Monsul Academy: Verdades
18 Christabell Holter: 18ºCapitulo
Não me interessa o que dizes. Eu confio em ti. Não me interessa o que fazes. Eu confio em ti. Nem me interessa se me matas. Continuarei confiando em ti.
18º Capitulo
Aires ria soando por toda a Capela. Meu pai fora o único que ficara juntamente com mais três Strigois. Podia sentir seus olhos cinza em mim, me analisando, me tentando compreender.
–O que vem a ser isto, Christabell?– Sussurra mas não poderia ter ouvido melhor.
–O início da próxima Era.– Murmuro sem emoção alguma.
–Não se preocupe, sogrinho. Como meu amor não o quer matar, não será morto como os outros. Mas lamento informar-lhe que terá de ficar em seu quarto, apenas por 2 dias para não atrapalhar o dia de amanhã.– Aires fala.
–Tu vais mandar matá-los? São teus amigos, Christabell!
–Amigos. Eu não preciso de amigos. Eu sou melhor que todos eles.
O sorriso de Aires se torna orgulhoso. Ele levanta a mão e chama os Strigois.
–Levem o Rei para o seu quarto e não o deixem sair de lá.
Meu pai é arrastado pela Capela sem qualquer barulho, ele apenas olhava. Para mim. Assim que a porta se fechou olhei Aires que sorria olhando o quadro da família Real.
–Teremos de mudar aquele quadro. Nossa família precisa ocupar o lugar de honra.
–Claro. Como quiseres. Posso pedir-te uma coisa?
–O que quiseres, meu amor.
–Quero que deixes os prisioneiros vivos, mas só até ao nosso casamento. Quero que eles vejam a sua Rainha se casando. Podemos matá-los na festa.
–Seria uma prenda maravilhosa.– Aires sorri já sonhando com o evento.- Sim, pudemos fazer isso, meu amor. Tratarei agora mesmo disso.
–Muito bem. Eu vou preparar as coisas para o casamento.
Aires sorri e beija meus lábios antes de sair. Olho para o quadro e suspiro.
–Espero que tenha forças para isto tudo, porque agora, sinto meu coração em água.
E por fim, é a minha vez de sair da Capela. Caminho pelos corredores desertos até chegar ao quarto. Fecho a porta e caminho até á varanda sentando-me no banco olhando todo o terreno. Todo o meu terreno.
–Eu sou Rainha. Eu sou a Rainha, mãe.– Ri-o olhando o céu azul.- Desta não esperávamos, hem?
Coloco minha mão ao redor do meu pescoço á procura da pequena pedra âmbar que não estava mais em mim. Eu realmente esperava que tudo desse como esperado.
O tempo foi passando e passando, e nada de Aires aparecer. Era quase hora do jantar quando acabei de preparar as coisas para o casamento. Era fácil organizar um casamento quando todos fazem o que desejas. Os empregados em olhavam com algo que decifrei como raiva ou nojo. Eu sabia que merecia, mas era melhor eles não olharem assim para Aires ou seriam mortas.
–Meu amor!
Viro-me para trás e vejo Aires caminhar pelo corredor de braços abertos.
–Finalmente decidiste aparecer.– Digo colocando minhas mãos em minha cintura e ele ri rodeando-me com seus braços.
–Lamento ter aparecido apenas agora, meu amor. Nossos prisioneiros estavam um pouco… chateados comigo.- Ri e reviro os olhos.- Mas consegui acalmá-los. Não nos preocupemos com eles agora. Temos muita coisa com que pensar.
Beija meu pescoço e estremeço.
–Vamos jantar. Contar-te-ei tudo sobre nosso casamento.
–Perfeito. Vamos.
Ele segura minha mão me guiando até á sala de jantar. A mesa grande estava arrumada na perfeição com inúmeras velas postas. Aires sentou-se numa ponta da mesa e eu na outra.
–Meu sogro já jantou?
