Mortemville - Primeira Temporada

2 Episódio 02: "Cemitério maldito"


Mortemville, 1855.

A noite era tão fria que pequenos flocos de neve se formavam e caiam na pequena Mortemville. Isso não impedia que a seita não realizasse suas atividades. Estavam reunidos novamente na mansão Nikaly e o jantar que antecipava o ritual Rooge se encontrava esplendido até o momento.

A família Nikaly estava dividida, entre a metade conversando sobre assuntos que envolviam toda a cidade e outros que ainda planejavam melhor os rituais sucessores ao da noite em questão.

— Não podemos simplesmente encerrar a seita por uma questão pessoal sua, Nikaly! — Esbravejou Fabricio Darkson, herdeiro superior da família.

— Eu não estou dizendo que vamos encerrar. Escute melhor as minhas palavras antes de sair por ai tirando conclusões precipitadas. — Rebateu Charles Nikaly. — Estou dizendo para darmos um tempo de três quinzenas sem nos reunirmos para que eu possa me organizar e conseguir ir e voltar de Londres sem problemas.

— O que fará em Londres se me permite perguntar? — Questionou Jocelyn Darkson, esposa de Fabricio. Geralmente as mulheres não eram convocadas para as decisões da seita. Elas na maioria das vezes apenas organizavam tudo, porém a atual situação exigia algo do tipo. Infelizmente, a seita ainda era controlada por homens e por isso enfrentava tantos problemas.

— Negócios da família. É tudo que precisam saber. — Respondeu secamente. Não estava se dando bem com os Darksons há algum tempo e faltava muito pouco para a barreira estourar.

— E por isso não podemos realizar os encontros? Vai apenas você ou esposa e sua filha também?

— É claro que vai a família toda. — Retrucou como se fosse a coisa mais óbvia. — Admita que minha casa é o lugar mais apropriado para uma invocação...

— Ah, por favor Charles, não me faça rir! Está bêbado de vinho com muita clareza. — Zombou Fabricio rindo escandalosamente.

Charles explodiu naquele momento. Bateu com toda a força a taça de vinho na mesa que se espatifou e derramou o conteúdo na toalha de mesa bordô e nas vestes. Todos, assustados, se voltaram para a ponta onde a cena se desenrolava. O silêncio tomou conta.

— Já chega Fabricio! — Gritou Charles Nikaly. — Insiste em ofender a mim e a minha família, por favor, leve você e sua gente embora ou juro pelo que considere mais sagrado que vou manda-lo direto para as prisões do inferno!

— Fazer isso será declarar guerra contra a minha família e te garanto que não ficara apenas em nossa geração!

— Não me importo com o que as outas gerações irão fazer, mas eu não aceito você e nenhum Darkson em minha casa mais e muito menos na seita!

— Nikaly, não acha isso um pouco precipitado?

— Não se meta nisso, Hernandez!

— Meto-me sim, pois tal decisão implicara em toda a seita.

Charles o encarou com olhares mortais, levantou-se e saiu. Fabricio manteve a postura ereta e tinha um ar de satisfação em seu rosto.

(***)

Mortemville, 2012.

A tarde, logo depois do almoço e de terem encontrado os objetos estranhos no porão da casa, os irmãos Nikaly, Edward e Cynthia saíram para andar pela cidade. Pegaram carona com o pai até o centro da cidade. Lojas de todos os segmentos se espalhavam pela Avenida Principal que cortava na horizontal por outra avenida que vinha da entrada de Mortemville.

— Bom, nos encontramos aqui em duas horas? — Perguntou o pai ao puxar o freio de mão do carro. Havia estacionado em frente a agencia de um banco.

— Não sei. Avisaremos! — Respondeu Cynthia com sutileza e desceu do carro, acompanhado pelo irmão e o pai.

