Monsul Academy

23 Christabell Holter: 23ºCapitulo


Tarde demais o conheci, por fim; cedo demais, sem conhecê-lo, amei-o.

William Shakespeare

23º Capitulo

Eu e Liam paramos para comer a duas horas de Denver.

– Então? Vais-me explicar o porquê de tudo isto?– Perguntou Liam á minas frente.

Comi uma batata frita e olhei-o.

– O acordo não era esse.

– Tá bem, mas eu preciso de saber onde me vou meter.

"Tem um ponto. Não é bom, mas tem um ponto."

– Vamos matar Strigois. Não era isso que querias?

Ele olhou-me nos olhos. Os verdes olhos dele estavam numa mistura de emoções.

"Como sempre."

– Mas eu sei que há algo mais. Ainda ontem matas-te Strigois. Não precisas ir longe para o matares.

"Quem diria que ele era esperto. Odeio espertos!"

– E há esse alguém de quem andas á procura.

– Quando eu vir que é a hora conto-te. Agora vamos.

Depois de duas horas apenas com o som do rádio chegamos a Denver.

– Por onde?

Tirei o mapa da mochila e abri-o.

– Trouxeste um mapa?

– Deitei o meu telemóvel pela janela caso não tenhas reparado.

– Sim, para que foi isso afinal?– Perguntou rindo.

– Apenas não queria pessoas a chatear-me desnecessariamente com desculpas desnecessárias e compridas sobre coisas estúpidas e desnecessárias.

Ele deu uma pequena risada e tirou o seu telemóvel do bolso.

– Utiliza o meu.

Eu olhei do seu IPod para ele.

– Algum troque?

– Nãooo.– Ele bateu no volante e olhou-me sorrindo.- Tens de aprender a confiar nas pessoas.

Fiquei a olhá-lo antes de pegar o telemóvel e responder.

– Confiar significa magoar os outros e a nós próprios.

– Não foi isso que estava no dicionário a ultima vez que verifiquei.

Levantei uma sobrancelha e olhei-o com um pequeno sorriso.

Ele estava feliz.

Feliz demais.

– Vira á direita.

O telemóvel dele vibrou nas minhas mãos.

– Para ti.– Disse estendendo-lho.

–Não me digas.– Dei uma pequena risada enquanto ele sorriu.- Põe em alta voz.

Fiz o que ele me pediu e coloquei a mão no meio dos bancos.

– Liam onde te metes-te?

–Na estrada.

Olhei-o franzindo a testa.

"Os rapazes conseguiam ser muito idiotas."

– Mas em que estrada, Liam? A directora anda furiosa de um lado para o outro e ainda por cima não foste o único a desaparecer.

Liam, olhou-me.

– A sério? Quem mais?

– Quem havia de ser?! Christabell Holter, claro. Ou melhor a sarilhos em pessoa.

Fiz uma vénia em honra da minha priminha.

– Eu esforço-me.- Sussurrei para Liam.

Ele riu e abanou a cabeça arrependendo-se.

–Estás a rir-te do quê?

–De nada. Esquece.

– Eu francamente não sei o que meu tio viu nela.

"O tio dela?"

Congelei e senti todo o ar se ir.

– O teu tio?– Perguntou Liam olhando para o meu rosto. — O que ele disse?

– Asneiras. Passou o dia a perguntar-me sobre ela e se eu e ela éramos amigas. Pediu-me todas as informações sobre ela e até o porquê de não nos darmos bem. Aquele homem está obcecado! Elogiou-a, disse que eu devia ser um pouco mais como ela. Já viste isto? EU! Juliana Hamilton passar por uma coisa destas. Ela é que devia ser mais como eu.

Conforme Juliana falava eu ficava cada vez mais branca e Liam reparou nisso. Tirou o telemóvel das minhas mãos que tremiam violentamente. Sabia mesmo antes de me dizerem, que minha vida nunca mais voltaria ao mesmo.

– Ouve July tenho de ir. Falamos amanhã.

Desligou e virou-se para mim depois de parar o carro em frente a um motel.

– Bell? Estás bem?

Tocou-me no braço e fez-me virar-se para ele.

– Óptima.- Minha voz estava rouca. Limpei a garganta e abri a porta necessitando de ar urgentemente.- Vamos embora.

Entrei no motel e dirigiu-me para o balcão com Liam atrás.

– Boa noite. Em que posso ajudar?- Perguntou o recepcionista.

– Dois quartos.

Enquanto ele foi ao computador Liam aproximou-se de mim. Perto o suficiente para o seu cheiro me rodear.

– Estás mesmo bem?- A preocupação dele era tocante de uma forma estranha.

Assenti com a cabeça incapaz de falar.

O homem voltou.

– Quartos 22 e 23.– Entregou-me as chaves.- A conta inicial é de 35€. Vão pagar juntos ou em separado?

– Separado.– Disse ao mesmo tempo que Liam disse:

– Junto.

Virei-me para ele.

– Eu posso pagar o meu.

– Sorte a tua.- Disse passando um cartão de crédito ao homem.

– Então eu pago o próximo.

