Mrs. Mimi & Mr. Dodo
4 Mr. Dodo II
Notas iniciais
“Até” eu respondi em pensamento, olhando a minha volta, por Deus poderia ser qualquer uma dessas mulheres, fui até onde estava Sorriso, e pedi que me desse à chave, eu não conseguiria esperar a meia hora ali.
Com as chaves na mão eu fui para o segundo andar do Tijolo que ficava muito diferente à noite, assim que cheguei liguei as luzes e fiquei olhando para o lugar, vendo os livros para passar o tempo.
:- Agora seria a hora da verdade. – eu falei em voz alta depois de encarar os mesmos livros, pelo que parecia uma eternidade.
Extremamente pontual, eu estava marcando o tempo do relógio, assim que se passou os trinta minutos, escutei a porta ser aberta. E ao contrário de tudo que eu imaginei, fiquei petrificado. Assim. De costas.
Mesmo sentindo a presença dela ali, sentindo um perfume forte feminino que eu tinha certeza ter sentido lá em baixo, com certeza eu já tinha esbarrado com ela antes.
O que você está fazendo seu idiota? Vira de uma vez.
Pensei. Ainda assim meu corpo demorou para corresponder as minhas ordens, isso até escutar os passos dela como numa espécie de instinto eu me virei, finalmente.
Isso para ter a maior surpresa da noite.
Dulce?
Ficamos nos encarando surpresos durante um bom tempo, isso até ela mudar a expressão e balançar a cabeça como se negasse algo.
:- O que você faz aqui Alfonso? — me perguntou irritada.
E eu não consegui falar nada, só encarar ela, de cima a baixo diferente do que eu fiz da última vez. Ela usava um salto alto vermelho, uma calça de coro uma blusa branca com um decote que para uma pessoa como eu, não passava desapercebido e uma jaqueta preta sem manga, eu era detalhista quando tinha que ser e esse era o momento.
Eu não tinha me dado conta da forma que ela estava vestida até agora e mesmo que eu não admitisse, ela estava linda. De uma forma que eu sequer imaginei que ficaria, para o meu pesadelo.
O fato de ser detalhista não era tão forte até eu reparar na sua mão, que estava inquieta, parecia está nervosa, entre os anéis que usava tinha um enfeite. Sustentado por um fino bastão, sei lá o que era aquilo, havia um bigode.
Se antes eu tinha alguma dúvida, agora não restava nenhuma, Dulce era Mimi.
Como isso era possível, eu não sabia. Apenas era.
: — Você está surdo? Não escutou o que eu falei? — ela ainda usava um tom irritado, parecia não aceitar a realidade que estava ali presente. Notou que eu a encarava e depois olhei sua mão que ela tinha o bigode, imediatamente escondeu a sua mão. – Escute aqui, eu estou esperando alguém importante, você pode ir embora.
Depois do que ela falou tudo o que eu fiz foi passar uma mão no rosto e depois sorrir. Que mundo pequeno era aquele.
:- Do que você está rindo, palhaço?
:- Da vida que é engraçada e principalmente surpreendente. – eu disse algo e isso foi um alívio para ela.
:- Do que está falando?
:- Você não concorda? Eu acho que você sabe do que eu estou falando.
Ela me olhou confusa e voltou a negar com a cabeça andando mas, para um lado oposto do meu e também da porta onde ela estava perto ainda.
:- O que eu sei é que você deve está bêbado, já. E isso não importa em nada, com o pingo de educação que eu tenho, vou te pedir um favor.
:- Ah sim? Qual é? — eu estava começando a achar aquilo divertido.
:- Você deve ter marcado com alguma de suas ficantes da noite aqui, para fazer essas coisas de adulto e tal, mas eu te peço, eu também tenho um encontro marcado aqui. Você não pode sair um instante, apenas para eu encontrar ele e nós já saímos, e aí você pode ter o seu encontro sexual em paz. Todos ganham, não está vendo? — ela deu um sorriso nervoso.
O que me fez rir. Quem acreditaria que minha maior rival era a Mimi.
:- Que tipo de cara você acha que eu sou, Dulce?
:- Eu não sei, eu só quero essa biblioteca livre por alguns instantes, é o tempo dele chegar ou eu mandar um sms para saber onde ele está.
Eu me olhei de cima a baixo e depois procurei o meu reflexo na janela da biblioteca, tentando entender por que ela não me reconhecia, e estava explicado. Eu me esqueci de colocar o batom. Pelo reflexo também vi que ela me olhava estranha tentando similar minha presença ali.
