More Than Friends
3 Capítulo 3
Notas iniciais
-Então você já acordou. Bom dia. — disse Mycah em tom absurdamente monótono, sem expressar emoção alguma — Se você estiver se sentindo bem, come logo isso aí e vamos voltar para casa.
-Ei! Calma aí! O quê houve que você está tão assim?!
Ambos os amigos ficaram se encarando por alguns segundos, sem nada falar. O dia estava escuro; o céu, completamente enegrecido; e o clima geralmente quente da clareira estava muito estranho. Estava frio. Com ventos pouco fortes, mas que cortavam como estacas de gelo toda vez que passava uma rajada de vento.
-Você não lembra? Ótimo. Você estava com febre, e depois com hipotermia. — falou Mycah, como se passasse um sermão à seu amigo — Você passou a noite delirando, meio que desmaiado. Eu cuidei de você. Agora já são quase três horas da tarde. Já levei tudo para casa. É melhor irmos o mais rápido possível. Estamos com nossa alergia a insetos atacando de novo. Primeiro eu desmaio, depois você. Na próxima vez eu me lembro de trazer antialérgico. Agora vai logo.
-Para com isso Mycah! Você está tão babaca! O que aconteceu para você ficar assim?
-Então você não lembra mesmo... — balbuciou Mycah, tão baixo que nem ele mesmo ouviu o que ele falou.
-O quê foi Mycah?
-Nada Matty... Desculpe-me... Eu estou com medo de acabar perdendo você. Você ficou muito mal ontem à noite. Achei que você fosse morrer por hipotermia... — e Mycah começou a choramingar baixinho — Me desculpe Mathews...
-Nossa cara... Tudo bem... Hã... Obrigado. — falou Matty, completamente sem graça — Eu já estou indo. Só um segundo.
E eles prosseguiram para casa, numa caminhada de duas horas que sempre faziam para chegar lá. O terreno era muito irregular. Pedras, galhos e folhas secas cobriam o chão, dificultando a caminhada deles. O vento frio jogava folhas nos garotos, desorientando-os e atrapalhando-os ainda mais.
-Mycah... Você está muito quieto. Aconteceu alguma coisa?
-Não. Nada. É o frio. — mentiu Thommy — Me deixa com sono.
-Bom... Então o que você acha de cantarmos aquela música que você adora? — disse Matty, tentando animar o amigo
-Ah não... — reclamou Mycah
-"Come with me for a little ride and see the shadows passing by. Look at the sun and see the clouds turn to faces in the sky". Canta comigo Mycah! Vai!
-"Daydreaming lightly through the rain. All's forgiven on the summer train".
Então ambos continuaram caminhando, cantando aquela música em uníssono.
"Come away with me
Its gonna be alright
Just breathe
Come away with me
Its gonna be alright
Youll see"
Depois de duas longas horas andando, eles finalmente acercavam-se de sua casa. Era uma casinha modesta, com dois andares, um pequeno quintal e pintura por fazer, descascando das paredes, do lado de fora da casa, assim como da cerca, que mal parecia ser branca. Estava quase tão amarelada quanto à cor da casa, que lembrava um tom creme.
A casa era pequena. Contava com uma cozinha, uma sala, um escritório, um pequeno porão-depósito e uma lavanderia no primeiro andar. Estranhamente, todo o equipamento e móveis do lado de dentro da casa eram de altíssima qualidade, principalmente os móveis e utensílios da cozinha. No segundo andar, subindo a escada decorada com um carpete felpudo, dava-se de cara com um corredor estreito, que ia tanto para a esquerda, onde se tinha a suíte de casal, que os garotos dividiam, quanto para a direita, que dava em dois cômodos usados, um como closet, e outro como academia particular. Na frente da escada, pouco à direita, quase imperceptível à quem não estivesse atento, os garotos haviam criado um cômodo falso, e só eles sabiam como entrar lá. Nesse cômodo eles guardavam livros e mais livros, além da sua pequena coleção de canivetes e punhais. E ainda mais secreto nesse cômodo, atrás de uma das estantes, os garotos guardavam o dinheiro que eles tinham. Todo mês recebiam 10 mil dólares para contas e gastos pessoais. Lá eles escondiam toda essa quantia, e gastavam apenas quando necessário.
