Mudança Radical
3 Primeiro Ataque
Acordei com a Lina me dizendo para levantar, pois já estava dando a hora de irmos tomar café da manhã e que Dara iria aparecer a qualquer momento.
—Da última vez que deixei Dara esperando ela ficou uma fera e me ignorou por uma semana.
—A Dara parecia ser uma pessoa normal dentro dos padrões de semideus quando encontrei com ela na sala da diretora.
—A Dara? Até parece, ela é um doce como amiga, mas não bate muito das ideias. Eu me lembro de que uma vez ela pintou o cabelo de uma menina do prédio de Ares só por que ela arrancou uma flor do jardim dela.
—Nossa ainda bem que ela me transformou em uma amiga. — Rimos, quando de repente a porta é escancarada e quando olhamos passa por ela uma bolha cinzenta e quando ela estoura e sai um monstro que parecia um morcego só que com várias asas.
—Uma Fúria. — Lina sussurrou do meu lado. —Temos que sair daqui e rápido.
—Como? Ela está empatando a porta e estamos no último andar. — Respondi me recuperando do meu pequeno choque e me pondo ao seu lado.
—Eu ainda to pensando nisso. — Ela fala nervosa olhando para os lados em busca de alguma solução.
Nesse mesmo instante aquela coisa deu um grasnado, como um monte de corvos morrendo, e estava olhando diretamente para nós. Começamos a andar devagar para trás, vi uma janela á nossa direita e tive uma ideia absurda, mas que poderia nós salvar.
—Lina sabe se passa algum córrego ou encanação por debaixo do prédio? —Perguntei baixo á ela, aquele bicho estava se aproximando.
—A encanação principal passa aqui por baixo, por quê?
—Eu tenho um plano, mas não sei se pode dar certo.
—Bom, se tem possibilidade de dar certo é melhor do que esperar essa coisa nós matar, qual o seu plano?
—Tá vendo a janela á direita? — Ela assentiu. —Acho que poderíamos nós concentrar na encanação e tentar estourar os canos para amortecer a queda.
—Amortecer a queda? Você ta sugerindo que a gente pule da janela do último andar?
—Ou a gente pula do prédio e se machuca ou a gente espera essa coisa nós atacar. Qual você acha mais viável? —Perguntei virando meu rosto para ela, vi que a Fúria estava chegando cada vez mais perto e estávamos ficando cada vez mais perto da parede.
—Prefiro pular.
—Ótimo, me ajuda á estourar os canos.
—Você vai conseguir? Ainda não teve nenhum treinamento.
Dei um sorriso de lado.
—Acho que não deve ser tão difícil fazer isso de novo.
—O quê? Ah, quer saber deixa para lá.
Fechei os meus olhos e me comecei a pensar em água, de repente escutamos um estouro do lado de fora vimos água cercando o prédio.
—VAMOS. —Gritei para Lina, por conta do barulho. Agarrei sua mão e saímos correndo em direção á janela e pulamos.
Senti a água nós envolvendo, prendi a respiração.
—Não precisa prender a respiração, Lili.
Era a voz da Lina, abri os olhos e vi ela me olhando com um sorriso. Então aos poucos fui soltando o ar e puxei de novo, foi aí que eu me assustei eu estava mesmo respirando debaixo da água, devolvi o sorriso a Lina.
—Como isso é possível?
—Somos filhas de Poseidon podemos respirar debaixo d'água e também fazer outros truquezinhos.
—Tá legal isso é muito da hora. —Comecei a gargalhar, qual é eu posso respirar debaixo d'água tenho direito de me achar por isso.
—Acho melhor desfazermos essa bolha de água, tem pessoas lá fora vamos fazer isso com calma.
—Tá.
Dei a mão a Lina e nós concentramos e então a bolha aos poucos foi se desfazendo.
—Lina, Lili. —Escutamos a voz de Dara ao longe olhamos para ela.
—Filha de Poseidon. —Ouvimos a voz da Fúria acima de nós, olhamos para ela e corremos para os outros.
Corremos o mais rápido que pudemos vi vários meninos segurando arcos correndo para fora do prédio de Apolo e vi também várias pessoas com espadas saindo do prédio de Ares. Continuamos correndo, quando derrepente sinto ser puxada pelo braço, olho para cima e vejo a Fúria me olhando nos olhos.
—Você não deve ficar viva, sua morte é necessária, garota.
