Mordomos
5 Capítulo 5 - Orações
Notas iniciais
– Não estou falando que tenho medo de patos, só estou dizendo que patos são maléficos. — Sandy falou, fechando os olhos pela metade. — Entendam, patos não fazem eco, sabe quantos assassinatos dá para cometer quando sua voz não faz eco?
– Você é maluco, idiota. — Nemi falou, dando um tapa na nuca do Brigadeiry. — Fora que patos não são maléficos, quem são maléficos são aquelas mulheres idosas que usam vestido mostrando as pernas. Aquilo sinceramente me dá medo. — respondeu.
Estavam andando tranquilamente pelo caminho até os limites de Vadika, onde segundo as instruções de Stephanie.
– Tipo, coisas irritantes e maléficas aparecem em todo lugar, mas patos são patos, cara! Eles vão pegar uma arma e atirar na sua cabeça. Patos são maléficos. — Sandy repetiu novamente.
– Patos não são maléficos. Maléficos são aqueles gatinhos filhotes com garras pontudas e caras fofas. Eles te enganam e quando você chega perto... Nhac, seu rosto é cortado ao meio! — Bertholdt falou, imitando o movimento do ataque das garras de um felino.
– Eu tenho um gato chamado Gin, e ele não corta meu rosto ao meio. Tipo, ele arranha feio, mas dói pouco em mim, é um fato. — Nemi respondeu, colocando a mão na testa.
– Eu só estou dizendo que os realmente maléficos são as canecas. Eu posso GARANTIR que quando não estamos olhando elas nos observam com olhos maléficos. E na noite mais escura elas abrem os olhos por completo e te esfaqueiam até a morte! — Sasha respondeu, fingindo estar tomando café.
– Eu não coloquei meu cachecol branco para isso... — Nemi respondeu novamente, ainda com a mão na testa, a apertou ainda mais.
– Vamos chegar que horas? — Edward estava para trás. Correndo rapidamente, chegou ao grupo ofegante, perguntando que horas iriam chegar.
– Hum... Fico entre duas horas ou alguns segundos.
– Hã?
–Se utilizarmos super velocidade, mesmo sendo algo mais prático, demoraríamos demais e sra. Stephanie ficaria aborrecida com nossa desobediência. Já caminhando normalmente, mesmo demorando mais, estaríamos seguindo suas ordens. Correto? — Nemi respondeu.
– Você é estranha. Pare de agir um pouco como uma governanta e aja como uma pessoa normal. — Edward falou, reclamando das ações da amiga.
– De fato... Mas é algo normal, não concordam? Não vejo problema algum em usar roupas mais para o lado masculino em vez de usar as roupas padrões ou ter que dividir o título de governanta, que é algo individual. Então, acho que eu já tenho minha dose diária de diferença da maneira normal de se agir todos os dias, logo, deixar de agir como eu ajo perante minha senhora se torna desnecessário.
– Está bem... Eu já entendi, não precisa ficar me surrando com estes seus argumentos ditos incríveis por qualquer um. — Edward respondeu sarcasticamente.
Caminharam a uma hora que faltava, seguindo por todo o caminho para as fronteiras de Vadika. E parados, encararam que realmente era impressionante a incrível mudança que ocorria, desde o solo até os habitantes.
Do lado de Vadika, a grama verde, flores, árvores e um caminho de pedras brancas marcando o caminho, do lado de Gronu, a terra vermelha, as pequenas plantas queimadas e as cidades iluminando o local com fogo ao longe.
Até aquele momento estava tudo bem, sempre estaria tudo bem. Caminharam lentamente adentrando Gronu, vendo toda a destruição que o cercava, sentindo pontadas no coração ao ver os corpos mutilados, com marcas de tortura e alguns sendo devorados por outros humanos. Não eram encarados e nem atacados, como se fossem invisíveis diante de tudo.
Até aquele momento estava tudo bem, sempre estaria tudo bem. Caminharam lentamente adentrando Gronu, vendo toda a destruição que o cercava, sentindo pontadas no coração ao ver os corpos mutilados, com marcas de tortura e alguns sendo devorados por outros humanos. Não eram encarados e nem atacados, como se fossem invisíveis diante de tudo.
Movimentando os dedos diversas vezes, Nemi sentia-se perto do desconfortável com aquele ambiente. Não por ser diferente, mas de fato, por ser familiar, como um déjà vu acontecendo naquele exato momento. Seus olhos, fixos em tudo que acontecia, piscavam com certa frequência e muitas vezes se abriam mais que o normal.
Os movimentos rápidos e aparentemente estressados, diferentes dos que tinha antes de adentrar naquele local, quando ainda conseguia demonstrar com facilidade seu lado mais versátil, em vez de demonstrar sua ferida real personalidade.