Vi Liam sorrir enquanto apertava os botões pondo o código do seu cartão de crédito.

"Oh, não!"

– Estás a sorrir porquê?

– Porque…– Ele passou a máquina para o homem e pegou a sua chave juntamente com minha mochila.- Eu já paguei as três próximas noites.

E começou a andar. Sem mais nem menos.

"Idiota."

Olhei para o homem que sorria e depois de novo para Liam. Comecei a correr atrás dele.

– Estás louco?

– Provavelmente. Agora onde ficam os quartos?

Segui-o bufando.

– Chegamos.

Olhei para ele que sorria.

" Idiota, chapado."

Peguei na minha mochila e entrei no quarto fechando a porta atrás de mim.

– BOA NOITE!– Ouvi-o gritar.

– Isto é o que dar confiar em Liam Drake.- Resmunguei para mim enquanto desabava na cama.

No dia seguinte Liam estava ainda mais detestável do que no dia anterior. Pagou-me o pequeno-almoço e o almoço. Claro é o sonho de qualquer rapariga que um rapaz sexy lhe pague tudo mas isto estava a ser demais. Começava a sentir-me intimidade.

"Eu não gosto de me sentir intimidada!"

– Já chega!- Disse a Liam.

– O quê?

Ele continuou a andar como se não fosse nada.

"Estupor!"

– Os pagamentos. Não preciso da tua caridade, Liam.

Ele sorriu e virou-se para mim.

– Ainda bem.

E continuo a andar.

– Liam…- Gemi andando para o acompanhar.- Porque não voltas para a Academia? Lá tens as idiotas todas que quiseres aos teus pés e podes fazer caridade quantas vezes quiseres com Juliana ela provavelmente vai-te agradecer ao contrário de mim.

– Por isso é que eu estou a fazer isto.- Ele virou-se para mim andando de costas. - Não quero o agradecimento de Juliana. Sei que ela pode mais do que eu até.

– Eu também posso pagar as minhas coisas!- Reclamei.

Ele levantou um dedo pedindo um momento.

"O que foi desta vez?"

– Não estou a dizer o contrário mas…– Ele parou bruscamente fazendo-me ir contra ele. Segurou-me pela cintura e inclinou a cabeça ficando a centímetros de minha cara.- Eu quero ouvir um “obrigado” da tua boca.- Disse cada palavra lentamente demorando mais na última palavra.

Eu sorri rapidamente.

– Não vai acontecer.

Comecei a avançar mas ele segurou-me ainda mais apertado contra si.

– Porque és tão difícil?

Dei de ombros, sorrindo.

–Óptimo então eu vou continuar a pagar o que bem me entender.– Ele avançou até a uma florista ali perto e comprou flor branca.

"Cretino."

Voltou a correr até mim e colocou a flor no meu cabelo.

– Por muito insignificante que seja.– Disse olhando-me para o rosto.

Aquele olhar.

Aquele olhar, estava a fazer-me sentir coisas que eu não queria.

Coisas que nunca senti.

Nunca!

E no entanto, cá estava eu. Os olhos dele estavam tão verdes que eu podia passar o dia inteiro olhando-os.

– Tão giro.

Vira-mo-nos para o lado e vimos um casal de idosos a olhar-nos sorrindo.

– Foi um gesto muito bonito, meu jovem.– Disse a mulher.

–Idiota.- Resmunguei apenas nós dois ouvindo. Liam olhou-me com um meio sorrido e virou-se para eles fazendo uma vénia.

– Obrigado.

– Já não se vêm muitos cavalheiros nos dias de hoje. O mundo está acabado.– Queixou-se o homem.

Pegou na mão da mulher e beijou-lha.

Eu sorri para os dois, encantada. Nunca conheci meus avós, mas minha mãe contava-me imensas histórias sobre eles e era exactamente assim que eu os imaginava.

– Á quanto tempo estão juntos?– Perguntei curiosa.

Senti Liam a olhar-me, mas não lhe liguei.

– Á incríveis 62 anos.– Disse o homem orgulhoso.- Nunca amei ninguém como a amo.

– Uau.

– Isso é muito tempo.– Concordou Liam.

– É amor.- Disse a mulher.- Quando se ama, é impossível ficar-se longe dessa pessoa. Sentimo-nos vazios por dentro até a encontrar-mos.

– E como sabemos que é a certa?– Perguntou Liam, espantando-me.

–Senti-mo-nos vivos perto da pessoa amada. Mesmo depois de um dia mau, apenas olha-la faz nos sentir feliz.- Começou o homem.

– E por muito que tentamos, apenas será para ela que o nosso coração baterá. Ela será a única que terá o nosso coração. A única pessoa pela qual daríamos tudo para a ver sorrir e nunca mais chorar.- Completou a mulher.

Eu pensei em Mike.

Nós sempre fomos felizes como namorados, mas porque eram amigos. Faltava a paixão… o amor.

– Meu jovem, temos sempre que respeitar e admirar as nossas mulheres. Deixá-las felizes é o nosso objectivo.– Disse o homem para Liam.

– Concordo.

Olhei para Liam com as sobrancelhas erguidas.

