Mortal Enemies
1 Capítulo 1 - Visita das Ladras.
Notas iniciais
De gerações em gerações, somos criados rigidamente pelos nossos pais. Somos o futuro do nosso povo. Nosso dever é expandir e enriquecer a nossa raça. Ser a raça dominante. A mais forte. A maior. A melhor. Treinados como verdadeiros cavaleiros.
Vivemos em um grande reino rico e poderoso. Querendo conquistar mais e mais terras.
Os jovens são treinados para serem espachins e cavaleiros. Para lutarem pelo povo. Já as garotas são treinadas para serem curandeiras e sacerdotisas, para assim ajudá-los nas guerras.
Mas não somos simples espachins ou cavaleiros. Nosso reino só virou uma das maiores potências deste mundo, por um dom que temos em nosso sangue. Nós somos capazes de domar... Dragões.
Sim, isso mesmo. Somos elfos. Seres pacíficos, mas mesmo assim fortes e dominadores. Só assim conseguimos fazer dragões ficarem diante de nossos pés.
Em milênios atrás, dragões eram os seres mais temidos do todo nosso mundo. Incrivelmente fortes. Eram capazes de devastar um pequeno país, com seu rugido de fogo. Eles dominavam tudo. A vida para os elfos era apenas se esconder se quisessem viver. Poucos sobreviviam. E essa forma de vida se perdurou por centenas de anos. Até que um dia, um grande guerreiro carregando o nome e o orgulho de nosso país na época, derrotou o líder de todos os dragões. O chamado... A chama suprema.
Esse guerreiro é o orgulho de nós até hoje. Derrotou a fera por nosso povo, mesmo custando à própria vida. Seu nome era Eduard.
Com isso em mente, vejo o quão importante eu sou. E o quanto terei que dar duro para governar esse enorme reino. Meu nome é Jack Gleipnir e eu sou o filho do rei Robert de Maiviun. E logo meu pai renunciará o trono para mim.
Fui criado para ser um poderoso guerreiro e venho me empenhando para poder ser o orgulho de todos. Fui capaz de domar dezenas de dragões. Mas com muito sacrifício eu domei o Chefir. O décimo primeiro mais forte.
Com essas habilidades, tenho que proteger Maiviun de um novo inimigo que está roubando nossas riquezas. As chamadas... Bruxas.
Aquelas terríveis bruxas, que tenho me preparado a vida inteira para derrotá-las. Seres horríveis e nojentos que fazem feitiço por bem próprio. Por mais que odeio admitir, elas realmente são fortes e foi por isso que meu pai me treinou desde meus quatro anos com rígidos combates e batalhas.
Flash Back On
"Em uma arena de batalha se encontrava um pequeno garotinho de cabelos negros e olhos azuis, caído no chão e completamente sem forças. A sua frente, um homem mais velho olhava friamente a criança.
– Vamos menino!! Você não quer se tornar digno do nome Gleipnir?!
– Sim... Mas... – Falava ofegante. – Estou cansado... Não podemos... Parar um pouco?
– Você acha que nesse ritmo você conseguirá vencer as bruxas?! – O mais velho encarava o filho com raiva.
– Mas... Por que tanta... Raiva contra... As bruxas? – O garotinho perguntava inocentemente.
– Como você é ingênuo! Aprenda uma coisa! As bruxas são seres desprezíveis! Elas são feias, assustadoras, nojentas e principalmente frias. Seres trapaceiros, que usam os feitiços na hora que bem entenderem só para bem próprio! Elas roubaram riquezas de nossas terras e continuam roubando! Mataram vários de nós e você vem me perguntar o porquê tenho tanta raiva em relação às bruxas?!
– Oh... Desculpe papai... – Abaixou a cabeça arrependido de ter perguntado tamanha besteira.
– Agora se levante e de mais de si!
Flash Back Off
Hoje é o dia em que mostrarei ao meu pai, que todo o seu treinamento não foi em vão. Irei orgulhá-lo. Vocês me perguntam por que hoje é um dia tão importante? Ora, ontem recebemos a noticia que três bruxas irão vir até o castelo, aonde terá a cerimônia da derrota da Chama Suprema, no qual chamamos de "Dia de Glória". É um dia em que todos os elfos são convidados para um baile no castelo, para comemorarem a vitória de Eduard. As bruxas virão para roubarem a Espada Negra. A espada que derrubou o sangue negro deste dragão. É um importante objeto guardado por setecentos anos, que vale uma fortuna. E tudo que é valioso, as ladras vem correndo roubar.
