Mr. Dodo

:- Alfonso? — saltei na hora que a professora me chamou.

:- Estou aqui, presente. – eu disse animado gesticulando com os braços o que fez todo mundo rir.

Assim que ela confirmou minha presença, eu disparei para a saída daquela sala, graças a Deus a aula tinha terminado, eu não entendi como uma aula em plena sexta feira poderia ser tão demorada. Ou deveria ser por que eu estava nervoso?

Por que afinal de contas aquele era o grande dia.

Fui direto para o banheiro, tinha um cara lá terminando de lavar as mãos e logo que ele saiu eu fui me olhar no espelho, confesso. Tinha que ver como eu estava queria causar uma boa impressão.

Casaco de frio, xadrez dentro do jeans mais colado para evidenciar o tempo que passei na academia malhando fora o que melhor eu tenho nesse corpo, modéstia parte. Sapato, e não tênis para um primeiro encontro. Eu tinha mudado o visual, quando Mimi me mandou o sms aceitando o meu convite, eu sabia que tinha que mudar.

Então hoje fui ao cabeleireiro e cortei o meu cabelo o deixei raspado bem curto, mas bem definido e tirei minha barba, não era toda mulher que gostava, e eu queria agradar Mimi, mesmo sem saber que tipo de homem ela gostava, já que ela fugia dessa pergunta.

Apalpei meu bolso e lá estava o principal um batom vermelho, imediatamente eu fiquei mais nervoso. Aquele seria meu passaporte para o céu ou inferno, tudo dependia de quem seria a verdadeira identidade de Mimi.

Eu já cheguei imaginar várias mulheres dessa Universidade, dos outros campos também que faz parte, e é meio impossível saber e acertar quem é Mimi. Por quem eu tinha uma curiosidade nata, eu queria conhecê-la sabia que ela era o tipo de mulher com quem eu não me envolvo faz tempo, não um rolo, e sim quem sabe uma namorada ou pode ser mesmo um caso.

Independente de quem venha ser a misteriosa Mimi, o que eu sabia era que, ela me conhecia muito bem e existem fatos da minha vida que contei a ela que não contei nem para os meus melhores amigos.

:- Poncho? — ele entrou no banheiro.

:- Fala.

:- Vamos de uma vez ou vai ficar se olhando nesse espelho feito mulher insegura! – Fercho zombou de mim.

:- Vamos, eu só estava me dando uma moral. – eu ri.

:- Você está bem cara, aposto que pega umas minas do campus da educação física, Kike disse que lá está muito bem frequentado e melhor hoje elas vão em peso para o Tijolo. – ele me abraçou apoiando seu braço no meu ombro.

:- Deixa Jéssica ficar sabendo disso. – eu ri. – E você também fala como se não namorasse também.

:- É diferente, eu estou te aconselhando afinal você é um dos poucos solteiros.

:- Tem razão, mas estou indo mais para beber.

Ele me encarou, sabia que tinha alguma coisa errada. E eu acabei confessando.

:- Ok, não quero ser visto com nenhuma mulher hoje por que tenho um encontro. Marquei de novo com Mimi.

:- De novo com essa história, pensei que você tivesse esquecido isso, cara. As chances de dar merda é enorme.

Fercho era um dos meus melhores amigos, desde a escola, ele sabia superficialmente sobre Mimi, não me aprofundei no assunto com ele.

:- Cala a boca, hoje vai dar certo.

:- Quer saber, você vai quebrar a cara hoje e vai conhecer a tal Mimi e ver que na realidade é um travecão, um dos que fazem moda com Jéssica e vai montado para a aula. – Nós dois rimos enquanto entravamos no carro dele.

:- Não fala merda Fercho, dirige logo essa lata velha quero chegar no Tijolo e aproveitar minha noite.

:- Não fala assim do meu carro. – ele reclamou.

Eu não queria dar ouvidos a ele, quando o assunto era Mimi, por que de alguma forma ele poderia está certo. Se Mimi mentisse para mim. E na verdade não fosse quem diz ser, se for um homem mesmo. As minhas intenções vão por água abaixo.

Hoje o mistério termina, até mais tarde Dodo.

Mimi.

Antes que preocupações e bobagens dominassem minha cabeça, ela me mandou um sms, e não pude evitar ficar novamente ansioso. Eu finalmente conheceria a pessoa por detrás da foto de uma lua no face, o que era a cara dela, Misteriosa.

Não demorou para chegar no Tijolo, era perto da Universidade, além do mais eu e Fercho fomos uns dos primeiros a sair da aula e consequentemente um dos primeiros a chegar no Tijolo. Não era a toa que o estacionamento estava tranquilo,

Logo eu e Fercho fomos para o nosso lugar favorito onde era estratégico, desde que frenquentavamos o Tijolo ficávamos por ali. Era o mais próximo do bar, do banheiro e também de uma saída. Por ali ficamos até a ida ao Tijolo realmente valesse a pena.

O que não demorou muito, o espaço era grande, mas ainda assim lotou em questão de uma hora, afinal era o ponto de encontro de toda a Universidade, estranho é quando ali estava vazio. Deixei o meu pessoal conversando, para ir até o balcão e pegar uma bebida por ali mesmo. Talvez eu tivesse mais chances de encontrar Mimi, após me sentar eu pedi minha tequila e comecei a observar o movimento, havia mulheres lindas espalhadas por todo o local. Ainda assim o meu pensamento só chegava a ela.

