Mortíferos
2 Capítulo I - Descobrindo
Notas iniciais
Ler, desenhar, pintar, cantar, comer, dançar, dormir. Essa era a rotina de Sophie. Apenas iam ao seu quarto para lhe levar sua refeição, além de nem sequer olharem para seu rosto. Tinha sorte de seu quarto ser uma suíte, senão não poderia sequer passar pelos corredores. Aquela era uma noite tranquila, se ouvia o som das corujas que habitavam a floresta próxima à sua casa, e o som do vento batendo nas árvores.
“Mais uma noite solitária“ pensou ela, sentada em sua cama olhando a rua pela janela de seu quarto, que era trancada a magia, tornando impossível ser aberta por dentro.
De repente, ouviu um barulho vindo em direção da janela, estava com medo, pois isso nunca acontecera antes. E então, da janela entrou um garoto, com cabelos castanhos rebeldes e olhos azuis acinzentados, em seu quarto.
— Quem é você e o que faz aqui? – Questionou ela gaguejando um pouco.
— Calma aí, baixinha. Meu nome é James, James Stein. Apenas me mandaram vir buscar você para nosso clube dos renegados.
— Que clube é esse? E você não tem o direito de entrar na minha casa assim, sem permissão.
— Desculpe-me por isso, mas não tinha outro jeito de entrar. Quanto ao clube, é onde nós, possuidores do toque da morte, nos reunimos todas as madrugadas, horário perfeito já que não há ninguém na rua para nos deter.
— Espera, você tem o toque da morte? Sair de casa não é errado? Onde fica esse clube? Como fazem para não seres descobertos?
— Se você fizesse uma pergunta por vez, eu agradeceria. Bem, sim eu tenho o toque da morte. Claro que sair de sua casa é errado, mas quer viver trancada aqui pra sempre? O clube não é longe, é apenas a três quadras daqui. Nós usamos magos com poderes da ilusão, claro, assim eles podem camuflar a parte exterior da casa. — Disse ele sentando em uma cadeira que havia no quarto de Sophie. — E como eu disse, ficamos lá apenas pela madrugada, pelo menos a maioria, pra que não desconfiem. — Ele continuou.
— Como assim “pelo menos a maioria“?
— Você é muito curiosa, não? Alguns fugiram da instituição e moram lá secretamente. Mais alguma pergunta vossa curiosidade? — Indagou sarcasticamente.
— Sim, vossa chatice. Como posso saber se o que diz é verdade?
— Bem, o clube dos renegados você só irá ver quando for pra lá. Mas posso provar que tenho um toque da morte. Que tal um aperto de mão? — Perguntou ele, estirando sua mão para que Sophie o cumprimentasse.
Ele deveria saber o que estava fazendo, não podia ser tão tolo ao ponto de morrer por uma simples mentira. Então ela o cumprimentou.
— Viu?! Sou imune ao seu poder, assim como você é ao meu. — ele tocou no ombro de Sophie — Como pode notar não podemos nos matar dessa forma. Agora, se quiser aproveitar sua vida, sugiro que venha comigo. Se quiser viver como um pássaro engaiolado, fiquei aí. Você decide.
"O que eu deveria fazer? Provavelmente minha tia, Jasmim, diria para ouvir meu coração. Na maioria das vezes era uma garota racional, mesmo sendo sonhadora. Mas era hora de deixar a razão um pouco de lado. O que eu queria? Ir ou não?" Meditava consigo.
— Eu vou, James. E espero não me arrepender de ter tomado essa decisão.
— Não vai, isso valerá à pena.
Sophie colocou sua capa e seguiu James em direção a tal casa, não parando nem por um segundo de observar o imenso céu noturno. Aquele era seu dia de sorte, o céu estava lindo. Estrelas e mais estrelas, além da lua, claro. Aquilo era perfeito.
— Ei, pare de olhar para o céu. Vai acabar tropeçando e caindo desse jeito.
— Certo. É que, nunca me senti tão livre.
— Entendo como se sente. Mas não abuse dessa liberdade, ela pode te trazer problemas, tudo tem seu limite. Liberdade excessiva é perigosa, deve-se ter sabedoria para aproveita-la.
James tinha razão, e Sophie sabia disso, decidiu se controlar. Continuaram caminhando em silêncio até entrar em uma rua estreita com uma aura obscura e parar em frente a uma árvore enorme que segundos mais tarde se transformou em um casarão.
— Chegamos Sophie. Seja bem-vinda ao clube dos renegados.
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