Thomas se despediu dos filhos antes de entrar na agencia e os dois descaram a rua. Os irmãos entraram em uma cafeteria muito bonita por fora e por dentro. Era feito de tijolos pequenos e retangulares, com quadros góticos espalhados pelo lugar, os bancos com estofamento foram recapados com preto e as mesas eram de um marrom escuro. Lamparinas desciam até a altura das cabeças e se alternavam entre azul escuro, preto, roxo escuro e violeta. O balcão era no fundo com três caixas e um espaço reservado para a retirada dos pedidos. As mesas do centro eram do mesmo material que a das laterais, porém com cadeiras pretas um pouco mais altas do que o normal. A cafeteria estava lotada por jovens mesmo naquela hora do dia. Edward e Cynthia pararam na fila para realizarem o pedido.

Dez minutos depois, com os pedidos na mão, começaram a procurar algum lugar. O problema era que não tinha mesa vazia sobrando. Os dois então decidiram sentar junto com outros dois jovens de aparência da mesma idade.

— Com licença! — Pediu Cynthia. — Podemos nos sentar aqui? Todas as mesas estão ocupadas.

— Claro, claro. Fiquem a vontade! — Respondeu a menina com um sorriso lindo no rosto.

— Prazer, William. — Cumprimentou o garoto estendendo a mão para Edward que aceitou de bom grado e posteriormente para Cynthia que também retribuiu o gesto.

— Prazer Sabrina!

— Edward e Cynthia.

— São novos aqui, né? — Questionou o rapaz. — É que nunca vimos vocês.

— Sim, sim, nos mudamos ontem.

— Ah, legal, e onde estão morando, se me permite perguntar.

— Na casa que nosso pai herdou. A casa Nikaly!

Ambos arregalaram os olhos e ficaram mudos por um tempo encarando os irmãos.

— Vocês são Edward e Cynthia Nikaly?

Edward tomou um gole do seu cappuccino e abocanhou o pão de queijo.

— Uhum! — Respondeu ele com a boca cheia.

— Santa mãe de Deus! Então é verdade o que dizem?

— O que?

— Sobre a Seita?

Os irmãos se entreolharam, não entender.

— Que Seita? Não sabemos de nenhuma seita!

— Olha, até um mês atrás nem sabíamos que essa cidade existia.

— É, Mortemville não costuma aparecer nos mapas mesmo...

— Mas então, como vieram parar aqui? — Perguntou Sabrina.

— Nossa, vocês são da Polícia Federal? Quantas perguntas!

Os quatro riram.

— Desculpa! É que raramente se muda alguém para cá. Espere até o pessoal da escola saber. Vão cair matando em cima de vocês.

— É...como sabem que vamos para a mesma escola?

— Porque é a única que tem aqui!

Novamente outra troca de olhares por parte dos Nikaly.

— Bom, já respondemos várias perguntas sobre nós, porque não nos conte um pouco sobre vocês? — Propôs Cynthia.

(***)



Na mansão Nikaly quando Thomas retornou, Karina estava sentada na mesa do salão de jantar com a mão sobre o rosto. Em um primeiro momento, ao entrar e ver a esposa naquela posição, Thomas Nikaly ficou calmo, pois teve a impressão de que só estava cansada por ter tanta coisa para organizar mesmo já tendo feito muito. Contudo, quando notou que ela estava atordoada acelerou nos passos e colocou a mão no ombro da mulher que saltou da cadeira, assustada.

— Ai meu Deus, Thomas, que susto!

— Querida, o que aconteceu? Está muito assustada...

Ela suspirou e o marido se sentou ao lado.

— Ai amor, é que...essa cidade é muito estranha. A casa tão grande com tantos cômodos...Eu sinto uma coisa muito...estranha aqui. Tudo isso parece algo sombrio, sabe? — Desabafou com lágrimas nos olhos. Realmente estava muito assustada. Thomas podia ver nos olhos e na fala. — Eu sei que esse é o lugar da sua infância, é sua cidade natal e imagino que seja importante, mas sinceramente...

— Querida! É só uma questão de tempo até tudo se acalmar. Nos mudamos ontem. Além do mais, eu não sinto um amor por Mortemville. Só que precisamos vir para cá por conta do meu emprego. — Disse calmamente. — Infelizmente a cidade é perigosa. Os bosques, as construções. As pessoas nem tanto, mas a maioria dos lugares guardam um ódio, uma maldade.

