Moon Society: The lighthouse.
10 Capítulo oito: Escolha suas batalhas.
Notas iniciais
Acho que ser retardada é melhor do que as outras opções que Morgh tem para mim, me demorei divagando sobre as teorias de Morgana e como ela pretendia me ajudar… até que senti ela me chacoalhar.
― Ei ainda está aqui? Você viajou para outro planeta… O que acontece para você ficar assim?
― Eu não… Desculpa eu nem percebi… Só… Eu apago… Não tem uma razão específica.
― Você não pode desligar assim do nada é...Perigoso para você, tenho medo quando você se perde assim, foi o que aconteceu quando… Você está nesse mundo, precisa ficar nele, mesmo quando está pensando.
― É difícil de controlar ― Falei baixo ― É como quando… Você está embaixo da água e todos os sons ficam distantes, mas parece haver uma paz lá e você gostaria de poder ficar, sabe? Descer ainda mais para abafar os sons do mundo inteiro.
Morgh suspirou.
― Você está se ouvindo querida? Você está falando sobre mergulhar tão fundo que o mundo ficará para trás, sobre afundar… Você precisa de ajuda, precisa se ajudar, nós vamos trabalhar nisso, vou ajeitar algumas coisas e você apenas vai comigo em um lugar, certo? Se depois disso você achar que não ajudou nada, não vou mais tentar falar sobre isso, certo?
Eu apenas assenti.
Morgana sempre sabia exatamente o que dizer, como resolver tudo, como cuidar de tudo e de todo mundo, as vezes eu me pergunto quem cuida dela? De sua saúde mental e como ela pode aguentar tudo sem estremecer, sem desistir.
Então ela teve que ir embora, era a vez de Nathaniel passar um tempo com ela, já estava acostumada a dividir Morgh com ele, eu não a via a tempos e me sentia desnorteada, agora imagino como Nath deve estar se sentindo sem ela por tanto tempo, ele são perfeitos um para o outro, é o tipo de relacionamento que faz você acreditar que ainda há esperanças para o amor no mundo.
― Nath ― Falei pulando no do último degrau da escada e ele me pegou me girando.
― Ei baixinha ― Nathaniel falou sorrindo, todo charmoso com aqueles olhos verdes, cabelo castanho e barba.
― Não sou baixinha, vocês é que são muito altos ― Reclamei.
― Nós já vamos, fique bem, sim? ― Morgh falou me abraçando e beijando minha testa.
― Quer que eu deixe você aqui depois? Vocês não ficaram juntas tanto tempo assim.
― Vou ficar bem, é a sua vez, aproveite seu namorado bonito Morgana das fadas.
― Vou fingir que não vi você secando meu namorado bonito ― Morgh brincou.
― Não pude evitar, está muito charmoso hoje Nathaniel.
― Nós vamos jantar ― Ele falou sorrindo.
― Bom jantar para vocês.
― Quer se juntar a nós? ― Nath perguntou.
― E estragar todo o romance? Não, vocês merecem um tempo sozinhos, vão logo.
Eu voltei a assistir televisão na sala, mas nada mais parecia divertido sem a Morgh dando a sua risada cheia e alta igual a do bob esponja, então minha mãe estava no escritório e provavelmente ficaria lá até tarde e Malloney não iria querer me fazer companhia, de qualquer forma.
Eu me sentei no chão da cozinha ao lado do telefone disquei o número do Paul esperando que não estivesse atrapalhando os planos dele com Carrie.
― Ei Lucas ― Falei baixinho.
― Ei Brie! Tudo bem?
― É, sim, você pode falar?
― Sim, eu posso falar, está tudo bem?
― Eu estou bem é só que…
De repente comecei a me sentir ansiosa e simplesmente não conseguia formular nada para dizer.
― Malloney deixou você em casa sozinha de novo? Você… Se machucou? Fique no telefone comigo, eu vou para aí okay?
