Monsul Academy
23 Christabell Holter: 23ºCapitulo
Tarde demais o conheci, por fim; cedo demais, sem conhecê-lo, amei-o.
23º Capitulo
Eu e Liam paramos para comer a duas horas de Denver.
– Então? Vais-me explicar o porquê de tudo isto?– Perguntou Liam á minas frente.
Comi uma batata frita e olhei-o.
– O acordo não era esse.
– Tá bem, mas eu preciso de saber onde me vou meter.
"Tem um ponto. Não é bom, mas tem um ponto."
– Vamos matar Strigois. Não era isso que querias?
Ele olhou-me nos olhos. Os verdes olhos dele estavam numa mistura de emoções.
"Como sempre."
– Mas eu sei que há algo mais. Ainda ontem matas-te Strigois. Não precisas ir longe para o matares.
"Quem diria que ele era esperto. Odeio espertos!"
– E há esse alguém de quem andas á procura.
– Quando eu vir que é a hora conto-te. Agora vamos.
Depois de duas horas apenas com o som do rádio chegamos a Denver.
– Por onde?
Tirei o mapa da mochila e abri-o.
– Trouxeste um mapa?
– Deitei o meu telemóvel pela janela caso não tenhas reparado.
– Sim, para que foi isso afinal?– Perguntou rindo.
– Apenas não queria pessoas a chatear-me desnecessariamente com desculpas desnecessárias e compridas sobre coisas estúpidas e desnecessárias.
Ele deu uma pequena risada e tirou o seu telemóvel do bolso.
– Utiliza o meu.
Eu olhei do seu IPod para ele.
– Algum troque?
– Nãooo.– Ele bateu no volante e olhou-me sorrindo.- Tens de aprender a confiar nas pessoas.
Fiquei a olhá-lo antes de pegar o telemóvel e responder.
– Confiar significa magoar os outros e a nós próprios.
– Não foi isso que estava no dicionário a ultima vez que verifiquei.
Levantei uma sobrancelha e olhei-o com um pequeno sorriso.
Ele estava feliz.
Feliz demais.
– Vira á direita.
O telemóvel dele vibrou nas minhas mãos.
– Para ti.– Disse estendendo-lho.
–Não me digas.– Dei uma pequena risada enquanto ele sorriu.- Põe em alta voz.
Fiz o que ele me pediu e coloquei a mão no meio dos bancos.
– Liam onde te metes-te?
–Na estrada.
Olhei-o franzindo a testa.
"Os rapazes conseguiam ser muito idiotas."
– Mas em que estrada, Liam? A directora anda furiosa de um lado para o outro e ainda por cima não foste o único a desaparecer.
Liam, olhou-me.
– A sério? Quem mais?
– Quem havia de ser?! Christabell Holter, claro. Ou melhor a sarilhos em pessoa.
Fiz uma vénia em honra da minha priminha.
– Eu esforço-me.- Sussurrei para Liam.
Ele riu e abanou a cabeça arrependendo-se.
–Estás a rir-te do quê?
–De nada. Esquece.
– Eu francamente não sei o que meu tio viu nela.
"O tio dela?"
Congelei e senti todo o ar se ir.
– O teu tio?– Perguntou Liam olhando para o meu rosto. — O que ele disse?
– Asneiras. Passou o dia a perguntar-me sobre ela e se eu e ela éramos amigas. Pediu-me todas as informações sobre ela e até o porquê de não nos darmos bem. Aquele homem está obcecado! Elogiou-a, disse que eu devia ser um pouco mais como ela. Já viste isto? EU! Juliana Hamilton passar por uma coisa destas. Ela é que devia ser mais como eu.
Conforme Juliana falava eu ficava cada vez mais branca e Liam reparou nisso. Tirou o telemóvel das minhas mãos que tremiam violentamente. Sabia mesmo antes de me dizerem, que minha vida nunca mais voltaria ao mesmo.
– Ouve July tenho de ir. Falamos amanhã.
Desligou e virou-se para mim depois de parar o carro em frente a um motel.
– Bell? Estás bem?
Tocou-me no braço e fez-me virar-se para ele.
– Óptima.- Minha voz estava rouca. Limpei a garganta e abri a porta necessitando de ar urgentemente.- Vamos embora.
Entrei no motel e dirigiu-me para o balcão com Liam atrás.
– Boa noite. Em que posso ajudar?- Perguntou o recepcionista.
– Dois quartos.
Enquanto ele foi ao computador Liam aproximou-se de mim. Perto o suficiente para o seu cheiro me rodear.
– Estás mesmo bem?- A preocupação dele era tocante de uma forma estranha.
Assenti com a cabeça incapaz de falar.
O homem voltou.
– Quartos 22 e 23.– Entregou-me as chaves.- A conta inicial é de 35€. Vão pagar juntos ou em separado?
– Separado.– Disse ao mesmo tempo que Liam disse:
– Junto.
Virei-me para ele.
– Eu posso pagar o meu.
– Sorte a tua.- Disse passando um cartão de crédito ao homem.
– Então eu pago o próximo.