:- Eu cumpro o seu favor, mas antes eu preciso conversar com você. Você aceita? — disse a olhando pela janela.
:- Se não há outra maneira. – disse conformada depois de olhar para a porta antes de voltar a me olhar. – O que você teria para me falar, não temos nada para dizer um ao outro, além de ofensas.
O que ela disse me fez rir, por que era verdade, mas não a total verdade, por que tínhamos muito que conversar. Era verdade que com o tempo a nossa linguagem eram as ofensas e provocações, mas pelo menos da minha parte tinha uma justificativa tudo isso.
Eu caminhei até onde ela estava, que imediatamente ficou a postos cruzou os braços em forma de defesa, normal quando eu encontrava ela. Mal sabia que hoje tudo ficou diferente.
:- Para começar eu quero te pedir desculpas.
Ela que estava desinteressada, me olhou confusa, prestando atenção no que eu acabei de dizer.
:- Isso mesmo o que acabou de escutar, estou me desculpando. Por todos esses anos que eu fui um imbecil com você. Mas, especialmente e no que eu tenho mais vergonha. Foi naquela viagem.
:- Você não está querendo dizer... – nem ela completou, porém eu sabia que ela se lembrava.
A viagem que todos nossos amigos fomos juntos amigos para Acapulco, não era uma época que eu não me orgulhava de mim. Eu estava um chato, nem eu me entendia. E o pior era que não admitia que tudo isso era por não ter superado o que Dulce fez comigo, por mágoa.
Eu fiquei bêbado e morto de ciúmes quando eu vi ela sair com Otávio, que fiz uma bobagem, a beijei a força e além de levar um tapa merecido ficamos o resto da viagem brigando.
:- Sim, a viagem para Acapulco, o que eu fiz e também tudo o que eu disse, não tinha direito de ter feito aquilo.
:- O que te deu?
:- Não vai aceitar minhas desculpas? Não acha que estamos crescidos para viver nessa vida de cão e gata, como diz a Jéssica, não sei. – dei os ombros. – Eu estou cansado disso tudo e acho que já passou da hora de termos uma conversa e esclarecer tudo.
:- Eu não entendo você Alfonso. – Ela me olhou desacreditada. – Num momento você está brigando comigo como lá em baixo e outro está pedindo desculpas por algo do passado. Da onde veio isso?
:- Você não acha certo eu querer me desculpar por tudo o que eu fiz.
:- Na verdade eu não entendo. Ainda mais lembrando do passado por que justamente nessa viagem eu quis ter essa conversa e você fez o que fez. Não venha pagar de bom moço a essa altura do campeonato.
:- Não estou pagando de bom moço, você que não quer dar o braço a torcer e aceitar minhas desculpas, ainda mais é uma cega que não percebe tudo o que está acontecendo a sua voltar.
:- O que? — ela elevou a voz. – Está me chamando de cega agora? Está vendo é por isso que não adianta nada aceitar ou deixar de aceitar suas desculpas. Por que não servimos para ser amigos, não nos entendemos em absolutamente nada.
:- É aí que você se engana, nos podemos nos dar muito bem.
E agora ela que riu do que eu falei e foi tão contagioso que me fez rir igual a ela.
:- Você não sabe o que está falando, sempre estamos como cachorro e gata.
:- Você acha que eu sou louco?
Me olhou de uma forma que não precisaria ela responder, por que era algo que estava na cara, e foi o que me fez rir realmente, me lembrei do batom que eu tinha no bolso. E tive uma ideia.
Eu me aproximei dela ficando tão perto que toda a pose de durona e vitoriosa foi embora como um passe de mágica, e ela ficou tão nervosa como na sessão de fotos em que trabalhamos juntos e que tudo o que eu fiz, foi de propósito. Descruzei os seus braços devagar a encarando.
E pegando no antibraço que ela segurava ainda o bigode eu subi levando ao ponto de seu rosto, colocando o bigode entre o seu nariz e sua boca, ela não entendeu nada da minha atitude.
:- O que é isso, Dulce? — perguntei baixo.
:- Nada que te diz a respeito, Alfonso. – voltou a ficar com raiva e mal sabia o que quanto isso me chamava à atenção nela. Talvez, por isso eu a irritava tanto.