— Então é verdade o que dizem sobre esse lugar?

— Da maldição? — Thomas suspirou antes de continuar. — Até onde eu sei sim. A maldição realmente existe. Mas não sei quem a lançou, nem o que é ela em si.

— Nossos filhos correm perigo aqui?

— Segundo a lenda que é mais verdade do que apenas uma lenda, a maldição só atinge aqueles que tem o conhecimento sobre ela. É por isso que não quero que nossos filhos descubram sobre a Seita, o Alcorão e muito menos sobre a monstruosidade que a cidade guarda.

Karina pareceu relaxar por alguns instantes, porém voltou a ficar tensa.

— Quer dizer que a maldição pode me atingir porque eu sei dela?

Thomas não respondeu.

(***)

— É só isso a vida aqui? — Questionou Cynthia curiosa. Passara –se uma hora e meia desde que chegaram a cafeteria e não pararam mais de conversar com William e Sabrina.

— Sim! Não tem muito o que fazer aqui. Como Will disse, é basicamente escola e casa. A gente que sai mais perambulando pela cidade.

— E nas férias vocês viajam para onde?

— Nunca sai da cidade.

— Nem eu. Embora eu saiba que tenho parentes em Porto Alegre. — Respondeu Sabrina. — Para falar a verdade, eu não me lembro de ninguém saindo da cidade depois que entrou.

Um arrepio passou pelas costas de Edward, como se alguém tivesse esfregado suavemente o dedo na sua espinha.

— Como assim? É uma espécie de maldição? — Zombou Cynthia rindo. Contudo, parou assim que percebeu que os jovens estavam sérios.

— Nunca brinquem com isso. — Falou Will.

— Existe uma lenda em Mortemville em que todos dizem ser verdade. Acreditam que uma maldição foi lançada há anos atrás e que aqui é considerado o portão do inferno. Onde os demônios e almas condenadas entram e saem entre as profundezas do inferno e a Terra. Por isso a cidade não aparece nos mapas e nunca é divulgado sua existência e por isso que ninguém entra, pois sabem que é impossível sair.

— Pessoas que tentaram sair desapareceram na floresta e até hoje nunca foram encontradas.

— Estão vendo aquele velho sentado perto da porta? — Questionou Sabrina apontando com o olhar um idoso com roupas marrom de lã sentado sozinho em uma mesa para dois do lado da porta e encostado no vidro que separava o interior da cafeteria com a calçada lá fora. — Ele é o único que conseguiu sair e voltar para cá em anos. Todo mundo fala que uma vez um garoto fugiu daqui depois que a família foi morta, mas não sei muito bem sobre isso.

— Nosso pai nasceu aqui e se mudou quando jovem. Será que essa maldição não se aplica somente a algumas pessoas?

— Ou seu pai é o garoto que fugiu...

Cynthia o fuzilou com o olhar.

— É melhor não arriscar, não é mesmo?

— Ei, ontem eu e meu irmão descobrimos um cemitério abandonado no bosque do lado de casa. Querem ir lá ver? Tem muita coisa legal lá!

— Não creio? Claro! Vamos logo! — Falou Sabrina animada.

— Meu Deus eu vou sair com os Nikaly...

— Não! Cynthia, não! O que conversamos ontem?

— Ah qual é Edward, larga de ser frouxo. Você deveria ter medo dos vivos e não dos mortos sabia?

— É, mas se tratando desse lugar não sei se essa regra se aplique.

— Não exagera Edward. — Disse Will. — A cidade pode ser estranha, mas em dezesseis anos da minha vida nunca vi algo de ruim acontecer.

— Além do mais, isso são só histórias que nossos pais nos contavam para nos fazer não ficar brincando na rua até tarde.

Mesmo contra seus argumentos, Edward seguiu a irmã e os novos amigos para fora da cafeteria, em direção a Mansão Nikaly.

