Montre - A Sinfonia do Tempo
7 Corda
Um cheiro doce saia da cozinha de Lady Catherine. Antoine havia acabado de oferecer uma deliciosa torta de maçã aos convidados, o que de alguma forma, pareceu surtir um efeito calmante nos ânimos do grupo. Catherine aproveitou para expor o que pensava sobre a questão dos ponteiros: achava que eles poderiam estar marcando um tipo de contagem “regressiva”.
– Em resumo, você está dizendo que o Duque só não ressurgiu ainda porque precisa de tempo? – perguntou Alistair.
– Mais ou menos – disse Catherine – Mas Victor e o resto da Guarda não vão descansar até tirar o relógio de vocês.
Como todos estivessem pensativos, Catherine suspirou e acrescentou:
– Bem, não achei que fosse chegar a esse ponto. Tem algo que talvez vocês precisem saber para entender... Posso contar-lhes uma história?
Todos concordaram, com exceção de Hector, que agora estava dormindo estirado em um dos sofás.
...
Nevava muito e o vento da noite era cortante e frio. A Ordem havia se instalado em uma casa ao norte da Cidade Central, e fora neste mesmo local onde decidiram que realizariam um ataque definitivo as forças do Duque. Tinham um plano e estavam confiantes, nada mais era preciso. Todos já estavam em seus devidos lugares esperando as ordens de Oliver, o segundo, que tinha sido responsável por elaborar o plano. Entretanto, Howell estava descontente:
– Sabe que não vamos conseguir nada sem aquele mágico, não sabe? – protestou, dirigindo-se a Lorin, vigésimo quinto Século e líder da Ordem.
– Não posso fazer nada sobre isso – respondeu ela, suspirando – não vamos obrigar ninguém a participar. Se Astaroth não quiser vir, conseguiremos sem ele.
– De Winter e Lenore também não vieram – anunciou Catherine que acabava de chegar e ouvira o final da conversa – Não seria prudente pensar melhor sobre isso?
– Vocês dois sabem tão bem quanto eu o eu acontecerá se não o pararmos agora – disse Lorin séria, enquanto olhava a neve cair – Está louco e movendo exércitos a sua vontade. Mas temos o que precisamos e vamos despedaçar esse relógio hoje.
– E onde está Oliver? – perguntou Catherine então, procurando o rosto conhecido pelo cenário cinzento – Já devia estar aqui, em breve entraremos na mansão.
– O chamam pela fortuna, não acredito que irá aparecer... – disse Howell com desgosto. Estivera contendo-se por bastante tempo, mas acabara por resolver descarregar sua insatisfação toda de uma vez:
– Realmente, toda essa história de ataque é ridícula! – começou — Não conseguiremos matar o maldito Chamberlain enquanto houver aquele feitiço o prendendo ao relógio, e a única pessoa que poderia ser capaz de desfazer algo assim é Astaroth, de quem não temos noticias há anos! Acham mesmo que vão todos entrar nessa mansão, indiscutivelmente bem protegida, quebrar o relógio e simplesmente matar o homem mais poderoso do mundo? – Howell fez um som de desaprovação – Vão morrer sem motivo! Se o deixassem em paz, sua própria loucura o consumiria.
– Chamberlain não descansará até ter acabado com todos nós, o que significa que morreremos, então, de um jeito ou de outro – Lorin sorriu, o que deixou Howell ainda mais irritado – Mas nenhum feitiço é absoluto, Howell e tenho certeza que seremos capazes de encontrar uma falha ao tocarmos naquele relógio.
Os olhos azul-esverdeados de Howell faiscaram — aquilo nem sequer poderia ser chamado de plano! Entretanto, Lorin inspirava nas pessoas uma confiança fora do normal, e por um segundo Howell pensou que aquilo realmente pudesse dar certo. Ademais, Oliver, que era provavelmente a pessoa mais astuta que já conhecera, também tivera parte na formação desse plano de ataque. Pensar nisso o fez hesitar por um momento, mas não demorou a se lembrar de que nem mesmo Oliver tinha dado as caras naquele dia:
– Pois bem – disse enfim, dando de ombros – Vão e tentem, mas não esperem que eu faça parte disso! – não pretendia mais discutir, simplesmente virou-se para seguir seu caminho.