:- Por que não vai embora de uma vez por todas, já disse o que tinha que dizer, e se faz tanta questão, eu te desculpo, porém agora vai embora eu preciso encontrar alguém.
:- Eu vou embora, mas antes eu tenho que te falar uma última coisa e é a mais importante. – falei seriamente, me apoiando na parede atrás dela.
:- Fale de uma vez.
:- Todo esse tempo eu estava negando para eu mesmo, que eu sinto algo muito especial por você.
:- O que você está dizendo? — ela me encarou de uma forma estranha, assim como as palavras que eu acabei de dizer, pelo menos para nós dois.
:- Que desde o colégio, depois de tudo o que aconteceu conosco. – eu neguei abaixando a cabeça, se tivéssemos tido essa conversa antes, tudo poderia ter sido tão diferente.
:- Olha Poncho. – ela soltou o meu apelido e depois de tanto tempo isso fez com que nos encarássemos. Ela ignorou o peso disso. – Se é para nos desculparmos, sei que vai falar do que eu fiz no passado, do tanto que eu te magoei. Eu peço desculpas pelo o que fiz, estava apaixonada era uma menina, tudo não passou de uma ilusão que eu tive com Chacho e eu me deixei levar por esta ilusão.
:- Eu sei. Custei para entender isso, — coloquei dessa vez minhas mãos no rosto dela. – isso não justifica o que eu fiz depois, quando andava com Clara, todas as vezes que eu te humilhei e te tratei mal. E para ser sincero tudo tinha um motivo.
:- Qual? — ela já tinha deixado o seu bigode cair no chão, e colocado suas mãos sobre as minhas.
:- Eu nunca te superei.
:- Alfonso.. – ela negou desacreditada, algo me dizia que ela também sentia o mesmo, mas se negava a sentir. – Não podemos ter essa conversa agora, é muito tarde para isso. Quantas vezes eu tentei..
Não terminou de dizer o que queria.
:- Eu sei disso, mas ainda dá tempo, me escuta...
:- Não. Não! – E dando dois passos negou se afastando de mim.
:- Me escute eu... – tentei novamente.
:- Não, agora quem vai me escutar é você, vamos colocar tudo em pratos limpos. – eu a via nervosa.
:- Em todos esses anos quantas vezes eu tentei me aproximar de você para conversar e nos resolver? Quantas vezes tentei falar o quanto eu estava arrependida por ter te traído, por ter te enganado. Até mesmo naquela viagem de Acapulco, eu tentei dizer o que eu sentia, tentei te alertar para as atitudes ruins que você tinha.
Eu ouvia tudo calado, era minha vez de escutar, enquanto ela falava eu peguei o meu celular e comecei a digitar minha mensagem.
:- E quando eu cheguei na faculdade achei que estava livre dessa relação atormentada com você, e no primeiro dia você lembra da recepção que me deu? Eu sei que sim. A única linguagem que nós conhecemos é o das brigas, você sabe disso, e o pior de tudo é que estou aqui falando e você não está dando à mínima, está digitando no celular. Eu sabia que você só queria brincar comigo.
Enviei minha mensagem.
Já passou da hora dela saber a verdade.
Me virei de costas para voltar a falar.
: – Chega um momento que gostamos de alguém, mas nos machucamos ao saber que essa pessoa é uma tola e não nos corresponde. Então passa os anos você acha que a superou, mas nenhuns dos seus relacionamentos dão certo, como uma válvula de escape você encontra alguém na internet, e contrariando tudo o que você achava certo, se apaixona por essa pessoa desconhecida. – terminei falar assim como terminei de passar o batom vermelho que tirei do bolso.
Era chegada à hora de Dulce conhecer, Dodo. Como eu suspeitei a mensagem que eu enviei, chegou agora, e o som do celular dela ecoou pela biblioteca, não podia vê-la ainda assim eu escutava sua respiração alta.
:- Não é possível que você seja.. – ela não terminou de falar, com a mesma surpresa que estava ao ver que ela tinha um bigode.
:- Você recebeu uma mensagem, Dulce por que não vê.
Ainda que você pense que eu estou louco, você e eu somos tal para qual. ps.: Eu sou o Dodo, Dulce.
Alfonso.
:- Não pode se possível. – ela disse e eu me virei para ver sua reação.
:- Eu também não acreditei quando te vi parada nessa sala. – ela encarou e focou principalmente no meu rosto, no batom vermelho que eu usava.