― Não, Lucas, não é nada disso eu só… Estava com saudade ― Falei.
― Ah ― Paul suspirou aliviado.
― Me desculpa por ligar por algo estúpido é só que...
― Não precisa se desculpar.
― Você quer vir aqui?
― Você não está mais de castigo?
― Liberdade condicional.
― Certo, eu vou, quer que eu ligue
― Não, ele não, só você, pode ligar para o Kyle, traga a Carrie também, se você quiser.
― Carrie tem um compromisso na igreja com… Ai por que me bateu? Ohh
Eu revirei os olhos, até Carrie é amiga daquela garota burra.
― Não chame Joseph, sim?
― Vocês não estão se falando, então?
― Não quero falar disso.
― Não por telefone, mas vamos conversar sobre isso, quero saber que merda aquele imbecil fez.
― Como sabe
― É Joseph ― Lucas falou como se fosse óbvio.
Paul veio apenas com Kyle e nós nos juntamos na sala com os violões porque eu tinha algumas coisas que precisava dizer e isso sempre me acalmava.
― Fui ver Mason ― Falei baixo, dedilhando uma canção qualquer como se não tivesse importância.
Kyle errou uma nota e parou para me olhar, silêncio, três violões deixados de lado e olhos atentos.
― Você não está legal, né?
― Não tem nada haver com isso é só… Minha mãe me pediu para ir.
― Tentando enrolar a gente, sério Brown?
― Estão imaginando coisas ― Resmunguei.
― Vamos lá…
― Eu quero consertar as coisas… Sabe, tudo.
― Não pode consertar tudo sozinha, sabe disso, não é? ― Kyle falou ― Eu sei porque já tentei e deu tudo errado, duas vezes pior.
― Lucas, vamos para a cozinha fazer pipoca, escolhe outro filme Kyi.
Eu puxei Lucas pela mão e ele prontamente me seguiu.
― Pode começar a falar parceirinha, sei que me arrastou até a cozinha sem Kyle por perto por algum motivo.
― Kyle não entenderia, com você é diferente ― Falei.
Eu fiquei olhando Paul se mover pela cozinha e fazer tudo sozinho.
― O que? Por que está me olhando assim?
― Você acha que ele gosta dela?
― Quem?
― Joe.
― Dela quem?
― Eliza.
― Elizzy ― Lucas corrigiu.
― Essa mesmo.
― Ele é um cara legal, ela é uma garota legal, meio… Excêntrica, mas legal, ele a trata bem, eu acho que sim, por que está me perguntando isso?
Eu fiz uma careta.
― Isso não quer dizer que ele ama você menos, nem que você é menos importante, sabe disso é só… Existem jeitos diferentes de amar.
Eu mordi os lábios desviando meus olhos para o chão.
― Nós amamos você, não é só porque temos namoradas que nós vamos deixar você de lado, que não ligamos mais para você, só vamos ter que dividir nosso tempo entre tantas mulheres ― Ele falou rindo ― Não sei se dou conta de tanta mulher assim.
― Deixe Carriene ouvir isso ― Falei rindo.
― Nós amamos você, não importa o que aconteça, é disso que precisa se lembrar.
― Eu quero consertar as coisas com ele.
― Com Joseph? O que tem para consertar com ele?
― Não quero mais que seja estranho ou… Que nossa amizade pareça com outra coisa porque às vezes ele faz parecer que ele…
― Ele parece interessado e depois parece que não dá a mínima?
Eu apenas assenti.
Lucas bufou e socou o mármore.
― Joseph é um babaca de primeira, eu entendia quando ele fazia isso aos dez anos, mas agora… Ele não tem direito de fazer isso com você, não me admira que esteja confusa, eu vou falar com ele, não se preocupe butterfly.
― Não quero que brigue com ele, eu posso falar isso sozinha.
― Certeza?
― Sim, eu vou falar com ele sozinha.
― Foi por isso que você brigou com a namorada dele?
