Notas iniciais
Francis está por todo canto, o que ele planeja?

"Será que hoje finalmente, eu...?" pensava Felippe enquanto caminhando sob a leve nevasca. Chegou numa lanchonete, que seria o local marcado, mas não havia ninguém lá e estava fechada. "Parece que não..." pensou desapontado; procurou o celular no bolso, viu as horas — 10h37 — e não havia nenhuma mensagem. Começou a andar de volta pra casa completamente desconcertado, quando, de repente alguém carregando muitos livros esbarra-se com Felippe; ambos caem no chão e os livros se espalham na neve.

– Caramba...! Tu não olha por onde anda? — reclamou Felippe.

– Me desculpa... — respondia o indivíduo que era ninguém menos que Beirut. — Eu estava com pressa, e... — continuou, parando de falar ao olhar pra Felippe.

– O que?

– Nada, quer tomar um café comigo? Como pedido de desculpas...

– Pensei que estivesse atrasado pra alguma coisa...

– Pode esperar.

Felippe havia entendido o recado, além disso, ele é um bombeiro, dá pra se imaginar que o porte físico dele atrairia as pessoas, sem contar seu cabelo loiro e olhos verdes. É realmente de se pensar: Como ele ainda está solteiro?

– Tudo bem, não tenho nada melhor pra fazer mesmo... — aceitou o convite.

Beirut levou-o para uma cafeteria bastante moderna e então fez seu pedido:

– Eu quero um choco d'italia, por favor.

– Hmmm... Certo, e você? — perguntava a garçonete para Felippe.

– Err... Um café normal mesmo... Médio.

– Tudo certo, chega em cinco minutos, obrigada pela preferencia. — disse retirando-se.

Beirut deitou os braços na mesa e começou a se apresentar:

– Meu nome é Beirut, tenho 25 anos, eu sou um... Estudante de direito.

– Direito, hm? Meu nome é Felippe, tenho 22 e sou bombeiro.

– Ooh! Com esse corpo, era de se imaginar... Ah! Desculpe, eu não queria ter dito isso...

– Tudo bem. — riu. — Esbarrar em alguém com livros é táo clichê, Beirut. — sorriu.

– Desculpa, eu não resisti... Você me chamou a atenção...

– Já disse que ta tudo bem, tu também me chamou a atenção. E esse seu cabelo... É ruivo natural?

– Até lá em baixo!

– Sério?

– Quer ver?

– Não agora... — riu.

– Quer cancelar o café e pedir outra coisa? — sugeriu Beirut.

– Por que?

– É que tá esquentando aqui...

– Besta! — riu. — Vai com calma, eu acabei de te conhecer, não é assim que as coisas funcionam...

– Eu sei, só estava brincando.

A garçonete chega na mesa com os pedidos:

– Aqui está: Um choco d'italia e um café normal médio. — disse enquanto os coloca na mesa de forma trocada.

– Moça, o café é meu. — interrompeu Felippe.

– Oh, desculpa...

Ao segurar pelo pires, a garçonete derrubou café na calça de Beirut que logo em seguida berrou de dor.

– Ai meu deus, me desculpe, foi sem querer! — desculpou-se a garçonete.

Felippe levou Beirut até o banheiro para tentar limpar e aliviá-lo. Encostado na parede no lado de dentro do banheiro, esperava Beirut que estava sentado numa privada.

– O que tu ta fazendo aí dentro?

– Estou com meu orgulho de fora... Para refrescar. — respondeu Beirut.

– Pegou logo nele...

Em instantes a porta se abriu, a calça de Beirut estava toda manchada e com um sorriso ele disse:

– Acho melhor eu ir pra casa, se demorar pra lavar vai grudar e não vai sair.

– Que pena, estava ficando divertido... — lamentou Felippe. — Tem celular?

– E quem não tem?

Os dois trocaram números e promessas de se encontrarem novamente, antes de saírem do banheiro Beirut virou-se rapidamente na direção de Felippe e deu-lhe um selinho. Olhos surpresos e arregalados:

– Beirut...

– Não diga nada... E tchau. — respondeu saindo rapidamente, deixando Felippe paralisado.

[11h]

Ellis havia passado no hospital mas foi impedida de visitar no horário, então decidiu fazer o que Lucas havia pedido e foi a até a casa de Eduardo para deixar o envelope e o celular na cama dele. Ao abrir a porta da frente um forte mau cheiro surgiu:

– Argh! Que fedor é esse?!

Quem passava na rua também se assustava com o cheiro, aquilo não era de algo estragado, esgoto ou lixo, era cheiro de morte, de corpo em decomposição. Ellis vasculhou a casa e encontrou um husky siberiano morto ao lado da tigela com ração. "Veneno..." concluiu em pensamento, mas quem teria feito algo desse calibre? "Lucas? Não é possível, pra que ele faria isso?". Colocou o envelope e o celular no quarto e em seguida, com o cachorro numa bolsa plástica, levou-o ao lixo para ser coletado; logo em seguida fez uma faxina, limpou tudo, tirou o odor, e foi para casa. O que Ellis não sabia era que estava sendo seguida por um rapaz negro de casaco azul, que estranhamente recebe uma ligação de Francis:

– Sim, estou seguindo todos os passos dela. — confirmava no telefone.

– Continue assim, Tim.

Afinal quem é esse Francis? O que ele está planejando?

[Faltam 7 dias pro leilão.]

Ao chegar em casa, Ellis encontrou Felippe com um sorriso:

– Deu certo?

– Não...

– E que cara é essa?

– Acabei conhecendo alguém melhor no caminho e fomos numa cafeteria e... Ele me beijou... — respondeu Felippe corado.

– Fico feliz por você, Lippe, mas toma cuidado.

– Não precisa se preocupar comigo, já sou grandinho.

– Preciso sim, sou tua irmã!

– Claro, com certeza, super concordo.

– É só um medo, mal conhece o cara...

– Ele é de confiança, não se preocupe.

"Ele é de confiança, não se preocupe" escutou Francis através das escutas que colocou na casa de Felippe, tinha a maior vontade do mundo de mostrar que estava errada e salvá-lo, mas não podia interferir, era a chance de ouro de completar sua vingança misteriosa e acabar com Beirut.

[19h24]

– Alô? — Beirut atende o celular.

– Oi, ruivo, é a Suzana, amei o café da manhã, você também é bastante engenhoso na cozinha, ein? Assim eu não resisto.

– É... — riu. — Eu reconheço minhas qualidades... Quer um segundo round?

– Se for possível, dessa vez na tua casa, que tal?

– Claro, vou te passar o endereço...

[Quando eu era mais novo, minha avó colocava veneno de rato espalhado pela casa.

Nessa brincadeira o meu cachorro morreu ao comer uma vez.

É muito idiota, se pensar que colocar a ratoeira na frente da casa do rato é mais eficiente.

Eles não são anjos como eu...]

Hoje, mais uma vez, Beirut e Suzana transaram loucamente.

Notas finais
"Apatia" será lançado dia 4 de abril, domingo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.