Quando a tia Min-Ho abriu a porta e entrou, chamando elas para entrarem, elas a acompanharam sem jeito. E então uma garotinha veio correndo na direção da tia Ho e a abraçou.

— Ah, essa é a pequena Young-Mi, minha filha mais nova — tia Ho diz pegando a filha caçula no colo. — Cumprimente sua tia e primas, meu amor.

Young-Mi faz uma reverência tímida e sorridente, ela também diz alguma coisa que Sun não entende, mas deduz ser uma saudação e as três também a cumprimentam.

— Agora venham encontrar os vovôs Yang — Min-Ho coloca a filha no chão novamente, que corre a frente da mãe e elas vão pra sala, sendo seguidas pelas três. — E aqui estão eles.

Young-Mi abraça a avó Yang, anunciando as visitas, que se levanta. As três reverenciam os avós, emocionadas pelo reencontro depois de anos. Os anciãos se levantam e as cumprimentam. Tia Ho teve que falar em tom mais alto para o vovô Yang porque ele já não ouvia muito bem, mas com um sorriso, ele mostrou que entendeu e se emocionou, assim como a vovó Yang. E saindo um pouco dos costumes da terra natal devido à emoção, Soo-Yun abraça os pais com lágrimas nos olhos e logo é seguida pelas filhas que fazem o mesmo.

— Eu fico muito feliz por rever vocês — a vovó Yang diz. — Vocês se tornaram jovens lindas e saudáveis. Não é, querido esposo?

O vovô Yang assente um momento depois, sorrindo.

— Sim, sim. Eu sou muito grato por vocês... — Vovô Yang diz, devagar. — Por aceitarem viver aqui, em nossa terra natal depois de... de tantos anos longe de nós. Sejam bem-vindas à nossa casa.

Ele as cumprimenta mais uma vez.

— Sim, sejam muito bem-vindas — a vovó Yang diz também com mais um cumprimento.

— Também estamos muito felizes de reencontrá-los — Soo-Yun diz. — Após a nossa perda... é importante manter a família unida. Somos muito gratas pelo convite.

— Nós sentimos pela morte do nosso genro Raul — vovô Yang diz. — Ele era um genro honrado e generoso.

— Nossos sentimentos — vovó Yang diz, assentindo. — Nós só aceitamos voltar para aqui porque confiávamos que o nosso genro iria cuidar bem de vocês. E ele se mostrou valoroso, nós vamos lembrá-lo com gratidão.

Minutos após a emoção inicial, eles se sentaram e colocaram a conversa em dia e a tia Ho os serviu para uma reunião mais agradável que durou por mais um bom tempo.

Durante a conversa, um rapaz chegou com roupa de colegial e cumprimentou a todos, um pouco surpreso.

— Esse é o meu primogênito, Yong-Kyung — tia Ho diz orgulhosa do filho mais velho. — Yong-Kyung, essas são sua tia Soo-Yun e suas primas Hee-Sun e Hee-Sook.

Eles fazem as devidas reverências e se cumprimentam.

— É um prazer conhecê-lo, Yong-Kyung — Soo-Yun diz sorrindo e suas filhas concordam.

— Igualmente — Yong-Kyung diz ainda tímido.

— Como você sabe, elas vão viver conosco a partir de hoje — tia Ho diz.

— Mas só até encontrarmos uma casa para nós mesmas — Soo-Yun acrescenta.

— Oh, eu pensei que iriam ficar definitivamente...

— Não, nós três concordamos que será melhor nos mudarmos em breve — Soo-Yun diz, tentando não ser ingrata pela recepção. — Nós agradecemos por nos receberem tão calorosamente, mas preferimos não incomodar.

— Não é nenhum incômodo a presença de vocês aqui, mas se preferem, nós aceitamos a decisão — tia Ho se mostra compreensiva.

— Obrigada por isso.

— Então, eu devo mostrar a vocês o quarto de hóspedes agora — tia Ho diz, se levantando para guiá-las. — Venham comigo, devem estar cansadas pelo voo.

E elas se levantam e a seguem.

Após desfazerem as malas e descansarem um pouco, tia Ho bateu à porta anunciando o jantar, Soo-Yun disse que elas já estavam indo e chamou as meninas. Sook acordou de seu cochilo com a mãe chamando e arrumou o cabelo e o rosto rapidamente, Sun apenas se levantou e passou a mão no cabelo em seu estado de meio sono, não tinha conseguido dormir realmente, apenas ficou deitada de olhos semicerrados enquanto pensava em tudo o que estava acontecendo.

Elas se apressam em sair e quando chegam à cozinha com a ajuda do tímido Yong-Kyung que as esperou perto da porta, elas encontram os avós Yang, a pequena Young-Mi e o tio Kwan sentados à mesa e conversando com a filha. Quando vê a irmã e as sobrinhas, Kwan se levanta e se aproxima da irmã para cumprimentá-la, e claro, abraçá-la como costumava fazer quando vivia no Brasil. Os dois se emocionaram com o reencontro e Kwan ficou impressionado ao ver as sobrinhas já tão adultas que ele não via pessoalmente desde que eram apenas crianças.

— Vocês estão lindas — tio Kwan diz após abraçar as sobrinhas. — E Soo, você não mudou nada, continua jovem e forte como sempre foi.

