Mortal Enemies
2 Capítulo 2 - A Floresta
Notas iniciais
– Não acredito que...
– Mr. Jack!! O que houve? – Um dos cavaleiros do exército perguntou ao estranhar minha falta de ação contra as ladras.
– Droga!! Fomos enganados!
Logo Peter que estava na entrada do castelo, avistou minha localização e correu até a mim.
– Elas foram para o lado oposto!! Parece que era uma armadilha para escaparem! – O albino afobado e cansado disse apontando em direção à floresta das sombras.
Voltei a olhar para as falsas bruxas que estavam para socorrer a amiga, e vi que no instante seguinte viraram areia. Olhei para Peter com determinação.
– Então vamos rápido!! Elas definitivamente não podem fugir! – Gritei devido ao forte vento ensurdecedor que batera, já correndo em alta velocidade.
Meu amigo tomou a me acompanhar.
– Mas Jack, é a floresta das sombras!! Nenhum elfo que entra lá volta! Por isso ninguém se atreve a ir!
– Um ótimo lugar para bruxas se esconderem. – Olhei de relance a ele que entendeu o recado.
– Como você é teimoso... – Fez uma careta.
– Obrigado pelo elogio. – Sorri ironicamente.
Uma brisa sinistra batia agora, já a dois metros de distância. A floresta transmitia uma sensação de terror, como se algo te vigiasse por entre os grossos galhos daquelas árvores com folhas escurecidas que tampavam qualquer feixe de luz.
– Você tem certeza que vai entrar? – Insistiu mais uma vez.
– Tenho. Vai ficar tudo bem, ainda está de dia.
Quando a noite chega, se ouve um estranho ruído de dentro da obscura floresta. Um ruído que quem ouvir segue inconscientemente em sua direção, desaparecendo por entre a névoa e nunca mais é visto outra vez. Dizem que a floresta só é sombria por ser a divisa entre o mundo mágico e o mundo humano.
No momento em que pisei adentro da floresta, me ocorreu uma breve lembrança.
Flash Back On
No meio do desespero em que duques, membros da igreja e pessoas da realeza corriam pelo salão do palácio, aterrorizadas com o acontecido, o pequeno garotinho andava assustado por entre todo pavor sem entender. Até que finalmente avista aqueles conhecidos cabelos loiros, já meio grisalhos. Era a governanta. O pequeno elfo foi até o encontro da mulher dos olhos verdes gentis que estava sentada em uma cadeira num canto do palácio, mas teve uma surpresa.
– Sara... O que houve? – Perguntou preocupado ao ver aquela mulher tão gentil e animada estar com um semblante de tamanha tristeza ao invés do seu sorriso costumeiro.
– Oh tragédia... – Lágrimas escorriam por sua face um pouco enrugada pela idade. Assim, pôs a palma de sua mão em cima da cabeça do garotinho, acariciando seus macios cabelos negros. – Pobre criança.
– Não entendo. Por que a senhora está tão triste? Eu gosto de ver o seu sorriso, então sorria, por favor. – Diz segurando a mão da triste governanta.
– Ah Jack... Você é realmente um garoto tão amável como... – Soluçou antes de terminar sua fala, enxugando as lágrimas com seu lenço branco.
– Como...? – Insistiu tentando decifrá-la.
– Como... – Hesitou por um instante. — Sua mãe.
Levou alguns minutos até a verdade acertar em cheio seu peito, igual a uma flecha que perfurava sem dó.
– Mamãe... – Agora não era só a governanta que lutava contra a dor. – Foi... Pro céu?
A mulher o abraçou fortemente, como se assim pudesse protegê-lo da cruel realidade.
– Não se preocupe pequeno. Dizem que as elfas donas de um coração puro como a neve se tornam ninfas quando morrem. E elas permanecem aqui protegendo quem mais amam. Ela sempre estará ao seu lado, Jack.
– S-sim... – Diz sem conter a dor, e desabou em lágrimas.
No dia seguinte todo o povo ficou sabendo da triste noticia. A rainha, adorada por todos, foi vitima da floresta das sombras, que sumiu na noite e foi encontrada morta com uma faca em seu coração ao amanhecer.
Flash Back OFF
Corri com determinação. Eu podia perceber a presença da luz estando cada vez menor, sendo obrigado a forçar a vista. Diante do breu, sentia que a escuridão tentava sugar minha existência, e isso me assustava. Tentei não pensar para não acabar ficando louco, e voltei a me focar em minha audição para descobrir a localização das bruxas. Mesmo com o silêncio inquietante, consegui ouvir um pequeno barulho que eu não soube distinguir o que era, vindo do leste e não hesitei a seguir.