–Mandei alguém levar-lhe algo. Mas o esquecemos. Vamos falar de nós.- Aires sorriu com minhas palavras.- Onde desejarias passar a lua-de-mel?
–Sempre sonhei ir a Itália? O que achas?
–Perfeito! Tratarei disso.
– O que me queres pedir, Christabell?
Levanto meus olhos para o dele, indecisa.
–Eu?
–Sim. Eu conheço-te, Chritabell. O que me queres pedir?
Mordo meu lábio inferior por segundos antes de suspirar e assentir.
–Sabes das crianças? A Gemma e o Brade?
–Sim. O que têm?
–Eu queria…
–Tu queres que eu as liberte e que as deixe viver connosco, acertei?
Aires conclui quando não consigo dizer nada mais. Assinto olhando o prato e o oiço rir. Levanto meus olhos e os cerro olhando-o.
–Estás a rir-te do quê?!
–De ti, meu amor. – Continua rindo e cruzo meus braços sobre o peito.- Não fiques com essa cara, meu amor. Só achei graça.
–Não sei do quê.- Bufo.
–Minha Rainha, tu és a Rainha. Podes fazer o que bem entenderes, amor. Se quiseres que as crianças vivam connosco, muito bem. Que assim seja. São apenas crianças.
Meu sorriso poderia meu rosto por completo. Saltei da cadeira e abracei Aires sentando-me em seu colo. Beijei seu rosto por várias vezes o fazendo rir.
–Obrigado, obrigado, obrigado!
–Tudo bem, meu amor.- Segura meu rosto sorrindo.- Faço tudo por ti.
Beijo seus lábios lentamente antes de sorrir.
–Agora vamos comer.
Assinto e volto para meu lugar sem nunca tirar meu sorriso do rosto. Ao fim do jantar caminhei até ás catacumbas. Aires disse que tinhas de ir tratar de uns assuntos, seja lá o que isso for.
–Saiam.- Ordeno aos dois Strigois que tapavam a minha entrada.
Os dois se entreolham e se arredam. Sorri-o e entro no escuro das catacumbas. Podia ver rostos conhecidos e outros nem tanto. Não tinha ideia do porquê de Aires manter desconhecidos, mas de certeza que eles os transformaria. Quase de certeza.
–Christa!- Mel grita atirando-se ás grades atraindo a atenção de todos.- Christa, sei que isto é um mal entendido, tira-nos daqui.
–Dizes-nos que isto é tudo um engano. Por favor.– Sarah pede com os olhos cheios de lágrimas.
–Anjo, vá lá. Nós sabemos que não és assim.– Riley diz apertando as grades com força.
Olhei cada rosto, cada expressão, cada lágrima. Meu coração poderia doer, mas não ia mudar de ideias.
As coisas iam acontecer conforme planeado.
–Sabes o que estás a fazer, Christy?
Olhei para a jaula detrás. Connos estava sentado no chão olhando-me. Não havia dor em sua face, apenas tentava me entender.
–Eu sei exatamente o que faço.
–Disseste o mesmo naquela capela e agora estamos todos aqui.
–Talvez seja melhor assim.
Connor olha-me cerrando os olhos. Os mais velhos não falavam, ao contrário de meus amigos. Eles apenas me olhavam traídos. Todos, tirando Connor. Ele parecia que ia aceitar tudo o que eu desejasse.
–O que se passa Connor?
–Estou a tentar encontrar a minha menina.
–Não tentes fazer isso.
–Porque não?– Pergunta com a voz rouca.
–Porque ela se foi.
A resposta não veio de mim, nem de nenhum dos que estavam nas jaulas, mas sim do fundo do corredor negro. Aproximei-me tentando enxergar naquela escuridão.
–O que fazes aí?– Pergunto confusa vendo seu corpo nu repleto de feridas e sangue.
