Monsul Academy: Verdades
13 Juliana Hamilton: 13ºCapitulo
Notas iniciais
Por vezes a maldade não é hereditária é apenas uma escolha.
13º Capitulo
Juliana Hamilton
Sua mala estava pronta á horas. Desde que seu tio avisou que iriam partir que ela já tinha a mala pronta. Apenas esperava pelas horas certas para chegar em grande. Juliana adorava chegar em grande. Era sua marca.
–July, não é melhor irmos?– Kim perunta.
–É por essas razões que nunca serás uma Rainha.- Juliana diz com desgosto revirando os olhos.- Para chegar em grande, precisamos de atrasar-mo-nos em grande. Nada vai estragar esta semana.
–Nem mesmo, Christabell Holter?- Matilde pergunta sentada na cama e Juliana a olha com raiva fazendo-a engolir seco.
–Nem mesmo essa garota. Não sei qual foi a ideia de meu tio a convidar. Credo, aquele homem está a ficar maluco. Mas em breve eu mandarei. Em breve, ele pode ir descansar que eu assumirei tudo.- Sorriu para o seu reflexo no espelho.
Ninguém acreditaria que uma rapariga tão bonita pudesse ter tanta maldade. Juliana tinha tudo para ser uma rapariga gloriosa, mas ela insistia em ser má e rebaixar os outros. Tal como seu pai a educara. Ninguém era melhor que ela. Os outros eram apenas… outros.
–Agora pudemos ir. Trazei minhas malas.
Seu cabelo loiro sedoso chicoteou o ar e até as bactérias mais pequenas fugiram á sua passagem. Kim e Matilde se viam aflitas com as malas de Juliana mas o faziam sem reclamar. Para elas, era uma honra ser amiga de Juliana Hamilton. E Juliana aproveitava, claro.
Todos a olhavam á sua passagem. Seu sorriso era enorme, vitorioso, como se ela ganhasse só por viver. Juliana se via superior e isso lhe dava uma confiança que ninguém destruía. Todos, á exceção de uma garota.
–Cheguei!- Exclamou descendo as escadas.
Logo se atirou em Liam que se encontrava encostado ao carro com seus amigos de lado. Tim, Spencer e Kurt se afastaram olhando-a com desgosto sem ela ver e ajudaram Kim e Matilde com as malas. As achavam umas mimadas, mas nem todos tinham o coração de pedra de Juliana.
–Não tiveste saudades, amor?– Pregunta sensualmente olhando pelo canto do olho para Christa que bufa cruzando os braços sobre o peito.
Ela adorava saber que estava á frente da tão famosa Christabell Holter. Adorava ver seu olhar de dor ao ter de ficar longe de seu Liam. Seu noivo! Não era um capricho querer que ela sofra, era apenas um prazer que ela amava provocar.
–Vamos indo.- O Rei avisou entrando na limusine seguido por Juliana que olhou com superioridade para Christa.
Christabell a olhou de volta e lhe deu as costas andando para longe dela até ao jipe onde iria com Connor e os amigos de Liam. Os rapazes não estavam com muita vontade de ir no mesmo carro que a Herdeira de Árgon.
Juliana sentou-se em frente ao seu tio que lia algo entretido. Ele tinha vindo a estar muito ocupado, mas ela não ligava. Ela ligava a pouca coisa, na realidade. Os problemas do Reino não eram problema dela.
Kim e Matilde entraram sentando-se ao seu lado.
–Nem pensem! Sentem-se do outro lado. Aqui vou com o meu Liam.
As garotas sentaram-se na hora no outro banco e Liam entrou revirando os olhos. Agarrou-se ao braço musculoso do rapaz deitando a cabeça em seu ombro sorrindo.
Ela sabia que Liam gostava de Christa. Mas isso não lhe dizia nada. Sabia que ele estava preso a ela de qualquer maneira. Christa e Liam podiam gostar um do outro, mas quem ganharia aquilo seria Juliana. Ela apenas queria ver Christa sofrer e ter Liam para ela era apenas o começo.
As horas pareciam infinitas e Juliana reclamava disso. Não se lembrava de o caminho ser tão longo. As pessoas á sua volta já estavam fartas de a ouvir mas ela não ligava. Era a Herdeira, merecia o melhor!
–Chegamos!– O Rei suspiro aliviado e a porta se abriu.
