Naquela mesma noite Sook e Sun encheram a sra. Soo-Yun de notícias e argumentos de prós e contras da proposta do tio Kwan de pagar os estudos delas. Para Sook, ela tinha ganhado na loteria e a felicidade não podia ser maior que aquela, era um sonho, se tornando realidade; para Sun, o tio Kwan estava tentando comprá-las com aquilo, era como se ele estivesse dizendo que elas não passavam de brasileiras miseráveis que precisavam da caridade alheia para se sustentar. E para Soo-Yun, aquela era uma proposta generosa apenas, mas que ela não podia aceitar por ser grande demais, mas também não podia negar por ser desrespeitoso. Aquilo parecia um impasse sem fim, que durou até a manhã seguinte, o fato delas ainda não terem se reajustado ao fuso horário contribuiu para a discussão até tarde e para elas acordarem mais cedo do que de costume para continuar a discutir.

— Já chega, meninas! — Soo-Yun diz, já impaciente com aquilo. — Chega de discussão, vocês não se cansam?

— Mas mãe, tudo o que eu quero é estudar com o meu primo, assim como é a vontade do tio Kwan — Sook faz drama. — Se a Sun não quer estudar numa das melhores escolas de música do país, então o problema é dela! Eu é que não posso sair prejudicada por isso.

— Não, você não entende que aceitar isso é o mesmo que dizer que a gente não consegue se manter por nós mesma e depende da caridade deles? — Sun se revolta mais uma vez. — Nós não precisamos disso, já estamos morando aqui de favor...

— Por pouco tempo — Soo-Yun a interrompe.

— Sim, mas estamos aqui sem pagar por isso... e aceitar essa proposta será humilhação ainda maior!

— Cala a boca, Sun! Você deveria ser menos orgulhosa e se mostrar mais agradecida com as oportunidades que recebe da vida...

— Cala a boca você, que só falta colocar um chapéu ridículo na cabeça e sair dançando na rua pra chamar atenção porque de esmola você já gosta...

— Sua...

— Hey! Vocês já passaram dos limites com isso tudo! — Soo-Yun as interrompe. — Não foi isso que eu ensinei a vocês. E essa discussão interminável acaba hoje mesmo porque eu já me decidi e vou conversar com o meu irmão sobre isso.

— Você vai aceitar? Por favor? — Sook faz cara de pedinte e Sun revira os olhos.

— Isso eu vou resolver com o tio de vocês durante o café da manhã — Soo-Yun diz indo em direção da porta. — Agora terminem de se preparar, enquanto eu vou ver se a Min-Ho precisa de ajuda.

— Se a mamãe recusar isso, eu vou te odiar pra sempre — Sook sussurra pra irmã.

— Hey, eu ouvi isso... — Soo-Yun diz antes de fechar a porta atrás de si. — Não quero mais discussões quando voltar, ouviram?

Elas assentem à contragosto e Soo-Yun sai.

Após o café da manhã, enquanto todos ainda estavam reunidos à mesa, a sra. Soo-Yun decide falar sua decisão.

— Bem, as meninas me falaram sobre a sua proposta de pagar pelos estudos delas, Kwan — Soo-Yun diz. — Eu estou muito grata por isso, você é um irmão muito generoso, mas... eu não não posso aceitar algo assim.

Sun sorri satisfeita pra irmã mais nova que lhe lança um olhar triste e furioso ao mesmo tempo.

— Não posso aceitar isso por completo, mas recusar também seria desrespeitoso com você — Soo-Yun prossegue. — Então, após pensar bem no assunto, eu resolvi aceitar com uma condição.

— Woohool! — Sook deixa escapar sua alegria ao ouvir aquilo e lança um olhar de satisfação para a irmã confusa.

— Sook... — Soo-Yun repreende a filha com o olhar, e Sook pede desculpas. — Como eu estava dizendo, Kwan, eu aceito a sua proposta, mas com uma condição. Eu irei pagar metade do valor de tudo que você irá pagar, acredito que isso é mais justo para todos nós... afinal de contas, esse é parte do meu dever como mãe e o fato de eu ser uma viúva, não significa que eu seja financeiramente incapaz de lidar com nossos gastos. E eu sei que sua proposta não teve como objetivo supor isso.

Sun olha pra irmã mais satisfeita com a decisão e Sook apenas dá de ombros.