Matty largou sua mochila no sofá e foi direto à cozinha pegar seu antialérgico e de Thommy. Mycah sentou-se na poltrona da sala e ficou olhando as paredes. Paredes brancas, com exceção da que ficava atrás da televisão de LCD de 52 polegadas. Os garotos concordaram em gastar o dinheiro com a casa e outros equipamentos. A decoração da sala era incrível. O tapete, as duas poltronas, as estantes, os vasos, o sofá, o lustre e a mesa de centro eram impecáveis. Todos combinavam entrando em harmonia. Porém harmonia era a última coisa que passava na cabeça de Mycah naquele momento. Seus pensamentos à mil, e ele sentado na poltrona, indagando-se se fizera a coisa certa, em voz baixa, para que seu amigo não o ouvisse.
Seu amigo fora até a cozinha, que era decorada em tons de marrom e preto, dando um ar moderno àquela parte da casa. Matty subiu em um banquinho e procurava em cima da geladeira, nos armários, o remédio certo. Desceu da escada e bateu o olho em um controle sobre a bancada no centro da cozinha. Era o controle do sistema de som que instalaram na casa. Todos os cômodos da casa tinham, no mínimo, duas caixas de som que tocavam as músicas selecionadas pelos garotos em seu computador, que estava, agora, no escritório. Matty apertou play no controle, e logo ouviu a música que antes estava cantando com seu amigo.
Ouvindo a música Summer Train, de seu artista favorito, Greyson Chance, Mycah subiu as escadas e foi para a suíte, onde tirou suas roupas e foi tomar banho.
Matty encheu dois copos com água, dos quais tomou um, junto com o seu antialérgico. O outro levou à seu amigo, que acreditava estar na sala. O blecaute estava abaixado como quando chegaram, mas a poltrona estava fora do lugar. E a sua mochila, assim como a de Thommy estavam caídas sobre o sofá. Recolheu ambas as mochilas e subiu as escadas. Ao chegar em seu quarto, viu as roupas de Mycah jogadas, logo achou que se amigo estava tomando banho, já que não conseguia ouvir o chuveiro, pois a música estava muito alta. Colocou o copo sobre o criado-mudo e o remédio à seu lado, para ficar com as mãos livres e poder começar a esvaziar as caixas que Mycah provavelmente trouxera mais cedo.
Desceu as escadas e começou a desempacotar a comida que Mycah trouxera enquanto ele dormia na barraca. Parou e começou a prestar atenção à música que estava tocando. Era mais uma música pop da atualidade que eles colocavam apenas para que não enjoassem de suas músicas preferidas. Depois de desempacotar as duas caixas com comida, e o isopor que teve de colocar na varanda para secar, ele abaixou um pouco o volume da música e subiu para o quarto. Decidiu, porém, passar primeiro no closet para pegar roupas para ele e Mycah. Eles haviam feito um closet fora da suíte para aproveitarem mais o espaço do quarto e banheiro, dessa forma eles conseguiram colocar uma cama king size redonda no quarto e uma hidromassagem enorme no banheiro, onde tinham também uma pia e espelho enormes.
Pegou, para ele e para o amigo, duas camisetas regatas brancas, duas bermudas, uma vermelha e outra preta, e chinelos grafitados que eles mesmos pintaram. Levou as roupas até o quarto, pegou na cômoda uma toalha e foi para o banheiro. Bateu na porta várias vezes, ais ninguém respondeu, então decidiu entrar.
Mycah
Ele ouviu seu amigo batendo na porta diversas vezes, mas estava chocado demais para responder. "Eu não acredito no que aconteceu. E ele não se lembra de nada. Não é possível. Ele deve estar mentindo para mim." Ele estava na hidromassagem, chorando. O vapor da água formava uma neblina sobre o banheiro que o escondia. Ele chorava baixinho. "Ele poderia pelo menos se lembrar e falar que fizera aquilo de propósito. Ele só precisa me falar que gosta de mim. Mas é perigoso demais. Agora todos já me odeiam e não posso sair de casa. Se ele admitisse ser igual à mim, ele teria que deixar a escola também e... Ele começou a chorar ainda mais." Ele conseguira tudo o que ele sempre queria, porém ele não poderia permitir que seu amigo se ferisse também como ele. Ele sofria demais por ser daquele jeito. Eles nunca poderiam ficar juntos. Eles não dariam certo. As pessoas acabariam fazendo algo contra eles. Seria muito perigoso.