A Mansão do Rei quase podia ser descrita como um castelo. Suas paredes eram de pedra por fora. Haviam heras que subiam pelas paredes até ás janelas lhe dando um ar rustico. Em frente á porta principal ficava uma pequena fonte com pequenos peixinhos dourados. Algumas árvores os acompanhavam pelo corredor de pedra até á Mansão. Pareciam uma paisagem dos contos de fada, mas Juliana queria mudar tudo aquilo quando ela mandasse. Ela não era rapariga de verde ou da natureza. Ela preferia o luxo.
A limusine estacionou em frente á porta onde Christabell, Connor, Spencer, Tim e Kurt já esperavam sentados nos degraus.
–Bem-vindo de volta, vossa alteza.- Um das empregadas cumprimentou sorrindo saindo de casa e o Rei retribuiu.
–Obrigado, Beatrice. Vamos, crianças. Vossos quartos vos esperam.
Juliana andou á frente deixando os restantes para trás. Em breve seria a sua Mansão. Nenhum deles tinha mais direito de andar ali do que ela.
As paredes de pedra de fora não combinavam em nada com a parte de dentro. Algumas pintadas de vermelho, ou cinza, ou azul ou até mesmo amarelo. O lado de dentro mostrava que gente ali habitava. Era decorado com as melhores mobílias de diferentes países. Pinturas antigas que valiam biliões. Artefactos de todo o tipo de coisas e anos. Mas nem a beleza das antiguidades ia sair emone da mudança que Juliana preparava.
Seu quarto ficava no melhor piso da Mansão. O segundo. Ela insistira para que seu quarto fosse no andar que dava acesso ao salão e onde o melhor quarto da Mansão ficava. Decorado com os objetos mais chamativos e caros da Europa, o quarto da Herdeira de Árgon era um dos mais caros no mundo.
As paredes pintadas de rosa contratavam com o branco e pretos dos móveis e o dourado das cortinas. Ninguém podia dizer que Juliana tinha mau gosto. Não havia um gosto tão requintado e caro como o de Juliana Hamilton.
Andou até a varanda e olhou para todo o terreno da Mansão até seus olhos pararem na capela celestial do trono onde aconteceria a tão esperada mudança de trono.
–July, pudemos entrar?– Matilde pergunta batendo na porta e Juliana sorri virando-se de costas para a varanda.
–Entrem, garotas. Vamos começar os preparativos para o maior evento de sempre!
As horas eram dolorosas para as duas garotas que mantinham um sorriso forçado no rosto. Juliana percebia que com o tempo, elas iam ficando sem entusiasmo mas não ligou. Elas apenas serviam para lhe servir. Se ela quisesse que as duas fossem dormir no poço elas iriam dormir no poço!
–Ok. Chega. Preciso de uma pausa.- Avisa largando os vestidos e virando-se para as garotas.- Estão á espera do quê? Arrumem tudo! Eu já volto.
Saiu do quarto fechando a porta com força atrás de si deixando suas amigas para trás arrumando o que ela tinha desarrumado. Para Juliana esse, era um comportamento de uma Princesa.
Assim que saiu do quarto seguiu pelos corredores enormes até á capela onde sabia que encontraria sua mãe. Atravessando o jardim verde e florido chegou á capela gigante com um ar dourado. Não havia maior símbolo de poder que aquela capela. Onde quer que olhassem, a vida religiosa preenchia as paredes, tal como grandes nomes da história desde os melhores Guardiões, á família Real e até mesmo pessoas normais como Abraham Lincoln ou Martin Luther King.
A capela não era como as outras. Era mil vezes maior em forma oval. Normalmente, não haviam cadeiras ou bancos a não ser o trono mas tudo fora mudado para o grande evento. Bancos brancos com flores rosas presas nos lados preenchiam todo o salão até á frente onde se erguia um pequeno palco com o trono principal no centro. O trono do rei, de um tom dourado e vermelho, era o que mais chamava a atenção na capela branca.
As janelas desciam do teto até ao chão com um espaço de 10 centímetros dos dois lados do trono. E atrás do trono, uma grande imagem da família Real que era mudada a todas as mudanças de trono. Pintada pelos melhores pintores do mundo.
–Mãe.
