Notas iniciais
Penúltimo Capítulo.

No início, foi entranho para todo mundo, inclusive para nós dois.

Isabeli estava encantada por seus dois titios favoritos estarem juntos, como num conto de fadas. Era o que ela dizia sempre que via a gente juntos.

Célia estava tentando lidar com aquilo da melhor forma possível. Não deveria ser nem um pouco fácil para ela, já que eu já tinha roubado um filho seu antes.

Catarina não se surpreendeu muito. Ela meio que já desconfiava de tudo, só não tinha coragem de questionar. Mas estava feliz e torcia muito por nós.

Eli, o único que já sabia mais ou menos de tudo, gritou muito por telefone, feliz da vida por finalmente nos assumirmos para o mundo.

Por falar nele, Eli e Fernando estão pensando em vir morar no Brasil por um tempo. Não vejo a hora de ter o Eli por perto de novo.

Estou cheia de saudade. Nem todos os telefonemas do mundo, troca de mensagens e chamadas de vídeo compensa o fato de poder chateá-lo de perto como nos velhos tempos.

— Eu pensei que vocês estivessem juntos há muito tempo. – Comentou Jonathan durante nosso almoço na cidade.

Estávamos nós quatro em um dos melhores restaurantes de nossa pequena e pacata cidade, num dia nublado de outono.

— Nós meio que estávamos, mas tínhamos receio de assumir, até para nós mesmos. Parecia errado. – Comentou Max, olhando para mim. — Na verdade, ainda parece... Mas estamos tentando superar isso.

— Eu não acho que seja errado. – Interveio Catarina. — Eu conhecia o Andrew, ele tinha um coração gigante. Se ele pudesse estar aqui agora, ele com certeza diria que vocês precisam mais é serem felizes e viverem suas vidas da melhor forma que puderem.

— Você tem razão, amiga. – Agradeci a ela por suas palavras com um sorriso. — Ele era grandioso. O melhor.

Fizemos então um brinde ao Andrew.

— Mudando de assunto... Catita e eu andamos conversando muito a respeito e gostaríamos que vocês dois fossem nossos padrinhos de casamento. O que vocês acham da ideia?

Max e eu nos entreolhamos, surpresos.

— Eu acho sensacional! É claro que eu topo. – Disse Max.

— Eu aceito. É claro! Só não inventem de se casarem agora, porque eu duvido que exista um vestido no mundo que me caiba dentro com todo esse meu barrigão.

Todos riram.

— E para quando é o bebê mesmo? – Perguntou Jonathan.

— Para as próximas semanas. – Digo, tensa.

Apesar de todo esse tempo em que estive com um bebê dentro de mim, não sei se já estou pronta para tê-lo nos braços finalmente. Mas não é como se eu tivesse muita escolha, certo?

Estou ansiosa, é claro. Mas muito nervosa também. Não sei como ele será. Se será ela ou ele. Nem como será o seu nome.

Não sei como vai ser e se serei boa como mãe. O que eu sei é que ele terá muito o que me ensinar e eu muito a aprender.

Pelo menos estaremos nessa juntos e isso me conforta.

**

Max e eu passamos mais tempo juntos agora do que antes. E ele definitivamente se mudou para o meu quarto. Sem o colchão. Agora, toda noite nós dormimos juntos, numa cama pequena de solteiro. Perguntei a ele centenas de vezes que não teria problema nenhum irmos para o seu quarto de vez em quando, já que lá a cama é muito maior e espaçosa. Mas sua resposta é sempre igual:

— Aqui é muito melhor. – Diz ele enterrando o rosto barbudo no meu pescoço e me beijando suavemente. — Assim posso ficar bem mais pertinho de você e do... bebê.

— Mas mal cabe nós três nesse espacinho pequeno, Max. – Reclamei, porque por causa da barriga, eu quase sempre ficava mais para fora da cama do que dentro e isso era desconfortável.

— Não reclame muito, pois será assim de agora em diante: você, eu e o bebê. Nós não teremos muito tempo, nem muita privacidade, nem mesmo muitas horas para dormir. Bom, pelo menos é isso que os livros dizem e eu estou lendo muitos deles.

— Isso não te assusta?

— O quê?

— Um bebê entre nós?

— Mas é claro que não! Que bobagem é essa? Eu sou o tio dessa criança. Ele vai me amar tanto que você não será párea para isso.

Eu ri muito, fazendo a barriga chacoalhar.

— Que bobagem.

Apesar de ele trabalhar muito durante o dia em seu escritório, nós sempre damos um jeito de passar o máximo de tempo juntos, enquanto ainda somos só nós dois.

Algumas vezes eu apareço por lá, me acomodo em algum canto e fico lendo enquanto ele trabalha.

Outras vezes ele dá uma pausa, vem ao meu encontro e nós damos uma caminhada pelo jardim e comemos alguma coisa.

