Montanha Russa

1 Capítulo 1 - Eleanor


Notas iniciais
Primeiro capítulo para vocês!
Nos vemos nas notas finais.
Boa leitura.

Sozinha no refeitório. Onde aquele babaca se meteu?

Dou alguns goles na coca e me distraio com os infelizes do time de futebol maltratando um nerd, pode parecer coisa de filme americano, mas aqui acontecem esses tipos de coisa.

Esses idiotas.

Eu deveria ir lá e...

Espera.

Não posso fazer isso.

Ou melhor, não tenho como fazer isso.

Daí você se pergunta por que, certo? Eu te respondo: sou uma anã, ou quase isso. Perto daqueles brutamontes pareço uma formiga.

Ok, não vou exagerar... Mas sou muito pequena, fim.

— Desculpe a demora, Els. – olha só quem chegou, o babaca!

— Lindo isso, heim? Me deixa aqui sozinha.

— Foi mal anã, estava resolvendo algumas coisas. – ele falou se sentando ao meu lado.

— Tudo bem... – volto a reparar na gangue e no garoto nerd – Que idiotas esses seus amigos. – aponto na direção do tumulto.

— Já te falei que também não gosto dessas coisas.

— E por que não conversa sobre isso com eles?

— Já tentei, mas lembra que perdi minha posição de quarterback? Depois disso ninguém me ouve mais naquele grupo, até tento, mas...

— Ok Nico, ok. – voltamos a observar os idiotas.

Nossa, como sou mal educada, nem me apresentei.

Me chamo Eleanor Carter, tenho 16 anos e isso é o bastante, por enquanto.

O idiota que está comigo é o Nicholas, meu amigo desde sempre e considerado, ou era, o garoto mais gostoso do colégio. Por que era? Bom, há algum tempo entrou o Victor, o novo quarterback, não sei muito sobre ele, mas ele é um gato, só que um pouco otário pelo que estou vendo.

— Vamos Els, o sinal tocou.

[...]

Após as duas últimas aulas não encontrei o Nico, ele deve está no seu treino de futebol.

Bom, lá vou eu para meu treino de vôlei.

O campeonato é daqui a três semanas e tem um bom tempo que nós treinamos.

Somos 14 garotas no time, a treinadora está utilizando esses treinos para saber quais serão as que vão ficar no time titular. Um detalhe: a Sra. Lewis não me suporta e ama pegar em meu pé.

Chegando à quadra o treino já havia começado.

— Espero que isso não se repita Srta. Carter. – essa mulher tem olho nas costas, só pode.

Mas eu não esperava que a reação dela fosse diferente.

Essa implicância nunca vai mudar, pode ter certeza.

[...]

Saio correndo da quadra passo pelo vestiário pego minhas coisas e vou para o pátio procurar o Nico, quem sabe eu não tenho sorte e o encontro ele voltando do treino.

Opa, muita sorte, os garotos do time estão saindo e o Victor vem se aproximando, merda.

— Fala Carter, procurando alguém? – ele pergunta animado.

— Sim, onde está o Nicholas? – pergunto curta e grossa.

— A mula do Müller?

— Tem outro Nicholas no time, por acaso? – me estressei.

— Calma gatinha, ele não está aqui não. Teve um imprevisto e foi para casa.

— Aconteceu alguma coisa? – perguntei preocupada.

— Não, a mãe dele o liberou porque estava precisando que ele a levasse em algum lugar...

— Ah tudo bem, to indo. – me virei e saí disparada.

— Ei, ei. Pra que tanta pressa? – ele veio atrás de mim.

— Estou muito atrasada, tchau. – continuei andando.

— Tá indo pra onde? Quer uma carona?

— Não, obrigada. – ignorei a primeira pergunta.

— Só fala pra onde tá indo, lindinha. – ele continuou vindo atrás de mim.

Gatinha, lindinha... Esse garoto já está me estressando.

— Para a lanchonete, a quatro quadras daqui.

— Vamos, te levo.

Será que devo? Foda-se. Não vou recusar porque estou muito atrasada e não quero perder meu emprego.

— Já que você insiste.

[...]

Piadinhas, piadinhas e mais piadinhas no carro. Isso tudo foi só zuando comigo, ou esse idiota gostoso está mesmo me azarando? A primeira opção é a mais provável.

— Você e o Müller? – ele perguntou.

— Oi? – o que ele quis dizer com isso?

— Vocês dois... O que vocês tem? – ah sim, isso. O que mais poderia ser?

— Temos o Luke.

— Como assim? – perguntou surpreso.

— O Luke, ué. Nosso bebê.

Ele freou o carro bruscamente e olhou para mim com uma cara surpresa. Nossa, ele está pensando que o Luke é uma criança. Ok, trollei o Victor. Para vocês saberem, o Luke é um cachorrinho que adotei com o Nico, não temos um filho, tá?