A deixei me encarando, ou melhor encarando a realidade. E devagar com calma fui me aproximando, ficando aliviado por ver que ela não fugiria de mim. Desde que me dei conta que ela era Mimi, mesmo sendo a minha maior rival, me dei conta principalmente que sempre fui apaixonado por ela. Sempre, apesar de tudo.
Eu cheguei tão perto que podia sentir sua respiração me tocar.
:- Quantas vezes eu mandei mensagem para o Dodo e em seguida em briguei com você, na faculdade.. – ela pensou alto.
:- Digo o mesmo, parece surreal, não é?
:- Meu Deus, no dia da sessão de fotos eu tive a ideia do bigode lá. Vendo você conversar com Jess. E agora você está aqui na minha frente...
:- Isso e por que não faz o que você tanto quer? — eu sugeri mordendo os lábios, fazendo ela olhar para eles, avermelhados.
:- O que eu quero?
:- Isso.
Eu disse e logo em seguida grudei minha boca na dela, num selinho mesmo, não sabia como ela reagiria, como ela correspondeu eu puxei o seu lábio com o meu, ao mesmo tempo que abraçava sua cintura e ela também se entregou ao beijo depois de suspirar.
Não sei quanto tempo estávamos nos beijando, porém só paramos quando o celular começou a tocar irritantemente.
E ela me afastou empurrando meu peito, entretanto isso não era uma forma de me impedir de continuar beijando ela.
:- Alô? — atendeu sem fôlego. – Oi, Gaby. Não, está tudo bem. Porquê? — aproveitou a pausa para retribuir o selinho que eu tinha dado nela e sorriu depois para mim. – Eu não fui embora, disse para Jéssica onde eu ia. Eu sei que ela é uma louca e se importa mais com Kike e esquece do mundo. Mas, não precisa se preocupar, não estou sozinha. – ela passou a mão na minha cabeça raspada. – Eu preciso mesmo ir? Ela está passando muito mal? Ok, eu estou indo então, nos vemos daqui a pouco. Beijo, bye.
:- O que foi?
:- Alexia, não está bem, está bêbada e o Gael deu outro fora nela. Eu tenho que ir, cuidar dela, sabe como é essa história dos dois.
:- Tem que ser agora? — perguntei chateado, não era assim que eu pensava terminar minha noite.
:- Poncho, ela está agora passando mal. – Disse rindo guardando o celular e começando a se afastar de mim.
Eu vi ela caminhando devagar até onde o bigode que ela tinha deixado no chão, ser apanhado.
:- Espera. – eu disse caminhando até ela e depois de alcançá-la beijando-a de novo que para o meu agrado, me beijou também. – Eu queria fazer isso.
Ela apenas riu de mim.
:- O que vai acontecer com a gente? — perguntei e foi o único momento desde que começamos a nos beijar que ela voltou a ficar séria.
:- Deixa rolar, não vamos estragar nada.
:- Mas, você quer ficar comigo?
:- Você quer ficar com a Mimi? — ela perguntou voltando aos ares de riso, nunca ela me tratava assim, via apenas com os outros.
:- Eu quero.
:- Ela também. – trocamos sorrisos.
:- Ainda vamos nos ver essa noite?
:- Assim que Alexia melhorar, talvez eu me esbarre com você na pista de dança, quem sabe você me paga uma bebida, quem sabe ficamos e todo o pessoal da Universidade ficará surpreso ao ver dois rivais se beijando.
:- Eles não importam, então vem aqui, me dá um último beijo antes de descer.
Não deixei ela contestar e logo puxei sua cintura e a beijei, pena que não durou por que ela logo se separou e foi caminhando para a posta, antes de fechar fez uma graça com o bigode o colocando acima da boca.
:- Uma última declaração, para deixarmos os pratos mais que limpos.
:- Qual é? — eu perguntei rindo, por que a boca dela estava manchada de batom.
:- Agora eu sei por que eu sempre gostei do Dodo, por que eu desde o fim do colegial eu fui apaixonada por você.
Dito isso saiu fechou a porta e foi para festa ajudar a amiga e eu?
Fiquei com a sensação de que aquela era a noite mais louca da minha vida, acordei achando que conheceria uma garota sensacional que era Mimi e me surpreendi vendo que Mimi na verdade era a minha maior rival, da qual eu sempre fui apaixonado.
Fim.
…Entre líneas navegarte sin piel enamorarme pruébame si es real a través del cristal…
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