Descobrimos essa informação através de nossos espiões. Eles estão por toda parte de Maiviun, para nos informar de qualquer suspeita.
Assim, hoje mostrarei para o rei que posso derrotá-las.
Bom... Já esta bom de introdução, certo?
– Jack... Tu estás bem? – Perguntou o garoto de cabelos brancos me acompanhando pelo salão.
– Hã? Sim... Só um pouco ansioso.
– Logo as bruxas invadiram o castelo. Tente agir naturalmente até lá. – Ele cochichou em meu ouvido e olhou ao redor do castelo – onde as paredes tinham detalhes a ouro, um tapete vermelho vinho que levava ao trono real, e uma mesa enorme de vidro cheia de comes e bebes no centro do salão – onde todos dançavam valsa. – Por que não dança um pouco?
– Ah... M-mas... – Não deu nem tempo de eu terminar de falar que Peter me empurrou para a multidão e as várias damas começaram a se aglomerar ao redor de mim.
– Príncipe Jack! Aqui! Dança comigo, por favor! – Uma garota de cabelos castanhos abanava a mão.
– Não! Ele irá dançar comigo! — Uma loira se intrometeu.
– Ora, tolas! É lógico que ele me escolherá. – Dessa vez, uma morena de olhos verdes.
– Ele não gosta das metidas pra sua informação! – Uma rosada de cabelos curtos, rebateu.
– Do que você me chamou?! – Irritou-se. — E pra sua informação, ele não gosta de garotas que usam vestidos feios como esse!
– Pelo menos o meu não parece um bolo de casamento.
Passei direto, ignorando-as por completo. Mas que atitudes irritantes!
Sempre foi assim. As garotas sempre me tratam como se fosse uma boneca nova para coleção, onde competem pra ver quem tem a mais bonita.
Andei pelo o salão a procura de uma donzela, que fosse menos infantil, para dançar até que chegassem as bruxas. Depois de alguns minutos passando os olhos por todas as moças do salão, finalmente achei uma que me chamou a atenção. Ela estava de costas, mas podia se ver uma bela senhorita de cabelos azuis escuros presos em um coque alto com uma tiara prateada e usando um bonito vestido preto com detalhes em branco.
Caminhei em sua direção e estendi a mão delicadamente.
– Gostaria de dançar?
A garota se virou rapidamente para mim e me olhou um pouco assustada e por fim disse.
– Aaaah... Claro... – Deu um sorriso meio nervoso e estendeu sua mão sobre a minha.
Fomos até o centro do salão de baile. Ela colocou sua mão direita em meu ombro e a esquerda em minha mão e eu coloquei a mão esquerda em sua cintura a conduzindo. Antes de a próxima música começar, ela falou baixinho.
– Eu não sei dançar muito bem... – Sua voz era doce e um pouco trêmula. – Não me culpe caso você fique sem pé. – Complementou com um breve humor.
Ri de seu comentário. Só espero que isso fora apenas um exagero.
Começamos a bailar, ela realmente tinha alguma dificuldade, mas nada que eu fosse precisar de uma cadeira de rodas no dia seguinte. A calma e bela música transmitia paz aos ouvidos, estando em uma perfeita sincronia com a lenta dança. Assim, depois de algumas pisadas de pés e passos errados por parte da garota, me veio uma pergunta à mente.
– De onde você é? Não lembro ter te visto antes em outro baile. Você por acaso é a nova filha do Duque do reino de Faien?
Ela hesita por um momento e quando a música finalmente termina responde:
– Ah! Queira me desculpar, eu realmente preciso ir. Adorei a dança, mas você tem que me dar licença. – Segurou minhas mãos e em seguida saiu ás pressas.
Apenas assenti e pensei enquanto a via partir.
" Que estranho... Ela não tem orelhas de elfo... Será uma híbrida?"
Fui ao encontro de Peter que se servia na gigante mesa de vidro.
– Que horas são agora? – Perguntei.
– Dezessete e vinte seis.
– Hum... Faltam trinta e quatro minutos, certo?
– Exatamente.
Depois de Peter se empanturrar de comida e de garotas implorarem por uma dança conosco, finalmente passaram-se os trinta e quatro minutos. Demorados e assustadores trinta e quatro minutos. Corremos até o jardim do castelo.
– Fique em alerta. Logo madame Jeanne e Sr. Johnny estarão aqui para dar as ordens. – O albino me chamou a atenção.
– O que? Vamos ter que esperar? Sem chance! Já estou indo! – Corri em uma direção aleatória e acabou não dando para ouvir o que ele falara depois disso.
