Notas iniciais
Primeiro capítulo (sério? Sério)! Espero que gostem, queridos leitores fantasmas! ♥

Faz apenas uma semana que chegamos em Paris e, por incrível que pareça, ainda não fiz nenhuma amizade aqui. É claro que já falei com algumas pessoas na rua, os clientes da padaria de meus pais, o diretor da faculdade, uma amiga de infância de minha mãe… Mas nenhuma pessoa que eu possa chamar de amigo mesmo. As aulas na faculdade ainda não começaram, então até que estou feliz. Assim sei que não fiz nenhum amigo porque ainda não estou estudando e convivendo de manhã com outros estudantes da faculdade.

Às vezes eu penso: "Por que fazer amigos aqui? Eu tenho amigas – Kim e Sarah -, elas só não moram aqui. Grande coisa: isso se chama amizade à distância. Isso existe. E além do mais, eu tenho o Cookie. Como diz o ditado: o cão é o melhor amigo do homem. E Cookie realmente é meu amigo. Mas NÃO, eu tenho que ter amigos humanos! Como todos dizem desde que chegamos: "um cachorro não basta, isso não é amigo". Daí eu pergunto: você já teve um cachorro? Você sabe como um cachorro é fiel, companheiro e leal? Não, querido, você não sabe.’’

Mas é necessário fazer amigos aqui. Não é por vontade, é por sobrevivência.

Ah, quer saber? Eu vou arranjar muitos amigos na faculdade e eles vão AMAR o Cookie. Veremos quem estava errado.

ESPERA, eu pensei isso?! Estou parecendo vingativa! Não sou vingativa! Ah, esqueça esses pensamentos, Manuela!

***

Hoje, uma manhã ensolarada de sábado, eu tirei uma horinha para levar Cookie para passear, assim poderia conhecer meu novo lar e cuidar de Cookie, além de que eu adoro explorar lugares, mas atualmente, não faço isso por prazer, faço por necessidade: preciso conhecer Paris, pois, afinal, agora eu moro aqui.

Eu usava calça jeans, uma blusa azul, meu casaco preto amarrado na cintura — já que não estava frio — e carregava minha bolsa. Eu havia colocado a guia em Cookie. Mesmo que não gostava de usá-la, ele parecia feliz.

Saímos de casa em direção à uma praça que conheci faz pouco tempo. Ela era enorme e belíssima: com bancos para descansar, um campo verde oinde eu brincava com Cookie, uma pracinha para as crianças, mesas de piquenique e árvores fazendo sombra. Acho que é um bom lugar para começar nosso passeio.

Enquanto caminhávamos até a praça, eu observava tudo ao nosso redor. Mesmo que já havia visto essa paisagem nos primeiros dias, ela é sempre de tirar o fôlego — ou será que eu apenas ainda não havia decorado a paisagem nova?

Quando chegamos na praça, Cookie parecia com sede, então retirei de minha bolsa um pote e o coloquei no chão. Em seguida, despejei nele a água de minha garrafinha – que também estava na bolsa — para Cookie se refrescar. Quando terminei de despejar a água, ele me olhou.

É para mim? Posso tomar?, acho que é isso que quer dizer com este olhar.

— Pode beber, Cookie. É para você­ — digo.

Rapidamente ele começa a beber a água. Realmente, está com sede.

Quando terminou de beber, guardo novamente o pote e a garrafinha em minha bolsa e pego sua guia para continuarmos o passeio. Enquanto caminhávamos perto da saída da praça, Cookie pareceu agitado e, em um movimento rápido, ele saiu correndo loucamente, fazendo com que eu soltasse a guia.

Meu Deus! Cookie! Volta aqui cachorrinho!, penso até que começo a correr atrás dele.

— Cookie! Volta aqui! Cookie! — Começo a gritar na esperança de que ele me entenda e continuo correndo atrás dele.

Ele é rápido, falo sério!

Sinto o suor se formando em minha testa e então consigo ver para onde ele corre: está indo na direção de um garoto loiro que está... pintando? Meu Deus, eu encontrei um pintor, um pintor! Que felicidade!

Se recomponha Manuela! Vamos!

Quer dizer, olha; um pintor. Igual aos dos filmes, aqueles marav... Ok, exagerei, alguns não possuíam uma aparência muito boa. Mas confesso que sempre via pintores/artistas de rua nos filmes e admirava-os por trabalharem simplesmente em um lugar cheio de inspiração e pessoas gentis e sorridentes, entretanto nunca tinha encontrado um. Pensava que só existiam lá mesmo, nos filmes. Parece que não.

E a parte mais legal disso tudo: meu cachorro está correndo rapidamente na direção dele. Espero que Cookie pare logo com isso e que o garoto-pintor (olha só, já criei até um apelido para o cidadão) não tenha medo de labradores....

— Cookie, seu labrador rebelde! Volta aqui! ... Ei, você! Ei! Você mesmo! Segure aquele cachorro! O cachorro! Segure ele! — grito para o garoto-pintor e, olha: ele não é surdo. Fico feliz por isso.

Notas finais
Gostou? *U* :') Obrigada, novamente ♥ Muitos beijos e até o próximo! ♥