Monsul Academy
3 Christabell Holter: 3º Capitulo
"Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite."
3º Capitulo
Anteriormente em Monsul Acadey...
–Nós, todos nós aqui presentes, pensamos que as tuas habilidades seriam mais úteis na Monsul principal.
– Pelo menos vou ao funeral do Mike.
– E Mel precisa de nós lá.
– Eu ajudei-o a sair do Campus.
– Ainda tenho esperança que ele esteja vivo, Chris.
– Eu também já pensei nessa hipótese. E se for mesmo verdade, e se ele for um Strigoi?
– Podes sempre contar comigo, Mel.
Quando acordei estava no meu quarto.
Provavelmente Connor me tinha trazido. Olhei para o relógio no meu pulso esquerdo: eram apenas 5 da manhã. O Campus estaria acordado daqui a uma hora, melhor hipótese era impossível se queria ir-me embora sem despedidas.
Levantei-me, fiz a cama, tomei um duche rápido e dirigiu-me para o roupeiro. As únicas roupas que lá estavam eram umas calças pretas, uma camisola de manga comprida cinza e um casaco preto com capuz. Vesti-me o mais rápido que pude e escovei o cabelo deixando-o cair em cascata nas costas. Sentei-me um pouco na secretaria e escrevi:
"Sarah, lamento não me ter despedido melhor de ti, mas não gosto de despedidas. Não queria pensar que era a última vez que nos víamos.
E não será! Podes apostar.
Despede-te dos rapazes por mim. Pensei em escrever-lhes também, mas demoraria uma eternidade e também não sabia o que lhes escrever sem ser “Adeus”.
Estou a escrever um pouco á pressa, porque quero estar longe quando acordares, já agora, acho que vais ficar com uma dor de pescoço quando acordares. Não sei como consegues dormir torcida, mas acho que me estou a desviar um pouquinho do objectivo desta carta.
Cuida da Mel por mim. Ela precisa de ti mais do que nunca. E pede-lhe para te contar o que combina-mos, com os rapazes ao teu lado. Ficareis surpresos tanto quanto eu fiquei.
Só depois disso saberás que não será a ultima vez.
Agora tenho de ir.
Beijos enormes, Sar, e até sempre
Christabell "
Pus a carta na minha ex. cama, peguei nas duas malas ao pé da cama e sai deixando a porta se fechar atrás de mim.
O Campus á noite era silencioso. Nada nem ninguém se ouvia.
Sai dos dormitórios e segui para a entrada. Connor, Sra. Fellini, Bree e Sr. Wagner já lá estavam.
– Pronta? – Perguntou-me Connor.
Assenti com a cabeça. Não confiava na minha voz neste momento ou com certeza que desabaria mesmo aqui.
Isso seria vergonhoso.
– Então vamos. – Pegou nas minhas malas e pôs-as na mala do táxi.
– Vamos ver-nos no Campeonato Christabell. – Disse Sra. Fellini.
Acenei com a mão e entrei no táxi. Connor sentou-se ao lado do motorista e deu-lhe as indicações. Saímos na estação de Porteland e seguimos para o comboio prestes a sair. Estava completamente vazio. Éramos os únicos ali.
Enquanto Connor se sentou num banco da frente, eu sentei-me 4 bancos atrás dele.
Olhava pela janela quando Connor veio e se sentou ao meu lado.
– Christa é para o teu bem.
– Eu sei. – Disse sem tirar os olhos da paisagem.
– Então porque estás chateada comigo?
– Eu não estou.
– A sério? Então olha para mim e diz-mo na cara.
Olhei-o.
– Eu não estou Connor. É só que, deixar tudo isto para trás, ainda mais depois do que aconteceu ao Mike … é difícil.
– Sim, eu sei. Mas tens que perceber o meu lado também. Se eu não cuidar de ti, ninguém o fará. Eu fiquei responsável por ti.
Assenti. Ninguém sabia melhor daquilo do que eu. Voltei-me de novo para a paisagem.
– Não estás mesmo chateada comigo, por te ter ameaçado contar ao teu pai?
– Não Connor, não estou. Ao princípio doeu um bocado, mas logo passou. Podes ameaçar o quanto quiseres sobre contar ao rei, que sou sua filha, mas eu não acredito que serias capaz de o fazer.
– Não acreditas? – Connor estava a com um sorriso maroto no rosto o que me fez olhar para ele.
– Não. Porque se o fizesse, eu fugiria antes de ele mandar a guarda inteira do castelo atrás de mim. E tu sabes disso.