Anastácia continuou conversando com a decoradora até Juliana chegar perto delas. Anastácia era a irmã gémea de sua filha. Desde os cabelos loiros á personalidade. Casara-se com Lúcifer por simples ganância, mas ela sabia que ele também lucrava com aquele casamento. Mas infelizmente, tudo fora para o torto.
Lúcifer pensava que um casamento traria um avanço na herança do trono. Anastácia queria casar com um dos herdeiros ao trono pelo simples facto de ser um dos herdeiros. Ambos esperavam ganhar com a subida de Lúcifer ao trono, ainda mais, depois que Anastácia engravidou. Um bebé era o golpe final para receberem o trono, mas tudo foi por água abaixo quando Leonardo foi proclamado Rei.
O casamento deles não foi um fracasso. Mesmo sem o trono, tinham dinheiro. Não tanto como gostariam, mas sempre era melhor que uma ida normal. Eles mal se viam, então não haviam brigas ou desentendimentos. Era como se nem fossem casados. Educaram Juliana como eles sempre foram. Gananciosos. Pretensiosos. E acima de tudo, egoístas e malvados.
–July, como estás, meu amor?– Anastácia se vira para ela e sorri largamente.- Linda como sempre, meu amor.
–O mesmo digo de ti, mãe. Como vão os preparativos?
–Perfeitos. Acabei agora mesmo de terminar o que serviremos no banquete com Susan. Queres dar alguma opinião?
–Confio no teu bom gosto, minha mãe.
Anastácia sorriu satisfeita com sua resposta. Mesmo sem amor naquele casamento, ela adorava a pequena ela que criara. Era como voltar á sua infância.
–Ótimo. E na escolha do vestido?
–Tudo perfeito. Adorei casa um que me enviaste. E tenho certeza que vou ficar com todos para mim.– Anastácia ri assentindo.- Mas escolhi o amarelo. Acho que combina bem comigo.
–Escolha perfeita, July. Já foste ver teu pai?
–Ainda não. Devo o ver no jantar. Pensei que podíamos ficar um pouco as duas. Já não nos vemos á meses.
–Agora não querida. Tenho muito que fazer. Acabei aqui mas tenho mais de um milhão de coisas. Não te esqueças das mudanças que pretendes fazer. Isso demora tempo, minha filha.
–Claro.
Mesmo desanimada, Juliana compreendia com um sorriso no rosto. Ela sabia que era tudo para o bem dela. Afinal, seria a sua Mansão.
–Vou indo. Beijo!
Anastácia saiu com Susan deixando Juliana só na capela. Olhou o quadro da família Real e avançou até estar no centro da Cruz pintada no chão com tinta vermelha que quase parecia sangue.
A família da pintura parecia feliz. Até mesmo seu pai que mal sorria. Ela sentiu um pouco de inveja daquela família mas logo isso passou percebendo que ela era mil vezes melhor que qualquer Realeza. Juliana tinha momentos de ciúmes pela vida de outras pessoas, pelas amizades. Talvez por isso detestasse tanto Christabell. Mas esses momentos logo acabavam e se tornando pensamentos gananciosos, desgosto pelos outros.
–Patético.– Falou para a pintura com nojo e saiu da capela.
Pessoas andavam de um lado para o outro e a cumprimentavam, mas ela ignorava cada um. Para ela, eram apenas meros seres desprezíveis.
–July!
Virou-se para as escadas vendo Kim e Matilde as desceram correndo até ela.
–Que foi? Arrumaram tudo?
–Sim. Com todo o cuidado.– Kim assentiu.
–Teu tio avisou-nos que é hora do almoço.
–Então estão á espera do quê?– Perguntou com raiva e caminhou até á sala de jantar com as duas atrás de si.
Assim que abriu as portas todos estavam presentes, menos sua mãe. Anastácia mal comia com eles.
–Estás no meu lugar, coisinha.- Falou para Christabell a vendo sentada do lado direito de seu tio.
–Não seja por isso.- Christa ia a levantar-se mas o Rei segurou sua mão a impedindo.
–Deixa-te estar, Christabell. Juliana, senta-te ao lado de teu pai, por favor.
Bufando, a garota imagina dezenas de formas de matar Christa Holter. Perguntava-se porque seu tio a tratava melhor a ela que a própria, visto que ela era sua sobrinha e aquela garota nada.
Entre seu pai e Liam e de frente para Connor, Juliana olhava Christa como um tigre olhava sua presa. Com fome de sangue.