Vi Liam sorrir enquanto apertava os botões pondo o código do seu cartão de crédito.
"Oh, não!"
– Estás a sorrir porquê?
– Porque…– Ele passou a máquina para o homem e pegou a sua chave juntamente com minha mochila.- Eu já paguei as três próximas noites.
E começou a andar. Sem mais nem menos.
"Idiota."
Olhei para o homem que sorria e depois de novo para Liam. Comecei a correr atrás dele.
– Estás louco?
– Provavelmente. Agora onde ficam os quartos?
Segui-o bufando.
– Chegamos.
Olhei para ele que sorria.
" Idiota, chapado."
Peguei na minha mochila e entrei no quarto fechando a porta atrás de mim.
– BOA NOITE!– Ouvi-o gritar.
– Isto é o que dar confiar em Liam Drake.- Resmunguei para mim enquanto desabava na cama.
No dia seguinte Liam estava ainda mais detestável do que no dia anterior. Pagou-me o pequeno-almoço e o almoço. Claro é o sonho de qualquer rapariga que um rapaz sexy lhe pague tudo mas isto estava a ser demais. Começava a sentir-me intimidade.
"Eu não gosto de me sentir intimidada!"
– Já chega!- Disse a Liam.
– O quê?
Ele continuou a andar como se não fosse nada.
"Estupor!"
– Os pagamentos. Não preciso da tua caridade, Liam.
Ele sorriu e virou-se para mim.
– Ainda bem.
E continuo a andar.
– Liam…- Gemi andando para o acompanhar.- Porque não voltas para a Academia? Lá tens as idiotas todas que quiseres aos teus pés e podes fazer caridade quantas vezes quiseres com Juliana ela provavelmente vai-te agradecer ao contrário de mim.
– Por isso é que eu estou a fazer isto.- Ele virou-se para mim andando de costas. - Não quero o agradecimento de Juliana. Sei que ela pode mais do que eu até.
– Eu também posso pagar as minhas coisas!- Reclamei.
Ele levantou um dedo pedindo um momento.
"O que foi desta vez?"
– Não estou a dizer o contrário mas…– Ele parou bruscamente fazendo-me ir contra ele. Segurou-me pela cintura e inclinou a cabeça ficando a centímetros de minha cara.- Eu quero ouvir um “obrigado” da tua boca.- Disse cada palavra lentamente demorando mais na última palavra.
Eu sorri rapidamente.
– Não vai acontecer.
Comecei a avançar mas ele segurou-me ainda mais apertado contra si.
– Porque és tão difícil?
Dei de ombros, sorrindo.
–Óptimo então eu vou continuar a pagar o que bem me entender.– Ele avançou até a uma florista ali perto e comprou flor branca.
"Cretino."
Voltou a correr até mim e colocou a flor no meu cabelo.
– Por muito insignificante que seja.– Disse olhando-me para o rosto.
Aquele olhar.
Aquele olhar, estava a fazer-me sentir coisas que eu não queria.
Coisas que nunca senti.
Nunca!
E no entanto, cá estava eu. Os olhos dele estavam tão verdes que eu podia passar o dia inteiro olhando-os.
– Tão giro.
Vira-mo-nos para o lado e vimos um casal de idosos a olhar-nos sorrindo.
– Foi um gesto muito bonito, meu jovem.– Disse a mulher.
–Idiota.- Resmunguei apenas nós dois ouvindo. Liam olhou-me com um meio sorrido e virou-se para eles fazendo uma vénia.
– Obrigado.
– Já não se vêm muitos cavalheiros nos dias de hoje. O mundo está acabado.– Queixou-se o homem.
Pegou na mão da mulher e beijou-lha.
Eu sorri para os dois, encantada. Nunca conheci meus avós, mas minha mãe contava-me imensas histórias sobre eles e era exactamente assim que eu os imaginava.
– Á quanto tempo estão juntos?– Perguntei curiosa.
Senti Liam a olhar-me, mas não lhe liguei.
– Á incríveis 62 anos.– Disse o homem orgulhoso.- Nunca amei ninguém como a amo.
– Uau.
– Isso é muito tempo.– Concordou Liam.
– É amor.- Disse a mulher.- Quando se ama, é impossível ficar-se longe dessa pessoa. Sentimo-nos vazios por dentro até a encontrar-mos.
– E como sabemos que é a certa?– Perguntou Liam, espantando-me.
–Senti-mo-nos vivos perto da pessoa amada. Mesmo depois de um dia mau, apenas olha-la faz nos sentir feliz.- Começou o homem.
– E por muito que tentamos, apenas será para ela que o nosso coração baterá. Ela será a única que terá o nosso coração. A única pessoa pela qual daríamos tudo para a ver sorrir e nunca mais chorar.- Completou a mulher.
Eu pensei em Mike.
Nós sempre fomos felizes como namorados, mas porque eram amigos. Faltava a paixão… o amor.
– Meu jovem, temos sempre que respeitar e admirar as nossas mulheres. Deixá-las felizes é o nosso objectivo.– Disse o homem para Liam.
– Concordo.
Olhei para Liam com as sobrancelhas erguidas.