– Sei.
Ficamos em silêncio durante uns minutos até Connor o interromper.
– Eles vão encontrar-te Christa. Não te podes esconder para sempre.
– Isso é o que vamos ver. O rei pode saber que tem um filho por ai algures, mas nunca me viu, não sabe que sou eu. Nem o meu nome sabe. Em breve Juliana ocupara o meu lugar.
–Isso demorará. Juliana, só ocupará o teu lugar se não apareceres. Ela é tua prima, não tua irmã, o que faz com que demore mais tempo.
– Não importa. Eu não quero ser Rainha, nunca quis, nunca quererei. Esconder-me-ei o tempo que for preciso.
Katerina, minha de mãe, era empregada do rei. Acabou por se apaixonar e engravidar, quando soube que trazia um filho do rei no ventre decidiu fugir. Sabia que iriam matar aquela criança.
O rei estava noivo e tinha o dever de se guardar para depois do casamento. Nem ele poderia salvar a criança. Então minha mãe fugiu mas não sem antes deixar uma carta a dizer porquê.
Quando o rei leu a carta, ficou desesperado. Mandou procura-la por todo o lado.
Nunca ninguém a encontrara.
Mamãe tinha-se escondido nas montanhas com Connor. Eles já eram amigos nessa altura, e Connor ajudou-a de boa vontade.
Quando minha mãe morreu de anemia, tinha 9 anos. Connor ficou como meu tutor e ensinou-me tudo. O que não foi difícil porque eu aprendi a amar lutar.
Connor já era um Guardião e como era a sua minha única família inscreveu-me no Campus. Normalmente os Guardiões começam a treinar desde 7 anos, mas aceitaram-me por ter derrotado um dos melhores Guardiões sozinha.
Sempre soube que era princesa, mas nunca me importei. Aquela vida não era para mim. Quando tinha 11, a mulher do rei adoeceu e acabou por morrer. Nunca tiveram filhos, o que fazia de mim a única descendente ao trono. Da parte do rei, claro.
Minha prima é a herdeira visto que eu não apareci.
– Juliana está na Academia. – Disse Connor por fim.
"Está?"
Olhei-o dando de ombros.
– Não interessa. Ela nunca me viu. Nem eu a ela. Não corro riscos.
Mais uma vez o silêncio deu conta do comboio.
– Até será bom. Ela lá estar. – Viro-me para Connor. – Eu posso protege-la até ser coroada.
– E porquê?
– Porque, mesmo não nos conhecendo, ainda continua a ser minha prima. E eu vou ajuda-la a chegar ao trono.
– Christa, sabes que por mim tu subirias ao trono.
– Eu fui feita para ser uma Guardiã, não uma princesa. Se eu estivesse no castelo, nunca conheceria os meus amigos, nunca poderia lutar, a minha vida toda teria sido diferente.
– Mas estarias em segurança.
– Segurança não estaria. Tem imensa gente a querer matar Juliana. Imagina a mim que sou filha legítima do rei. As únicas pessoas que querem Christabell Holter morta são os Strigois… e algumas Salmfires. Prefiro enfrenta-los a eles. Mas o que Juliana está a fazer na Academia? Ela não é nenhum Guardião, ou Oráculo, ou Viajante nem mesmo um mago.
– Puseram-na lá, porque está mais segura. E ela aproveita e utiliza o seu dom para ajudar na enfermaria.
Fiz uma careta.
A família real possui-a o dom de curar e protecção. Eu nunca consegui utiliza-lo. Sempre que o fazia acabava por ou murchar uma flor, ou deixar cicatrizes para sempre. Preferi desistir. Era mais seguro.
Para todos.
Voltei a encostar-me no banco. Em breve estaria a mudar de vida novamente. Mas eu pretendia que não fosse para sempre.
"Isso jamais."
Os rumores sobre a Academia, que tinha ouvido, eram 100% verdadeiros. Era muito maior do que o Campus. E parecia muito mais antigo.
Entramos por um portão de 4 metros de altura, com uma gárgula de cada lado.
Depois do portão havia um enorme caminho antes de chegar ao prédio principal. Dos dois lados havia metros e metros de relva até chegar á floresta, no lado direito havia um estacionamento com inúmeros carros, que ficava ligado ao prédio principal.
Este era de uma cor cinza escura com heras. Antes da porta principal havia uma escadaria, com duas gárgulas de cada lado, no início e no fim das escadas.
"Qual é o problema deles com as gárgulas? Sério. É assustador."