Ela ia me matar? Que história é essa? Não tive tempo para pensar nisso, pois passou uma flecha raspando por mim e acertando o olho da Fúria, ela uivou de dor e olhou para baixo em busca de quem a deixou cega de um olho, seu único olho foi certeiro em Gabriel, ela deu um giro no ar e desceu com força, gritei de dor ela ainda me segurava pelo braço, estava indo cada vez mais rápido em direção a Gabriel, quando de repente ela para e me arremessa na direção dele, nenhum de nós esperava por isso, caí com tudo em cima dele e rolamos algumas vezes até pararmos.
—Ai, minhas costas.
—Você tá bem?—Perguntei a ele e tentei me levantar, mas senti uma fisgada de dor no meu braço. —Ai.
—Eu to, bem diferente de você.
—Hey, eu to legal, está bem?—Disse apesar de ser mentira.
—É eu to vendo seu braço ta todo machucado. —Ia abrir a boca para responder, mas ele me cortou. — E nem adianta teimar sou filho de Apolo sei quando a pessoa está doente ou machucada o que é seu caso, agora sai de cima de mim para eu te levar para a enfermaria.
—Não precisa Gabriel, eu a levo. — Escutamos a voz da Diretora Martinez. —Não tem que se explica Liliane, a Lina já me contou tudo o que aconteceu. — Ela disse antes de eu falar alguma coisa.
—Não precisa leva-la a enfermaria Diretora Martinez, sei de um jeito que ela pode se curar, vem Lili.
Gabriel me ajudou a levantar e seguimos a Lina até o prédio de Poseidon onde ainda estava tudo molhado.
—Encoste na água ela ira lhe curar.
—Ta bom.
Fiz o que Lina disse e me surpreendi pela segunda vez naquele dia com os meus poderes, assim que encostei na água ela foi subindo pelo braço e por onde ela passava ia curando e no final meu braço estava ótimo nem parecia que eu tinha o machucado.
—Nossa como isso é possível? —Perguntei me virando para Lina.
—Como eu já disse você é filha de Poseidon, a água te cura, pois sabe que você está machucada, assim como também obedece a seus comandos como agora á pouco no prédio.
—Mas peraí no prédio você me ajudou com os canos.
—Não, você estourou os canos sozinha eu só controlei a água para não machucar ninguém e nós aparar na queda.
—Então você tem mais poder do que pensávamos. —A Diretora Martinez se pronunciou. —Temos que começar o seu treinamento o quanto antes, mas primeiro temos que arrumar essa bagunça.
Ela se virou para os alunos e disse.
—Voltem para os seus prédios ou a suas atividades, terão a manhã livre. —Os alunos comemoraram e aos poucos foram saindo.
Voltei o meu olhar para o prédio de Poseidon estava totalmente destruído, ainda não consigo acreditar que eu tenho tanto poder a ponto de causar tanto estrago.
—Não precisa ficar triste, a diretora sabe que você só fez isso com medo de que a Benevolente machucasse vocês duas. —Ouvi a voz de Gabriel.
—Eu sei, mas ainda não caiu a ficha de que eu tenho tanto poder. —Disse me virando para ele.
—Eu também me surpreenderia se conseguisse estourar toda encanação da escola.
—O quê? — Eu perguntei espantada.
—Calma, eu estou brincando. —Disse rindo de mim.
—Não tem graça. —Falei dando um tapa de leve no seu braço e fingindo estar brava, mas estava sorrindo. —Mas mudando de assunto, o que é uma Benevolente?
—É assim que ás chamamos, nós temos a superstição de que dar azar falar os nomes dos monstros.
—Ah é já li isso em um livro de mitologia grega, mas não sabia que ainda acreditavam nessas coisas.
—Digamos que o povo grego acredita em muitas coisas ainda e deixou de acreditar de outras há algum tempo.
—Você parece ser bem culto para um filho de Apolo.
—É a maioria dos meus irmãos só ligam para as futilidades como beleza, mas eu um dos poucos que não tem paixão por isso.
—E quem são os outros? Ou não sabe?