"Não sabia que ele amava assim tanto Juliana. Bem, sorte a dê-la. Então porque diabos, me dói tanto saber isto?"
– Ainda mais quando é tão bonita quando a tua amada.
"Como ele pode saber como é Juliana? ESPERA AI!"
– O quê? Não, não, não, não, não. Há aqui um engano. Eu não sou a amada dele. Definitivamente. Não!
Ambos olharam para mim como se não acreditassem.
– Então será em breve.– Disse a mulher calmamente.
– Não. Não. Não! Isso nunca vai acontecer. Diz-lhe, Liam.
–Dizer o quê, meu amor?
"Aquele palerma…"
–Tu vais levá-las.- Prometi olhando-o. Mas o idiota limitou-se a sorrir.
"Canalha ignorante!"
– Não somos nós quem escolhemos. Às vezes acontecem nas situações mais inesperadas. – Disse o homem gentilmente.
–E nós vimos como vos olhais.
–O que quer dizer? – Perguntou Liam.
–Sim, eu olho-o como o idiota que ele é.- Bufei.
–Idiota? Eu dou um idiota?– Perguntou incrédulo enquanto eu cruzava os braços sobre o peito.
–Sim. Um idiota ignorante, um canalha estúpido! Queres que continue?
Ele deu de ombros e continuou a sorrir.
–Posso ouvir-te falar o quanto me odeias o dia todo, meu amor.
–Dizes isso de novo e vais pagá-las.- Ameacei estreitando os olhos.
–Dizer o que, meu amor?
–Ai, tu hoje vais levá-las.– Ri sarcasticamente.
–Estou á tua espera, paixão.
Ia contra ele mas ele segurou-me nos braços e beijou-me a testa no gesto doce e meigo. Meu coração saltou um pouco com o inesperado carinho.
–Eu não digo?– Disse o homem rindo para sua mulher.
–É amor.– Concordou a mulher.
"Amor? Amor? Oh, tudo menos isso."
–Isto não é amor. É raiva! Eu tenho raiva dele!- Virei-me para Liam enfrentando os seus divertidos olhos.- Eu tenho raiva de ti!
–Eu sei, meu amor. Arranjas sempre um oportunidade para me o informar.– Disse acariciando-me o rosto docemente.
–Tu…Pára quieto.– Enxotei a mão dele para longe.
–A raiva nunca vem sem o amor.- Informou a mulher.- Amor e ódio estão sempre juntos.
–Quanto maior é o ódio, maior é o amor.
–Isso é um disparate. Eu odeio muita gente e não quer dizer que vou amá-los a todos!- Contra-ataquei.
–De facto. Mas o ódio que eu vejo aqui entre vocês dois, é o mais forte dos amores entre duas almas.
–Não há amor nenhum!
–Porque o odeias tanto?- Perguntou-me o homem.
"Eu…"
–Porque… porque ele… Ora porque ele é um idiota! Um estupido! Um cretino! Um Ignorante! Um palerma sem coração! Um canalha! Um, um, um…
–Ok, meu amor. Acho que já todos entendemos o quanto me amas.
E ainda por cima aquele estupor estava a rir-se.
"Bronco!"
–Eu não te amo!
–Não? Será que não, Bell?– Ele falava com a voz rouca que me fez tremer por dentro.
–Nunca tive tanta certeza na minha vida! Eu. Não. Te. Amo. E isso nunca vai acontecer!
Ele elevou as sobrancelhas e sorriu com aquele maldito sorriso. Seus olhos tinham escurecido para um tom quente e que representava sarilhos.
–Pára de me olhar assim!
"Está a dar comigo em doida!"
–Não há porque negar. Meus olhos nunca se enganam. É amor.- Disse o homem gentilmente.
– Então acho que devia ir ver um oftalmologista!
Sabia que tinha sido um pouco brusca, mas eles não tinham o direito de dizer aquilo.
–Não é preciso minha querida. Podes estar muito reciproca contra a verdade, mas o tempo logo o dirá.
–Eu.. você… ele… argh!- Dei a volta afastando-me deles com raiva.
"Liam? A sério? De todos os rapazes possíveis, logo Liam?"
Este dia ia de mal a pior.
Quando estava quase a chegar ao motel ouvi Liam atrás de mim.
– Divertiste-te?- Perguntei ainda com raiva.
– Porque nunca me fazes as perguntas certas?
Virei-me nos calcanhares para ele.
– Não me interessa.
E continuei o caminho resmungando comigo própria.
"Eu e Liam? Por favor."
No próximo capitulo de Monsul Academy...
– Pronta?-
–A onde vamos?
–Dançar.
– Bebe apenas o que eu te der.
–Sim mamã.
– O teu namorado é rápido.
– Ó, ele não é meu namorado.
– Não?
– Definitivamente não.
– Ainda bem.
– Não adianta Mason.
– Eu sou um idiota e tu és o quê?
– Liam! Pára!
– E tu por acaso sabes o nome da menina com que danças-te?
– Não estamos a falar de mim!
–Claro que não. Apenas falas do que te interessa.
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