Hoje mais cedo, ele me deixou um bilhete fofo sobre a cama, perguntando se eu aceitaria fazer um piquenique noturno com ele perto do lago e eu topei, é claro, me sentia quase uma adolescente.

Tomei um banho quente, lavei o cabelo e coloquei um moletom velho, que era a única coisa que estava me servindo ultimamente. Quanto mais largo melhor. O cabelo, apesar de limpo, não estava colaborando muito hoje, então, tentei fazer duas tranças laterais.

Senti falta de quando Eli trançava meu cabelo e a gente conversa distraidamente enquanto isso.

Me encontrei com Max lá em baixo no horário combinado. As sete e quarenta da noite. O céu já estava bem escuro.

Fomos caminhando de mãos dadas pela mata com duas grandes lanternas iluminando todo o caminho a nossa frente.

Não tinha ninguém perto do lago, como sempre.

Nós nos acomodamos perto da pedra, que se tornou nosso lugar preferido por ali e estendemos o pano no chão.

Max tinha pensando e preparado tudo.

— Nosso primeiro piquenique oficial perto do lago.

Comi algumas frutas, me encostei na pedra e observei a água parada, banhada apenas pela luz das estrelas.

— Aqui é tão calmo.

Max segurou a minha mão.

— É uma sensação boa, quase inexplicável. Muito parecido com o que eu sinto por você, Nina. – Ele me olhou mais de perto.

— Hmmm. Como você está romântico hoje!

— É. – Ele sorriu torto. — Eu me tornei bem patético depois que te conheci. Eu já nem sigo mais aqueles meus princípios de: não se apaixone, não se entregue demais, não se apegue...

— Ei, isso não é patético. É uma coisa boa, não é? Eu fico feliz por ser a primeira pessoa que te proporciona esse tipo de coisa. Amar as vezes pode ser bem difícil, mas é tão prazeroso pertencer a alguém e saber que uma pessoa te pertence também.

Sorri para ele.

— E olha só que coisa boa, você finalmente largou aquela vida de cafajeste, mulherengo, arrasador de corações inocentes...

— Ei – Ele riu. — Nenhuma mulher com quem me envolvi era inocente, viu? Não me faça um vilão. Elas eram tão insensíveis quanto eu. Mas você tem razão... Eu prefiro muito mais isso que estou compartilhando com você do que uma noite vazia e sem sentido, onde só existe prazer e nada mais do que isso.

Nós nos beijamos.

— Eu acho que te amo, Nikolina Medeiros. – Sussurrou ele, com a boca ainda colada na minha.

— Eu tenho certeza de que te amo, Max Muniz. – Sussurrei de volta, levando minha mão até seu rosto.

Nos beijamos por algum tempo, enroscados um no outro.

Eu quase não conseguia me conter, pois era a primeira vez que ele admitia me amar com as todas as letras.

Era um momento que eu queria gravar para sempre no meu coração.

— Eu tenho uma coisa para você. – Disse ele, enquanto remexia na cesta que trouxera.

De lá de dentro ele tirou seu caderninho de desenhos. Ele folheou algumas páginas, arrancou três folhas e me entregou.

Eram desenhos meus de momentos que eu desconhecia, nem se quer me lembrava. Momentos que ele me flagrou distraída, fazendo qualquer outra coisa e aproveitou para me desenhar.

Eram perfeitos.

— São lindos!

— Guarde-os.

— Você não os quer mais?

— Não preciso mais deles.

— Porque não?

— Porque agora eu tenho você.

**

Sabia que o bebê estava mais próximo do que antes, então aproveitei para ir passar uns dias com a minha mãe, já que depois do nascimento do bebê eu teria muito menos tempo.

Estávamos fortalecendo nosso relacionamento aos poucos, mas eu já me sentia segura o bastante para conversar com ela sobre o meu livro.

— Nossa, querida, eu não sabia que você tinha esse dom! – Ela parecia bastante impressionada. — E o pouco que li da história, já deu para notar que você é uma escritora excepcional, então, o que te impede de dizer que sim, que tem interesse em publicar?

— Eu não sei... vocês gostaram, porque são a minha família, são meus amigos, estão próximos a mim. Mas e se o resto das pessoas não gostarem? E se elas odiarem tudo? Eu dei tanto de mim. Demorou tanto tempo para concluir isso...

— E é por essa razão e muitas outras que eles vão adorar. Você é talentosa, inteligente, esforçada e tem uma chance única agora. Não perca seu tempo pensando em coisas negativas. Acredite nas coisas positivas que te dizem. Faça isso acontecer!

Ela estava certa. Max estava certo. Todos estavam certos.

— Tudo bem. – Levantei-me de imediato. — Vou ligar para a editora agora e dar a minha resposta.

Levei apenas uns cinco minutos.