O comer foi servido e mal se ouviu alguma coisa. Juliana podia ver Liam olhar Christa de vez em quando mas esta nem o olhava. Estava mais interessada em remexer na comida. Juliana se sentia satisfeita por isso. Sua ameaça tinha dado resultado no final das contas.
–Que tal a sobremesa?– O Rei pergunta depois de um tempo.
–Perfeita!- Spencer diz com a boca cheia fazendo o Rei sorrir e Tim bater-lhe na cabeça reprovando-o.
–Ainda bem que gostas. Christabell? Não gostas?
Pela primeira vez, a garota levantou seus olhos.
–Estás bom.
–Ainda não comeste quase nada.
–Não tenho fome.
–A luta tira-te o apetite?
Christa olhou Lúcifer com a testa enrugada.
–Luta?
–Ouvi falar do Strigoi feito por magia. Aires, não é mesmo? Pensas mesmo em derrota-lo?
–Porquê tanto interesse?
–Por nada. Estive pensando. És apenas uma garota. Ele um meio vivo que é imortal. Não tens hipóteses.– Lúcifer bebeu seu vinho calmamente olhando Christa com desafio.
Ele próprio tinha vindo a ver a forma com que seu irmão tratava a rapariga, e algo lhe dizia que não ia gostar nada do futuro. Leonardo falava demais dela. E por alguma razão, ele achava que já tinha visto aquela menina. Era-lhe familiar.
–Lúcifer!- Leonardo repreendo fazendo seu irmão sorrir ainda mais.
–É verdade, Leonardo. Achas mesmo que ela tem hipóteses? O mais certo é acabar morta.
–Christa é forte.– Connor falou de dentes cerrados apertando seus punhos.
–Pode até ser contra Strigois normais. Mas contra ele, ela não tem a mínima hipótese de sair viva.
–Já chega, Lúcifer! Christabell é bem capaz disso.– Leonardo exclama nervoso.
–Será? Estou curioso, Christabell Holter. Como pensas derrotar alguém que, supúnhamos que encontras o tal feitiço, apenas pode ser morto por magia? Tu não tens magia, pois não?
Christa cerrou seus punhos e encarou com raiva os olhos de Lúcifer. Os mesmo olhos cinza que seu pai, mas pareciam completamente diferentes. Mais negros.
–Lúcifer…
–Mas tu sabes disso.- Lúcifer continuou interrompendo seu irmão.- Tu sabes que não podes vencê-lo sem magia. Mas tu treinas todos os dias para o enfrentares. Diz-me, criança, és corajosa ou simplesmente estúpida?
–Lúcifer!- Leonardo gritou levantando-se.
Juliana sorria orgulhosa de seu pai. Mas ao contrário, os restantes apenas olhavam Christabell que parecia que se ia levantar a qualquer momento e cortar a cabeça de Lúcifer.
–Não permitirei que fales assim com minha convidada. Se continuares com isso, sugiro que te retires.
–Muito bem. Perdoa-me, meu irmão. Não tocarei mais no assunto.- Lúcifer respondeu olhando os olhos raivosos de Christa sorrindo.- Eu acho que te conheço de algum lado, criança. Teu rosto é-me muito familiar. Não te parece, Leonardo?
–Eu… Talvez. Conheci muitas pessoas ao longo da vida.- Leonardo se engasga voltando a sentar-se.
–Sim, mas ela é-me bem familiar. Como se chamava tua mãe, pequena?
–Não lhe interessa.- Christa quase rosna segurando a faca com força.
Juliana não entendia onde aquela conversa ia parar, mas estava a adorar ver sua maior inimiga tensa. Parecia que Christa nunca antes fora enfrentada daquela maneira. Nem quando ela a ameaçou a viu tão perturbada. Aquele jantar estava a ser épico!
–Já sei quem me fazes lembrar!- Lúcifer exclama depois de um tempo a olhando.- Como se chama aquela empregada, Leonardo? Katerine? Katerina? És filha dela, não és? Até faz sentido. Ele era o melhor amiga dela, certo?– Aponta para Connor que o olhava sem qualquer expressão.- É isso! Eu sabia que te conhecia desde o primeiro momento que te vi!
–És filha de uma empregada? Mas é claro. Que mais poderias ser filha?- Juliana ri e Liam segura seu pulso com força.- Au! O que foi?
