Muito Além Da Dor!
10 Capítulo 10 UMA LUZ NO ABISMO...
Notas iniciais
“O ódio não é senão o próprio amor que adoeceu gravemente”
Muitos se perguntam o que existe depois que respiramos, pela última vez. Na verdade, eu pouco me lembro dessa parte, estava letárgico, meu corpo entrando em colapso pelo excesso de morfina. Só sei que senti medo, muito medo. Uma opressão estranha que parecia apertar não só a minha garganta, mas meu corpo inteiro, me asfixiando, me fazendo afundar em um abismo escuro e frio. Então acordei e descobri que não era o fim, minha verdadeira vida começava, naquele exato instante...
Cidades disformes desfilavam como por encanto, emergindo sobre abismos e paisagens sombrias. Criaturas horripilantes rastejavam em uma espécie de lodo cujo odor lembrava chumbo e enxofre.
Shun caminhava sobre o leito seco de um rio escuro. A cada passo, formas e rostos vibravam, ora ressequidos, ora gelatinosos, até que o anjo apareceu, brilhante e amoroso, como no dia em que fora acolhido pela morte e viera parar ali, por algum tempo...
Olá, Shun! Vejo que já consegue chegar aqui sem medo ou percalços. — disse o anjo.
Olá, Halaliel!— respondeu Shun com um sorriso tímido.
Está pronto para adentrar um pouco mais? Tem alguém em especial que desejas tocar? – perguntou o anjo.
Sim, eu desejo tocar alguém em especial. Essa pessoa está tomada pelo ódio e tenta, insistentemente, atingir meu irmão. — falou Shun.
Sabes que ele tem de desejar ser tocado, não é? A permissão é sempre o caminho, nada deve ser imposto, nem manipulado. — retorquiu Halaliel.
Eu gostaria de tentar. Sei que talvez ele não aceite agora, mas preciso dar esse primeiro passo. Também eu, estou aprendendo a perdoar...
O anjo vibrou e todo aquele espaço tenebroso pareceu suspirar de contentamento preenchido pela luz da compaixão. Shun sentiu-se mais forte e decidido, seu corpo etéreo moveu-se com serenidade e graça, embora ainda o entristecesse ver o quanto as trevas podiam fazer regredir o ser humano.
Os dois andaram juntos e, por onde passavam, viam rastejar e aproximar-se criaturas que emitiam sons guturais e logo voltavam para lugares sombrios e úmidos daquelas paisagens destituídas de beleza.
Perto dali, Guilty olhava para suas mãos e seu corpo. Sempre fora um homem forte, robusto. Mesmo na maturidade orgulhava-se de ser um veterano em forma. Agora, ao olhar para si, encontrava a pele macilenta e sentia uma densidade fria imiscuindo-se por dentro, como se de repente, sua personalidade cedesse espaço para um vazio raivoso que o impedia de pensar e analisar. Pareço uma fera doente e inútil!
Enquanto se debatia com suas questões, criaturas com feições reptilianas se aproximavam dele, tocando-o e sussurrando palavras de ordem.
Guilty queria vingança, mas não queria deixar de ser quem era. Aquelas coisas o estavam irritando com seu aliciamento constante e pareciam ser muito burras, quase primitivas.
Deixem-me em paz! Afastem-se!— gritou ele e até mesmo a sua voz estava distorcida e quase inumana.
Foi neste momento que Shun e Halaliel surgiram. De imediato, as criaturas sibilaram e os encararam de forma ameaçadora. O anjo elevou a mão e disse num tom amoroso, mas forte:
Saudações, irmãos! Trazemos paz e luz para compartilhar.
Não queremos a sua paz, nem a sua luz! Vão embora! – vociferou uma das criaturas.
Guilty permaneceu em silêncio, encarando Shun com o cenho franzido. O jovem olhou-o, buscando uma conexão visual para então falar.
Guilty, eu vim oferecer minha ajuda. Você não está sozinho, eu sei o que é sentir raiva e impotência.
