Notas iniciais
Boa leitura^^

Moon

Sadie deu as ordens, e, claro, eu ignorei.

Usei meu faro para encontrar a presa, mas depois que vi seu tamanho... melhor deixar Sadie com o trabalho pesado.

Assim que ela percebesse que eu não ajudei na caçada, não me deixaria comer, não importa o que Will dissesse.

Eu precisava caçar minha própria presa.

Além do cheiro da presa primária, havia rastros de lebres.

O Sol já estava se pondo. Eu precisava me apressar. Com a neve congelante roçando no pelo, prossegui atrás do roedor.

Eu tinha uma estranha sensação de estar sendo observada, mas engoli em seco e continuei.

***

Avistei a lebre. Branca como o ambiente ao redor. Uma tentativa obviamente falha de camuflagem.

Estiquei as patas dianteiras e retesei as traseiras. Fazendo menos ruído que um piolho no couro cabeludo. Corpo posicionado contra o vento. A tocaia perfeita.

A criaturinha peluda tentou me farejar, mas o vento não estava a seu favor, então ela não me pressentiu. Saltei em sua direção.

Cravei a mandíbula entre suas orelhas e a lebre deu seu último suspiro. O gosto do sangue quente incitou minha fome. Larguei o cadáver na neve, que ficou manchada de vermelho.

Abri um buraco em suas costas com os dentes e engoli alguns bocados.

Ouvi um som. Rapidamente entrei no estado de alerta e saltei para olhar.
Não havia nada.

Pude jurar que enxerguei um pequeno vulto. Me virei e minha presa havia sumido.

Lati imprudentemente para o nada e bufei.

Senti um cheiro canino — o rastro do ladrão. Hora da vingança!

Segui o rastro por vários metros. Fazia zigue-zagues e rodava em círculos -o ladrão tentara me despistar- mas meu nariz não estava no focinho como enfeite, então segui a trilha sem muitas dificuldades.

Cheguei em uma grande área sem árvores altas, em que só havia neve e arbustos.

Ouvi um farfalhar em uma das plantas e enfiei meu focinho. Sangue. De lebre.

O infeliz já havia terminado a refeição.

Me sentei pesadamente, o que vez a neve voar alguns centímetros acima da grama.

— Tudo bem, — bufei — Você venceu.

—Eu sei. -disse a raposa trinta centímetros acima de minha cabeça.