Monsul Academy: Verdades
14 Christabell Holter: 14ºCapitulo
Notas iniciais
“Por mais fraca que seja, ninguém derrotará aquilo que quero conquistar.”
14º Capitulo
“Aquelem homem nojento! Quem ele pensa que é?!”
–Chris?
–Tu sabias, Connor? Sabias o que ele tentou fazer a minha mãe?
–Não, princesa. Não sabia.- Senti-o suspirar atrás de mim e me virei para ele.
Meu corpo ainda fervia com a raiva. Uma raiva superior a qualquer coisa. Nem eu sabia como me tinha segurado. Parecia tão simples matá-lo ali. Tão fácil.
–Diz-me qualquer coisa que não me faça ir atrás dele e matá-lo agora mesmo!
Implorei. Podia sentir meus olhos pegando fogo, mas Connor se manteve quieto, calmo, decidido.
–Ele não vale a pena.
–Não vale a pena. Eu sei que ele não vale a pena! Mas sua morte valeria imenso.
–Christa, chega. Leonardo nunca permitiria que seu próprio irmão falasse assim de novo da tua mãe. Ele a amava!
–Mas eu o odeio. A todos eles!- Choro deixando-me cair encostada á parede de meu quarto.
O grande quarto que eu achava um desperdício. Era grande demais. A parede em frente á porta apenas era feita de vidro que dava vista para o campo e o lago. Cortinas douradas a preenchiam. As paredes estavam pintadas de um vermelho-escuro que dava um ambiente quente ao quarto. O chão era de madeira combinando com os móveis da cama e as portas do roupeiro preso na parede. A cama era coberta por um edredom branco como a neve de frente para as portas do armário e para os sofás postos no centro. A porta da casa de banho estava escondida num pequeno corredor ao lado da cama. Eu não diria que o quarto era feio, mas não era necessário tanto.
–Eu sei, Christy. Eu sei, princesa.
Connor ajoelhou-se á minha frente segurando minhas mãos.
–Não devias ligar ao que Lúcifer diz, Bell. Todos sabem como ele é egoísta.- Liam falou aproximando-se.
–Ele tem razão, Christy. O que importa é que tu sabes a verdade. O resto é só resto. Lembras-te do que tua mãe disse?
“Mãe.”
““Minha mãe olhava o pôr-do-sol como todas as outras vezes. Mas desta vez era diferente. Ela não chorava como as outras vezes. Limitava-se a olhar. Aquele olhar era mais assustador que suas lágrimas.
–Mãe?
Assim que me sento ao seu lado ela me olha e sorri um pouco.
–Chry.
–Não choras hoje?
–Queres que eu chore?- Pergunta brincado e nego minha cabeça depressa.
–Não, não, não. Claro que não, mas é que… tu sempre o fazes quando vês o pôr-do-sol que… achei estranho.
–Eu não choro por ver o pôr-do-sol, meu amor. Choro pelas lembranças. Pelas coisas bonitas como este pôr-do-sol.
–Então porque hoje não choras? O sol continua o mesmo.
–Sim, continua sim.- Ri assentindo.- Mas hoje é um dia especial.
–Porquê?
–Porque faz hoje 7 anos que deixei a Mansão. Que deixei o teu pai.
–Estás triste por isso? Tu gostas dele?- Pergunto e ela acaricia meu rosto sorrindo.
Um sorriso pequeno e doce que não tinha maldade alguma. Era tão diferente do sorriso da Madame Sarah. Aquela mulher era horrível! Mas eu a aguentava porque minha mãe o pedia.
–Eu o amei muito, Chry. Mas o amor que sinto por ti é muito maior. Não me arrependo de ter deixando a Mansão. Se não o tivesse feito, talvez eu nunca te poderia ver. Não veria teus primeiros passos, tuas primeiras palavras. Não te veria chorar quando caísses. Não te veria sorrir, nem a rir com Connor. Não teria teus beijos de boa noite que eu tanto amo.- Segura meu rosto e beija minha bochecha me fazendo rir.- Eu sei, do fundo do meu coração, que foi a melhor decisão que tomei na vida, Chry. A melhor. Eu nunca seria feliz lá.
–Também não és feliz aqui.
–Que história é essa?!- Pergunta surpresa.
–Mãe, eu conheço-te.
Ela revira seus olhos e me pega sentando-me em seu colo e pegando minhas mãos.