O silêncio era tanto que meus passos ecoavam por toda floresta como barulhentos tambores. Até que em um passo em falso, percebi que ao pisar não havia chão e assim a gravidade me puxou para baixo. Era um imenso buraco que parecia não ter fundo, depois de demorados segundos caindo sem avistar um chão sequer, finalmente sinto uma superfície dura e áspera ao bater minhas costas, era uma enorme pedra e por sorte não desmaiei ou fiquei sem ar, mas por azar ao me levantar uma enorme dor em minhas costelas me invadira.
– Porcaria. – Disse irritado ao colocar minha mão esquerda sobre a costela e notar que estava sangrando. Olhei para o chão. – Porcaria de galho.
Com a queda, um fino e afiado galho atravessou minha pele perto da costela esquerda. E o local jorrava um pouco de sangue. Tirei a camisa branca, ou melhor... Antes branca, e enfaixei o local dando varias voltas e voltei a colocar meu sobretudo azul escuro com detalhes em dourado.
Andei mais alguns metros sem saber onde estava indo ou como fazer o caminho de volta. Resumindo... Eu estava perdido. Como sempre eu e meu ótimo senso de direção nota dez. Até que graças à aguçada audição que os elfos possuem, consegui finalmente ouvir vozes. Segui até elas, e me escondi atrás de uma grossa árvore apenas escutando.
– Você tem certeza que é seguro? – Ouvi a voz de uma garota. Logo estranhei por ser a voz doce de uma garota jovem, só podia ser as bruxas que estavam na floresta, então como seres horripilantes poderiam ter uma voz meiga?
– Tenho Michelle! Que elfo seria louco o bastante em vir a essa floresta apenas para nos capturar? Eles morrem de medo daqui. – Ouço outra garota com uma voz confiante.
" Hã... Talvez eu seria..." – Pensei.
– Não me refiro aos elfos Vossa Inteligência. E sim justamente por ser uma floresta amaldiçoada, então tecnicamente somos loucas por estarmos aqui! – Como a outra disse, seu nome então era Michelle.
– Ah... Nada ver! Podemos nos defender com magia! Vocês têm aqui uma bruxa Level 110, ok? Só tiro A nos testes!
– Se achaaaaa...
– Deixando esse assunto de lado... Por que não fazemos um piquenique?! – Propôs outra voz feminina, desta vez bem animada.
– Mas Sophie, nós acabamos de comer no lanche das duas da tarde e agora são três! – Exclamou Michelle.
– Exatamente! Comemos no lanche das duas, e agora é o lanche das três, daqui uma hora será das quatro, depois das cinco e... – Falava Sofie até ser cortada.
– Ok, já entendemos! Ainda bem que você comprou a "Bolsa da Infinidade"... Esse item mágico é incrível, um verdadeiro saco sem fundo como a dona! – Zoou a garota da voz confiante.
– Ah Capitã... Obrigada... Mas assim você me deixa sem graça. – Falou a bruxa "Saco sem fundo".
– Isso não foi um elogio, não é? – Perguntou Michelle cochichando para a capitã. "Nada escapa da minha incrível audição. Há!".
– Deixe ela interpretar da maneira que preferir. – Cochichou de volta.
– O que devemos fazer agora? Reportamos a missão para a Henrietta?
– Hum... Pode ser, e onde está a Espada?
– Ah! Está aqui na minha "Bolsa da Infinidade", capitã! – Ouvi seus passos se distanciarem um pouco, provando que fora buscar sua bolsa, quando voltou perguntou. — Ora, por que você está sorrindo de maneira tão artificial e piscando os olhos varias vezes?
– Só pra saber... Você leu o manual desse item? – Perguntou a capitã de maneira assustadora, deduzi por sua voz que saíra mais grave.
– S-sim... Por quê?
– Lá não dizia que ela apenas guarda itens mágicos e que objetos opacos que são guardados voltam automaticamente ao lugar que pertence?
– Er... Bom... M-mas a Espada é um item mágico... Não é? — Pronunciou "Não é" com menos intensidade, dando a clareza de que estava com medo.
– Não. – Respondeu tranquilamente Michelle.
– SOPHIE MADALENA DE FAGUNDES!!! – Gritou.
– Opa... Hehe... Acho que essa é a parte que eu tenho que vazar.