Encarando Shun, Guilty permitiu-se rir e o som rouco pareceu um rosnado animalesco e metálico.
O que um moleque como você pode saber? Você não sabe nada! Faça o que eles disseram, vá embora! – vociferou Guilty.
Shun olhou para Halaliel e viu que o anjo continuava vibrando em uma frequência de amor e compaixão sem dizer uma só palavra. Por um segundo, relembrou quando o viu, pela primeira vez...
Recém havia deixado a vida física e sentia como se todo o seu corpo tivesse sido implodido e reconstruído no mesmo instante. Uma vibração estranha zumbia em seu corpo, agora não mais com a densidade da carne e ele não sabia onde estava ou o que estava acontecendo. Rostos, vozes e imagens dançavam vertiginosos fazendo-o experimentar um atordoamento asfixiante e aterrorizador. Foi então, que em meio a tudo aquilo, ele o viu, sereno, belo e tão luminoso que parecia feito de estrelas. “Venha” disse ele e todo o medo se dissipou como por encanto. “Chamo-me Halaliel e vim orientá-lo, Shun. Não é preciso temer, o Amor Supremo está contigo.”
O anjo percebeu a angústia de Shun e seu corpo pareceu expandir e iluminar ainda mais o lugar. Uma temperatura amena e aconchegante quebrou a umidade fria e os seres rastejantes moveram-se devagar, como se desejassem mais daquela luz, mas ainda sentindo o chamado das sombras. Guilty oscilou também, uma parte sua abastecendo-se daquela vibração, outra ainda permanecendo no lodo emocional do rancor.
Guilty, por favor, aceite nossa ajuda.— disse Shun, novamente.
Não... Deixe-me... Deixe-me! — respondeu ele, embora não tão enfático como antes.
Derrotado e triste, Shun não insistiu e foi ter com Halaliel. Não compreendia o porquê de tanta resistência, mas aprendera que o livre arbítrio era uma lei que nunca podia ser quebrada.
Vamos. – disse ele.
O anjo colocou seu braço sobre os ombros de Shun e sorriu tão amoroso, quanto na primeira vez que o encontrara.
Não fique triste, Shun. Mais cedo ou mais tarde, Guilty aprenderá e escolherá o caminho certo. Dê-lhe tempo.
Mas... Quanto mais tempo ele ficar aqui, mais sombria sua alma ficará. Ele parece não acreditar em nada além do próprio ódio. Tenho medo que ele se fortaleça para prejudicar meu irmão e a situação fique cada vez pior!
Não tema por seu irmão. Cada um tem o seu desafio e a sua benção. A Lei do Amor é sempre maior e penetra no coração além das crenças. O ódio que Guilty sente nada mais é que a distorção da percepção do amor. Venha, vamos voltar.— respondeu Halaliel.
Shun olhou nos olhos do anjo e a luz que viu neles lhe trouxe uma paz intensa e transcendente. O tempo parecia morar ali, onde não se conseguia precisar a cor ou a forma do que costumamos buscar nos olhos de um ser. Também, não era o mesmo tempo conhecido e vivenciado na vida física, era outra dimensão que transformava e refletia algo acima das crenças e das escolhas... No olhar de Halaliel só havia eternidade e amor...
Ante a visão fantástica, Shun voltou a sorrir e retomou a serenidade. Compreendeu naquele olhar, sem palavras, que tudo era justo e perfeito.
Shun despediu-se de Halaliel e sentiu que seu corpo vibrava. Algo estava para acontecer e envolvia aqueles que amava. Uma angústia esquisita dominou-o, mas ele inspirou fundo e fechou os olhos. Logo, adentrava, novamente, o mundo dos homens...
0000****0000****0000
O russo chamado Serguei verificou as armas e os tanques conseguidos em negociações obscuras com facções terroristas. A adrenalina já dominara o seu corpo desde o momento em que resolvera dar o golpe de misericórdia em seu maior rival, Nikolai Poseidon.