–Oiça-me bem, Vossa Alteza. Você é a minha vida, percebeu? Nunca, nunca, mas mesmo nunca, eu poderia ser mais feliz. Tu és a minha felicidade, Christa. Tu és a minha vida. Estamos entendidas?- Assinto minha cabeça sorrindo.- Então não quero voltar a ouvir a minha menina, de 6 anos, falar que eu não sou feliz! Isso eu não vou ousar ouvir!
–Eu tenho quase 7!- Reclamo e ela sorri olhando-me zombando.
–Oh, sério? Então, perdoe-me, Vossa Alteza Mulher, se a ofendi.
Ri-o e a abraço deitando minha cabeça em seu ombro, olhando também, o pôr-do-sol.
–Serias a melhor Rainha de todas!- Digo e a sinto rir um pouco.
–Nunca gostei de contos de fadas, meu amor. Mas tu serias uma ótima princesa.
–Eu não gosto de contos de fada! Prefiro as histórias de minha mãe.
Ela ri e me abraça com força beijando minha cabeça. Levanto meu rosto e a olho. Seus olhos que finalmente brilhavam com alguma luz.
–Vamos prometer uma coisa as duas?
–O quê?
–Vamos prometer que jamais choraremos por alguém da Realeza. Vamos prometer para o lindo sol que se está a ir embora, que nós, Christabell e Katerina de Abnara, nunca, jamais, choraremos por alguém da Realeza.
–Eu prometo!
–Eu prometo.
–Eu também prometo.
Olhamos para trás e vemos Connor sentar-se ao nosso lado.
–Connor!- Grito erguendo meus braços e ele ri me pegando para o seu colo.
–Minha princesa.- Beija meu rosto e abraço seu peito.- Então e essa promessa? É para valer.
–Claro.- Minha mãe assente olhando Connor com carinho e Connor sorri satisfeito.
–Ainda bem. Já estava farto de te ver chorar baba e ranho pelos cantos.- Connor brinca e ri-o enquanto minha mãe lhe bate no ombro.
–Palerma.””
–Lembro.- Sorri-o limpando meu rosto.- Mas ela também não cumpriu sua parte da promessa.
–Sim, é verdade. Mas tua mãe também nunca cumpriu suas promessas.– Connor ri e sorri-o assentindo.- Diferente de ti. Então, porquê agora?
–Connor, dá-me em desconto!- Imploro.
–Ok. Só hoje!- Ri e reviro os olhos levantando-me.- Onde vais?
–Treinar.
Antes que chegue á porta Connor segura minha cintura e me coloca em seu ombro.
–Connor!- Grito.
–Nem penses que vais voltar para aquela sala! Já chega, Chris. Precisas de esvaziar a cabeça por um tempo.
–Connor, deixa-me em paz!– Bato em suas costas mas ele limita-se a rir e a sair do quarto.
–Vamos divertir-nos, Chris. O que achas do parque de diversões?
–É para crianças!
–Ainda bem que gostas da ideia.
–Connor!
Reviro os olhos quando ele ri de novo mas acompanhado por Liam que seguia atrás de nós com os braços cruzados e o seu típico sorriso idiota no rosto.
–Para de rir tu também e ajuda-me!
–Estou de mãos atadas, Bell.
–Então deixa-me bater-te que já te desamarro!
Ele ri me irritando mais ainda.
–Estou a falar a sério, Liam! Coloca-me no chão, Connor!
–Claro. Assim que chegarmos.
–Argh!
Vou batendo em suas costas e gritando para todos ouvirem, só que ninguém me socorreu. Já Liam ia ficar sem aquela carinha linda quando eu o apanhasse.
–O que se passa?
Levanto minha cabeça e vejo os amigos de Liam olhando-nos confusos e divertidos.
–Vamos ao parque de diversões, topais?- Connor pergunta e as caras dos rapazes pareciam que iam saltar da orbita.
–Claro!- O mais baixo responde saltando e Liam revira os olhos.
–Palerma.- Resmungo.
–Desculpa por Kurt, Bell. Ele é um pouco infantil.
–Não estava a falar dele, estava a falar de ti, seu palerma!
Seus amigos riem, e o próprio Connor faz o mesmo, menos Liam que fica me olhando sorrindo de lado como se estivesse feliz por eu ter dito aquilo.
“Aquele rapaz tem problemas.”
Connor acabou de andar até ao jipe dele e me colocou no banco detrás. Ia a sair mas os rapazes me impediram segurando-me com força.
