Notas iniciais
Por favor! Comentem!

Já era quase meio dia quando acordaram. Ambos estavam esfomeados, porém Mycah ainda estava um pouco zonzo. Matty decidiu levantar e preparar algo para eles comerem, enquanto seu amigo se recuperava.

Eles, por irem sempre àquela parte da floresta, tinham escondido sobre a copa de uma árvore próxima, não tão alta, suprimentos, como comida enlatada e kits paramédicos, além de remédios e canivetes, cordas e outras coisas que poderiam ser úteis em alguma ocasião.

Mycah revirava-se na cabana, sentindo-se agora bem melhor, apesar da dor causada pelo tombo. O galo em sua cabeça era quase imperceptível, era visto apenas quando ele se movia de forma que o sol batia em seu rosto, fazendo sombras que denunciavam seu machucado.

Matty escalava a árvore quando parou e permaneceu cerca de cinco minutos sentado sobre um galho. Pensativo, ele continuou subindo na árvore e recolheu o que precisavapara comerem naquele momento. Levou consigo uns pães, queijos e salgadinhos, assim como refrigerante. Eles haviam reposto o estoque no dia anterior, e levaram também uma caixa de isopor com gelo, para que seus refrigerantes ficassem gelados pelo menos até o presente dia.

Enquanto esperava por seu amigo, Mycah levantou-se e foi até um riacho, que passava a cerca de 50 metros da clareira, banhar-se, levando roupas do amigo para trocar-se, uma vez que esquecera as suas quando viera desta vez.

Quando Matty retornou à barraca, Mycah estava ainda molhado, apenas de cuecas, pois não levaram tolha, então ele estava se secando ao vento, como eles falavam.

Ele preparou lanche para os dois, já que Mycah acabaria molhando a comida. Sentaram-se ambos próximos um do outro, ainda sem referirem a palavra um ao outro.

Matty foi o primeiro a falar, quebrando o silêncio monótono entre eles.


Dormiu bem?

Mais ou menos. mentiu Mycah Estava um pouco frio ontem à noite, mas, de repente, o frio simplesmente passou. Digamos que metade da noite foi a mais perfeita de todas.

Você está mentindo. Reconheço na sua cara quando você não está falando a verdade. falou Matty, como que intimidando Mycah Você não estava com frio. Você desmaiou quando eu te abracei. Você estava ardendo em febre. Depois eu te dei um banho de água gelada e você começou a tremer muito. Daí eu te abracei de novo, você deu risada e apagou. E eu também.

Nossa... Você... Você percebeu que eu ri... Ãhn... Obrigado por cuidar de mim... Você tem sido tão bom para mim... falou Mycah, abaixando seu tom de voz e sua cabeça E eu não tenho feito nada por você...

Ei...

O quê?

Você já é tudo para mim. Você é como meu irmão. Mais que isso. Devo tudo a você. Sem você eu não seria nada cara...

Para com isso... É mentira. Você tem vários amigos, tem tudo o que você quiser... E... Você que é tudo para mim... Mycah falou tristemente, seus olhos lacrimejando.


Matty largou tudo que estava em suas mãos, sentou-se mais próximo de Mycah e o abraçou, aninhando-o em seus braços, tranquilizando-o. Com isso, seu amigo desabou em lágrimas e correspondeu seu abraço, abraçando- de volta, apoiando sua cabeça nos braços do amigo, ficando, assim, ambos ajoelhados, um de frente ao outro.


Mycah, você sabe que sempre estareiaqui ao seu lado, esperando por você, te apoiando, não sabe? Você me dá tudo o que eu preciso, cuida de mim quando eu preciso, e sabe que eu não falo com mais ninguém. Tudo oque eu já consegui se deve a você. Eu...


Mycah desabou ainda mais em lágrimas, fazendo Mathews começar a chorar também. Após alguns segundos, Thommy começou a rir, e falou no ouvido do seu amigo:


Maninho... Eu te adoro... Agora acho melhor comermos por que daqui a pouco toda a comida vai ficar encharcada.

Hahahahaha!!! riu intensamente Matty, voltando à suas tarefas.


Ambos comeram, rindo e fazendo idiotices, brincando de fazer caretas com os sanduíches ou fazendo sair refrigerante pelo nariz. Após terem comido, ambos foram praticar seus habituais hobbies de quando estavam lá. Matty pegou um dos vários livros que tinha guardados em sua mochila na barraca e sentou-se no meio da clareira, sob o sol, pondo-se à ler. Mycah pegou seu arco e sua aljava, com flechas de diversas formas e tamanhos, e pôs-se à atirar nas árvores que ficavam do outro lado da clareira, á cerca de 50 metros, uma vez que eles instalaram a barraca próxima ao centro da clareira, e esta tinha quase 120 metros de diâmetro.