Catherine também não gostava da ideia desse ataque, e embora suas visões do futuro fossem aleatórias e que ela nada tivesse visto sobre isso, era fácil sentir que as coisas não iriam tão bem quanto o vigésimo quinto pensava. Mesmo assim, se não agissem agora estariam condenados a esperar que a sorte acabasse com seus problemas, já que nada era garantido enquanto o Duque vivesse. De qualquer forma, não se opôs a saída de Howell, porque, no fim das contas, nem ela mesma sabia o que fazer.
– Ora, não se aflija demais! – foi a frase que fez o primeiro Século virar-se para olhar para trás. Lorin acenou e sorriu, como se não houvesse nada no mundo com que se preocupar – Nos veremos amanhã!
Howell suspirou e desapareceu na rua esbranquiçada.
...
Depois disso, tudo aconteceu mais ou menos como se reza a história. Os Séculos que participaram do ataque foram praticamente dizimados pelo Duque, e Lorin morreu com eles. O relógio não foi despedaçado como prometido, mas a separação dos ponteiros não só afetou diretamente Chamberlain, que desapareceu para nunca mais ser visto, mas também enfraqueceu sua Guarda, fazendo-a recuar e sumir do mapa por um bom tempo.
Mais tarde, a organização se desfez — acreditávamos que não havia mais motivos para sua existência, já que as coisas haviam se assentado. Não tivemos mais nenhum sinal do Duque ou do relógio por muitos anos, e por isso julgamos que Lorin havia realmente conseguido um resultado duradouro. Cada membro seguiu, então, seu próprio caminho. Eu decidi levar uma vida normal e comecei a ter aulas de piano, mas não sei muito sobre o destino dos outros.
Os Séculos não envelhecem, você sabe, e até aquele dia eu tinha mesmo confiado que éramos imortais. Pode soar estranho, mas me senti um pouco aliviada ao descobrir o contrário. Nada nem ninguém dura para sempre, e acredito que essa certeza é que nos faz mais fortes.
Um novo problema, entretanto, surgiu recentemente – a guarda do Duque subitamente voltou à ativa. Como a sua sede está na Cidade Central, rumores se espalharam, e acabei por descobrir que talvez a Ordem tenha interpretado errado o que aconteceu com Chamberlain naquela noite, anos atrás – aparentemente, em vez de lesionar o Duque de uma maneira direta, a separação dos ponteiros teria feito o feitiço de ligação entre ele e o relógio quebrar-se por completo. Uma fraqueza simples num encantamento complexo.
Chamberlain podia ter perdido sua imortalidade, mas ainda era um mago imbatível. É possível que, ao perceber que pereceria para a Ordem, o Duque tivesse arranjado uma maneira de transferir sua própria essência, sua “alma”, se assim quiserem chamar, para dentro do relógio — que ainda possuía enorme resistência. Dessa forma, o relógio o protegeu como um casulo, mas ao mesmo tempo, um efeito colateral do feitiço o manteve preso ao objeto. Imagina-se que Chamberlain aguarde o relógio ser reconstruído para se ver livre novamente. Os ponteiros provavelmente estão fazendo uma contagem para a dissolução do feitiço, agora que o objeto foi remontado, e a Guarda está ansiosa para por sua teoria a teste.
...
– Ouvir isso me deixa com algumas perguntas em mente... – disse Crawford pensativo, assim que Catherine terminou de falar – Está dizendo então, que ainda é impossível destruir esse relógio, para começar?
Catherine assentiu com a cabeça:
– É um encantamento muito forte. Acredito que só alguém como Lorin seria capaz de quebra-lo, e se ela não conseguiu, concluo que é algo impossível. Na verdade, acredito que nem mesmo o mago que conjurou o feitiço poderia desfazê-lo, agora que a magia se tornou tão antiga.
– E então é verdade que Lady Catherine fez parte da Ordem? – disse Lilet também. Havia recebido uma porção de informações novas de uma vez – Não acredito que não me contou...
– Sinto muito, Lilet, mas até agora não faria diferença você saber disso ou não – respondeu Catherine com um sorriso condolente. Pelo menos isso explicava os boatos sobre a mulher prever o futuro, pensou Alistair enquanto mexia em um cinzeiro que encontrara na mesa de centro.