Depois de meses agindo como se fosse um ancestral direto dos antigos caçadores de escravos, arrecadara crianças e adultos para usar em sua guerra particular. Terrorismo, roubo e prostituição, três pilares estratégicos que construíra para atiçar o FBI e deixar pistas comprometedoras como se fosse Nikolai. A seu favor, tinha o fato do rival ser tão feroz quanto ele e, após ter descoberto possuir um filho, desejar, a todo custo, tê-lo junto de si e protegê-lo. Idiota! Ela acabaria com o garoto e de quebra, desfalcaria o FBI atacando seus melhores agentes. E, melhor que isso, Nikolai seria responsabilizado, já que havia mantido um deles em cativeiro.
— Mexam-se, seus molengas! Está na hora! – o grito reverberou pelo lugar cercado pelas montanhas.
A movimentação dos dois tanques de guerra, conseguidos em um leilão no mercado negro de armas reiniciou sua jornada, enquanto jipes mostravam homens muito bem armados.
Sem se preocupar em serem descobertos, eles continuavam a percorrer a estrada sem saber que Seiya e Kanon já estavam sobrevoando a área no helicóptero.
Quando entraram na área de visibilidade, o som alertou-os e um dos jipes parou.
— Chefe, olhe! – gritou um dos homens apontando para cima.
— Ah, então eles já sabem que estamos aqui. Ótimo, vamos experimentar nosso pequeno arsenal... – disse Serguei sorrindo.
0000****0000****0000
— Quero que fique em segurança e me deixe cuidar de tudo. Voltarei logo. – disse Ikki olhando bem dentro dos olhos de Hyoga ao colocar o colete com a arma e a jaqueta.
Hyoga abriu a boca para falar, porém Ikki o impediu, colocando os dedos de leve sobre seus lábios.
— Não diga nada. Na volta vamos acertar certas pendências... – murmurou beijando-o nos lábios e dirigindo-se para a porta. – Aqui neste quarto, somente eu, Seiya ou Kanon podemos entrar. Portanto, relaxe.
— Ikki...
— Sim? – ele respondeu já com meio corpo para fora do quarto.
— Aconteceu algo estranho... Eu vi os russos, mas... Eu estou confuso. Tem outros chegando e...
— Deixe isso comigo. Precisa descansar... você passou por muita coisa e não quero que force nada. Eu sei onde eles estão e vou até lá. Está tudo sob controle, pode confiar. – falou Ikki sem deixá-lo continuar.
Houve um momento de hesitação, seguido de um sorriso que fez Hyoga sentir o coração acelerar.
— Sei que você sabe cuidar de si mesmo, mas me deixe fazê-lo, também. Você é muito importante pra mim, Hyoga... – completou desarrumando o cabelo do jovem como costumava fazer com Shun e saindo, logo em seguida.
Hyoga recuou e olhou em volta. O quarto de segurança, mais conhecido como quarto do pânico era diferente dos reduzidos espaços mostrados nos filmes de ação onde a pessoa ficava confinada. Se não fosse a inexistência de janelas, poderia passar por uma mini suíte. Possuía uma pequena poltrona, um computador, uma cama de solteiro, um frigobar e uma tela que mostrava a movimentação fora do ambiente.
Sem ter o que fazer, o jovem suspirou e deitou-se na cama, fechando os olhos e lembrando-se de tudo que havia vivenciado. A imagem suave e amorosa de sua mãe ressurgiu em seus pensamentos e ele sentiu que as lágrimas voltavam. Tinha sido tão bom falar com ela, mas ao mesmo tempo, a falta que ele pensava ter superado emergia com força, tornando-o vulnerável.
Chega, Hyoga! Você é um homem, não uma criança! Repetia para si mesmo, enquanto sentia as lágrimas escorrendo.