– Que sobrenome sem estilo... – Bocejou Michelle.
E as duas desataram a correr, só ficando uma. Hora perfeita para agir. Retirei silenciosamente a espada da bainha, preparei minha posição de ataque e quando contei até 3 segundos atirei-me de trás da árvore, e para minha vantagem a bruxa estava de costas estando completamente sem defesa. Assim aprontei a lâmina afiada da espada ao lado de seu pescoço. A bruxa foi surpreendida e não reagiu a nenhum movimento brusco.
– Retire o capuz e não faça nenhum movimento e nem grite para suas companheiras. Você será condenada em nome do rei. – Sussurrei em seu ouvido.
Ela se virou lentamente para mim, ainda com a espada em seu pescoço. Já segurava o capuz com as mãos, pronta para tirar e eu finalmente ver o rosto da ladra. No entanto nesse momento, senti uma magia me dominar e me paralisar. A bruxa parecia ter ficado surpresa, então não poderia ter sido ela. Agora, já imaginava quem fora, olhei para o lado e encontrei as outras duas feiticeiras, uma fazia dianteira com seu braço estendido para frente. Ela tinha realizado a magia.
– Vejo que fui descuidada. Peço perdão Michelle. – Se aproximava em passos pequenos. O capuz negro escondendo seu rosto e sua expressão me incomodava. – Hã... Michelle?
– AAAAAAAAAH LYNN!!! É o príncipe!! Só porque eu finalmente ia desencalhar você chega? Sua sem-graça!
– Mas o que?! – Perguntei incrédulo.
– Pobre príncipe, o destino foi muito cruel com ele... Ai – Sophie massageava a cabeça, parecendo estar dolorida.
– É... Até que concordo com você... Se tornar o décimo oitavo namorado da Michelle é muito azar.
– Lynn!! Assim você o assusta! Quer que eu continue encalhada?
– Mas você está namorando o Layne, o décimo sétimo... – Falou pensativa.
– Não, o Layne é décimo segundo. O décimo sétimo é o Raven!
– Ah é... Verdade! Sempre me confundo.
– O que...? – Continuava perguntando assustado.
– Assim, acho que não devíamos ter uma conversa tão casual em frente a um elfo, além do mais... Vocês estão assustando ele. – Comentou Sophie. "Concordo '-' "
– Tem razão, vamos acabar logo com ele. – Resolveu Lynn.
– O que? Nada disso! Com meu príncipe não! – Se colocou em minha frente, estendendo os braços para os lados em forma de proteção. " 'Meu príncipe?' Já não gostei dessa daí"
– Não precisa... — Neguei."Se eu não estivesse paralisado, já teria expulsado essa aí faz tempo”– Se me tirarem dessa magia e lutarmos legalmente, eu gostaria muitíssimo.
– Hum... Justo! – Lynn estralou os dedos cancelando a magia. – Vamos fazer um acordo então. Eu serei a sua oponente, se me derrotar você nos leva para o rei, se você perder se tornará meu servo e virá comigo até o momento que eu não querê-lo mais. Acordo aceito?
– E o que acontece se eu não concordar?
– Não lutaremos, eu te paralisarei outra vez e te levarei forçado. Prefere assim, jovem príncipe?
– Hã... Acordo aceito...
– Ótimo!
– Mas antes desejo ver as suas faces. – Ordenei sério.
– Oh... Como quiser. – Respondeu sorrindo e olhando de relance para as outras fazerem o mesmo.
As três bruxas retiraram lentamente seus capuzes uma por uma. A primeira foi Sophie. Não acreditei, pois era uma bela garota de cabelos castanhos escuros até o ombro presos em dois rabos laterais trançados com uma fita dourada, seus olhos eram de uma tonalidade verde-água. A segunda foi Michelle. Cada vez ficava mais em choque. Outra linda garota de cabelos rosados longos e levemente ondulados, de íris violetas e olhava maliciosamente para mim. "Medo". E por ultimo foi Lynn. Agora fui completamente surpreendido e minha expressão era incrédula. Era a graciosa dama dos cabelos azuis escuros e longos, de olhos cinza prateados da qual dancei anteriormente.
– Que grande privilégio eu tenho em encontrar Vossa Alteza mais uma vez. Adorei a dança. – Balançava os dedos de sua mão direita com forma de aceno, e em seu semblante havia um sorriso confiante e debochado.
– Não pode ser... – Disse ainda surpreso e com raiva de mim próprio.
Continua...
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