—Ah eu sei da até para contar nós dedos. Eles são Jackson e a Quez. —Estava tão absorta na conversa que nem percebi que começamos a caminhar. —Eles são os que têm mais proximidade de mim dentro do prédio. Jackson é gente boa e simpático tem a minha idade, ele chinês e morava em Hong Kong, mas se mudou para os Estados Unidos quando tinha nove anos, ele namora com a Aysha ela é filha de Atena. E tem a Quez que também tem dezesseis, mas nós dois somos muito protetores com ela, todo mundo adora ela por ser muito simpática á vezes até mesmo com quem não merece, ela é muito amiga da Dara, Lina, Thayla e Aysha e não duvido muito que logo você também entre no grupo delas.
—Com o gênio que Dara tem também duvido que demore, mas acho que vai ser bom para mim na minha antiga escola eu não era muito sociável com as pessoas então não tinha muitos amigos.
—Jura achei que você tinha bastantes amigos.
—E eu tinha, mas isso foi há muito tempo quando minha mãe ainda era viva.
—Ela morreu de que?
—Um acidente de carro, deu um problema no motor e o freio não estava funcionando, o carro despencou na ribanceira e caiu dentro do rio demoraram um dia inteiro para encontrar o corpo dela, disseram se o cinto não tivesse enterrado ela até poderia ter saído do carro a tempo. Eu tinha nove anos quando tudo aconteceu. Engraçado né minha mãe morreu afogada e era apaixonada pelo Deus dos Mares.
—Minha mãe também morreu, mas eu tinha sete anos, estávamos em casa assistindo um filme e já era noite quando derrenpente surge um cão infernal e tenta me atacar, mas ela se jogou na minha frente o cão atingiu ela em cheio, ele ia me matar também se o Rubens não tivesse aparecido e o matado primeiro. Quando vi que o cão não ia mais voltar não pensei duas vezes antes de sair correndo em direção a minha mãe ela sangrava muito ainda estava viva, mas eu sabia que ela ia morrer eu sabia que ela ia me deixar. Ela falou que ia embora para um lugar melhor e que era para eu treinar muito e ficar forte para proteger as pessoas que eu amo e mandou pegar o arco que estava guardado no porão e usar quando achasse que estava pronto. — Nesse instante ele segurou com mais força o arco que estava em suas mãos. — Depois disse que me amava e que estaria sempre cuidando de mim e morreu ali com a cabeça no meu colo. Depois de tudo Rubens me trouxe para cá e eu comecei a treinar.
—É você venceu a sua história é mais triste que a minha. Não vou dizer que sinto muito por que eu sei o quanto doí as pessoas falarem isso.
—É quem nunca perdeu alguém que te criou não sabe o quanto doí o "sinto muito" das pessoas que você sabe que não ligam de verdade. Que bom que você me entende. —Ele falou sorrindo, reparei que ele ainda estava segurando o arco.
—Obrigado. —Ele me olhou confuso. —Por me salvar naquela hora.
—Ah aquilo de nada. Sabe eu nunca tinha ficado com medo de errar um alvo como naquela hora, tive medo de machucar você.
—Se tivesse me machucado e ainda tivesse cegado a Benevolente te agradeceria do mesmo jeito. —Nós dois rimos. —É o arco que sua mãe te deu antes de morrer? —Perguntei apontando para o arco que ele segurava.
—É nunca errei um alvo com ele. Vem vamos almoçar depois temos aula ou treinamento como preferir, já que a aula teórica é pela parte da manhã e como teve o seu pequeno incidente vamos ter só a parte da tarde de aula.
—Primeiro como você mesmo disse naquela hora eu não tive culpa foi um acidente, e segundo ainda bem que você falou em comida eu não tomei café e to morrendo de fome.
—Então vamos morta de fome.
—Ha ha, muito engraçado. — Disse socando seu braço sem força.
Fomos em direção ao refeitório assim que entramos vi Lina sentada numa mesa sozinha, me despedi de Gabriel e fui me sentar com ela.
—Por que está sentada sozinha Lina?
—Tecnicamente você está sentada aqui comigo então não estou mais sozinha. —Ela disse sorrindo. —Mas agora falando sério eu estava sentada sozinha por que é assim aqui as pessoas sentam de acordo com os seus Deuses patronos, ou seja, seus respectivos pais.
—Ata isso explicar o fato da Dara não estar aqui. —Ela concordou comigo.
—Olha o almoço já vai ser servido.
—Que bom, estou faminta.
—Somos duas.
Nós servimos e voltamos para a mesa e conversando besteiras e percebi que não seria tão ruim assim ter uma irmã mais nova.
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