— Sim, em nenhum momento eu quis insultá-las e por isso, aceito a sua condição de bom grado — tio Kwan diz sorrindo. — Fico feliz por esse acordo, você tem razão... é mais justo assim. Então, já que está tudo resolvido, eu posso aproveitar o meu dia de folga pra mostrar um pouco da cidade à vocês. O que acham?

— Eu acho ótimo! — Sook se anima.

— Concordo, vai ser bom para as meninas ver coisas novas — Soo-Yun diz com um sorriso.

— E o que você acha, Hee-Sun? — Tio Kwan pega Sun de surpresa ao querer ouvir a opinião dela.

— Eu... Acho uma boa ideia — Sun diz, tentando ser mais amigável.

— Perfeito! Então vamos nos apressar para conseguirmos aproveitar bem o dia.

Mesmo durante o inverno, com temperatura de 3 graus, a família saiu naquela manhã de sábado para conhecer a cidade, até os avós Yang foram andar um pouco, apesar de não saírem muito de casa devido ao reumatismo e de voltarem com Soo-Yun para casa após o almoço, por causa do tempo. Eles estiveram em dois museus pela manhã, almoçaram em um restaurante local e depois foram fazer compras de Natal no COEX Mall.

O lugar era enorme e todos se divertiram bastante apesar do frio, Sook e Sun tiveram que comprar mais roupas de frio que vestiram lá mesmo, já que as que tinham trazido não eram suficientes, visto que o frio do inverno do Brasil não era nada se comparado ao frio do inverno coreano. Comidas e bebidas também foram compradas para a ceia que seria em uma semana e, eles também aproveitaram para comprar alguns itens escolares para as meninas.

O jantar foi em outro restaurante do próprio shopping, de forma mais descontraída e divertida por parte de todos que já estavam mais próximos. Tio Kwan também comprou comida para os pais e pra irmã que tinham preferido voltar pra casa mais cedo.

Já em casa, enquanto se preparava para dormir, Sook não parou de falar sobre como aquele país era incrível e em como podia ficar ali pra sempre depois do pouco que elas tinham visto.

— Amanhã, o tio Kwan vai nos levar pra ver alguns templos — Sook penteava os cabelos após o banho quente. — Vai ser tão divertido! A gente também vai conhecer as tumbas reais de Seonjeongneung, onde foram enterrados reis da Dinastia Joseon! Eu mal posso esperar pra ver os guardas de pedra que guardam os túmulos...

Sun sai do banheiro enrolada em seu hobby e se senta perto da janela para trançar o cabelo. Tinha sido um dia divertido realmente e seu tio estava sendo legal de verdade com elas, apesar da imagem que Sun fazia dele. Ela se sentiu um pouco culpada por julgá-lo sem conhecer direito, mas o que ela poderia pensar de alguém que nunca tinha tempo pra ninguém e sempre tinha desculpas pra tudo? Era difícil ver isso de forma positiva, mas ela estava tentando ser mais amigável com ele.

— Mãe, esqueci de te mostrar as roupas de frio que compramos pra você! — Sook pega a bolsa com as roupas de Soo-Yun e se senta na cama ao lado da mãe. — Aqui, olha que casaco lindo... eu achei a sua cara.

— Lindo realmente... eu adorei! — Soo-Yun diz, segurando o casaco perto de si. — Vocês compraram com o nosso cartão?

— Não... tio Kwan que pagou.

— Sook... você sabe que eu não gosto desse tipo de coisa.

— Eu sei, eu sei... mas foi um presente, o que você queria que eu fizesse?

— Tudo bem... mas o seu tio precisa parar um pouco com toda essa generosidade ou vai ficar falido.

— Não, pelo que vimos, ele tem uma ótima situação aqui... — Sook dá de ombros e pega mais um casaco pra mãe. — E olha esse aqui! Essa com certeza é a sua cor.

— Nossa... e foi caro?

— Não, a loja estava em promoção.

Sun sabia que a irmã estava omitindo informações, mas ignora isso e pega seu caderno de anotações após trançar seu cabelo. Aquele dia tinha sido bom apesar das expectativas e isso lhe trouxe inspiração suficiente para compor mais uma música para a sua coleção, que ela começou a escrever rapidamente antes que se esquecesse.

Notas finais
Olá, amores! Como prometido, mais um capítulo pra vcs, espero q gostem e recomendem! Até o próximo sábado, bjs da unnie :*