(***)

— Amor, tem certeza de que quer fazer isso? — Perguntou Karina com a vela parada diante da pequena porta embaixo da escadaria que levava ao porão. Thomas suspirou antes de continuar.

Com um alicate grande quebrou as correntes, mas só depois pode perceber que o cadeado já havia sido destrancado. E o pior, sem ser arrombado, ou seja, fora aberto por uma chave. Ele abriu a porta e desceu tão rápido que Karina não o acompanhou.

— Thomas! O que foi? Me espere! — Falou ela descendo as escadas. Quando chegou no final da escada e iluminou o local — sem mudanças — viu o marido atordoado mexendo nas coisas em cima das prateleiras. Ela estendeu o pé para pisar no chão, mas Thomas gritou.

— NÃO! Não pisa!

— O que? Porque?

— Confie em mim, não pise! Esse lugar também é amaldiçoado e posso afirmar com total certeza de que é real. Quem a toca se vicia e precisa vir todos os dias aqui. Aos poucos algo se alimenta da sua energia até conseguir te atingir a alma e finalmente você enlouquece até se matar.

Karina sentiu os impactos das palavras e como se um filme tivesse sido projetado nas suas vistas. Ela viu um velho barbudo com uma espingarda na mão descendo as escadas lentamente, as mesmas em que ela estava agora, e indo até o centro, olhando tudo ao redor com os olhos tão arregalados que davam a impressão que fossem saltar a qualquer momento. Parou no centro e deu um tiro na própria boca.

— Então... — As palavras raspavam-lhe a garganta. — Foi aqui que seu tio se matou?

Ele afirmou e voltou sua atenção para algo que estava atrás. Ansiosamente, Karina se virou, com o coração tão gelado quanto uma noite de inverno em Curitiba. Porém, para seu alívio, não havia nada ali.

— Não acredito que esteve aqui todos esses anos...

— Amor eu não...

Mas Thomas já estava caminhando em direção ao fundo da escada e de trás de um dos degraus pegou um enorme livro com folhas grossas e capa dura. Era preto e os escritos em dourado já estavam falhos com o tempo, contudo, legíveis: “Alcorão de Mortemville”.

Lentamente, ainda sem acreditar no que via, ele voltou para a escada, deixando que a esposa visse.

— Isso é...

— O terceiro livro mais poderoso do mundo. Perdendo apenas para o Livro da Invocação e o Livro do Sangue.

— Quem é que dá esses nomes? — Questionou Karina retoricamente.

— Só que esse é o único capaz de dizer como quebrar uma maldição e como lançar outra como vingança...

— Thomas! Não está pensando em...

— Me vingar dos Darkson?

Os dois trocaram olhares. Um tornando — se um completo estranho psicótico, outro preocupado e sã.

(***)

O quarteto estava parado diante da Mansão Nikaly. Por mais que o carro do pai estava estacionado em frente ao portão, tudo parecia muito quieto, mesmo para aquela hora do dia em um lugar afastado do centro.

— Caralho, é aqui que vocês moram?

— Sim.

— Me adotam?

Edward riu.

— Eu vou ficando por aqui... — Disse ele indo em direção as grades que separavam o jardim do mato.

— O que? Ah, Edward, vai! Você precisa ir!

— Eu não vou Cynthia!

O irmão a fuzilou com o olhar. Um silêncio incomodo permaneceu por alguns instantes até que Will interviu.

— Cara! São só pessoas mortas. Eu sei que a cidade parece estranha, mas é o lugar mais tranquilo para se viver no país! Um cemitério abandonado é o lugar mais calmo que existe e o último em que você vai ter problemas. Agora vem, garanto que você não verá nada do que já não tenha imaginado.

— Minha mãe sempre disse que temos que temer os vivos e não os mortos.

A ira percorria as veias do garoto que começou a tremer levemente. Não por medo, mas pela alta dosagem de adrenalina no corpo. A respiração oscilando e a palpitação no peito aumentando. Não sabia se deveria confiar nos dois.

