Notas iniciais
Iniciemos os trabalhos! :)

Dulce

Depois da corrida que dei para chegar até as catracas da entrada da Universidade, me dei conta que não tinha pegado ainda minha carteirinha. Revirei os olhos mentalmente, ao ver que nada adiantou eu me apressar já que teria que ainda procurar minha carteirinha e desperdiçar o meu tempo.

Notei que o segurança daquele turno deu um discreto riso, tanto eu quanto ele sabíamos que eu estava mais que atrasada e aquilo me atrasaria ainda mais. Após tirar tudo praticamente da minha bolsa, consegui entrar na Universidade, me apressei em ir para minha aula. Que era importante.

A aula já tinha acabado enquanto eu estava a caminho da lanchonete com minhas amigas, recebi uma notificação no celular.

Como assim? Isso não pode ser possível. Ou talvez até possa e o destino esteja brincando conosco. Vou deixar de digitar os meus pensamentos e lhe dizer de uma vez por todas, que eu também estava na festa fantasia, e que sim, eu estava te esperando também.

Dodo.

Eu reli a mensagem que tinha acabado de receber umas três vezes por que não conseguia acreditar que estava numa mesma festa que ele e não nos vimos. Foi uma festa a fantasia da Universidade tudo bem que seria difícil nos reconhecer, mas parecia que daria certo.

:- Já está pendurada nesse celular novamente, Dulce? Esse cara não te deixa em paz mesmo.

:- Não enche Jéssica, por que não aproveita e pede uma porção grande de batatas fritas pra gente. – respondi sem sequer olhá-la, e ela sabia o porquê estava respondendo ele. Todas minhas amigas sabiam.

Não brinca? Eu pensei que você não tivesse ido, só isso seria uma boa justificativa para não termos nos visto. Mas, parando e pensando melhor, fomos burros. Combinamos de nos encontrarmos numa festa a fantasia, as possibilidades que desse errado, era enorme.

Mimi.

Enviei.

Como a resposta dele demorou a chegar eu aproveitei para conversar mais com as meninas, ainda assim meu pensamento estava na resposta que ainda estava por vir eu não conseguia controlar.

O que eu posso dizer sobre o Dodo?

Eu e ele nos conhecemos há algum tempo num chat de música, por coincidência nos gostamos de uma mesma banda mexicana, eles não são muito conhecidos.

A química se assim posso pensar com Dodo sempre foi muito forte, sabe quando a pessoa parece te conhecer melhor que todos com quem você convive? Pois é, Dodo é assim. À medida que nossa intimidade ficou maior, nosso contato também, nos trocamos Facebook, porém tanto eu quanto ele trocamos perfis falsos.

Nem ele e menos eu, queríamos falar sobre nossas verdadeiras identidades, pelo menos não no começo, queríamos apenas ter um amigo para conversar realmente sobre tudo sem se preocupar com o que o outro vá pensar ou julgar, alguém que fosse um terceiro e tivesse mais razão quando fosse aconselhar. Algo que eu não tinha na minha vida real. E pelo que ele me disse, também não. E talvez com os nossos perfis verdadeiros, não conseguiríamos dizer de cara limpa um para o outro o que falamos.

Estávamos bem até que a minha ilusão sobre ele ficara tão grande ao ponto de ter vontade de conhecê-lo, eu tive que falar isso com ele e me surpreender ao saber que ele também desejava me conhecer.

Só então perguntávamos sobre nossa vida real, coisa que não fazíamos antes. Descobrimos que não só morávamos na mesma cidade e bairro como também estudamos na mesma Universidade, provavelmente já tenhamos nos encontrado sem saber quem era quem.

Ele me garantiu que era homem e eu a ele que sou mulher.

Quantas vezes eu já não fiquei observando todos os caras universitários imaginando como seria Dodo, e especialmente quem ele seria. Me perguntando se ele também fazia o mesmo. Se ele tinha a mesma curiosidade em me conhecer, quanto eu dele.

Se ele estava tão apaixonado quanto eu por ele!

Sei que pode parecer loucura, se apaixonar por um cara que nunca vi antes, que pode ser qualquer um, ele não tem rosto além de uma foto do seu perfil falso de um personagem de um filme qualquer. Mas, eu não consegui evitar nada. Quando eu comecei a falar com Dodo, tinha namorado, até então eu e Dodo não nos falávamos tanto, vez ou outra. O que eu sabia dele era que tinha uma namorada também, mas o tempo passou, meu relacionamento com Maurício terminou e segundo Dodo o seu também.

Nesse momento nos aproximamos muito e fui descobrindo a cada palavra que ele era um cara que eu sempre idealizei, entretanto como eu vou explicar para os outros que me apaixonei por um cara que nunca vi na vida que o que sei é que estuda na mesma Universidade que a minha, é difícil de explicar e de ser uma loucura até mesmo para mim.

Realmente fomos burros, eu pensei que daria certo a ideia de você usar rosa na cabeça e que eu vestisse um sombrero, estava com uma camisa do Barcelona e o sombrero Pumas, depois de um tempo na festa, não encontrei você, decidi tirar o sombrero. Me desculpe, deve ter sido a ansiedade de encontrar com você.

Dodo.

Olhei para a mensagem e esquecendo a conversa com as meninas, olhei para as pessoas que estavam nas mesas comendo, na hora do intervalo da Universidade. Tanto eu quanto ele éramos dois tontos.