"Não sabia que ele amava assim tanto Juliana. Bem, sorte a dê-la. Então porque diabos, me dói tanto saber isto?"

– Ainda mais quando é tão bonita quando a tua amada.

"Como ele pode saber como é Juliana? ESPERA AI!"

– O quê? Não, não, não, não, não. Há aqui um engano. Eu não sou a amada dele. Definitivamente. Não!

Ambos olharam para mim como se não acreditassem.

– Então será em breve.– Disse a mulher calmamente.

– Não. Não. Não! Isso nunca vai acontecer. Diz-lhe, Liam.

–Dizer o quê, meu amor?

"Aquele palerma…"

–Tu vais levá-las.- Prometi olhando-o. Mas o idiota limitou-se a sorrir.

"Canalha ignorante!"

– Não somos nós quem escolhemos. Às vezes acontecem nas situações mais inesperadas. – Disse o homem gentilmente.

–E nós vimos como vos olhais.

–O que quer dizer? – Perguntou Liam.

–Sim, eu olho-o como o idiota que ele é.- Bufei.

–Idiota? Eu dou um idiota?– Perguntou incrédulo enquanto eu cruzava os braços sobre o peito.

–Sim. Um idiota ignorante, um canalha estúpido! Queres que continue?

Ele deu de ombros e continuou a sorrir.

–Posso ouvir-te falar o quanto me odeias o dia todo, meu amor.

–Dizes isso de novo e vais pagá-las.- Ameacei estreitando os olhos.

–Dizer o que, meu amor?

–Ai, tu hoje vais levá-las.– Ri sarcasticamente.

–Estou á tua espera, paixão.

Ia contra ele mas ele segurou-me nos braços e beijou-me a testa no gesto doce e meigo. Meu coração saltou um pouco com o inesperado carinho.

–Eu não digo?– Disse o homem rindo para sua mulher.

–É amor.– Concordou a mulher.

"Amor? Amor? Oh, tudo menos isso."

–Isto não é amor. É raiva! Eu tenho raiva dele!- Virei-me para Liam enfrentando os seus divertidos olhos.- Eu tenho raiva de ti!

–Eu sei, meu amor. Arranjas sempre um oportunidade para me o informar.– Disse acariciando-me o rosto docemente.

–Tu…Pára quieto.– Enxotei a mão dele para longe.

–A raiva nunca vem sem o amor.- Informou a mulher.- Amor e ódio estão sempre juntos.

–Quanto maior é o ódio, maior é o amor.

–Isso é um disparate. Eu odeio muita gente e não quer dizer que vou amá-los a todos!- Contra-ataquei.

–De facto. Mas o ódio que eu vejo aqui entre vocês dois, é o mais forte dos amores entre duas almas.

–Não há amor nenhum!

–Porque o odeias tanto?- Perguntou-me o homem.

"Eu…"

–Porque… porque ele… Ora porque ele é um idiota! Um estupido! Um cretino! Um Ignorante! Um palerma sem coração! Um canalha! Um, um, um…

–Ok, meu amor. Acho que já todos entendemos o quanto me amas.

E ainda por cima aquele estupor estava a rir-se.

"Bronco!"

–Eu não te amo!

–Não? Será que não, Bell?– Ele falava com a voz rouca que me fez tremer por dentro.

–Nunca tive tanta certeza na minha vida! Eu. Não. Te. Amo. E isso nunca vai acontecer!

Ele elevou as sobrancelhas e sorriu com aquele maldito sorriso. Seus olhos tinham escurecido para um tom quente e que representava sarilhos.

–Pára de me olhar assim!

"Está a dar comigo em doida!"

–Não há porque negar. Meus olhos nunca se enganam. É amor.- Disse o homem gentilmente.

– Então acho que devia ir ver um oftalmologista!

Sabia que tinha sido um pouco brusca, mas eles não tinham o direito de dizer aquilo.

–Não é preciso minha querida. Podes estar muito reciproca contra a verdade, mas o tempo logo o dirá.

–Eu.. você… ele… argh!- Dei a volta afastando-me deles com raiva.

"Liam? A sério? De todos os rapazes possíveis, logo Liam?"

Este dia ia de mal a pior.

Quando estava quase a chegar ao motel ouvi Liam atrás de mim.

– Divertiste-te?- Perguntei ainda com raiva.

– Porque nunca me fazes as perguntas certas?

Virei-me nos calcanhares para ele.

– Não me interessa.

E continuei o caminho resmungando comigo própria.

"Eu e Liam? Por favor."

No próximo capitulo de Monsul Academy...

– Pronta?-

–A onde vamos?

–Dançar.

– Bebe apenas o que eu te der.

–Sim mamã.

– O teu namorado é rápido.

– Ó, ele não é meu namorado.

– Não?

– Definitivamente não.

– Ainda bem.

– Não adianta Mason.

– Eu sou um idiota e tu és o quê?

– Liam! Pára!

– E tu por acaso sabes o nome da menina com que danças-te?

– Não estamos a falar de mim!

–Claro que não. Apenas falas do que te interessa.

Notas finais
Mais um pequena discussão maltita Beijos e comentem X