Eu estava começando a ficar louco da cabeça, apostando muito alto em alguém que eu não conhecia direito. E foi no meio de um gole que notei algo, o Tijolo era dividido basicamente em três locais, o principal que é o bar, que no fundo tinha um mini palco para apresentações ao vivo, a pista que era uma balada com DJ e tudo mais, onde o pessoal gosta mais para aproveitarem para caçar. E a parte lá fora antes do estacionamento, para quem gosta de ficar ao ar livre.

Para dizer a verdade nenhum desses lugares seria bom para o meu primeiro encontro com Mimi, estava lotado e ainda por cima não teríamos privacidade alguma. Então olhando para cima eu tive a ideia.

:- “Sorriso” chega mais, meu parceiro. – o chamei assim que o vi. Sorriso era o apelido de Felipe, também aluno da Universidade, porém ele estuda de manhã e trabalha como barman no Tijolo a noite.

:- Mais uma bebida, Poncho? — falamos bem próximos um do outro para consegui nos escutar.

:- Não, quer dizer não agora. Na verdade estou precisando de uma ajuda sua.

:- Pode falar, no que eu puder ajudar.

:- Então, eu marquei um encontro com uma mulher e tal. Mas, eu estou precisando de um lugar com mais privacidade, sabe?

:- Sei. – ele riu malicioso e foi a primeira vez que eu tinha me ofendido, se fosse para fazer o que ele estava pensando, não chamaria ele. Sabia bem quais lugares para ir.

:- Hei não pensa besteira, eu não conheço ela, vai ser a primeira vez que nos veremos. Por isso eu preciso de um lugar onde eu possa escutar o que ela diz, cara.

:- Relaxa cara eu só estou tirando uma com você, sei que você não vacila. Escuta só, eu posso consegui a chave para você da parte de cima do Tijolo, está vendo. Ali fica o escritório e também uma biblioteca, que a noite ficam fechados, mas posso conseguir para você.

:- Era justamente nisso que eu estava pensando, pode conseguir a chave da biblioteca? Se quiser posso falar com Manuel, se ele achar ruim.

:- Fica tranquilo, eu vou falar com ele agora, e só combinamos a hora para você encontrar com a mulher misteriosa. – ele riu.

:- Obrigado, cara. Sabe que eu não vou fazer nenhuma merda, eu sou do tempo que o Tijolo estava começando e sequer tinha estacionamento conheço isso aqui como se fosse minha casa.

:- Eu sei, confio em você, agora vai se divertir e me deixa trabalhar.

Eu ri dele e agradeci mais uma vez, agora sim teríamos um encontro de verdade. Peguei meu celular para mandar um sms para Mimi.

Prepara o seu bigode Mimi, por que eu tive uma ideia melhor de um lugar para nos encontrarmos, conhece a biblioteca do Tijolo, que só é usada à tarde? Então vamos nos encontrar lá.

Dodo.

Mandei o sms e peguei o resto da minha tequila, quando dei o primeiro passo já esbarrei com alguém.

:- Desculpa eu... – comecei me explicando até ver quem era. – Gorda. – soltei sem querer.

:- Não acredito que vou ter que aturar sua presença por aqui também Alfonso. – ela falou irritada arrumando a sua jaqueta.

:- Tenho o mesmo desprazer, se soubesse que era você teria batido mais forte para derrubar.

:- Sempre ridículo, por que não usa suas patas de vira-lata e sai por aí caçando suas meninas e esquece que eu existo.

:- É isso que eu vou fazer, melhor do que ficar olhando para sua cara de azeda e acabar com a minha noite, que tem tudo para ser uma das melhores.

:- Tem quem queira minha cara de azeda e segundo você gorda. – ela sorriu debochada. – Anda, agora vai pastar e tomar o seu rumo, não quero estragar minha noite que está apenas começando, brigando com você.

Dito isso ela saiu da minha frente e se enfiou entre as pessoas, como se procurasse alguém. Sempre que eu via Dulce, eu não conseguia me controlar tinha que ataca-la de alguma forma.

O que posso fazer, era uma vontade maior do que eu podia controlar, fiquei olhando ela ir embora, era pura implicância minha mesmo, tinha que admitir Dulce não estava gorda, passava bem longe disso. O que me surpreende é pelo fato do quanto ela come, continuar magra, deve ser a ruindade dentro daquele pequeno ser e não que eu a observasse no intervalo da faculdade ou em algumas festas que estávamos.

Em meio aos pensamentos vi Dulce do outro lado do Tijolo, já com as amigas, rindo e mexendo no seu celular, meu celular vibrou no meu bolso eu fui ver se era quem eu esperava.

Isso significa que você já está aqui? Eu acabei de chegar e já tive um encontro desagradável, enfim nada que posso impedir de ficar feliz por que finalmente vou te conhecer. Vamos fazer o seguinte daqui a meia hora nos vemos na biblioteca?

Mimi.

De tão nervoso que eu fiquei ao ler a mensagem que tomei o resto da minha tequila, a hora da verdade estava mais próxima do que eu imaginava.

Fechado, mas para eu ter a certeza de que é você tem que ir de bigode, até daqui meia hora, Mimi?

Dodo.

Ela não demorou a me responder.

Faz sentido, então eu te espero daqui a pouco com batom vermelho na boca para eu também ter a certeza de que é você mesmo.

Mimi.