— Algum problema? – perguntei me fazendo de desentendida.

— C-como a-assim? – ele gaguejou e comecei a rir, não conseguia parar. — Não sabia que vocês tinham algo tão sério. Por que você tá rindo?

Quase não consegui parar de rir.

— Calma. Ele. Não. É. Nosso. Filho. – falei entre risos. – É só um cachorrinho, poxa.

— Ah sim, pensei... – ele falou aliviado.

— Eu sei o que você pensou. – interrompi. — Nós não temos nada, somos melhores amigos. Adianta, estou atrasada, lembra?

Chegamos.

— Está entregue. Se cuide. – ele falou logo que chegamos na lanchonete.

— Farei isso. Ah, eu e o Nico não temos um filho, tá bem? Só para esclarecer. Tchau. – me virei e saí, ele estava rindo.

[...]

Fui logo me explicando assim que vi meu chefinho nada lindo, nada gostoso, nada gato parado na porta da cozinha. Você entende ironia, certo? Ele deve ter uns 18 anos, por ai. Nunca parei para perguntar.

— Me desculpe, me atrasei no treino hoje Max.

— Tudo bem, não sei o que faço com você. Vá logo se trocar.

— Sabia que você é o melhor chefe do mundo? – e o mais lindo também.

— Na verdade eu sei sim...

— Convencido! – digo indo para o banheiro.

— Não tanto quanto você, lindinha.

[...]

Merda, o zíper.

— Maggiiiiiiiiiiiie. – gritei. – Vem aqui correeeeeeeendo!!!

Não houve resposta.

— Tem alguéeeeeem ai???

— O que aconteceu Eleanor? – é a voz do Max do outro lado da porta, vish.

— A Maggie tá por ai?

— Ela está ocupada com as mesas, posso te ajudar?

Vai ele mesmo, não tem outro jeito.

— O-o zíper... É... Emperrou. – falei envergonhada.

— Quer minha ajuda?

Meu Deus, que constrangedor.

— Só não olha.

— Como não vou olhar se tenho que fechar o zíper? – perguntou irônico. – Agora abra a porta e adianta com isso, ou então vou ter que descontar o atraso de seu salário, queridinha.

Abro a porta me escondendo, ele empurra e entra no banheiro.

— Que vergonha, meu Deus. – murmuro.

— Deixa de besteira...

— Como é que vou deixar de besteira? Você é meu chefe!

— Sai logo daí.

Fico segurando a parte da frente do uniforme. A única sorte do dia: o zíper é só até a metade do vestido.

Enfim saio e fico de costas para ele.

— Acho que você deveria mudar o modelo dos uniformes. Essas micro roupas não dão certo.

— Para eu perder esse tipo de oportunidade? Claro que não. – ele fala tirando meus cabelos das costas.

Que vergonha.

— Adianta com isso Max. – desconsiderei o comentário.

— Calme, você já está atrasada mesmo...

Como é que é?

— Vai fechar ou não? – falei irritada.

— Tudo bem, já estou fechando. – ele pega o zíper e vai subindo, até quando para na metade. – Opa.

— O que foi agora?

— E esse sutiã?

Merda, merda, merda. Que sorte essa minha. Por que eu inventei de colocar esse sutiã preto de renda justo hoje?

— Sobe logo essa merda! – continuei ignorando os comentários.

— Tá bem, tá bem. Pronto. – terminou de fechar. – Sou homem, poxa.

— Eu só acho que percebi isso... Ou, você é gay? – falei irônica.

— Não brinque com isso garota... Você quer que...

— Não quero nada! – o interrompi. – Muito obrigada pelo zíper. Vou trabalhar. Estou atrasada, lembra?

Saí do banheiro, o deixando para trás.

[...]

No fim do trabalho, tenho que ficar para hora extra para compensar o que atrasei.

Quando termino tudo, ligo para o Nicholas.

— Nico?

— Fala Els.

— Vem me buscar?

— Sério Eleanor?

— Vem Nico, é sério. Me atrasei e tive que fazer hora extra. Estou com muito azar hoje, vai que acontece alguma coisa...

— O que aconteceu?

— Quando você chegar te explico.

— Tá bem, já já chego ai.

— Obrigado! Trás o Luke, tá? Beijo.

— Ok, Beijo.

Fiquei esperando na porta da lanchonete.

Alguém me abraça por trás.

— O que faz aqui sozinha, lindinha?


Notas finais
O que acharam? Quem será que chegou ai???
Deixem suas opiniões, façam duas autoras felizes !!!
O próximo capítulo já está quase pronto, só falta alguns ajustes. No fim de semana deve ter novidade para vocês!
Até mais!! Beijos.