Notas iniciais
Esta é a minha primeira estória. Espero que gostem, podem deixar tanto críticas quanto elogios. Eu ainda quero melhorar ela e para isso preciso dos seus comentários. Como toda estória de detetive eu pretendo fazer descobertas bem legais. Torço para que me acompanhem!

Faltavam poucos minutos para a virada. Fogos de artifício iriam colorir um céu iluminado e as explosões iminentes despertariam a felicidade nas pessoas de todo o país. Elas encheriam seus corações de esperança e fariam votos de amor e paz para o próximo ano. Pedro adorava esse momento. Quando pequeno, ele e seus pais passavam o réveillon em belas praias e se emocionavam por constituírem uma família unida. Sempre que estivessem juntos, a chance de que as coisas dessem certo seria maior.

Ele já sentia ansiedade para que soassem as badaladas do sino da igreja, indicando que era meia-noite. Notando que não estava sozinho, deu uma olhada ao seu redor. Alguns parentes que ele mal conhecia tinham vindo para a festa e todos se dirigiam para a rua, de onde poderia se ver melhor os fogos.

Os mais jovens da família também se reuniram para queimar os fogos que tinham comprado mais cedo. Era quase meia-noite quando Pedro percebeu que alguém estava faltando. Ele não notara que o seu tio Aurélio tinha sumido daquele ambiente. Então, decidiu procurar o tio para que ele também celebrasse o ano que estava por chegar. Foi adentrando a mansão onde morava, abrindo todas as portas em seu caminho. Até que uma delas não abriu, estava trancada.

Diante desse impasse, Pedro notou seu coração acelerar. Ele não costumava ficar nervoso tão facilmente, mas a verdade é que seu tio quase nunca mantinha as portas chaveadas. Ele bateu à porta, mas não veio som algum de dentro do aposento. Tratava-se da biblioteca de Aurélio, local onde o velho passava uma boa parte de seus dias.

O jovem procurara em quase toda a casa e intuía que o tio estava ali. Talvez esteja cochilando, pensou. Com a voz em um tom mais elevado chamou o nome do tio. Mesmo assim, nenhuma resposta foi dada aos seus chamados.

Quem observasse Pedro naquele instante poderia ver a dúvida perpassando seus olhos. Ele não era acostumado a fazer algo sob pressão. Simplesmente não conseguia achar soluções tão rapidamente. Isso era motivo para preocupações diárias assombrarem sua mente. Como poderia ele ser um bom médico, se ficasse em estado de choque durante um procedimento cirúrgico? Ele tinha de aprender a ser mais rápido.

Naquele momento, ele não sabia decidir se tentava arrombar a porta, se procurava melhor no restante da casa ou até se buscava a ajuda de seus familiares. Então teve uma ideia. Lembrou que a biblioteca não tinha apenas uma porta, mas também duas janelas. Seguiu por um corredor secundário e encontrou uma delas fechada. Andando pelo pátio, foi até a outra. Ela estava escancarada.

Tal constatação tranquilizou o jovem, que chegou a suspirar de alívio. Contudo, quando ele olhou para o interior do cômodo repleto de livros, foi tomado por espanto. Caído, no tapete da biblioteca, estava seu tio. Suas roupas estavam ensaguentadas, assim como o tapete sob seu corpo. Em seu rosto, havia uma expressão de dor. O sofrimento momentâneo que o tio devia ter sentido na hora de sua morte afligiu o jovem.

Na penumbra da sala, aquele viscoso líquido vermelho escuro exalava um odor a qual Pedro já estava acostumado. Ele virou o cadáver e viu um buraco em seu peito. Era óbvio que não existia mais vida no corpo que tinha em mãos, mas como o jovem demorou a aceitar a situação, tomou o pulso do tio. Infelizmente, nada que fizesse mudaria o estado inanimado do corpo de Aurélio.

Notas finais
Se leu, por favor deixe seu comentário.