Passados alguns minutos, o cansaço e todo o estresse emocional o fizeram dormir e Hyoga não percebeu os rostinhos infantis e magros que adentravam o quarto desejando falar-lhe com certa urgência...
0000****0000****0000
Um projétil cortou o ar como se fosse feito de fogo e foi com uma manobra de mestre que Seiya e Kanon conseguiram desviar, em pleno voo.
— Puta merda! Eles estão usando uma bazuca! – gritou Seiya.
— Desce ali naquela clareira e comunica ao Ikki! Tivemos sorte, mas não podemos arriscar. – disse Kanon e Seiya levou o helicóptero por sobre as árvores, tirando-os de cena com bastante habilidade.
Em terra, um jipe camuflado que manobrara com destreza por entre árvores e encostas montanhosas, parou ao lado de Ikki que pulou para dentro assim que a porta foi aberta e uma voz grave perguntou:
— O rapaz ficou em segurança? – perguntou Shura.
— Sim, doutor! Agora pode sair e deixar comigo. – respondeu Ikki.
— E perder a diversão? – rebateu ele.
— Você é um médico, não agente.
— Eu sei, mas o espírito guerreiro de meus ancestrais é forte em meu sangue. E depois, se alguém se ferir, já estarei por perto. – falou Shura mostrando o rifle que trouxera.
Ikki franziu o cenho. Havia muita coisa em jogo que poderia dar errado. Fazia parte de sua experiência cuidar que civis não se envolvessem em assuntos como esse.
A máfia russa era conhecida pela forma dura e selvagem com que agia. Eram exímios na arte do sequestro, tinham um insondável armamento militar e o que Ikki achava mais deplorável que tudo, traficavam seres humanos, em sua maioria adolescentes e crianças que eram utilizadas para o tráfico de drogas e prostituição.
— Está bem, mas ficará na retaguarda. Eu vou me unir ao Seiya e ao Kanon e você fica de prontidão. Okay?
— Sim, chefe!
Assim que terminou as combinações, Ikki recebeu um torpedo de Seiya, ficando preocupado.
— O que foi? – pergunta Shura.
— Seiya mandou uma mensagem dizendo que tem duas facções da máfia e não somente uma.
— Como assim? Não era, somente, Nikolai?
— Parece que não. Seiya disse que eles foram atacados com uma bazuca militar e que outros mafiosos estavam recém entrando no perímetro que marcamos.
— Quem serão os outros?
— Merda! Isso eu não sei. Antes de eu sair Hyoga falou em outros, mas eu achei que ele estava confuso.
Shura olhou para Ikki e tocou o colar que trazia por dentro da camisa. Era um colar cerimonial que continha uma pequena sacola como pingente. Aquela era a sua sacola de talismãs e ali dentro estavam ervas, penas e alguns cristais.
Fechou os olhos e fez uma prece silenciosa... Aos poucos se apropriava da tradição de seus ancestrais índios e se permitia viajar para além do corpo. Um pequeno falcão sobrevoava a floresta e logo Shura se conectava àquela ave e via, através dos olhos dela.
Ikki percebeu que Shura estava calado e com um semblante relaxado. Pensou em falar, mas já estava se acostumando com esse mundo espiritual que o amigo lhe revelara. Não tinha crenças religiosas, mas respeitava as opções dos outros e devia isso à Hyoga e à Shura, dois homens importantes em sua vida.
— Os homens que vem depois, estão em uma pequena caravana. Já os outros, estão em um número maior. – disse Shura, após voltar de sua pequena viagem e encontrar os olhos azuis de Ikki sobre si.
— Bem, sendo assim acho que vou ter que agir de acordo. – falou Ikki.
— É na segunda caravana que Nikolai está. – completou o médico.
— Como sabe?
— Senti o perfume de lírios quando enxerguei o líder, um homem imponente e com olhar intenso e profundo quanto o fundo do mar.
— Acha que esse é...
— Sim, esse homem é o pai do Hyoga.
Ikki passou a mão nos cabelos. – Bem, vamos lá! Uma coisa de cada vez...
