as costas nuas com doçura. Ele a desejava perto dele, mesmo que o êxtase já tivesse passado. Aquilo foi o melhor da noite; ela não havia sido apenas um corpo para que ele satisfizesse os seus desejos e tampouco ele a ela.

– Severus... isso... foi... – Marlene ofegou.

– ...inacreditável – Severus disse enquanto a abraçava com mais força e a beijava calmamente.

Marlene respirou fundo e sorriu para ele, sentindo aquele cheiro de prazer que estava na sua pele, misturado ao seu. Severus a abraçou novamente, roçando seus lábios nos dela. Ela tocou suavemente seu rosto, e fechando os olhos, adormeceu nos braços dele.

Mais tarde, ela o despertou novamente, sua boca quente, insistente e Severus não resistiu; fez amor com ela de novo, de novo e de novo. Marlene pedia sempre mais, sem se preocupar com mais nada que estivesse além daquele barco. Realmente, não lhe importava mais a causa, oporquêde estarem ali; só o que importava era o efeito, e este era bom.

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Acordando de um sono profundo na manhã seguinte, Severus continuou deitado, imóvel. Pela primeira vez em semanas, sentia-se relaxado e bem disposto. Ele admirou o rosto adorável de Marlene, apoiado sobre seu peito; eles eram um só. Enquanto trazia a mente todos os detalhes do que acontecera entre ambos na noite anterior, ele sentiu o corpo relaxar ainda mais. Mesmo se quisesse, não conseguiria se mexer para se afastar dela, que o abraçava num sono profundo. E ainda que conseguisse mover um músculo sequer, não tinha como fazer seu coração se separar do dela.

Ele fechou os olhos e ficou prestando atenção a respiração dela. De alguma maneira, em algum momento daquelamentira,tinha se apaixonado profundamente por ela. Mas não importava quando; só importava ficar ao lado dela, sentindo o seu calor enquanto isso fosse possível.

"Enquanto for possível." – pensou Severus, tentando afastar de seus pensamentos essa idéia que o atormentava. Ele sabia que dali a algum tempo ela sairia de sua vida, talvez para sempre, dependendo de suas atitudes, mas ele não quis pensar nisso agora.

Marlene então se mexeu no seu abraço. Encostando a cabeça na dele, ainda sem abrir os olhos, ela disse sonolenta.

– Ei...! – ela reclamou. – O que você está fazendo acordado tão cedo?

– Não étãocedo – respondeu ele, e debochou: – A propósito, Feliz Natal.

Ela riu, mas continuava de olhos fechados.

Natal...! – Marlene murmurou. – Meu pai vai me matar...! Imagina se ele entrar aqui e souber que oamadobarcodele... – e riu de novo antes de concluir a frase.

– É algo que teremos que enfrentar – Severus disse cínico. – Mas não agora – e passando a mão pelo rosto dela, ele comunicou: – Eu vou tomar um banho...

– Eu também! – ela respondeu, abrindo os olhos agora, e fez menção de se levantar, mas foi só o que conseguiu fazer. – Aiiii! – gemeu ela.

Severus voltou-se a ela novamente.

– Marlene, você está bem? – ele perguntou preocupado.

– Não sei – ela disse baixinho, num fio de voz. –Eu não consigo memexer...!

– Como assim, não consegue se mexer? – insistiu ele.

– Não consigo! – Marlene disse, um pouco irritada agora. – Nunca me senti assim!

Ele deu um meio sorriso presunçoso. Sabia que a noite havia sido boa, mas não pensava que tinha sidotanto. Mas, pensando também que poderia ter cometido algum excesso e a machucado de verdade, Severus voltou a perguntar preocupado:

– Você não consegue mexernada,nada mesmo?

– Não – ela respondeu, e para provar isso, tentou se levantar do peito dele, mas não conseguiu; e com um pouco de raiva na voz, ela acrescentou: – Severus, você –acabou– comigo!

Tentando disfarçar uma pontada de culpa, ele deu de ombros.

– Eu só fiz o que você pediu, Marlene... Você é muito exagerada – disse ele, e concluiu cínico: – Nada que um "Locomotor" não resolva... Quer que eu tire você da cama usando magia?

Ela ia começar a xingá-lo, mas não fez isso; respirou fundo e disse:

– Não! – resmungou Marlene. – Vá tomar o seu banho e me deixe aqui...! – ela pediu fingindo estar brava. – Daqui a pouco passa...

Severus achou melhor não discutir.

– Tudo bem – disse ele por fim, dando-lhe um beijo delicado no rosto; afastou-se dela com cuidado para sair da cama e pegou as roupas do chão, se dirigindo até o banheiro. Ele realmente esperava que, o que quer que tivesse acontecido passasse logo – caso contrário, era uma coisaa maispara ter que explicar ao pai dela.

Marlene ouviu a porta do banheiro bater no corredor e afundou nas cobertas. Ela não conseguia mexer um músculo sequer. E tinha certeza, não era possível ficar tanto tempo nesse estado; era umtorporinexplicável e ela ainda estava exausta. Não sentia tanto prazer sexual assim desde... bem...nunca. E, se existia mesmo omáximodo prazer, então naquela noite ela o havia alcançado.

Mas fosse o que fosse que a deixara daquele jeito, ela só esperava que passasse antes do seu pai acordar. Tudo que ela não precisava agora era um flagrante, ainda maisnaquelasituação.

E então se desesperou completamente quando ouviu passos rápidos na parte de fora do barco, os passos ficando mais rápidos, descendo o corredor que dava acesso ao quarto; a porta se abriu com um ruidoso estrondo e uma voz vociferou:

– MARLENE! Saia dessa cama AGORA!

SSMMSSMMSSMM

Notas finais
Oi pessoal! Finalmente, aqui está a NC prometida e eu espero que você gostem e sinceramente, que não tenha decepcionado ninguém! Só posso dizer que ficou exatamente como nós imaginávamos e claro, porque o meu noivo ajudou na "composição"!
Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no botãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses nós nunca vamos saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que nós escrevemos, então nós queremos muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, nós vamos adorar ler!