Notas iniciais
Se preparem. 70% do capítulo é treta.

Moon

—Então você conseguiu me rastrear... -disse a raposa um pouco intrigada

—Quem é você?

O Sol já tinha praticamente sumido e a pouca luz vinha de lugar nenhum.

—Meu nome é Moon. Por causa do meu pelo.

—Pensei que aquela fosse uma técnica perfeita para despistar lobos. -ela continuou pensativa

—Não se você tem rastreadores perfeitos. Will teria sido enganado, mas Sadie já teria te engolido em uma mordida só.

Ela ficou confusa.

—Quem são Will e Sadie?

—Will é meu irmão, Sadie... -respondi -Ah! Esqueça o que eu disse! Qual é o seu nome?

Ela pareceu pensar no quanto deveria dizer.

—Meu nome é S... -ela hesitou

A raposa, vermelha com a barriga mais clara, deixou de mexer um único músculo. Ela farejou o ar com cautela. As orelhas se moveram rapidamente com um vislumbre de espanto e ela desapareceu nos arbustos.

Pensei rapidamente no ocorrido. Em como ela havia sido esperta em fugir de mim. Alguma coisa a havia assustado. Suguei o ar pelo focinho desesperadamente tentando farejar o perigo.

Tarde demais.

Rápido como um raio. Assim eu diria se me perguntassem como foi ser jogada a vários metros de distância por um lobo cor de madeira muito maior do que eu.

Ele me atingiu no lombo, fazendo minhas costas queimarem de dor ao atingir o solo. Depois de alguns segundos a neve aliviaria as feridas, mas eu não tinha alguns segundos. Minhas patas ágeis rapidamente me levantaram e eu ericei o pelo para parecer maior. Ambos rosnamos em desafio.

Mas eu precisava fugir. Ele logo perceberia que era um blefe.

Ele avançou, caindo em cima de mim e juntos rolamos de volta às árvores. Atingi um de seus olhos com a unha e rasguei a orelha esquerda com os dentes, espirrando sangue em meu rosto. Ele mordeu meu ombro e o sacudiu como se fosse um crocodilo e resisti à vontade de gritar de dor.

Mordi seu rosto, cegando o outro olho e ele ganiu recuando. A boca espumante de fúria. A orelha escorrendo sangue por sua face o deixava assustador na pouca luz presente.

Eu não sabia nada sobre batalhas e tentei imaginar o que Sadie faria, mas lembrei que ela era duas vezes maior que meu agressor e se ele tivesse ousado atacá-la, já teria sido morto com dentadas violentas na cabeça e na barriga.

Isso! A barriga! Precisava chegar à sua barriga.

Em um movimento arriscado, me abaixei e rastejei por baixo dele como uma cobra, atingindo-o com a cabeça e o derrubando com a barriga exposta.

Meus dentes pequenos logo fizeram rasgos na pele, que jorraram sangue na neve e em nossos corpos.

Mas esse lobo não era burro. Mesmo cego, ele me deu uma cabeçada que me derrubou, lhe dando tempo para se levantar e me prender contra a neve com as patas enormes.

Ele abriu a boca, exibindo dentes que arrancariam um elogio de Sadie. Prontos para me destroçar.

O lobo já estava acabado. Provavelmente morreria devido à perda de sangue logo depois de acabar comigo. Faltava só um tiquinho para mim vencer! Me debati desesperadamente, esforços que foram ofuscados pela força psicótica que movia o lobo. Sua saliva caía em meu rosto e fechei os olhos, pronta para encarar a morte. Então, de repente, a pressão de seu peso sobre mim desapareceu e ouvi seu rosnado surpreso. Abri os olhos, tentando descobrir o que havia acontecido.

Com os olhos cegos brilhando e a cabeça ensanguentada, ele emitia latidos roucos para meu defensor. Diante de mim, estava a raposa, rosnando como um demônio.

O lobo avançou como um touro, e ela se desviou do ataque. Sua vez de atacar. Ela avançou inesperadamente para a área à direita do lobo, e ele, que não enxergava, girou a cabeça desesperadamente procurando-a com os ouvidos. Ela pulou sobre sua cintura, fazendo-o cair de lado. Com as garras, ela rasgou seu ventre e saiu de cima dele. O corpo do lobo entrou em convulsões violentas e depois de alguns segundos ele congelou, a vida se esvaindo.

A raposa olhou em minha direção por um milissegundo e partiu por entre as árvores.

Fechei os olhos e me entreguei à inconsciência.

Notas finais
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