Notas iniciais
olás, pretendo terminar isso antes do prazo, hein! (:
deixem reviews gente, se eu achar que pouca gente tá lendo, vou parar de escrever definitivamente.
beijo do gordo! k

23th December, 8 am.

Como eu posso dizer o que aconteceu ontem, comigo? As gatas da Tríade ficaram aqui, me provocando, e depois de a morena ter vasculhado meu apartamento (o que eu só fui notar agora) eu faturei alguns beijos quentes da ruiva e da loira, e então elas se mandaram.

_ Hm, oi. – tento sorrir com a imagem de Marina abrindo a porta ainda de pijama. Eu precisava conversar seriamente com ela e o jeito foi ir até o seu apartamento.

_ Louis, que surpresa. – ela passa as mãos pelo rosto e junta os cabelos em um coque mal feito. – Entra.

_ Eu te acordei?

_ Não, relaxa.

_ Ok.

_ Então..

_ Então.. eu preciso da sua ajuda. – falei de uma vez. Ainda não tinha certeza se ela havia me ‘perdoado’ por aquele episódio com o Harry no Royale. Eu sabia que ela gostava dele, não devia ter pedido a ela que aceitasse aquilo.

_ Com o quê exatamente?

_ Com a lista.

_ Ah.

_ As máfias russa e chinesa já estão cientes do que nós temos e estão mandando gente atrás de mim. Meu apartamento foi invadido três vezes só essa semana. Eles não estão para brincadeira.

_ Eu sinto muito, mas o que espera que eu faça? – ela perguntou descrente.

_ As garotas da Tríade disseram algo sobre estar atrás do Terceto, o que eu estranhei, já que quem tem o que todos eles querem sou eu. Mas enfim, não questionei de forma alguma, afinal, antes eles do que eu.

_ Sim, mas onde eu entro nessa história?

_ Quero que fale com a Alex.

_ O quê?

_ Eu sei que vocês não são o tipo melhores irmãs, mas pelo menos ela ainda te ouve.

_ Louis, isso não é uma possibilidade, não mesmo.

_ É a única. Ou eles vão acabar me matando. – falei, um tanto dramático, e ela me encarou assustada.

_ Eles não podem..

_ Eles nunca obedecem o protocolo, você sabe..

_ É, eu sei. – ela disse. Ficou em silêncio por alguns minutos e então me respondeu. – Ok, Louis, você venceu. Eu vou tentar falar com a Alex, tentar, e veremos o que aquele coração de pedra ainda sente por você.

A Alex sentir algo por mim? Essa é boa.

_ Obrigado, obrigado, obrigado! Você é a melhor, Marina. – abracei-a com vontade e dessa vez meu sorriso saiu sincero. Eu sabia que ela e a irmã não tinham um bom relacionamento, mas eu estava desesperado atrás de ajuda.

_ É, e com essa são duas pra sua lista de dívidas comigo! – ela brincou.

_ Vou te pagar com juros, se necessário. – pisquei para ela, que me sorriu sem graça.

Ela corou em silêncio e resolvi puxar um assunto qualquer.

_ E você e o Harry?

Ok, talvez esse não tenha sido o melhor assunto.

_ Ahnn, nós somos.. amigos. – ela tentou disfarçar o descontentamento em sua voz, mas não funcionou muito.

_ Só amigos?

_ Sim.

_ Isso não tem a ver com aquele dia no Royale, tem?

_ Não, a gente não tinha como dar certo.

_ Estou me sentindo culpado.

_ Não Louis, não foi culpa sua.

_ Eu preciso ir.

_ Mas por quê? Fica mais..

_ Eu tenho que resolver algumas coisas. – me levantei e fui até a porta enquanto ela me seguia. – Obrigado Marina, de verdade. – dei um beijo demorado no canto esquerdo de sua boca e saí de lá.

23th December, 10 am.

_ Harry, cara, porque você não a quer? – fui direto ao ponto. Talvez até demais.

_ Quem que eu não quero? – ele passou a mão pelos cabelos encaracolados, confuso.

_ A rainha da Inglaterra. Dã, é claro que estou falando da Marina, né!

_ Não tem essa de eu não a querer.

_ Então o que é?

_ Ela quer você, Louis. – ele foi direto também.

_ Não, ela quer você. Vai por mim.

_ Ah, não vem com essa, cara! Eu vi muito bem como se olhavam aquele dia.. enquanto vocês dançavam ela parecia estar flutuando em nuvens.

Isso foi brega.

_ Não, ur, não mesmo. Era tudo encenação, idiota! Ela estava me ajudando a fazer ciúmes na..