Isso o preocupava demais. Ele não sabia o que fazer.
De repente Matty entrou no banheiro, assustando-o.
-Ei, Mycah... Está tudo bem? — perguntou Mathews por entre a densa neblina que se formara — Você está bem?
-Ah... Sim, está tudo bem Matty. — disse Thommy chorando — Você quer que eu saia para você tomar banho?
-Thommy, não está tudo bem. E não saia daí.
Ele ficou cabisbaixo na banheira esperando seu amigo. Para passar o tempo, ficou brincando com a espuma que se formara sobre a água devido ao movimento na água que causavam os jatos de água da hidromassagem. Depois de cinco minutos, um Matty angelical entrou pela porta do banheiro sem roupas. Seu amigo desligou a música. O único som que se ouviu foi o baque da porta fechando e o barulho do motor da banheira.
-Dá um espaço aí do seu lado. Precisamos conversar. — falou Mathews em um tom sério.
-Mas... Nós dois na banheira... Ãhn... Isso não vai te incomodar? Você lembra que eu...
-Sim eu sei. Agora dá espaço.
"Merda. Ele é lindo, perfeito e ainda por cima, uau... Olha isso! Ele é perfeito! Mas ele nunca vai ser seu. Agora dá espaço para ele se sentar ao seu lado."
Matty sentou-se e o entregou o copo com água e o seu remédio para alergia, que estranhamente Mycah não percebera que Mathews estava carregando.
-Obrigado. — disse à seu amigo "Meu Deus! Ele é tão bom para mim... Eu não o mereço..." -O quê você queria falar?
-Por que você não me conta o que aconteceu ontem à noite?
-Já te falei!
-A verdade Thommy.
-Bom... "Fudeu." Quer mesmo saber?
-Claro.
-Merda... Quando você estava com hipotermia, eu tirei sua roupa e comecei a massagear você, para sua circulação sanguínea aumentar.
-E..?
-E você acordou, perguntou se eu estava abusando de você. Eu disse que não, obviamente. Você disse que tudo bem e me beijou. Merda. Falei. "Agora já era..."
Matty
"OMG."
Ele ficou totalmente sem reação. Em silêncio.
-É verdade isso, Thommy? — perguntou ele, muito seriamente.
-Sim. É por isso que eu estava estranho... — Mycah virou o rosto para o outro lado, de forma que Mathews não podia ver o rosto de Thommy.
-Cara eu...
-Você não se lembra disso?
-Não! "Que droga! Agora ele vai achar que eu fiz isso só para brincar com ele. Merda..!" Eu até brinco com você de vez em quando, mas eu nunca faria uma coisa dessas com você. — falou Matty, envolvendo Thommy em seus braços, aproximando-se mais dele. — Eu sei que você não gosta quando eu faço essas brincadeiras, e eu...
-Matty... Eu adorei ter beijado você. Eu te amo. Desde que nos tornamos amigos eu gosto de você. — falou Mycah, virando-se frente a frente com Matty e olhando-o nos olhos.
-Não... "OMFG." Não pode ser Thommy! "Ele também gosta de mim. Mas será que eu devo contar à ele que eu gosto dele?" Isso... Isso... — falou Mathews abaixando a cabeça, e desviando o olhar.
-É verdade Mathews. Eu não sabia nem o que te falar... — falou Mycah afastando-se um pouco de seu amigo, dando à ele suas mãos. — Me desculpa... Eu deveria ter te afastado... Eu sei que você estava delirando e que você nunca faria isso por livre e espontânea vontade... Eu nunca vou ficar junto de você...
-Mycah... — falou Matty, incrédulo.
-Espera! Eu não quero que você fique comigo só por que você é meu amigo e quer realizar meu sonho. Tenho medo do que possam fazer à você caso você comece a andar colado em mim e admitamos que estamos juntos.
-Mycah...
-Espera, caramba! Não quero que você sofra tanto quanto eu. Ninguém merece passar pelo que eu passei...
-Thommy... Pequeno Tom... Então é assim que você se sente....
-Pequeno Tom? Meu apelido quando éramos crianças...
-Você sonha então em me beijar?
-Não! Quer dizer, sim... Mas você estava delirando e me atacou, praticamente... — falou Mycah, totalmente envergonhado.
-Então deixe-me realizar seu sonho. Tenho que aproveitar essa oportunidade.
-O quê?!