Por horas Mycah praticara atirar com seu arco. Praticara tanto que agora acertava praticamente todas as flechas que atirava.


Matty


Não sabia mais o que fazer. Passava horas fingindo ler, mas ficava admirando seu amigo. A forma que o sol incidia em sua pele, contornando-o. Sempre fazia isso. E cada vez que o fazia, era como se apresentasse a uma criança um doce maravilhoso pela primeira vez. Ele sempre o via, e jamais ficava enjoado.

Mas ele não aguentava mais essa situação. O que eu falo para ele... Como eu falo para ele... Tudo isso pode afastá-lo de mim... Mas eu preciso contar à ele....


Mycah!


E um pássaro foi atingido em pleno voo, devido à um deslize de seu amigo.


Ops... Desculpa aí!!! Gritou Matty, meio que rindo da situação desastrosa Chega mais!!!

Fala Matty. Disse Thommy gentilmente, aproximando-se de seu amigo e sentando-se ao lado dele.

É...Nossa como ele fica lindo suado!!!

O que?

Hã?!

Hã o que?!

Hahahahaha!!!

Hahahahaha!!!

Ai ai...

Fala aí pediu Mycah à seu amigo.

Cara... Preciso te contar uma coisa, e é séria...

O quê..? — Disse Thommy, um pouco receoso do que o amigo iria lhe falar.

Você não vai ficar bravo comigo?

Ai não!!! Você não vai ser igual à mim só por minha causa! Imagina o que todos fariam com você! começou a argumentar Mycah, com tanta ênfase que bateu cerca de três vezes em Matty enquanto falava Eu nem vou mais à escola por causa disso. Vou de casa para cá, e de cá para casa. Só ando quando você está por perto, com medo do que possam fazer comigo, e você quer se tornar igual à mim?! Você ficou louco?

Ei! Ei! Ei! Calma aí! Eu não vou... Eu não... Droga! Droga! Droga!!! Eu ia dizer que tinha roubado suas roupas por que eu tinha esquecido de lavar as minhas.

... É sério? Essa era a coisa séria que você ia me falar?

Era. Não!!!!!!!!!!

Por isso então eu reconheci as roupas que estavam na sua mala.

Hahahaha!!! Saco.

De boa cara. Nem precisa se preocupar com isso.

Então tá. Que porcaria hein...


E Mycah voltou a praticar com seu arco, enquanto Matty o pediu licença e saiu de perto da clareira, de modo que ficasse de costas e longe de seu amigo.

Depois de se afastar um pouco, ele desabou no chão, que estava coberto de folhas e galhos secos, arranhando seus braços e pernas, já que estava de bermuda e camiseta branca. Ele chorou desesperadamente. Por que você tinha que gostar logo DELE!!! Logo ele! Que inferno! Como você vai contar à ele?!. E assim ele permaneceu por um bom tempo, até que começou a escurecer.


Mycah


Já era tarde e seu amigo ainda não voltara. Estava com medo de ter assustado seu amigo com o estardalhaço que fizera mais cedo naquele dia. Tinha surtado absurdamente quando achou que seu amigo o contaria que gostava dele. Era tudo o que ele mais queria no mundo, porém ele não queria que seu amigo sofresse tudo o que ele sofria. Ele estava péssimo por aquilo. Se seu amigo fosse como ele por ser, assim como ele, ele até aceitaria a ideia, mas para ele era impossível aceitar que seu amigo quisesse ser como ele apenas para apoiá-lo. Ele não queria que ninguém sofresse como ele. Todos o odiavam por ele ser como era.

Por morarem em uma região afastada do resto do mundo, a sociedade local não aceitava tais fatos com facilidade, e ofendiam e ameaçavam-no por ele ser como era. Ele não queria que o mesmo ocorresse com seu amigo. Uma pessoa tão legal e incrível como Mathews merecia muito mais. Ele merecia uma família, uma vida.

Mathews fora o único que o entendera. O único que entendia que ele não era como ele pois ele queria, mas simplesmente porque ele era daquele jeito. Aquilo não fora uma escolha sua. Ele simplesmente era assim e não havia nada que ele pudesse fazer.

Mas como Matty fora o único que o compreendera, ele decidira que sempre estaria ao lado dele, defendendo-o e protegendo-o, mesmo que ele não quisesse.

Será que eu fiz a coisa certa? Será que eu devo protegê-lo ou deixar que ele seja igual à mim só por ele ser muito meu amigo e achar que deve tudo à mim?. Nisso seu amigo apareceu, com olhos inchados, e a roupa branca toda suja e molhada perto da gola da camiseta.


O que houve?! Mycah disparou em direção à seu amigo bem a tempo de segurá-lo, enquanto ele desmaiava de exaustão, aparentemente.