–Cala-te.
Ela revira os olhos e volta a olhar Christabell que a cada momento ficava mais tensa.
–Katerina não era uma empregada qualquer, pois não irmão? Como é que tu a chamavas? Kate?– Lúcifer sorri olhando seu irmão que abaixa o rosto.- Era isso. Sabias que meu irmão tinha uma paixoneta idiota por ela? – Lúcifer ri encostando-se na cadeira.- Uma paixoneta ridícula que acabou quando ele foi forçado a casar-se com Isadora.
–Lúcifer, cala-te.- Leonardo ordena mas Lúcifer o ignora.
–Acho que ela merece saber, irmão. É apenas uma história do passado. Não faz mal a ninguém.
–O tio gostou mesmo de uma empregada?– Juliana pergunta com nojo.
–Até a trocar por uma mulher digna de sua postura.- Lúcifer sorri.- Mas nunca o culpei por ter-se apaixonado por Kate. Ela era bela. Muito bela. Era um desperdício para uma empregada. Tinha uma personalidade forte. Indomável. Ela chamava a atenção onde quer que fosse, não há dúvida. Foi uma pena ter morrido. – Estala a língua pegando na taça de vinho novamente.- Tu és muito parecida com ela, sabias? Difícil de esquecer e difícil de domar.
–É o suficiente, Lúcifer!
–Fico feliz ela ter esquecido meu irmão tão depressa e logo ter se interessado por outro homem. Parecia que ela não iria deixar de amar meu irmão, mas vejo que todos nos enganámos. Eu próprio tentei tê-la para mim, mas não mo permitiu.– Riu.- Limitou-se a fugir e a queixar-se ao meu irmãozinho.
–Ela não se queixou a mim. Tive de força-la a dizer-me o porquê de estar tão perturbada. Tu quase a estuprastes. – Leonardo rosna baixo lembrando-se daquele dia. Da forma como ela chorava em seus braços.
–Não era preciso tanto alvoroço.– Riu. – Apenas tentei o que Connor tentou várias vezes. Não foi assim, rapaz?
Lúcifer sorri para Connor que cerra seus punhos o olhando com raiva. Connor tinha ficado surpreso com a confissão de Lúcifer. Na verdade, todos tinham tirando Leonardo. Até mesmo Juliana tinha os olhos arregalados.
–Kate era minha melhor amiga.
–Pela qual estavas apaixonado. Sempre me diverti imenso com esse vosso triângulo amoroso. Kate e Leonardo se gostavam, mas tu entravas e estragavas tudo. Era tão divertido!– Lúcifer ri.- Estou curioso, Connor. Dizes que Kate te deixou Christabell depois de morrer, certo? Mas não será que ela é mesmo tua filha? Quer dizer, tu refugiaste Kate depois que ela desapareceu, não é assim? A coitada não teve coração para continuar vendo o homem que amava casado com outra e refugiou-se nos braços do amigo que sempre a amou. Até com a pobre Kate morta, esta história é muito interessante.
–Não se atreva a falar assim dela!– Connor ordena fazendo o sorriso de Lúcifer tornar-se sombrio.
–Aposto que ela não é tua filha. Ela é muito melhor que tu, não é mesmo? Ela derrota-te com facilidade, ouvi dizer. E tu, pequena Christabell? Sabias de meu irmão com tua mãe?– Christa não responde apenas o olha com mais raiva ainda.
A faca em sua mão se pudesse gritar de dor já estaria morta.
–Tu sabias!– Lúcifer sorri.- Sabias de tudo. Tua mãe também te contou quem é teu pai, ou isso manteve para ela? Tinha vergonha demais para admitir para a própria filha que se deu ao primeiro que apareceu na rua?
Nessa hora as palavras entraram em cheio em Christabell, tanto que ela se levantou deitando a cadeira ao chão. A raiva não era mais controlada por ela. A vontade da garota era enfiar aquela faca pela goela a baixo daquele homem cruel.
–Pense duas vezes antes de falar mal da minha mãe ou a próxima vez nunca mais falará na vida.
–Quem és tu para ameaçar meu pai, garota?!– Juliana se levanta batendo com as mãos na mesa.
–Senta-te, Juliana. De certeza que as intenções de Christabell não eram ameaçar o irmão do Rei que a pode mandar para a masmorra a qualquer instante.– Lúcifer sorri desafiando a garota.