Fui até o segundo andar e me perguntei se as bruxas já teriam conseguido chegar ao último andar, onde a Espada Negra se encontrava. Resolvi então ir direto para lá. Uma longa jornada, aliás, já que o último andar é o décimo terceiro andar e eu estava no segundo.
Foi quando eu ouvi de repente o infernal alarme de segurança. Elas já haviam conseguido. Corri feito maluco. Era minha única chance e eu sabia disso.
Foi no mesmo instante que um vulto preto passou por mim rapidamente, levou alguns segundos para que meus olhos avistassem nitidamente a figura a minha frente. Eram elas. As três estavam usando mantas pretas que cobriam suas identidades e voavam rapidamente e experientemente em suas vassouras. O motivo de suas pressas era que estavam sendo perseguidas pelos guardas. Uma delas segurava a Espada Negra e se preparava para fugir pela gigante janela de vidro que levava para varanda florida. Não permitiria que elas fugissem assim tão fácil.
Peguei a espada da bainha ao lado de minha cintura e com um golpe certeiro acertei a vassoura da bruxa que logo se desequilibrou e caiu. Deslizei pelo corrimão da escada e corri ansiosamente até a ladra.
– Renda-se. – Apontei a espada ao lado de seu pescoço.
– Ho. – Ouvi uma risada irônica de sua parte.
Ela se levantou cautelosamente. Não podia ver sua expressão devido ao capuz, e isso me irritava.
– Então o príncipe veio pessoalmente me deter! Mas que honra. – Falou sarcasticamente.
Estreitei os olhos. Apertei mais ainda a espada contra sua pele o que fez com que um pequeno corte se formasse e algumas gotas de sangue deslizassem pelo seu pescoço e caíssem no chão, como um gesto de ameaça. Foi quando senti uma enorme dor em meu ombro. Eu estava tão entretido e concentrado com a bruxa a minha frente que me esqueci das outras. Sendo facilmente atingido por um golpe no ombro e me fazendo cair no chão. Nisso, deu tempo das bruxas fugirem. Droga! Mas isso não acabou!
Se elas queriam apelar, eu não havia escolha.
– Vocês!! Não as deixam escapar! Consigam um pouco de tempo até eu voltar! – Ordenei aos guardas e corri o mais rápido que pude para um certo lugar. (Rimou o/)
Um local onde as bruxas temem ir. A sela dos dragões.
Era possível ouvir ferozes rugidos mesmo estando a um quilometro de distancia. Entrei naquela escura e úmida sela, na qual a única luz do lugar era pequenos feixes de raios de Sol que entravam intrusamente pela porta de pedra um pouco aberta. A sela era relativamente ampla, os oitocentos dragões eram presos com coleiras de ferro reforçadas no pescoço, nos pés e nas asas. E suas mandíbulas eram presas com uma mascara feita de aço, para que não rugissem fogo. Forcei um pouco a vista devido ao breu do lugar e fui em direção ao dragão com a escritura na coleira "123". Era o Chefir. Meu mais novo dragão.
– Vamos lá garoto! Temos mais uma missão! — Acariciei sua cabeça. No mesmo instante o dragão ficou agitado.
Peguei as chaves de meu bolso e destranquei Chefir das terríveis coleiras. Deve ser horrível ficar trancado em uma sela escura, sem sequer poder ver o dia amanhecer. Para mim dragões podem ser muito mais amigáveis e confiáveis do que muitos elfos que eu conheço.
O guiei até fora da escura sela. Coloquei os equipamentos para montaria, e subi em suas costas, pronto para mais uma aventura inesquecível.
– Me mostre o quão rápido você é, Fenik!
O dragão rugiu animadamente e lançou voou. A sensação de liberdade e paz era incrível. Voar é uma das sete maravilhas deste mundo. Depois de aproveitar alguns segundos o vento no rosto, voltei à atenção as bruxas. Eu já avistava as bruxas a alguns quilômetros, e uma delas estava levando consigo a Espada Negra. Imperdoável. Inclinei-me para frente para poder voar mais rápido e assim que estávamos a alguns metros de distância das ladras disse apenas uma palavra.
– Agora, Fenik.
O dragão rugiu fogo em direção à elas que logo uma delas não aguentou e caiu da tremenda altura em que nos encontrávamos.
– MICHELLE!!!! –Uma delas gritou. E voaram rapidamente até o chão onde a outra estava desmaiada.
Dirigi Fenik até o solo. Desci de suas costas e me espantei ao deparar-me com elas.
– Não acredito que...
Continua...
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