_ Na própria irmã. – ele completou.

_ Sim, na própria irmã. – repeti, idiota.

_ Eu não quero mais falar sobre isso, cara.

_ Não há mais o que falar, você tem é que fazer. E você sabe o quê. – bati em seu ombro e saí, fechando a porta atrás de mim.

23th December, 1 pm.

_ E aí, Brandon!?

_ Cara, o que cê ta fazendo aqui? Não está meio cedo demais pra beber não?! – ele zombou assim que me sentei no bar, diante dele. – Você devia estar almoçando!

_ Não.. – fiz uma careta. – Mas nunca é cedo para o meu bom e velho Escocês. E hoje eu to precisando, cara.

Ele entendeu e foi logo pegar o Black Label.

_ O que houve? – ele perguntou solidário. Brandon era um bom amigo, e me servia boas doses naquele bar do Royale.

_ Problemas, meu caro. Mas não quero falar sobre isso.

_ E sobre o que quer falar?

_ Sobre nada. Por agora eu só quero beber.

_ Você que manda! – ele colocou a garrafa de whisky no balcão à minha frente. Tomei uma, duas, três doses. Normal. Após a quarta eu não sabia mais o que me levara até ali. E a sétima dose me fez chamar pela minha mãe. Achei que estava na hora de dar uma pausa.

_ Hey, Brandon! – chamei-o.

_ Quer outra garrafa? – ele me fitou espantado.

_ Não.

_ Então o que é?

_ Se você tivesse algo do qual muita gente está atrás, o que você faria?

Ele ficou em silêncio, pensativo, e então respondeu:

_ Eu continuaria com ele.. – ele disse, certamente estranhara a minha pergunta.

_ Ok, e se isso te colocasse em perigo?

_ Do que você está falando, exatamente?

_ Não posso dizer. Mas é algo muito, muito importante.

_ E é seu?

_ Não, não exatamente. E sinto que faria o Natal de muita gente feliz, caso eu sumisse do mapa. – falei sarcástico.

_ Wow, porque isso?

_ Porque assim eles teriam o que eu tenho e eles querem.

_ É irmão, eu não gostaria de estar no seu lugar não..

_ Nem me fale.

_ E a Alex, Louis? – ele riu.

_ Aquela mulher é maluca!

_ O que ela fez? – ele perguntou divertido.

_ Não estou bêbado o suficiente para falar sobre ela. Desce um JACK DANIEL’S aí.

_ Se você passar mal, sabe que eu não posso sair daqui pra te levar ao hospital, né? – ele zombou.

_ Ahá, eu não vou.

_ Ok. – ele pegou a garrafa quadrada de rótulo negro e serviu-me um copo.

Bebi um grande gole rapidamente. Só me sentiria à vontade em falar sobre a Alex quando estivesse totalmente bêbado.

_ Você sabe que eu sempre fui meio parado na dela.. – comecei. Ele me fitou atento enquanto eu buscava as palavras certas para contar a ele sobre Alexandra.

_ Meio?

_ Ah, não enche. Deixa eu terminar.

_ Ahh, tudo bem, vai, fala logo.

_ Então.. a gente andou se pegando por aí.

_ Mentira!

_ É sério, eu juro. Mas ela é osso duro de roer, maninho..

_ Ela bateu com a cabeça? Ela nunca gostou de você. – ele ria debochado.

_ Eu não duvido nada que toda aquela arrogância dela era falta de sexo.

_ E você resolveu o problema dela, certo?

_ MAS É CLARO! Ela teve o melhor sexo da vida dela com o papai aqui. – falei convencido. Ele riu novamente.

_ Tá achando tanta graça em quê, hein?

_ Em você! – ele respondeu.

_ Vai se ferrar. – virei a terceira dose de JACK DANIEL’S e me levantei do balcão.

_ Aonde você vai?

_ Vou dar uma volta, ver o que tem pra mim hoje.. – sorri malicioso e acenei para ele. Ele acenou de volta e voltou a mexer nas inúmeras garrafas de bebida que estavam sob o balcão, ajeitando-as em seus lugares. Caminhei até uma das mesas de pôquer do Royale e observei os jogadores. Estavam todos muito concentrados. Notei que o jogo estava perto de terminar e esperei ali em volta. Olhei a mesa: as apostas estavam altas..