— Obrigada, meu irmão — Soo-Yun diz lisonjeada. — Eu posso dizer o mesmo de você.

— Eu estou muito feliz em recebê-las — ele diz, com um sorriso. — Eu peço desculpas por não tê-las encontrado no aeroporto como o combinado, mas é que tive um problema urgente no trabalho e tive que correr. Min-Ho não pode me substituir pois estava cuidando dos nossos pais e da nossa filha.

— Tudo bem, eu entendo — Soo-Yun diz. — O importante é que estamos aqui e fomos muito bem recebidas por todos. Ficamos felizes por isso.

— O jantar está chegando — tia Ho diz, colocando uma tigela sobre a mesa. — Vamos, sentem-se.

— Precisa de ajuda com algo? — Soo-Yun pergunta.

— Não, o Yong-Kyung irá me ajudar com isso, pode deixar — tia Ho diz sorridente acenando para o filho logo após, que atende ao pedido.

E eles se sentam à espera do jantar que não demora a ser servido por tia Ho e o filho, que se juntam a eles assim que terminam.

— O jantar estava delicioso, cunhada — Soo-Yun diz, quando terminou. — Parabéns pela hospitalidade.

— Sim, a comida estava maravilhosa, tia — Sook diz com um sorriso tímido. — Eu adoro comida coreana!

— Obrigada, obrigada — tia Ho agradece com um movimento de cabeça. — Fico feliz que tenham gostado. Se quiserem ir para a sala enquanto eu retiro a mesa, fiquem a vontade.

— Eu posso ajudar com isso — Soo-Yun se oferece.

— Não, você é nossa hóspede, não deve fazer isso — tia Ho se levanta.

— Eu gosto de ajudar e já que vamos morar juntos, cada um tem que fazer a sua função, não acha? — Soo-Yun sorri se levantando. — Eu me sinto melhor assim.

— Tudo bem, como você insiste... — e as duas começam a retirar a mesa. — Filho, leve seus avós pra sala, por favor.

Kyung e seu pai ajudam os idosos a irem para a sala e Sook e Sun vão junto com a alegre Young-Mi. Todos se sentam e tio Kwan inicia a conversa.

— Vocês estão em qual ano escolar? — Ele se dirige às sobrinhas.

— Eu terminei o primeiro ano do colegial recentemente, vou começar o segundo assim que possível — Sook diz. — E minha irmã concluiu seus estudos esse ano, ela estava prestando vestibular no Brasil.

— Que bom! — Tio Kwan diz sorridente. — E o que pretende cursar, Hee-Sun?

— Música — Sun espera a reação oposta do tio, uma expressão de decepção disfarçada, que ela já estava acostumada a ver em todos os rostos que a perguntavam a mesma coisa.

— Mas isso é ótimo! — Ele exclama, com tanta felicidade em ouvir aquilo que surpreendeu Sun, nunca ninguém tinha reagido assim por saber que ela iria fazer música e provavelmente viver de cantar de bar em bar para pagar as dívidas como a grande maioria que tinha o mesmo sonho acabava fazendo. — Eu não podia estar mais feliz em ouvir essa notícia. Queria que o nosso Kyung pensasse como você, mas ele prefere medicina... enfim, eu tenho que respeitar a escolha dele, claro.

Sun não acreditava no que estava ouvindo, será que ela estava numa realidade alternativa? Ela até teve uma certa pena do primo que baixou a cabeça ao ouvir o pai.

Aquele costumava ser o lugar dela antes de decidir deixar de se importar com o que os outros pensavam sobre si mesma.

— Bem, acho que não há momento mais feliz para eu dar a notícia que tanto queria à vocês — tio Kwan começa, deixando as duas curiosas. — Eu sei que costumo estar muito distante em todos os sentidos e deveria estar mais em contato com a família, apesar dos meus deveres pessoais. E, agora que vocês estão aqui, pretendo dar mais assistência à vocês e à minha irmã mais nova, como é o certo... Começando por pagar os estudos das duas. Se você estiver de acordo, Hee-Sook, irá estudar com o seu primo Kyung que está no mesmo ano que você. E se for do seu acordo, Hee-Sun, eu lhe pagarei uma escola de música que é considerada uma das melhores do país.

Sook quase saltitou de felicidade com a notícia e já estava aceitando a proposta com a cabeça, quando Sun a interrompeu.

— Não, tio... tio Kwan, nós não podemos aceitar isso — ela diz, ainda incrédula. — Nossa mãe não aceitaria também, é muita generosidade do senhor, mas não podemos...

— O que?! — Sook deixa escapar, mas se controla. — Nós vamos conversar com a nossa mãe antes, pra sabermos a opinião dela sobre isso, tio, e logo te daremos a resposta. Mas, desde já, somos imensamente gratas por isso, muito obrigada pela generosidade.

Sook agradece várias vezes.

— Tudo bem, eu entendo, mas me dêem a resposta assim que possível para que possamos fazer as matrículas e tudo o que for necessário o quanto antes, não podemos perder tempo — tio Kwan diz. — Eu sei que isso não resolve todos os anos de ausência, mas é um recomeço para todos nós.

Notas finais
Olá, mores! Mais um capítulo novo, espero q gostem e comentem! Se gostarem msm, recomendem para os amigos e compartilhem mas redes sociais! Bjs da unnie e até o próximo sábado às 16:50h :*