Estava fantasiada de cigana, e por azar vi uma duas meninas também com rosa na cabeça, vi vários caras com camisa do Barcelona, é o time que está na moda do momento. Fora que pumistas são o que mais se têm nessa universidade, nessa jogada chutamos para escanteio, jogador. Não se desculpe, eu entendo.

Mimi

Não demorou nem um minuto que eu enviei a mensagem ele já tinha me respondido.

Podemos marcar um encontro certo dessa vez, que não seja numa festa a fantasia, conhece o bar do Tijolo? Amanhã é sexta e podemos nos ver lá. Você não paga até meia-noite. Tem alguma ideia de como vamos para nos reconhecermos?

Dodo.

Era talvez fosse minha chance de acabar com tudo aquilo de uma vez por todas, poderia simplesmente negar e explicar a ele que não queria mais aquilo, não queria mais conhecê-lo. Mesmo sendo mentira, ou eu poderia simplesmente tirar uma foto minha enviar para ele e toda aquela loucura acabaria, mesmo que o encanto e todas as ilusões que criamos se esgotassem ali.

Só que eu não estava disposta a apostar tão alto, não queria perder o mistério e até mesmo a magia de conhecê-lo assim. Seja o que Deus quiser. Olhei para cima esperando a benção dele caísse sobre mim.

Já tinha me decidido eu tinha aceitado o convite, só estava esperando ter a ideia brilhante para pensar em algo que pudéssemos usar amanhã e que não desse errado.

:- Mesmo com a Dondoca Dulce, não percebendo o intervalo acabou, temos que ir para aula de novo. – Jéssica me chamou a atenção e me tirou do meu mundo de pensamentos.

Só fui me dar conta que o resto das meninas já tinham ido quando olhei para os lados.

:- O tempo passou rápido. – comentei me levantando.

:- Também, mas você não percebeu por está mais presa ao seu celular do que na nossa conversa. – ela riu de mim. – O que foi dessa vez está mais aérea que o normal?

:- Comentei com você que ele me chamou para sair... Para nos conhecer e tudo mais. – eu disse indo para o caminho mais longo em vez de ir para sala de uma vez.

:- Quem? Dodo?

:- Isso. Marcamos de nos vermos na festa a fantasia da semana passada, mas deu tudo errado. Então ele me chamou para ir no Tijolo.

:- Sério? — ela me encarou por um momento e voltou a olhar o seu caminho. – E você vai?

:- Vou. – disse com uma certeza que não tinha antes. – Mas, tenho que pensar em algo diferente para nos encontrarmos.

:- Acha mesmo que vale a pena encontrar esse carinha, Dulce? Sei lá. Isso tudo parece tão louco e tem tantos caras legais dando sopa.

:- Claro que é e eu sei que existem. Mas, não é muito diferente do que acontece por aí, inclusive com você antes de namorar o Kike.

:- Do que está falando? — ela me perguntou surpresa.

:- Não se faça de boba, antes saíamos para as baladas e você ficava com os caras, sem sequer saber os nomes deles, até já dormiu com alguns.

:- Hei, isso é diferente. Numa balada eu estava na companhia das minhas amigas, caso algo acontecesse e eu só queria me divertir, os caras com quem eu dormir já conhecia. – ela deu os ombros se justificando ou pelo menos tentando. – É diferente do seu caso, o cara sabe muito sobre você, é um desconhecido que quer te conhecer.

:- Eu não vejo tanta diferença para o seu caso, amiga. Ainda assim eu vou saber me cuidar, amanhã vamos juntas para o Tijolo, e quem sabe pode conhecer Dodo também e ver que ele é um cara legal independente de quem ele seja.

Nessa curta conversa já estávamos na porta da sala, quando ela me parou.

:- Como eu sou uma distraída ficamos falando sobre o tal Dodo e esqueci de falar o mais importante com você.

:- Fale.

:- Não quero que fique brava comigo, eu precisava de alguém para fazer o meu projeto, como Kike tem prova hoje e ainda mais estuda educação física em outro campus, eu tinha que chamar outra pessoa que estivesse livre.

:- O que eu tenho a ver diretamente com isso, além de ser sua fotógrafa? — Disse.

Jéssica estava fazendo um trabalho de conclusão de Moda e eu estudava fotografia, como o nosso professor era o mesmo, topei ajudar ela em seu trabalho.

Ela criou os figurinos e eu iria fotografar os modelos, como desenvolveu uma grife para o público masculino, Jéssica focou tudo em um só modelo, que afinal de contas eu nem sabia quem era o que me importava mesmo era fotografar ganhar minha nota, ajudar ela a tirar nota máxima e todas ficavam felizes. The end.

:- Somos amigos desde a escola, então eu o chamei e ele topou, só não tive palavras para falar com você sobre isso.

:- Fala logo de uma vez que você não chamou quem eu estou pensando. – arregalei os olhos e falei numa voz surpreendentemente controlada.

Antes que ela pudesse falar algo o nosso professor nos viu lá fora e pediu que começássemos logo com tudo, que ele estava ansioso. Jéssica nem precisou falar quem era o seu modelo. Foi à primeira pessoa que eu vi, assim que entrei no estúdio fotográfico.

Alfonso.