As mãos de Liam estavam presas com correntes e seu corpo deixado no chão todo abatido. Os cabelos loiros dele caiam para o chão conforme sua cabeça ordenava. Ele parecia um anjo a quem lhe arrancaram as asas.
–Teu “noivo” prendeu-me aqui.– Liam cospe com raiva.
–Ele bateu-lhe até Liam desmaiar.– Tim fala num som distante e mordo meus lábios com força.
–Aires sabe o que faz.
A risada de Liam é cruel preenchendo todo o local. Podia ouvir um choro baixinho mas não distingui de quem.
–Christa, porque te juntas-te a ele?– Joshua pergunta incrédulo.- Nós conhecemos-te! Tu és a nossa Christa!
–E a nossa Christa nunca estaria do lado de alguém como ele!- Emma fala com raiva.
–Isto é tudo um erro.– Sarah choraminga deixando-se cair no chão encolhida ao pé das grades.
–Não há erro nenhum, ela se foi!- Liam troveja.
–Elixa, olha para mim!– Olho Max sem vontade.- O que quer que estejas a fazer, tu sempre serás minha prima. E eu sempre te amarei como tal.
–Porquê?– Pergunto surpresa.
–Porque eu conheço minha prima. Eu conheço a menina com que brinquei durante anos. E sempre que fecho os olhos eu lembro-me.– Max sorri apertando Bia em seus braços.- Lembro-me da promessa que fizemos quando eramos crianças. Lembras-te?
–Não.- Admito e ele sorri triste assentindo.
–Mas eu sim.
O olho confusa mas não digo nada. Não sabia o que lhe dizer. Não sabia o que sentir. Tinha de sair dali.
–Bom, eu não sou uma alma caridosa como ele.– Liam fala chamando a atenção de todos.
Ele levanta sua cabeça e pude ser seu belo rosto ferido. Lágrimas caiam por seu rosto e não teve vergonha de as mostrar. Seus olhos verdes pareciam mortos. Cansados. Velhos. Destruídos.
–Eu te odeio.
Liam não gritou, pelo contrário. Ele falou baixo como se tivesse medo que o ouvissem. Mas sua voz estava carregada de ódio. Poderosa. Se ele tivesse gritado doeria menos.
–Ainda bem.
Seus olhos pareceram ficar surpresos mas não lhe dei chance para falar. Olhei os dois Strigois que me esperavam e apontei para a cela onde Deo estava com as crianças.
–Abram.
Eles assentiram e fizeram o que ordenei. Entrei nela e peguei em Gemma que dormia no colo de Deo. Olhei o rosto da mulher mais velha que me olhou de volta.
–Eu confio em ti.– Sussurrou e sorri em míseros segundos antes de me levantar.
O garoto levantou-se e pegou minha mão. Sai dali sem nunca olhar para trás. Gemma dormia sem se aperceber de nada. Brade andava olhando para tudo curioso. Meu olhar se mantinha no caminho á minha frente.
Não podia olhar para trás.
O que interessava agora era minha vida.
Deitei as crianças num dos quartos de hóspedes e só então andei até ao meu. Deitei-me sobre os cobertores olhando o teto do meu quarto.
E lá acabei por adormecer.
No próximo capitulo de Monsul Academy: Verdades...
–Alteza, está pronta?
–Eu sei o que faço.
–Muito bem. Eu confio em ti.
–Está na hora.
.- Meus irmãos! Hoje é um momento especial. Estamos todos aqui reunidos para unir este casal aos olhos de Deus. A vossa Rainha, hoje aqui proclamada, Christabell Elixa de Abnara Hamilton com o vosso futuro Rei, Aires Soir Balcon Schmotwez.
–Quem tiver algo contra, fale agora ou cale-se para sempre.
–Eu tenho.
–O que é isto?! Que merda é esta?!
–Tira as mãos de cima dela!
–Eu disse-te para confiares em mim.
–Parece que eles não te vão ajudar, hem?
–Como é possível!
–Alguém me explique o que se está a passar aqui!
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