Levou seu amigo até a barraca carregando-o no colo. Seu amigo também estava ardendo em febre, como ele estivera na noite anterior. Tirou a roupa de seu amigo e correu com um balde, o mesmo que Matty usara para resfriá-lo, até o riacho, onde encheu o balde. Quando chegou na barraca, seu amigo estava como ele deixara, ainda apagado. Ele colocou Matty sentado, e molhou-o vagarosamente, desde os cabelos, até as pernas e pés. Assim como ocorrera com ele, o amigo começou a tremer demais. Ele deitou Mathews sobre a cama deles e aninhou-se com ele, trocando calor corporal com ele. Porém, diferente da noite anterior, esta noite ambos estavam apenas de cuecas, e Mycah sempre sonhara que um dia deitaria com Matty exatamente dessa forma.

Merda! Começou a chorar quando se lembrou desse sonho e percebeu que isso nunca mais aconteceria, já que seu amigo não poderia ser como ele, já que ele mesmo impediria isso. Matty subitamente começou a recuperar a temperatura e a consciência. Porém começou a chorar também. Mycah percebendo que o amigo havia acordado e que estava chorando, tentou conversar com ele, aninhando-se ainda mais no amigo para que pudesse falar em seu ouvido.


Matty...


Mathews virou-se e abraçou Thommy. Ele chorava tanto que até o assustou.


Matty... Eu...

Eu amo você falaram ambos em uníssono, parando ambos de chorar logo em seguida, uma vez que ele estava chorando também depois que vira o desespero do amigo. O quê?!

Meudeusdocéu! Não brinca com isso! ele gritou se você estiver fazendo isso por minha causa para agora! Eu te amo como amigo! Meu deus! Será que ele gosta mesmo de mim! Meu deus!!!!

Calma! Como assim! É óbvio que é como amigo! respondeu Mathews.

Ufa! Merda!!!!!!!! Que merda! Mas será que é mesmo como amigo? Ele nunca me disse isso antes?! Ainda bem.

Você não achou que... Ai... Argh...


E de novo Matty apagou. Ele esfriara muuuuuuito de novo. Dessa vez Thommy se preocupou. O amigo não estava tão gelado antes. Agora estava ficando sério. Ele se colocou nas costas do amigo, aninhou-o nos braços e pernas e puxou todas as mantas que eles tinham na barraca com ele, cobrindo-os.

Depois de certo tempo, ele já esquentara os braços do amigo, porém da cintura para baixo Matty continuava gelado, e seus dedos do pé estavam começando a ficar arroxeados, assim como suas pernas. Ele desesperou-se, em saber o que fazer. Numa tentativa desesperada de esquentar seu amigo, tirou-lhe as cuecas e entrelaçou suas pernas com a dele, dessa forma eles ficariam em maior contato, o que aumentaria a troca de calor e esquentaria Matty mais rápido.

Justamente quando ele entrelaçou suas pernas com as do amigo, ficando frente a frente com ele, encostando barriga na barriga, rosto com rosto, que Mathews recuperou a consciência por um curto período.


Aproveitando-se de um doente? e Matty começou a tossir Não poderia ter pedido para se aproveitar de mim? E suas mãos nas minhas pernas são o que?

O quê?! Não! O que ele vai pensar de mim! Não é nada disso!

Não tem problema, eu deixo riu Matty, e ele beijou Mycah.


Eles se beijaram por muito tempo. Os lábios de Matty gelados apenas incentivaram-no a beijá-lo, para esquentar o amigo, como se aquele fosse o último recurso, e a última chance que teriam para fazer aquilo. Logo após o beijo, Mathews apagou novamente, e Thommy ficou absurdamente assustado com tudo que ocorrera, mas o amigo continuava gelado, então ele começou a massagear as pernas do amigo, como vira na televisão, para fazer o sangue circular mais rápido. Tudo isso ele fez, porém, incrédulo, e completamente suado, pois estava coberto por vários cobertores, em uma quente noite de verão.

Não pode ter acontecido isso. Ele saiu da cabana, vestido, assim que conseguiu esquentar o amigo e o vestiu novamente. Não é possível. Ele estava delirando. Isso não pode ter acontecido. Ele pegou um salgadinho que Matty trouxera mais cedo e comeu, sentado ao lado da barraca, vendo se tudo estava bem com o amigo, checando sua temperatura de tempos em tempos, enquanto processava as recentes informações, que praticamente sobrecarregaram-no. Não tem como ele ter feito isso por vontade própria. Acho que eu estou louco. Mas ele estava delirando de febre... Mas ele... Ele é tão incrível... Ele... Ele estava delirando, não pode ser outra coisa... E ficou tendo esses pensamentos durante a madrugada toda, enquanto cuidava de Mathews.


Notas finais
Por favor! Comentem!
Agora, link para uma foto do "Thommy", para quem ainda não entendeu como ele é:
http://weheartit.com/entry/27993167/in-set/2780981-boys