More Than Friends
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Era um dia como qualquer outro na pacata cidade de Lendow. Carros passavam na rua, despreocupados com os pedestres. Estes, por sua vez, andavam como se estivessem sozinhos nas ruas, falando em seus telefones e checando seus e-mails. O vento soprava um frescor estranho no ar, porém. Um frescor imperceptível à quase todos. Mas era um frescor que Jennifer Grace conhecia muito bem.
Uma garota de 15 anos como Jennifer, de cabelos escuros, olhos verdes, pele clara e voz doce deveria ser muito notada por garotos de sua idade, ou até mais velhos. Seus traços faciais e corporais atraem muito homens e garotos, porém Jennifer não é como as outras garotas. Jenny Skull, ou Skully, como é conhecida é uma garota muito diferente das outras.
Treinada para lidar com as criaturas do outro mundo por sua mãe, Skully já sabia que esse frescor no ar só poderia dizer que mais uma criatura idiota iria atacá-la novamente. Skully deveria saber lidar com ameaças como essas com absoluto controle sobre a situação, como fizera diversas vezes, mas dessa vez...
-Cala a boca Mathews! Que história mais idiota! Ninguém merece você contando isso toda hora. Todo mundo já sabe que ela é incrível, linda e que no fim ela consegue se casar com o amado. Agora cala a boca e volta para a barraca.
-Que foi Mycah? Não gosta da história da sua irmã? Você sabe que eu fiz essa história baseada em você, né? Eu só queria fazer algo que você gostasse, minha querida.
-Para de ser idiota Matty. Eu não sou uma menina. Você sabe disso.
-E quem disse que você precisa ser uma menina para eu gostar de você?
Desta vez Matty havia realmente irritado seu amigo Mycah, um belo garoto de 15 anos que usava cabelos sempre curtos, em um penteado arrepiado, muito despojado e sexy, como ele mesmo dizia. Seus olhos verdes realçavam seus traços magníficos do rosto. E ele tinha 1,82 metros, assim como seu amigo.
Matty passava por gêmeo de Mycah, não fosse seus cabelos loiros e olhos verdes onde Mycah tinha cabelos pretos e olhos azuis. Matty e Mycah andavam sempre juntos. E sempre que possível iam acampar próximos à uma mata fechada e densa que cercava a isolada cidade de Fawlsbuck. Uma pequena cidade com um ar de magia. A cidade estava sempre coberta por uma névoa densa. E as altas árvores cercavam cada espaço das estradas e ruas menos utilizadas de forma que apenas quem era da cidade sabia por onde andar sem se perder.
Por esse motivo a cidade era pouco visitada, e poucas pessoas saíam de lá. Como se a cidade tivesse vida própria.
No específico local onde Mycah e Matty acampavam, havia uma estranha clareira que não possuía uma única árvore ou traço de neblina. Era como se aquele local não fizesse parte da cidade. Eles gostavam de falar que aquele lugar era só deles. E realmente ninguém mais sabia da existência de tal local, por ficar tão escondido na floresta.
Nenhum dos dois tinha sequer um parente vivo e viviam com dinheiro da herança do pai de Mycah, que felizmente lhe deixara milhões e milhões no banco, porém os garotos só podiam pegar quantias pequenas, suficientes apenas para viverem sem apertos, mas sem esbanjar.
Os garotos adoravam aquele local na mata, pois ele os acalmava. E eles viviam sendo irritados e ridicularizados devido ao fato de Mycah ser, bom... Diferente dos outros meninos.
-Olha Matty, eu já tenho que aguentar todos aqueles idiotas me humilhando o dia inteiro por eu ser... Diferente... E agora você fica com essa brincadeira idiota comigo. Eu já te falei muitas vezes que eu não gosto quando fazem isso comigo, por que se eu pudesse eu com certeza seria como você. Ou como qualquer outro garoto comum...
-Mycah...
N-ão tente se desculpar Matty, você sabe que não vai res-
E Mycah foi subitamente interrompido por seu amigo, que num rápido movimento, passou a mão por sua cintura e o puxou para perto, ficando ambos com a respiração ofegante e faces quase roçando.
-O que é isso Matty?
-Mycah... Eu sempre quis contar isso à você, mas...
-Ah não Matty... Você...
Ao ir falando, ambos se aproximavam cada vez mais, até que um sentia o hálito do outro e o calor de sua respiração. Matty passava sua mão pelo cabelo de Mycah e este passava as suas pelas costas de Matty, acariciando-o.
-Mas Mycah... Eu tenho tanto medo do que você pode fazer...
-Mas você está fazendo isso por opção?! Matty, você sabe o quanto eu gostaria de ser como você, e agora você quer ser como eu?!
-Mycah...
-Olha Matty... Nem sei o que dizer...
-Não diga mais nada.
E tão rápido como segurara Mycah, Matty o empurrou e começou a gargalhar. Mycah caíra de cara na relva, por entre os pequeninos arbustos que rodeavam a clareira, diferente do resto da floresta.
-Seu imbecil!
-Hahahahaahahaha! Não acredito que eu te enganei tão facilmente Mycah!!! Hahahahahahahaha!!!
-Seu babaca!!! Já falei para você não brincar com isso! Odeio quando você faz isso Matty!!! Que saco! Toda vez você faz isso...
Mycah levantou-se do chão e começou a sacudir seus jeans, agora sujos de terra. Percebia-se que ele estava chorando. Sua feição mudara rapidamente. Seus olhos dilataram-se e seu ar de seriedade esvaiu-se totalmente, sendo substituído por uma melancolia e tristeza de cortar a alma. Ele saiu correndo em direção à floresta, sendo seguido pelos gritos de desculpas de seu amigo.