Mas ainda havia algo mais perturbador, Lorde Crawford olhou para Hector que continuava a dormir, estirado em um dos sofás, e disse:
– Você falou sobre Astaroth, não foi? Poderia estar se referindo a essa pessoa? – e apontou para Hector, franzindo as sobrancelhas.
– Certamente – respondeu Catherine sem sombra de preocupação – Ele foi o mágico responsável por lançar o feitiço de imortalidade no Duque, mas soube que durante o processo acabou absorvendo um fragmento da alma de Chamberlain. É provavelmente o único Século que já foi humano um dia...
“Então, no final das contas, esse garoto ladrão é o responsável por toda essa bagunça?”, pensou Alistair que não nutria nenhum tipo de simpatia sobre o rapaz. O surpreendia que ele continuasse a dormir como se não tivesse absolutamente nada a ver com a história.
– E porque diabos, Hector não ajudou a desfazer o feitiço? – perguntou Crawford a Catherine, continuando seu pequeno interrogatório.
– Não sei ao certo, mas ouvi dizer que ele nunca soube sobre os Séculos ou até mesmo se seu feitiço tinha dado realmente certo ou não, já que saiu a viajar imediatamente com o dinheiro da recompensa, logo depois de dar o relógio ao Duque. E ficou muito tempo sem ser visto. Quando retornou, o relógio já havia desaparecido, assim como Chamberlain.
– Mesmo assim, não é possível que não tenha ouvido falar sobre o assunto mais tarde! – disse Crawford que, naquele momento, achava novamente que acertar o mágico com um tiro não seria má ideia. Isso provavelmente mostrava-se em seu rosto, pois Lilet logo tentou mudar o rumo da conversa:
– Lady Catherine, quais foram os séculos que não compareceram? – perguntou. Também tinha outra suposição que queria confirmar.
– Bem, acredito que além de Howell, De Winter, Lenore e Astaroth, faltaram mais dois – disse ela, calculando alguma coisa mentalmente – O Décimo Terceiro e o Décimo Nono. Na verdade, esses nunca foram vistos por nenhum membro da Ordem, e até duvida-se de sua existência.
– Quer dizer que já devem ter morrido? – perguntou Lilet.
– Bem, vocês entendem que cada Século herdou uma habilidade especial derivada de uma das características do próprio Duque? Eu por exemplo, herdei as “esperanças”, o que na prática significa que posso prever alguns acontecimentos. – explicou Catherine – Não se sabe se esses boatos são verdadeiros, mas em teoria, o décimo nono Século teria herdado do Duque a ‘vontade’, e visto que o maior desejo de Chamberlain sempre tivesse sido a imortalidade, é possível que esse Século seja genuinamente imortal, compreendem? Mas é evidente que isso não passa de lenda, pois ninguém nunca o viu pessoalmente...
– Acha que Alistair possa ser um dos dois que não compareceram? – perguntou Lilet então. Se Alistair havia vivido mais de duzentos anos era bem possível que essa fosse a explicação.
– Porque não pergunta para ele? – foi a resposta de Catherine, com um sorriso.
Alistair tinha ouvido o começo da história, mas visto que sua atenção mudava de direção com muita facilidade, ele agora estava de pé revirando alguns livros da bela estante de mogno da sala de Catherine. Felizmente, ela pareceu não notar a desordem que ele estava causando. Lilet, entretanto, vendo que Alistair não estava dando atenção à conversa, disse o que lhe veio á cabeça:
– Porque, por experiência, acredito que ele não saiba...
Teriam conversado por mais tempo se a entrevista não tivesse sido interrompida por Antoine, que abriu a porta bruscamente e anunciou:
– Os subordinados de Victor de Constance estão aqui! Há um grupo vindo direto para cá, minha senhora!
– Isso é bem inconveniente... – resmungou Catherine, que havia pedido para que o mordomo avisasse caso Victor se aproximasse – Devo pedir que se retirem agora, antes que sejam vistos. Poderão voltar mais tarde se quiserem.
– Mas e o relógio? – interveio Lilet.
A resposta não veio de Catherine:
– Não se esqueçam de me agradecer, pois tenho certeza que me arrependerei de ter feito isso mais tarde – e dizendo isso, Hector, que ninguém sabia dizer em que momento havia acordado, transmutou o relógio em uma caixa de música e deu-a a Lilet.