Matty puxou Mycah para seu colo. A água batia quase no pescoço de Matty e, agora, no peito de Thommy. Ele passou suas mãos pelo colo de Mycah, e depois envolveu sua cintura. Virou-o de frente à si, sobre seu colo. Mycah colocou suas mãos sobre os cabelos de Matty, acariciando-os. Desceu suas mãos por seu rosto, seguindo o pescoço, alcançando seu peitoral. Demorou-se com suas mãos lá, sentindo-se desconfortável. Matty passava a mão por suas costas. Com a outra mão, acariciava o cabelo de Mycah, do jeito que ele adorava.
-Isso mesmo. É agora. Deixe-me fazer isso por você. Sei que você quer isso. — falou Mathews com convicção.
-Mas...
-Por favor.
E eles se aproximaram. Ficaram ambos ajoelhados frente à frente, abraçados, olhando um no olho do outro. Matty sentia-se como se ele e Thommy fossem um só. Eles não pareciam estar apenas em contato físico, mas algo além disso. E Mycah também percebera isso.
Sua respiração começou a ficar ofegante conforme se aproximavam. As mãos de Mycah exploravam os ombros e costas de Matty, enquanto as mãos destes estavam tanto sob os cabelos do amigo, quanto pouco abaixo das costas do mesmo, segurando-o. Eles se aproximaram; ambos sentindo o hálito um do outro.
Para Matty, os olhos azuis de Thommy estavam mais bonitos que nunca. Ele está incrível. Como nunca fizemos isso antes? Seus cabelos, negros como a noite, chamavam sua atenção. Ele achava o amigo perfeito. Seu rosto é simétrico. Se corpo é perfeito, nem parece um esqueleto, nem um retardado louco por academia. Ele é como eu. Somos iguais. Tudo o que nos difere é a coragem dele. Posso pintar meu cabelo, colocar lentes, mas nunca serei tão corajoso e incrível como ele. Matty começou a sorrir, pois seu amigo acabara de sorrir do modo mais lindo que ele já vira. Aproximaram-se ainda mais. Agora estavam com os narizes encostando. Apoiaram a testa um no outro, e ficaram alguns momentos parados daquela maneira, em silêncio, ouvindo apenas a melodia de suas respirações.
-Está pronto? "Esteja, por favor!!!" — perguntou um Matty muito feliz.
-Desde que te conheci. — falou um Mycah ainda mais contente que Mathews.
-Boa tarde garotos!!! — Gritou Lory do primeiro andar.
"FDP!"
Os garotos se afastaram. Cada um foi para um lado da banheira. Pelo menos agora eu sei que ele me ama mesmo. Um passo na direção certa é melhor que nada, à essa altura do campeonato.
Mycah estava com um sorriso maravilhoso no rosto, e disse, muito feliz:
-Vamos deixar isso para hoje à noite, então, o que acha?
-Meninos?! -insistiu Lory, gritando.
-Pode apostar que sim. "Quem sabe eu não aproveito e conto para ele." — falou Mathews com um sorriso muito malicioso no rosto, o que provocou risadinhas de Thommy.
-Estamos tomando banho! — gritou Mycah à Lory.
-Espero vocês aqui na sala então!
-Tudo bem! — gritou Mathews.
Ele saiu da banheira, logo após seu amigo, pegou-o pela cintura, colando-o à seu corpo, e cochichou em seu ouvido:
-Quem sabe não acontece mais que um simples beijo?
Matty pegou sua toalha, que estava sobre a cama, enxugou-se, e a passou para Mycah. Vestiu-se e foi para o closet pegar cuecas para ambos, pois agora que tinham visita, não poderiam ficar assim tão à vontade. Que dia é hoje? Já é quarta? Lory só vem nos visitar às quartas... O que ela está fazendo aqui, e tão cedo? Ainda são 19:00... Droga... Ela estragou nossa diversão.
Voltou ao quarto, deu à Mycah sua cueca, que era idêntica à que vestira, uma cueca boxer preta, que eles adoravam.Qualquer coisa cai bem em você, meu amor. Matty olhou para Thommy como se ele fosse um anjo caído, que é o que ele parecia ser, mandou-lhe um beijo e disse:
-Pronto?
-Sempre.
E desceram as escadas.
Notas finais
Link para vocês terem ideia de como é a chata da Lory:
http://weheartit.com/entry/29532207/via/minagomes
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