Quando subimos todas as escadas uma mulher saiu da porta. Tinha os cabelos loiros pelos ombros, levemente presos atrás com ganchos, vestia uma blusa branca com um casaco e uma saia pelos joelhos, igualmente vermelhos.
– Ainda bem que chegastes. Meu nome é Sunny, Sunny Ross. Sou a directora da Academia. Estávamos ansiosos pela tua chegada.
– Hmm, Ok.
Vinha como o capuz do casaco, ainda tinha o cabelo molhado, por isso, achei melhor esconde-lo do frio.
– Connor, ficamos satisfeitos por a teres convencido.
– Apenas queria mantê-la segura.
– E ela ficará. Podes ter a certeza. Vamos? Há muita coisa para conheceres.
Guiou-nos para dentro, levando-nos a um enorme salão. Do lado direito havia um caminho que não dava para ver onde levava. À minha frente havia uma escadaria que se dividia e mais duas escadarias, uma para cada lado e uma porta no cimo da primeira escadaria. No lado esquerdo havia apenas uma porta e vários cartazes.
– A escadaria levar-te-á as salas de aulas e a primeira porta é o refeitório. A porta á nossa esquerda fica o meu escritório e a sala de professores. Se precisares de alguma coisa perguntas na recepção. Agora vamos.
Guiou-nos pelo caminho da direita. As paredes do corredor estavam revestidas por fotografias a preto e branco da Academia e de pessoas que nunca ouvira falar.
"Qual era a moda dos cabelos á cão?"
Ainda havia um pequeno balcão e mesas. Era uma espécie de minibar. No final do corredor havia uma sala com uma grande televisão e sofás de varias as cores e feitios á sua volta
– Sala de convívio.– Explicara a Sra. Ross.
Na parede á nossa esquerda havia uma porta de vidro que dava para o exterior.
Do lado de fora, já não havia relva, o chão era feito de pedras irregulares. Havia uma fonte no centro do pátio assim como bancos de pedra e arbustos á volta. Era um pátio enorme.
Havia um prédio, á esquerda que a Sra. Ross explicou que era a biblioteca. Assim como o prédio principal era de um cinza-escuro e revestido por heras.
– Os dormitórios das raparigas são no final deste caminho. Dos rapazes são do outro lado.
Seguimos a Sra. Ross pelo caminho de pedra que levava a um prédio cinza-claro e igualmente com heras.
"Terão todos os prédios plantas? Onde está o jardineiro? Ás tantas fugiu com tantas gárgulas por perto se assustou."
O dormitório tinha uma pequena sala e uma cozinha no primeiro piso, no segundo andar havia outra sala, mas ao contraio da debaixo apenas tinha sofás fazendo um circulo e uma mesinha no centro.
Havia 4 corredores, 2 para cada lado. Entraram no 2 corredor da direita e ainda viraram uma vez para a esquerda antes de pararem na última porta.
O quarto era suficientemente grande para uma pessoa. As paredes eram de um roxo-escuro, havia uma cama em frente á porta, uma janela que vinha do chão ao tecto no lado esquerdo com umas cortinas brancas. Havia uma porta á direita que deveria ser o banheiro, uma secretaria no lado da porta á esquerda e um roupeiro do outro lado.
– Vamos deixar aqui as tuas malas e seguimos para o ginásio. A turma em que estás agora esta a ter Defesa Pessoal. É o melhor sitio para te apresentar-mos, não achas?
Sra. Ross sorriu e como a forma que sorria, percebi que não tencionava ter uma resposta, portanto, apenas sorri de volta.
O ginásio ficava quase escondido pelas árvores. Ao contrário dos outros prédios, este não tinha heras, apenas a mesma cor cinza-escura. Entramos por uma porta de metal que dava acesso ao maior ginásio que alguma vez tinha visto.
Uma das paredes estava com enormes armários com vários tipos diferentes de armas, desde arcos e punhais, a J3s e metralhadoras.
"Quem precisa de metralhadoras, quando têm arcos?"
Perdi-me-se a ver todos os tipos de armas que tinham até Connor a chamar.
– Christa!
Virei-me e andei até ele. Sra. Ross estava a falar com um homem de 1,90 pelo menos, com o cabelo curto castanho. Era um homem grande, desde a altura aos músculos.
"Deve passar a vida no levantar peso."
Olhei ao redor do ginásio e reparei que todos tinham parado de fazer os seus exercícios para me olhar.
"Bizarro."