–Palermas! Todos vocês!- Resmungo e eles riem.
Bufo e forço a soltar meus braços mas eram 3 contra mim. Reviro os olhos e fico no colo de Liam enquanto ele me apertava contra si. Connor conduziu ao lado do mais alto deles, Spencer, eu acho. Não tinha a certeza.
–Descontrai, Bell. Precisas esvaziar um pouco a cabeça.- Liam sussurra-me.
–Queres que eu esvazie a tua á força?– Pergunto grossa e ele sorri me apertando mais um pouco.
–Não preciso, obrigado. Minha cabeça já está vazia basta te olhar.
Bufo mesmo sentindo meu rosto ficar quente. Todo o caminho fui sentindo a respiração de Liam na minha nuca e quase que podia sentir seu coração acelerado nas minhas costas.
“Odeio-o!”
–Chegámos!- Connor diz feliz e o imito saindo quase a correr do jipe.
–Palermas!- Bufo dando a volta para ir embora.
–Oh, não.
Liam segura um dos meus braços e Spencer segura o outro me puxando para dentro do parque. Solto-me deles e cruzo meus braços os olhando.
–E agora?
–Agora vamos divertir-nos.- Connor bate as palmas e reviro os olhos os seguindo.
Os rapazes separaram-se deixando-me com Connor e Liam que se mantinha perto de mim. Ficámos apenas passeando pelo parque visto que eu não queria andar em nada. Eles de vez em quando jogavam nas barracas me fazendo rir com o quão crianças homens da idade deles podiam ser.
–Jogas, Chris?- Connor pergunta apontando para a barraca de tiro ao arco e reviro os olhos bufando.
Estava a fazer aquilo imensas vezes.
–Eu jogo contra ti.- Liam diz e Connor assente.
Cada um tinha 3 setas. Quem tivesse a melhor pontuação ganhava. Connor era bom em tiro ao arco. Não me admirava que ele ganhasse. Mas fiquei surpresa com Liam ser tão bom. Ele nem magia estava a usar.
–Como é possível?!- Connor pergunta chocado e Liam ri.
–As aparências iludem.
–A tua diz que és um idiota egocêntrico. As aparências não enganam tanto assim.- Digo e é a vez de Connor rir.
Liam aproxima-se de mim e me puxa para ele encostando nossas testas. Olho seus olhos verdes sorrindo de lado. O mesmo sorriso que ele me fazia inúmeras vezes.
–O quê?
–Tu sabes que é verdade.
–Tu amas-me na mesma. Admite.- Sussurra perto de meu ouvido arrepiando-me.
Ia a afastá-lo mas Connor faz isso por mim segurando-me pela gola da camisola.
–Tu ficas aqui ao meu lado, loirinho. Nós vamos repetir este jogo. Não vou permitir que um garoto qualquer me ganhe.
–Bell, ganha-te de olhos fechados.- Liam retruca.
–Eu criei aquela menina. Ensinei-lhe tudo o que sabe. É diferente!
Ri-o pelo nariz e eles voltam ao jogo inútil. Já iam no terceiro com para desempatarem quando me fartei e sai dali sem eles perceberem.
Caminhei por entre as pessoas sem pensar em nada especifico apenas… andava. Os risos das crianças faziam-me lembrar a minha infância. Tudo parecia tão belo quando eramos simples crianças. Tudo era maravilhoso. Mas quando crescemos, as coisas se tornam uma ilusão da qual não pudemos sair.
Nunca mais.
Subo as escadas de pedra até ao 9 andar que dava para um restaurante com algumas mesas no lado de fora. Encosto-me á parede e fico olhando para o parque inteiro. Tinha perdido a noção do tempo olhando as crianças brincarem.
Fecho meus olhos suspirando encostando minha cabeça para trás ficando com o rosto virado para o céu. Senti uma pequena e solitária lágrima escorregar pelo meu rosto até meu queixo.
“O que se passa comigo? Num minuto estou com raiva de tudo e no outro sentindo-me mais frágil que cristal.”
–Bell?
Abro meus olhos conforme a voz de Liam chega a meus ouvidos. Limpo meu rosto depressa virando-me de costas para eles. Não queria que ele soubesse o quão perdida eu estava.
–Estás bem?
–Ótima. Vamos.
Tento passar por ele mas segura meus braços parando-me.
–Bell, não faças isso. Fala comigo.
–Eu estou bem.
