Mordomos
4 Capítulo 4 - Tentação
Notas iniciais
Stephanie a chamou segundos depois, e descendo para a sala do trono rapidamente encarou a deusa guardiã com respeito, reverenciando-se.
– O que há, minha senhora?
– Tenho um serviço para vocês, deixei marcado para amanhã. No caso, também gostaria que consertasse as 12 telhas quebradas no telhado.
– D-Doze?
– Também me surpreendi quando contei, mas isto foi resultado de uma brincadeira do Edward. Nada de motivos muito grandes para se surpreender. Certo?
– Certo, minha senhora.
– Ah, antes de ir — interrompeu a virada de Nemi, fazendo-a voltar para onde estava, perguntando o que era com a cabeça. — Não fique mais procurando o que os deuses escondem nas quatro paredes... E muito menos quem é Signel. — falou, sorrindo.
– Isso... — um sorriso pequeno formou-se no rosto de Nemi, juntamente com os olhos sendo fechados mais um pouco, fazendo uma expressão calma. — Seria a mesma coisa que dizer para mim de largar todo meu passado e conviver com o que eu não sei. Não concorda? — virou-se, subindo as escadas com as mãos nos bolsos.
Subiu até seu quarto, abrindo a janela e passando por tal, ficando em pé no telhado da área.
– A vista aqui é ótima. — comentou. Virou-se e subiu ao local onde estavam as telhas quebradas e as observou.
– Edward, só poderia ter sido você. — sorriu, tocando em suas olheiras pelos três dias seguidos em que não havia dormindo. Observou por mais alguns minutos o enorme buraco que dava no espaço inútil entre seu quarto e o quarto de Sandy.
– Acho que não há jeito de consertar as telhas. A maior parte quase virou pó, as outras ainda assim foram muitos despedaças, terei que realmente comprar novas telhas.
Saiu para comprar as telhas, as consertando, e passou também no mercado e na padaria, comprando alguns doces para si mesma. Ao final, saiu tudo em somente sessenta gins (Comentário/Narradora: Psé, a vida é tensa não é? O momento em que as pessoas com nome Gin tem nome de dinheiro no singular, rs), considerando que os doces que gostava eram baratos e graças à Sasha o castelo sempre tinha muita comida.
Lavou a louça e verificou novamente o trabalho de Edward, Bertholdt e Sandy e indo ao quintal traseiro do castelo e limpando as folhas com o rastelo.
Na cozinha, pegou mais chá e o colocou no chaleiro, elegantemente levando-o para Stephanie. Servindo-a com toda delicadeza possível, como lhe era de costume.
– Algum problema, minha senhora? — indagou, vendo que Stephanie estava aparentemente com o humor abaixo do normal.
– Sou uma deusa, preciso tratar de problemas a todo momento. — apoiou o cotovelo no braço direito do trono e encaixando a cabeça na mão aberta. — O que me incomoda no momento é realmente a falta de problemas.
– Por quê, minha senhora?
– Por quê? Um deus que fica quatro dias sem resolver problemas, mesmo que não os receba, é obrigado a deixar de ser um deus. Se eu deixar de ser uma deusa, automaticamente este lugar vai estar desprotegido.
– Não seria um problema... Seria? Você é uma princesa de forma literal, além de uma deusa.
– Ser uma divindade é algo mais complexo que isso, acho que seria difícil para vocês entenderem meu ponto de atividade e os motivos de ser somente uma princesa ser complicado.
– Hum... Entendo, minha senhora. — respondeu, colocando o chaleiro na bandeja e a levantando. — Talvez seria de ajuda dizer que há uma discussão no castelo vizinho? — sorriu.
– Se eles forem do tipo encrenqueiro que goste de tratar de suas coisas do jeito crítico ou simplesmente orando, de fato seria de ajuda. — respondeu, colocando a xícara vazia na bandeja que Nemi segurava.
– Sim, creio eu. — virou-se e caminhou até o andar de cima, onde Sasha se encontrava.
Ficou na porta, a observando cuidadosamente. Não sabia cozinhar tão bem quanto a Brigadeiry, mas tinha certeza que tinha uma ótima visão para detalhes ou erros que poderiam ser cometidos pela mesma.
– Alguma coisa, Nemi? — Sasha perguntou delicadamente, notando a presença da mesma.
– Nada. Só queria ver como estava indo, pelo menos hoje não tenho muitas coisas a fazer.
– Por que não dorme? Seu rosto parece estar derretendo de tanto suas olheiras estarem evidentes.
– Haha, isso me pareceu uma piada de muito mau gosto.
– Quando uma pessoa vem somente analisar seu trabalho a procura de erros, acho que piadas de mau gosto são cabíveis.
– De acordo. — concordou, virando-se.
– Não consigo tirar minha própria história da cabeça. Como pretendo cuidar de um enorme castelo assim? — perguntou a si mesma, em seus pensamentos.
Ficou parada no meio do corredor, examinando a limpeza do chão e da escada.
– Bertholdt, cara, amigo! Eu já falei que eu não peguei o seu videogame e muito menos flertei com a sua irmã! — Sandy gritou, fugindo desesperadamente do Gurian que o perseguia por todo o castelo.
Sandy logo trombou com a morena que estava parada distraída observando a escada. Empurrando-a escada abaixo, caíram juntos até o chão, onde o Brigadeiry caiu em cima de Nemi.
Levantou-se, desesperado. Parado, observou todos os lados à procura do Gurian furioso atrás do mesmo. Absolutamente nada foi encontrado.
A morena, furiosa, invocou um chicote e golpeou a nuca de Sandy, fazendo-o se assustar e começar a correr, notando quem estava o perseguindo agora. Correu desesperado por todo o castelo, esquivando de algumas chicotadas e levando outras.
– Porra! Me livro de um tubarão branco e arrumo um megalodonte! — gritou, subindo as escadas com toda a velocidade que podia.
– Volte aqui, seu idiota!
– Crianças, parem de brigar! — Stephanie gritou, afim de fazê-los parar de correr pelo castelo. — E Nemi, poderia vir me ajudar?
– Criança é o seu... Argh, esquece! — falou, agarrando o Brigadeiry pela gola da camisa e o arrastando escada acima até a sala do trono.
– Alguma coisa, minha senhora? — falou delicadamente, soltando o moreno no chão e fazendo sua clássica reverência para Stephanie.
– Um pequeno trabalho para todos vocês. Nada demais, se me perguntarem. — sorriu. — Tem alguns demônios atacando e devorando pessoas nas vilas, eu tenho medo de que cheguem até aqui e consequentemente mate algum dos humanos deste lugar, por mais que o conhecimento de eu ser uma deusa ser inexistente e suas orações não serem direcionadas à mim.
– Considere o trabalho feito. — Sandy e Nemi responderam em uníssono.
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