Dentre as pessoas magras alimentando-se das pessoas que amavam, pessoas com partes do corpo mutiladas, restos de objetos de tortura, marcas de torturas passadas e de guerras, mortes, sangue e todo tipo de coisa que lhe lembrasse daquela noite, a pior era de fato, totalmente inegável: entendia perfeitamente a linguagem diferente daquele povo, seus pesadelos e conseguia sentir emanar deles todo o medo, não o medo que fez a humanidade evoluir, mas sim aquele que faz as pessoas morrerem sem motivos.
– Está tudo bem. – Sandy tocou delicadamente o ombro da Pudinm, notando seu estresse ao estar lá. – Eu te entendo. – sorriu.
Estava suando frio. O primeiro demônio que vinha tentar atacar os mesmos vinha justamente contra ela. Um minotauro de três metros de altura com pelagem vermelha e tinha como arma uma cimitarra de aço aparentemente criada por mãos habilidosas.
Um minotauro era uma presa fácil, principalmente quando seu tamanho é muito grande. Poderia ser facilmente derrubado com as próprias mãos ou simplesmente cortando as pernas, devido ao seu porte ser muito maior do tórax para cima, lhe dando uma forma de “cone”.
Tremendo, invocou um punhal de prata com um cabo negro e linhas brancas e desviou-se da cimitarra, encostando-se a uma parede cinza praticamente em ruínas. Levantou-se e esfaqueou as pernas do minotauro, logo depois subindo e fincando o punhal no coração do minotauro, soltando rapidamente a arma. Afastou-se alguns metros do minotauro, ainda sentindo-se insegura e não muito bem em encarar qualquer demônio ou outra coisa que os atacasse, só virou-se quando ouviu um grito de dor de Edward.
Deitado com os olhos arregalados, como se estivesse morto, estava com a testa sangrando lentamente, o cotovelo direito esfaqueado e a mão esquerda com um corte vertical de espada atravessando-a. (Comentário/Narradora: Sim, sei que ficou horrível essa parte, mas vamos lá, né?), junto aos outros quatro, que estavam em situação extremamente parecida.
Não deu tempo de reagir, quando olhou para o demônio preto e branco com listras vermelhas em forma de uma água viva desenhada em um papel por sua finura de mais ou menos vinte e cinco centímetros viu tudo ficar escuro.
– Como eu odeio demônios que iludem... – murmurou.
Demônios ilusórios são um dos tipos mais fortes e incríveis que existem, diante de qualquer força física, seu poder será o mesmo. A partir do momento que se esquece da força mental, um demônio ilusório pode derrotar do mais forte ao mais fraco com a mesma facilidade.
– Seu nome é... Gui? Que nome pouco amedrontador, não concorda? – murmurou novamente, vendo a marca no terceiro tentáculo do demônio, escrito “Gui”.
O demônio avançou, cortando metade do braço mecânico de Nemi, logo voltando e empurrando ela pelo pescoço até uma parede.
– Isto é divertido. – dotado de uma voz dupla, assim como todos os demônios, sorriu, mostrando os dentes pontudos e negros que é o reflexo de uma realidade monstruosa que tais enfrentam.
Invocou uma katana, cortando um dos tentáculos do demônio, fazendo sair um tipo de líquido pegajoso e vermelho, que saíra em grande quantidade. Logo Gui a paralisou em pé, cortando com o sexto tentáculo completamente o braço mecânico, se afastando e observando a morena.
A morena observava tudo, desde todos os cinco caídos no chão sangrando até os próprios ferimentos. Sorriu, notando que a letra L em letras douradas ainda permanecia em seu braço direito, por mais que o mesmo nem sequer estivesse lá.
– Qual é? Você realmente acha que isso me machuca? – Nemi murmurou, sorrindo e limpando o sangue que escorria de sua boca. – Vamos, lute um pouquinho mais a sério. Vou me sentir mal de jogar todo meu ódio por vocês em você sem você lutar com tudo para se defender – riu, ativando os conhecidos olhos roxos com pupilas parecidas com de gato e a letra “L” no canto inferior esquerdo da íris.
O demônio sorriu novamente, lançando seus tentáculos contra ambos os braços que ainda restavam da morena. E Nemi os agarrou com a mão esquerda, puxando-os para si e invocando um punhal, cortou uma parte do rosto e da boca do demônio.
– Isto é divertido... Foi o que você disse para mim segundos atrás, não foi?
Movimentou-se novamente para perto do demônio pelas costas, largando o punhal no chão e com a mão reta, golpeou sua nuca, fazendo-o desmaiar. Invocou um revólver de prata novamente e murmurou para o demônio as palavras “Quando ele fazia algo de errado, eu batia nele. Como você se parece com ele de alguma maneira, farei o mesmo”, atirando logo em seguida na nuca do demônio.
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