– Isso é bem incrível! — disse Alistair impressionado com a mágica. Como já estivesse de pé foi o primeiro a chegar e esperar na porta da casa, pronto para sair. Logo foi seguido por Lilet e Crawford, que ainda diziam algumas palavras de desculpas e despedidas à anfitriã. Hector foi o último a deixar a sala.
– Tinha algo para falar comigo em particular? – perguntou Catherine, erguendo uma das sobrancelhas, ao ver que seu convidado demorava-se a sair.
Hector suspirou:
– Na verdade, não. – e depois bateu a porta atrás de si.
...
A poluição da Cidade Central fazia com que os fins de tarde do lugar fossem sempre muito alaranjados — o céu, as ruas, as casas: tudo refletia um estranho brilho cor-de-laranja, resultado da interação do sol com as nuvens carregadas de poeira e fumaça. Era quase possível ouvir o suspiro da capital que finalmente deligava-se, cansada de mais um dia de trabalho. Operários enxugavam as testas quando saíam das fábricas, e carruagens, bondes e alguns raros automóveis, passavam apressadamente pelas ruas.
– Não que eu esteja querendo reclamar – começou Alistair – mas já está ficando escuro e não temos lugar para ficar — haviam saído da casa de Catherine às pressas, fugindo dos subordinados de Victor, e agora vagavam sem rumo pelas ruas.
– Não se preocupem com isso – respondeu Crawford – Tenho uma oficina na Rua 16. Não é um lugar muito confortável, mas acho que não temos escolha no momento.
– Não acha que os homens de Victor vão procurar por lá? – perguntou Lilet – Eles já devem saber que estamos com o relógio, se puderam nos rastrear até a casa de Lady Catherine, e não duvido que saibam seu endereço também.
Todos olhavam desconfiadamente para os lados de vez em quando para garantir que não estavam sendo seguidos.
– Alguma sugestão? – perguntou Lorde Crawford para o grupo.
– Poderíamos pegar um bonde para Neor e passar a noite lá – respondeu Hector, mesmo sabendo que “o grupo” provavelmente não o incluía – A cidade é pequena e ninguém estranharia visitantes anormais, já que as companhias de circo sempre param por lá – e riu, o que fez o sangue de Crawford ferver. Quem diabos era anormal?
– Porque, raios, temos que andar com esse garoto? – reclamou, embora já soubesse o motivo.
– Porque transformar o relógio de volta sem mim não vai ser uma tarefa fácil – riu o rapaz novamente – Mas não se preocupem, não tenho interesse em roubá-los outra vez, o que vocês tinham mal dava para pagar um caixa de chocolates — ele havia devolvido o que tinha pegado, mas não perdia a oportunidade de deixar alguém furioso.
– Vamos logo pegar o bonde – disse Alistair para evitar a briga. Embora também não gostasse nem um pouco da companhia do mágico, achava que quanto menos discutissem, mais rápido poderiam se livrar dele. Os quatro continuaram então, seguindo os trilhos dos bondes nas ruas, na esperança de chegar à estação. No meio tempo, Alistair decidiu perguntar:
– E seu amigo inventor, Lorde Crawford?
– Ele mora um pouco fora da cidade – respondeu o outro – Falaremos com ele amanhã, se Victor não estiver nas ruas. Também temos um bocado para conversar com nosso amigo mágico aqui...
A cidade já estava iluminada por postes e pelas janelas dos restaurantes quando finalmente alcançaram a pequena estação leste. Chegaram bem a tempo de ouvir um funcionário anunciar que aquele era o último bonde com destino a Neor que sairia naquele dia. Os quatro apressaram o passo, mas essa ação teve de ser subitamente interrompida, já que Lilet (que estava na frente) parou repentinamente, fazendo os demais quase colidirem uns com os outros:
– Ah não! – exclamou ela. E depois disse num tom de voz mais baixo — Aquela é Rhea, o braço direito de Victor, estão vendo? E tem pelo menos três outros integrantes da guarda do Duque junto dela...
De onde estavam podiam distinguir os uniformes escuros da Guarda e uma mulher loira, com os cabelos presos em um coque, a dar ordens para os seus subordinados.