Pensei em entrar na rodada seguinte, mas alguém que se encontrava no meio da ‘multidão’ se anunciou, entrando no meu lugar. A voz era um tanto grave, o que me surpreendeu ao ver que o seu dono era, na verdade, uma mulher. Ela era corajosa. Entrar em uma rodada com os três maiores apostadores de São Paulo era uma adrenalina e tanto. Ou ela era uma excelente jogadora, ou era maluca mesmo. Mas, ela bem que parecia confiante; usava um vestido preto simples (que ia até a metade de suas coxas), porém bonito. Os cabelos negros estavam jogados de lado e caindo sobres os seios, batom vermelho mate e uma camada média de sombra sobre os olhos azuis. Era bonita, meio séria demais, mas prendeu o meu olhar, e o de outros marmanjos ali, por um bom tempo.

_ Full house. – ouvi a morena dizer. Os seis homens se entreolharam estranhos, e mostraram suas cartas na mesa, indignados por terem perdido. Para uma mulher. E com um full house. Para eles era pouco, quase humilhante, pois dois ali estavam acostumados a ganharem sempre com sequências reais e/ou quadras.

Ela dobrou as apostas, para surpresa geral, e os desafiou a uma segunda rodada. E eles, é claro, aceitaram. Hum.. isso foi bastante ousado.

_ Aposto 100 pila que ela perde essa! – um cara ao meu lado diz.

_ Aposto 200! – outro rebate.

_ Mei pau que ela ganha. – falei num ímpeto.

_ Quinhentinhos? – os dois perguntam. Droga, falei demais. Confirmo e eles se gabam.

_ É melhor já ir contando a grana.. ela vai perder! – eles sorriem.

_ Eu não contaria com essa. – rebato.

Que merda eu estava falando? Eu nem sequer sabia o que ela tinha, não sabia quem ela era, se era boa com blefes ou trapaça.. Era um tiro no escuro.

_ Que tal a minha quadra? – um dos homens da mesa provocou a morena. Ela manteve sua postura séria e apenas sorriu de canto, ligeiramente pretensiosa.

_ E que tal a minha?! – ela mostrou-lhe a sua quadra também de oito. Ele sorriu nervoso. Um empate. Quem tivesse a quinta carta maior, também chamada ‘carta lateral’, venceria.

Todos estavam atentos, ansiosos, esperando que a morena perdesse. Ela nunca aparecera ali antes e chegar querendo desbancar os melhores não era um bom começo. Posso dizer que ninguém ali “botou muita fé nela”, mas eu sim. E eu, graças a Deus, ganhei porque eu não tinha nem mesmo 100 pila pra pagar aqueles otários! Ela venceu com uma dama, e ele perdeu com um 10. E eu ganhei 800 pila. Nada mal.

_ Você jogou bem.. É profissional? – me aproximei dela, que agora estava em um canto qualquer do salão.

_ Não. – ela foi categórica.

_ Qua.. – tentei puxar assunto e ela saiu, me deixando num completo vácuo.

_ Woww! – chamei-a.

Garota mal educada..

_ Vejo que já conheceu a Micaela.. – Harry apareceu ao meu lado de repente.

_ $%@!&*** Harold! – xinguei-o.

_ Calma, calma, calma. – ele levantou as mãos em sinal de rendição.

_ Não exatamente.. ela é meio arisca.

_ Não exatamente.. – ele disse enigmático e riu.

_ Como assim? Conte-me o que sabe sobre ela, Harold.

_ Odeio quando me chamam de Harold, sabe disso.

_ Odeio quando me esconde as coisas, sabe disso. – imitei-o.

_ Não haverá graça se eu lhe contar..

_ E eu posso saber o porquê?

_ Descubra você mesmo, irmãozinho. – ele sorriu malandro e me deixou sozinho também.

Ok, isso já está ficando chato.

_ Ei, Brandon, sabe alguma coisa sobre aquela tal de Micaela? – fui até ele, no bar.

_ Não muito, só a vi aqui algumas vezes..

_ Como? Eu pensei que ela..

_ Ela é namorada do Phill.

O quê?

_ Não pode ser.. tá falando sério?

_ Sim.

Foi por isso que ela não me deu bola. Agora faz sentido.

_ Se interessou por ela? – ele riu.

_ Ela até que é gata. – disfarcei.

_ Você não foi o único, garanhão. – ele deu ênfase ao ‘garanhão’.

_ Como eu faço para conquistá-la?

_ Como é que é? – ele ficou perplexo.

_ É isso mesmo que ouviu.. eu quero ela, na minha cama, comigo.

_ Você não pode estar falando sério..

_ Pode apostar que eu tô.

_ Cara, ela é namorada do Phill..

_ E daí? Eu já vou pro inferno mesmo.. – falei.

– E por culpa dele. – murmurei para mim mesmo; aquela última parte o Brandon não precisava saber.