–Não, não estás! Estás a chorar, Bell. É óbvio que não estás bem.
–Eu estou!
–Bell…– Suspira fechando os olhos e então os volta a abrir.- Não há problema em chorares.
Abaixo meu rosto.
–Bell, olha para mim.
–Tu conheces-me, Liam.- Respondo em vez de levantar meu rosto.- Eu não sou de chorar.
–Eu conheço-te, Bell. E já te vi chorar, já te vi sorrir, já te vi rir, já te vi com raiva, já te vi de todas as maneiras possíveis, Bell! Não tens porque te esconder de mim. Não de mim, por favor. E quer tu acredites, quer não, todos sofrem, Bell. E tu és uma dessas pessoas! Tens as tuas facetas, mas todos as têm. E eu amo…- Levanta meu queixo o acariciando fazendo-me olhá-lo.-…cada faceta tua. Até amo quando me chamas de palerma. Sabes porquê?
Nego com a cabeça e ele sorri puxando-me para mais perto e encostando nossas testas.
–Porque eu sei que essa é a tua maneira carinhosa de dizeres que me amas.- Ri-o um pouco e ele sorri mais.- Porque eu sei o quão forte e quão frágil tu és, Bell. Porque eu sei quando tu sofres ou estás feliz. Porque sei do que gostas e do que detestas. Porque eu te conheço. Porque eu te amo.
Encosto minas testa ao seu peito suspirando. Seu coração batia numa melodia que eu não me importava de ouvir para sempre.
–Diz-me o que se passa, Bell, porque eu sei que não é apenas pelo que Lúcifer disse.
Seguro-me a sua camisola com força fechando meus olhos com força.
–Preciso de ajuda, Liam.
–Então conta-me. Tu podes contar comigo.- Afasta-se um pouco para enfrentar meus olhos e segura meu rosto entre suas mãos.- Tu podes sempre contar comigo, Bell. Basta falares.
–Eu…
“-Espero bem que não lhe vás falar de mim, meu amor. Pois isso seria muita estupidez da tua parte.”
Deixo meu ar sair olhando o peito de Liam. A voz afiada de Aires atravessava meu coração dolorosamente quase me abalando. Liam teve de segurar-me com força antes que caísse.
–Bell, o que se passa?
“-Tão querido esse teu afeto por esse mago idiota, mas espero que isso acabe hoje, estamos entendidos, Christabell? Tu és minha! Não adianta tentares algo contra mim, porque não resultará.”
–Desculpa.– Sussurro sentindo minha cabeça doendo.
–Desculpa por quê, Bell? Vamos, temos de achar Connor.
“Estás tudo bem, meu amor. Sei que ainda estás um pouco confusa, não há problema. Em breve serás plenamente minha. Mas mantém-te longe dele, Christabell! Se eu sei que ele te toca de novo não serei meigo contigo.”
–Ok.
Inspiro fundo e me afasto de Liam. Senti seu olhar confuso sobre mim mas não lhe liguei passando por ele e andando depressa até achar Connor.
–Bell! Bell!
–O quê?- Pergunto com raiva.
–O que… O que se passa? Tu ias desmaiando. E agora…
Reviro meus olhos bufando.
–Ultrapassa isso, Liam, não te deve custar muito, pois não?
–O que queres dizer com isso?
–Parece que custa.- Resmungo.
–O que…- Ele segura meu braço forçando-me a olhá-lo.- Para com isso e fala de uma vez!
–Queres que eu fale? Muito bem.- Retiro meu braço e o olho com raiva.- Fica. Longe. De mim.
–Estais aqui!- Connor aparece com os rapazes e ignoro o olhar ferido de Liam para caminhar até ao jipe.
O caminho de volta foi mais tenso que a vinda. Sentei-me na frente com Connor deixando os rapazes atrás queixando-se. Mantive meu olhar na janela olhando peara as árvores. Podia sentir os olhos de Liam em mim imensas vezes mas o ignorei.
Precisa que Aires ficasse satisfeito comigo. E nada, nem ninguém, iria mudar isso. Muito menos Liam Drake.
Connor parou o jipe e sai fechando a porta com força. Entrei na Mansão correndo passando pelo Rei e alguns criados. Nas paredes, quadros de pessoas que nunca vi me acompanhavam até á porta do quarto.
Entro e fecho a porta á chave olhando em volta e meu olhar para na figura sentada numa das cadeiras.
–Estava á tua espera.
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