— Eles querem marcar uma conversa comigo amanhã mesmo, para bater um papo, falar mais de mim, falar mais da história, discutir sobre questões contratuais... Ai, minha nossa. Vou surtar!

— Fique calma. Não se preocupe com nada. Eu estarei lá com você.

**

Minha vida novamente estava dando um grande salto. Agora eu tinha amigos de verdade, amigos que eu podia contar para tudo. Eu já não era mais tão solitária. Eu tinha um bom relacionamento com a minha mãe depois de tantos anos de desentendimentos. Eu tinha uma família que não era de sangue, mas era de coração e repleta de amor. E eu tinha o Max que de repente havia se tornado uma das pessoas mais importantes da minha vida.

E eu estava prestes a se tornar uma escritora reconhecida, com meu primeiro romance publicado para todo o Brasil, meu livro venderia em livrarias físicas e virtuais. Eu tinha acabado de assinar um importante contrato. Um dos meus maiores sonhos realizado. Eu nem tinhas palavras, mas sabia que tinha muito a agradecer a uma pessoa que me encorajou muito desde o início e foi uma das primeiras pessoas que ouviu a minha história e acompanhou passo a passo da minha escrita desde que a retomei.

Eu me sentia tão viva que nem parecia que um dia eu tinha estado presa numa cama, sem vontade de comer ou viver, sem conseguir dormir, após ter perdido o grande amor da minha vida. Foi um momento difícil, doloroso e que ficou no passado. Não quero mais pensar naquele tempo. Não quero me recordar dos momentos ruins, quero focar apenas nas coisas boas. Em tudo que vivi e aprendi com o Andrew e tudo que ainda tenho a aprender e viver com o Max, o cara que pensei que poderia odiar por toda a vida, mas que acabou sendo uma surpresa para mim.

Eu ainda tinha um longo caminho a percorrer, mas sabia que no fim tudo daria certo. Eu só precisava de paciência.

— Me conta como foi lá! – Insistiu Max após minha mãe ter ido embora. Eu mostrei a casa a ela, a cidade, meu quarto.

Ela adorou esse lugar e prometeu voltar mais vezes agora que sabia exatamente onde eu estava morando no último ano.

— Primeiro, a história está passando por uma série de analises... ortográficas, gramaticais... esse tipo de coisa. Eu vou acompanhar todo o processo. Eles vão estar sempre me enviando uma cópia por e-mail, para eu poder ver como está e aprovar. Só depois decidiremos a capa, a parte para a qual estou mais ansiosa e por fim, o livro irá para a gráfica, fará várias e várias copias e só aí, as copias para as livrarias e se for um sucesso eu farei sessões de autografo e tudo mais. Dá para acreditar? Que loucura!

— Eu estou tão orgulhoso de você!

Max me abraçou apertado.

— Tenho uma coisa para dividir com você.

— Mais coisas? – Ele quis saber.

Peguei a caixa no fundo do guarda-roupa. A caixa onde eu guardava todas as fotos e cartas do Andrew. Principalmente as cartas, os bilhetes, os cartões postais. Minha relação com Max estava num nível tão estável, que eu sentia que podia dividir isso com ele sem que ele se sentisse mal por isso.

Afinal, era o irmão dele. A quem eu também amei muito.

Passamos horas e horas no chão do quarto, lendo tudo, analisando melhor cada palavra, rindo de algumas coisas, sorrindo e chorando.

Tudo ao mesmo tempo.

— Eu quero ser tão bom para você quanto ele foi.

— Você é bom para mim, Max. Uma das melhores e mais importantes coisas que me aconteceu depois que ele se foi.

Eu o beijei apaixonadamente.

— Ele está contente por nós.

— É verdade. Ele está.

Deitei minha cabeça em seu peito e fechei os olhos por um momento.

Acho que acabei pegando no sono, foi um dia longo e agitado. Acordei somente quando senti uma sensação estranha entre as pernas. Quando olhei pra baixo para ver o que estava acontecendo foi que a ficha caiu: a bolsa tinha rompido. Eu de fato não tinha sentido e nem ouvido nada, mas me senti molhada, como se tivesse feito pipi na calça ou algo parecido.

Eu li muito sobre isso e imaginei que poderia acontecer logo.

— Max. – Cutuquei-o. — Max. Acorde.

Ele que ainda estava ao meu lado também tinha pegado no sono, mas acabou acordando com meus cutucões.

— O que foi?

— Acho que precisamos ir ao hospital.

— O quê? Mas porquê?

— O bebê. Ele vai nascer.

Ele arregalou os olhos e se levantou depressa.

— Não se desespere. Eu já volto.

Então ele saiu em disparada.

Para falar a verdade, eu estava bem tranquila. Não estava sentindo nada fora do normal.