–Pode ter a certeza que era. Não me importa se é irmão do Rei ou do Presidente dos EUA ou até mesmo filho de Deus! Da minha mãe, você não fala. Ela é muito melhor que vocês. O que faz da vida, hem, Lúcifer? Vive gastando o dinheiro do irmão sem pagar nada, sem trabalhar sequer. Que raio de homem é você que nem bancar sua própria filha banca? Um pastor é milhares de vezes mais digno do que você!
–Volta a dizer isso, garota idiota!- Lúcifer ordena com raiva levantando-se.
–Você não vale nada.
–Sua garota insolente! Como se uma garotita…
–Acabou, Lúcifer!– Leonardo grita levantando-se também.- Nem penses em dirigir nem mais uma palavra a Christabell a não ser que queiras que Juliana perca o trono.
–Não te atrevias.– Lúcifer rosna enquanto Juliana grita chocada.
–Não pode fazer isso tio!
–Posso fazer o que bem me entender. Não és minha herdeira. Posso arranjar quem bem me apetecer para o trono. Quanto a ti, Lúcifer, cala-te. Não quero ouvir o nome de Kate sair mais de tua boca.
–Proteges demais essa garotinha! Porquê, hem, Leonardo? Sentes-te culpado por teres trocado o amor pelo trono? Queres redimir-te agora que Kate está morta? Deixa-me dizer-te que já vais tarde! Sempre foste o queridinho do papai, nunca ousaste desobedece-lo.
–Era isso que tu querias, não era? Que eu escolhesse Kate e assim tu ficarias com o trono. Até te casaste apenas para conseguires pontos com o pai. Juliana nasceu apenas para tu teres o trono! Admite, Lúcifer! Para ti, é apenas para isso que Juliana serve. Para conseguires o trono que nunca foi teu!
–Eu é que devia estar governado! Sempre foste muito bobo.
–É tua filha, Lúcifer! Mas nem isso te importa.
–Que sabes tu desse assunto?! Nunca tiveste filhos! Não sabes nada! Fizeste um filho a uma vadia qualquer mas o perdeste! Admite tu, Leonardo! Não és o santo que o pai pensava que eras! Nem a vadia quis que seu filho te tivesse como pai.
–Cala-te!
–Ele pelo menos não é tão canalha quanto você.– Christa resmunga deixando cair a faca e saindo da sala.
Connor levanta-se olhando com raiva para o irmão do rei e sai atrás de sua menina. Ninguém falou mais. O Rei virou as costas saiu também. Liam levantou-se e saiu correndo, mas Juliana a«o ignorou. Os amigos do rapaz o seguiram. Kim e Matilde se entreolharam sem saberem o que fazer. Já Juliana… Essa olhava para seu pai sem saber o que fazer. Se gritava, se chorava ou se simplesmente ignorava e continuava com sua vida.
–É verdade?– Juliana pergunta baixo e seu pai a olha, mas a garota olhava o chão sem coragem de olhar em seus olhos.- Eu apenas nasci para tu teres o trono?
–Tua mãe te ama.
–E tu? Tu me amas?- Pergunta levantando a cabeça.
Lúcifer olhou o rosto de sua filha antes de suspirar e sair da sala. Juliana sabia que seu pai não era dado a sentimentalismo. Sempre ignorara quando ele nunca lhe dizia aquelas palavras bregas que via os outros pais dizer ás filhas quando as deixavam na Academia. Ela não era como as outras raparigas. Mas naquele instante, aquele silêncio dele doera demais nela.
Ás vezes até o ser mais duro, sofre.
No próximo capitulo de Monsul Academy: Verdades...
–Tu sabias, Connor? Sabias o que ele tentou fazer a minha mãe?
–Diz-me qualquer coisa que não me faça ir atrás dele e matá-lo agora mesmo!
–Não vale a pena. Eu sei que ele não vale a pena! Mas sua morte valeria imenso.
–Connor, deixa-me em paz!
–Vamos divertir-nos, Chris. O que achas do parque de diversões?
–Palermas! Todos vocês!
–Como é possível?!
–As aparências iludem.
–Tu amas-me na mesma. Admite.
–Estás bem?
–Tu conheces-me, Liam.
–Eu conheço-te, Bell.
–Preciso de ajuda, Liam.
–Desculpa.
–Olá, Christabell.
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