– Connor? Tenho alguma coisa na cara? – Perguntei-lhe sussurrando-lhe ao ouvido.
Ele Connor riu e passou o braço ao meu redor.
– Eles estão apenas admirados em te conhecer.
– Admirados? Por me conhecer? Tens a certeza que não tenho nada na cara?
– Absoluta! Estás linda como sempre. Acontece que tu és uma heroína para eles.
Antes de conseguir protestar o homem, mais parecido com um gorila, apitou o apito.
– Atenção! Quero todos calados. Se alguém falar vai correr vinte voltas á Academia toda.
Por incrível que pareça resultou.
– Bom dia a todos. Como é do vosso conhecimento, hoje tínhamos uma aluna nova. A menina Holter. Espero que todos a ajudem a integrar-se da melhor forma possível. Presumo que alguns de vos já tenham ouvido falar nela, nem que seja um pouco…
– Ela tem mesmo de fazer isto? – Sussurrei/ Gemi.
– Estás com vergonha? – Perguntou a sussurra Connor.
– Com vergonha? Não. Embaraçada? É capaz.
Connor sorriu e voltou a prestar atenção na Sra. Ross.
– Alguma pergunta? – Perguntou Sra. Ross aos alunos.
Um rapaz loiro levantou a mão.
– Podemos vê-la em acção?
– Eu acho que sim. Christa? – Sra. Ross virou-se para ela.
– Claro. – Disse tentando esconder o nervosismo.
Não por lutar por que isso, dãa era canja. Mas por todos eles me estarem a olhar como se fosse algo de grande admiração.
– Muito bem. Barn?
O homem gorila assentiu, entrou num corredor e passado minutos apareceu com dois Guardiões atrás dele.
Tirei o casaco, fazendo com que o meu cabelo praticamente seco caísse desordenado, por causa do capuz, e entreguei-o a Connor, que logo se afastou juntando-se á Sra. Ross e ao Barn.
Mal o Barn apitou, o Guardião de cabelos castanhos avançou na direcção dela.
"Que estúpido!"
Deixou-me estar até o Guardião estar perto o suficiente para o agarrar na mão, pô-la atrás das costas dele e fazê-lo cair com uma rasteira.
– Tentem juntos. – Sussurrei-lhe ao ouvido.
Deixei-o alevantar-se e seguir até ao seu colega com o cabelo preto. Falaram algo que entendi como o conselho que lhe tinha dado e preparam-se de novo.
Agora ambos vieram a correr até mim.
"Idiota a dobrar!"
Quando eles estavam a apenas centímetros de mim, fiz uma cambalhota para a frente no ar ficando atrás deles. No momento seguinte abaixou-me e fiz uma rasteira a cada um. Ambos caíram no chão á sua frente.
Olhei para Connor que estava a sorrir satisfeito.
– Acho que acabou, não é assim Barn? – Perguntou a Sra. Ross.
– Perfeitamente.
Ambos também sorriam, mas não me importava com eles. Apenas Connor me interessava. Dirigiu-me até ele e peguei no meu casaco.
– Podias ter mostrado mais espectáculo, não achas? – Brincou Connor.
– Eu avisei-o para trabalharem juntos, em vez disso espalharam-se ao comprido. Não podia fazer mais nada. – Desculpei-me encolhendo os ombros.
– Alguém tem algo a dizer? – Perguntou o Barn.
"Oh, Deus que isso não acontecesse."
– Parece que não. Barn podes voltar a dar a tua aula. Christa, Connor vamos? – Seguiram a Sra. Ross até o lado de fora.
– Acho que vais dar-te muito bem aqui, Christa. – Disse Sra. Ross sem tirar os olhos do caminho á sua frente.
– Sim. Talvez.
Por todo o caminho, senti dois olhos me observando com atenção e curiosidade total.
"Quem quer que fosse que parasse já! Ou Deus o ajude.... A ele e a mim."
No próximo capitulo de Monsul Academy...
– Acredita que preferia estar em qualquer outro lugar menos aqui.
– Só por seres princesa de sei lá do que achas que és melhor do que os outros?
– EU SOU melhor do que os outros.
–Quem teria a insolência de se meter comigo?
– Depende.
–Sou a Emma.
–Sem os da tua espécie muitos Guardiões estariam mortos.
– Javali idiota.
– Vou ter isso em conta.
– Quem é o primeiro?
– Eu sou patética? Não fui eu que deixei meu namorado morrer!
– Podes ter a certeza.
–Achamos que Mike pode estar entre eles.
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