Por outro lado, Max perdeu a cabeça. Começou a gritar pela casa inteira, agitado, assustando a todos e pedindo para o pessoal juntar as coisas que o bebê ia nascer a qualquer momento.

— Socorro, não estou achando a chave do carro. Alguém viu a chave do meu carro? Ai, meu deus. Acho que perdi...

Resolvi agir: peguei a bolsa da maternidade para o bebê, minha bolsa com tudo meu dentro e desci.

— Max, a chave está aqui. Deve ter caído do seu bolso lá no quarto enquanto mexíamos na caixa. – Estendi a chave a ele.

— Mulher, minha nossa! O que você está fazendo de pé? – Ele veio rapidamente em minha direção. — Vamos logo para o hospital, antes que essa criança acabe nascendo no meio da nossa sala.

Ele estava maluco, mas era fofo ver toda essa preocupação e cuidado, como se eu nem pudesse mais caminhar ou respirar sozinha.

Max, Célia e eu fomos no carro dele.

Catarina, Isabeli e Jonathan foram atrás, em outro carro.

Eu tentei tranquilizar a todos, dizer que isso realmente não era necessário ainda. O bebê não iria nascer agora, mas não tinha jeito. Eles queriam estar todos ao meu lado ao mesmo tempo.

Fui levada numa cadeira de rodas até um quarto. Me colocaram na cama com todo cuidado do mundo. As enfermeiras fizeram várias perguntas e entravam e saiam do quarto o tempo todo. Um médico muito gentil me examinou. Max não queria sair do meu lado nem por um momento. O resto do pessoal ficou lá fora, esperando. Só entraram depois para ter certeza que estava tudo bem.

Eu estava calma de uma maneira assustadora até para mim. Eu realmente não saberia explicar o que estava se passando pela minha cabeça. Mas isso não durou muito. Levou um certo tempinho, mas a dor finalmente chegou e durou uma eternidade.

No começo era fraca e suportável. Depois, fiz tremer até o hospital com meus gritos de desespero. Eu chorei, eu implorei para que tirassem aquilo de mim, mas parecia que ninguém me dava bola. Max estava mais assustado do que nunca e com razão. Ele segurava a minha mão o tempo todo, mas coitadinho, acho que acabei quebrando alguns de seus dedos e olha que, segundo as enfermeiras, o bebê estava longe de nascer.

Eu xinguei tudo a minha volta, eu chorei incontrolavelmente, suava igual uma porca, me contorcia... Aí de um momento para o outro, eu estava bem de novo. Controlava a respiração, tentava elevar os pensamentos, garantia que estava tudo bem, me deitava um pouquinho... até a escuridão voltar a aparecer e levar embora toda a minha paz.

Foram horas e horas assim, até que finalmente me levaram para fazer o parto. Depois disso, eu me lembro de pouca coisa, já que me apagaram por completo e a dor finalmente se foi.

Acordei algum tempo depois, me sonolenta, meio grogue e com uma dorzinha de leve na barriga ainda inchada. Eu estava sozinha no quarto, excerto por uma enfermeira carrancuda que dava uma conferida de leve no meu prontuário ao lado da cama.

Pedi para ver alguém, ela me ignorou.

Perguntou pelo Max, ela também me ignorou.

Exigi ver meu bebê, ela me deu uma rápida olhada.

— Eu já volto. – Disse ela, se retirando.

Vaca.

Outra enfermeira apareceu, eu fiquei muito mais grata. Essa era muito mais legal e trouxe o meu tão esperado bebê.

Era uma menininha.

Minha pequena e linda Izzie, assim como Andrew gostaria que ela fosse chamada. Nunca vou me esquecer de suas palavras.

Ela era a coisa mais lindinha desse mundo. Juro que não me aguentei. Era a cara do pai. O mesmo narizinho, o cabelo lisinho e castanho, tinha até um topetezinho e umas bochechas gorduchas.

Ela era bem pesadinha e grande.

E ah, o cheirinho, era o cheirinho do mar.

— Como estão as minhas menininhas? – Perguntou Célia, toda satisfeita ao entrar no quarto mal iluminado.

Ela se aproximou de nós e passou a mão de leve nos cabelinhos ralos da nossa Izzie.

— Ela se parece muito com ele.

— Foi exatamente o que eu pensei. – Digo com um sorriso.

Izzie sorriu também, apesar de estar de olhinhos fechados. Nós quase nos derretemos de amor. Achando uma delícia.

— Estão todos lá fora, esperando para ver vocês.

— Minha mãe também?

— Inclusive ela.

— Oh, minha nossa!

Beijei a cabecinha de Izzie.

— E o Max, cadê ele? Ela já viu ela?

— Ele foi o primeiro a vê-la. – Sua expressão se fecha de repente. — Mas ele se foi, Nina. Eu sinto muito...

— Como assim? Para onde ele foi?

— Nós não sabemos. Ele simplesmente sumiu.