― Não posso falar disso.
― Por que não?
― Porque todos nós fizemos coisas idiotas e falamos coisas idiotas e… Isso vai decepcionar todo mundo ― Falei.
― Se é tão sério, precisa dizer.
― Vou resolver , confie em mim.
Lucas suspirou e deu de ombros.
Depois de mais algumas horas nosso jantar foi servido, Paul e Kyle ficaram para o jantar e nos despedimos na porta da frente com abraços e combinamos de nos juntarmos para algo fora de casa na semana seguinte.
Eu gostaria de poder ligar para Emily, mas ela estava trabalhando, ela tinha uma porção de eventos para cobrir, poderia ligar para Morgh, mas ela está com Nath, eu não posso estragar tudo para eles, não posso fazer ela deixá-lo para me ouvir chorar e minha irmã já não consegue me ajudar, ela bem que tenta.
Continuo sozinha apesar de todo mundo tentando ajudar, existem questões que eu sou obrigada a resolver sozinha, eu simplesmente acho que estou fazendo tudo errado e que eu não tenho o direito de pedir a meus amigos e família mais do que eles já me dão.
Meus pais já cuidam de nós, dos Hotéis, dos empregados e dos jovens intercâmbistas, não posso chateá-los com as minhas crises de ansiedade.
Eu estou sozinha por agora e vou ter que me virar como der.
Como se meus pensamentos fossem lidos por alguma coisa meu celular começou a tocar sobre a mesa de cabeceira.
― Olá
― Eu… Olá Brie… É Arian
Eu vasculhei minha mente em busca do rosto que combinasse com o nome, mas simplesmente não conseguia me lembrar.
― Como tem o meu número?
― É… Kyle me passou, ele disse que… Que iria avisar, ele não… Agora estou morrendo de vergonha.
― Ah, a garota do Gorey, eu…
― Tudo bem?
― Mais ou menos… E você?
― Estou bem, bom, sei que hoje é dia de semana e tal… Eu nem sei se você pode sair, acontece que minha banda, bom, minha e do Hunter, bom… Nós vamos tocar em um pub perto do porto e eu queria saber se você gostaria de ir.
― Oh… Eu… Eu não sei se...
― Se o seu namorado o loirinho achar que tudo bem.
Eu estava confusa com todas as coisas que ela havia dito e não sabia o que respondia primeiro.
― Eu…
Ela me chamou para sair? Tipo um encontro? E… bom… No Gorey nós quase…
― Joseph não é o meu namorado.
― Oh! Não?
― Não ― Falei confusa ― Hunter ele é o garoto da bicicleta?
― BMX, isso mesmo ― Falou.
― Ele é o seu namorado?
― Não mesmo, ele não faz o meu tipo ― Falou rindo.
Acho que não entendi a piada.
― Então… Você quer
― Eu não acho que é uma boa ideia, naquela noite do Gorey eu fiz uma coisa ruim e meus pais me puseram de castigo, eu acabei de ser liberada não posso vacilar.
― Oh...
― Quem sabe na próxima, sim?
― É… Que tal fazermos alguma coisa amanhã a tarde?
Poxa… Essa garota é bem persistente.
― Eu tenho umas coisas… Para resolver, mas se eu conseguir resolvê-las pela manhã eu te ligo na parte da tarde ― Prometi.
― Tudo bem, nós vamos nos falando por sms.
― Claro, tchau Ana.
― É Arian
― Arian, me desculpa, eu não vou mais me esquecer.
― Tudo bem, tchau Brie.
Depois de me despedir dela eu fiquei em silêncio tentando raciocinar e fazer todas aquelas informações fazerem sentido na minha cabeça.
Arian é uma garota… Como é a palavra que Lucas usou? Excêntrica, mas talvez seja porque não estou acostumada com adolescentes mais velhos sendo legais comigo.
Eu só tive péssimas experiências com Malloney e os amigos terríveis dela.
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