Suspirou e seguiu o trio que avançava floresta adentro. Entrar de novo naquele lugar só aumentava o medo e assombro na alma de Edward que conseguia sentir algo muito pesado e ruim emanando dali. Como se cada árvore fosse uma gaiola em que almas foram aprisionadas e agora tentavam escapar para buscar vingança. Sentia-se o tempo todo sendo observado.

— Eu acho que era...

— Shiu!

Se não estivessem com Will e Sabrina, Edward teria começado uma série de insultos à irmã por ter feito “shiu” pra ele. Desde a infância os dois se bicam em boa parte do tempo, porém, são inseparáveis. Exatamente como noventa e nove por cento dos irmãos ao redor do mundo são.

Caminharam pela trilha por quase dez minutos e o desespero de Edward só aumentava, assim como a sensação de que algo ali não era do bem. Ao chegar no cemitério e rever os túmulos, pode sentir uma força sobrenatural emanando deles e segurou o impulso de gritar. Sua mãe esquerda começou a tremer violentamente.

— Edward, está tudo bem? — Perguntou Sabrina ao perceber o desconforto do amigo.

— Ah relaxa Sabrina, meu irmão só é medroso. — Respondeu Cynthia debochadamente.

Enquanto passavam pelos túmulos a força foi aumentando e o consumindo. Começou a ter lapsos de memória e a cada passo conseguia ouvir o grito agonizando das almas enterradas. Como se tivessem sido enterradas vivas. Por um pequeno instante quase imperceptível para ele mesmo, sentiu pena dos mortos que jaziam ali. Quando voltou a si, Cynthia, Will e Sabrina estavam parados completamente hipnotizados.

Diante deles, em cima de um dos túmulos, estava o que parecia ser um homem de costas. O cabelo molhado escorria sangue e os dedos em carne viva. Quando a assombração se mexeu para desvirar e encara-los de frente, os quatro correram pelo mesmo lugar que vieram, gritando desesperadamente...

(***)

Uma nova reunião estava sendo feita e dessa vez era na Mansão Darkson. A Sul da cidade. O mais longe possível dos Nikaly. A rixa era por motivos nem tão preocupantes assim em uma visão social, mas para a seita, era razão suficiente para a amargura passar de geração para geração.

A sala de reuniões da Seita era no subsolo. Não um porão, como nos Nikaly, mas realmente um andar com quartos, salas e banheiros para acomodar quantas pessoas fossem necessárias. O cômodo era amplo e com cabeças de animais mortos pendurados nas paredes vermelhas sangue. Uma mesa redonda grande com todos os membros da seita em volta e a carcaça de um bode como relíquia posta no centro. Taças de vinho se estendiam em frente de cada um.

— Bom, como já sabem, o ritual Rooge não é realizado há gerações e por isso nem mesmo eu e meu pai sabe como ele é feito. Precisamos estudar a fundo cada detalhe dele para que seja bem-sucedido e não nos custe vidas inocentes. — Começou Robert Darkson com a taça de vinho na mão.

— Como pretende fazer isso se os livros que guardam o ritual estão na Mansão Nikaly há décadas? — Perguntou alguém do lado oposto de Robert.

— Estou pensando nisso...

— E já decidimos o que vamos fazer? — Perguntou outra pessoa.

— Todos estão de acordo com uma maldição que custará não só a vida dos herdeiros Nikaly, mas também suas almas e que manchara o sangue de qualquer outro humano que tiver o DNA da família Nikaly?

Como tradição na hora dos votos de decisão, todos a favor ergueram a taça de vinho o mais alto que conseguiram. Por incrível que pareça, ninguém dentro da sala se opôs. Todos votaram a favor da maldição. Essa que nunca jamais fora executada. Nem mesmo as bruxas Três Bruxas, Morgana, Meg e Marcelle.

— Então, vamos nos preparar para o maior ritual Rooge já feito!

Todos ergueram novamente as taças em um movimento conhecido popularmente como brinde e tomaram um gole do conteúdo.

— Já sei como vamos conseguir os livros. — Falou alguém que Robert conhecia muito bem. O herdeiro Hernandez. — Façamos-lhes uma visita!