Mycah
Corria com seus olhos embaçados pela floresta. Mal via por onde andava. Só queria se afastar de Matty. Mais uma vez ele brincara com seus sentimentos. Isso ele já deveria saber que não deveria fazer nunca...
No correr desesperado, com ideias à mil, um calor como lava subia sua face e descia por suas bochechas.
Tropeçou em galhos espalhados pelo chão e caiu batendo fortemente a cabeça em uma pedra, mas não sem antes ouvir a voz de seu amigo perseguindo-o e gritando seu nome desesperadamente.
Quando acordou estava na barraca. Deitado junto à Matty. Abraçado à ele, e Matty parecia estar checando sua temperatura. Matty estava sem camisa, assim como ele também acordara sem a sua. Matty estava, porém muito suado, e tinha feições que indicavam preocupação.
Ao levantar-se, percebeu que seu braço e sua cabeça doíam muito. Colocou sua mão sobre o machucado na cabeça e percebeu que logo ficaria com um galo terrível na cabeça, já que não havia corte, mas a dor na cabeça era insuportável.
Seu amigo, ao perceber que acordara, aproximou-se e abraçou-o.
-Mycah! Peloamordedeus! Nunca mais me assuste desse jeito! — falou isso em um tom de desespero que realmente não conseguiu esconder — Não sei como eu viveria sem você!
-Ai. Peraí. Ai meu braço, caramba! Ai...
-Nunca mais saia correndo igual um babaca pela floresta!
-E você pare de brincar com o fato de eu ser diferente!
-É que...
-Você tem algo para me dizer? "Nessa hora, tudo o que eu queria, é que ele dissesse que tinha. Que ele também gostava de mim. Não sabia por quanto tempo mais eu aguentaria esconder isso dele. Meu melhor amigo."
-Olha... Hã...
-Então?
-Você me desculpa por aquilo, Thommy?
-Claro que sim. "Ele usara meu nome de verdade para se referir à mim. Era quando eu tinha certeza que ele estava falando sério de verdade." Você é meu melhor e único amigo. Você é meu irmão. Claro que eu te perdoo, Mathews. "Eu te amo. Perdoar-te-ia sempre. Mas infelizmente tenho medo de falar isso e você deixar de ser meu amigo."
-Cara... Desculpa mesmo... Eu...
-Não precisa se explicar...
Então ele virou para o lado e voltou a dormir, deixando Matty pensando no ocorrido, enquanto cuidava dele.
Matty
"Como eu vou contar para ele?" Esse pensamento não deixava a cabeça de Matty. Atormentava-o há tempos, desde que ambos viraram amigos, 5 anos antes, ao se encontrarem nessa clareira logo após um incêndio ter matado a família de ambos garotos.
"Eu não sei o que dizer... Ele disse que não me perdoaria se eu escolhesse ser como ele, mas é isso que eu sou e quero ser. Para que ele não se sinta o único. Abandonado. Preciso contar à ele. Mas como?"
Ele levantou-se e saiu da barraca. Estava muito quente. Que horas seriam? Cinco, talvez. Deixara o relógio no bolso da calça, dentro da barraca. Estava só de cuecas por que absolutamente ninguém conseguia chegar nesse lugar da floresta e vê-lo assim. Estava muito quente.
Decidira despir Thommy também, pois ele ficara muito quente depois que o carregara de volta à cabana, e não havia água suficiente para refrescá-lo.
Ele se sentia péssimo por ter feito aquilo ao amigo, mas o fez porque quando foi falar a verdade à Mycah, este irritou-se com ele. A última coisa que ele queria era brigar com o amigo. "Você deve contar à ele."
"Mas como?." Desde que os outros garotos começaram a irritar seu amigo, essa pergunta se tornou ainda mais frequente.
Ele decidiu voltar à barraca cerca de uma hora depois. Encontrou seu amigo nu, dormindo como quando ele saiu, coberto apenas com uma pequena manta de lã. Pegou suas roupas e o vestiu novamente, fazendo o mesmo consigo logo em seguida. Pelo relógio já eram quase 19:00. Saiu da barraca e foi acender uma fogueira com lenha que recolhera com o amigo neste mesmo dia, um pouco mais cedo.
Depois de algumas tentativas frustradas, acendeu o fogo e começou a preparar uma sopa para o amigo. Ele adorava sua sopa. Sempre dizia que ele tinha um toque especial para cozinhar. Isso sempre o alegrava. "Eu faço ela especialmente para você. Por isso ela fica tão boa... Mas como te falar isso..?"
O amigo levantou-se pouco depois de a sopa ter ficado pronta. Ambos comeram em silêncio e foram dormir, juntos como sempre faziam. "Pelo menos se eu não falar nada, ainda tenho você perto de mim."
-Obrigado. Por ter cuidado de mim. E pela sopa. Estava ótima.
-Tudo para você.
-O quê?!
-Tudo para um amigo que precisa. Você faria o mesmo por mim.
-Ah... Pensei por um segundo hoje que você realmente...
-O quê?
-Nada não. Boa noite.
-Durma bem.
E ele virou-se, e Mycah virou também, abraçando-o. Nessa noite ambos dormiram muito bem. Mas nenhum deles sabia o porque do sorriso do outro.
Notas finais
Link para uma foto de "Matty", para quem não entendeu como ele é:
http://weheartit.com/entry/20010330/in-set/2780981-boys
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