0000****0000****0000
Enquanto dirigia, rapidamente, Isaac comunicava-se com outros agentes pedindo reforços. Ao mesmo tempo mantinha a atenção na estrada e olhava para Esmeralda, de vez em quando.
— Qual é o problema? – a jovem perguntou, percebendo-o com o cenho franzido e a boca contraída em uma linha fina.
— Existem poucos agentes confiáveis e disponíveis. Erroneamente, eu desconfiei de Ikki, mas ainda estou preocupado com essa história do reaparecimento de Saga. Estamos ficando sem muita ajuda.
— Pelo que vi, Ikki é quase a encarnação real de um James Bond. Meu pai o treinou muito bem. – disse Esmeralda.
Isaac a olhou tentando perceber algo além da simples admiração e viu-se em uma situação que achou ridícula. Sentia ciúmes!
Esmeralda pareceu perceber o sentimento e sorriu, timidamente, porém com uma pitadinha de malícia.
— Ikki é um bom agente e um bom amigo. Só isso. – falou ela, tocando gentilmente a mão de Isaac.
Sem conseguir conter um sorriso, Isaac percebeu que desejava logo acabar com aquela missão e vivenciar uma experiência diferente da turbulência de caçar criminosos internacionais. Seu desejo mais profundo era tomar Esmeralda em seus braços e permitir-se amar...
0000****0000****0000
Um arrepio gelado subiu pela base da coluna, como se alguém passasse uma pedra de gelo em sua pele. Hyoga despertou sobressaltado e deu de cara com dois rostos infantis que o olhavam com lágrimas nos olhos.
O ar estava denso, e o russo percebia o medo e a tristeza nos olhares, desejando que fosse um sonho, mas não era...
Ajude-nos, por favor! — disseram os dois, ao mesmo tempo.
Hyoga respirou fundo. Tudo o que menos precisava era ter espíritos precisando de sua ajuda, enquanto estava trancado ali.
— Fiquem calmos, está tudo bem. – disse ele sentindo compaixão por aquelas crianças.
Não, não está tudo bem! Eles estão com a nossa mãe. Ajude-a, por favor! — disse o menino mais franzino.
Sentindo a angústia das crianças, Hyoga voltou a sentir mal-estar. O que podia fazer? Estava trancado ali e Ikki já estava longe há uma altura dessas!
Foi então que a porta, milagrosamente, destrancou. Por alguns segundos, Hyoga esperou, mas logo se sentiu bem e viu surgir a figura radiante de Shun. O jovem estava sério, mas mantinha um olhar diferente e Hyoga percebeu. Parecia que Shun havia amadurecido, estava mais sereno e forte.
Vamos, meu amigo. Você não está seguro aqui! — disse o jovem.
Hyoga não questionou, nem hesitou em acompanhá-lo. Viu Shun dizer algo baixo para as crianças e, em seguida, elas desapareceram.
— Elas estavam procurando a mãe. – disse o loiro.
Eu sei e disse a eles que vamos encontrá-la.
— Para onde os enviou?
Pedi que fossem com alguém especial que cuidaria bem deles.
— E nós, aonde nós vamos?
Sair daqui para que você fique em segurança. Você já deve saber, não?
— Que tem outra facção russa aqui, além da do meu pai? Sim, eu sei.
Então vamos! Infelizmente, essa casa sofrerá um ataque... — disse Shun com o semblante triste.
— Se eles conseguirem chegar a esta casa é porque Ikki está em perigo! Ele jamais permitiria... – falou Hyoga, preocupado.
Eles têm uma arma de longo alcance. Ikki vai tentar detê-los, mas existem forças obscuras que vão atrapalhar um pouco. Agora vamos, não temos muito tempo.
Assim que Hyoga e Shun deixaram a casa, um raio de fogo cortou os céus e um estrondo, seguido de forte explosão destruiu parte da mansão de Ikki Amamiya...
Fale com o autor