– Será que o mágico consegue mudar nossa aparência? – perguntou Alistair, sem se dirigir diretamente ao rapaz — Poderíamos passar se não fossemos reconhecidos...
– Honestamente, não – respondeu Hector sem se preocupar em abaixar a voz – Não consigo modificar coisas vivas.
O som das vozes fez Rhea virar a cabeça e encarar o grupo quase que diretamente. Felizmente, não pareceu identificá-los e voltou a dirigir-se ao resto da Guarda.
– Ótimo! Difícil de acreditar que tenha sido você o responsável pelo feitiço do Duque... – Crawford reclamou, o rapaz ainda por cima era inútil!
– Falem mais baixo, por favor – insistiu Lilet.
Lorde Alistair tentou analisar o grupo do Duque. Pareciam ter começado a se movimentar novamente, mas ainda não tinha certeza se suas vozes tinham chamado à atenção deles ou estavam apenas seguindo com a inspeção na estação. Achou melhor tentar levar todos para longe dali antes que fosse tarde:
– Acho que não temos escolha a não ser evitar essa região... – disse ele para Lilet, que estava ao seu lado. Todos já estavam concordando e prontos para dar as costas para a estação, quando ouviram um grito imperativo vir da direção contrária. Os que tiveram tempo de olhar para trás perceberam que o grupo de uniforme preto e vinho começara a correr para onde estavam, com exceção de Rhea, que provavelmente fora a responsável pela ordem e aguardava o cumprimento dela.
Crawford praguejou e disse:
– Sigam-me! — tomando frente aos colegas que também se puseram a correr – Vamos para a oficina!
– Parem onde estão! – puderam ouvir Rhea gritar, mas sua voz já parecia estar bem distante. O restante do grupo de Victor, em compensação, era extremamente rápido e já havia coberto metade da distância que os separava de seus alvos naquele momento. Alistair pensava que mesmo que chegassem à oficina não seriam capazes de despistar os subordinados de Rhea. Estava prestes a expressar esse pensamento quando algo passou zunindo pela sua direita. Uma explosão derrubou uma das casas.
– Estão atirando?! – exclamou Lilet, olhando para o estrago na construção que já ficava para trás – Estão todos bem? – perguntou depois.
– Parece que sim – respondeu Hector – A casa estava vazia... – Ainda era possível ver os escombros que caíam no meio da rua.
Crawford, que com uma velocidade fora do comum, já tinha tomado certa distância do resto dos colegas, aproveitou o momento para tirar a estranha arma que carregava de dentro da bolsa. Apoiou-a no ombro de modo contrário, e mal olhando para trás, disparou. Alistair pôde ver um rastro de energia azul se dirigir ao bando de perseguidores e depois explodir em um membro do grupo, que caiu sem sentidos no chão.
– Não precisa mata-los! – reclamou Hector, mas foi interrompido por Lorde Crawford que, percebendo o que se passava na cabeça do mágico, explicou-se o mais rápido que pode:
– Esse tipo de tiro só deixa as pessoas inconscientes, mas posso dar detalhes do funcionamento mais tarde... – disse – Entretanto, só posso atirar com isso uma vez, já que uma das engrenagens principais foi tirada por algum ladrãozinho de rua.
Hector se desculpou, mas mesmo com um integrante a menos, a guarda do Duque ficava cada vez mais próxima. Alistair e os outros viraram em uma rua larga e logo puderam ver uma estranha construção em meio às casas comuns. Pararam em frente dela.
– Não vai me dizer que ainda tem de procurar as chaves? – zombou Alistair, vendo que seus perseguidores já estavam virando a esquina também.
Crawford apontou a arma para a porta e disparou, fazendo-a explodir e derrubando alguns pedaços da parede no processo. Depois correu para dentro e os outros o seguiram.
– Pensei que não podia atirar duas vezes! – disse Alistair, mas Crawford ignorou o comentário e se dirigiu para o mágico:
– Hector, faça alguma coisa! – bradou ele – Preciso de dois minutos.
– Não vai ser fácil – foi a resposta, mas o mágico logo correu para a porta, e colocando as mãos no chão, conseguiu fazer com que uma nova parede de pedra surgisse no lugar de onde estivera a porta em pedaços. O grupo de Victor acabava de chegar.
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