Monsul Academy

24 Christabell Holter: 24º Capitulo


Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente.

William Shakespeare

24º Capitulo

– Vamos dar uma volta. Veste alguma coisa.- Disse Liam espreitando pela porta do meu quarto.

Olhei para mim e depois para Liam, confusa.

– Eu estou nua por acaso?

Ele analisou-me por completo com um sorriso satisfeito no rosto que me deixou sem folego.

– Infelizmente não, mas veste algo para dançar.

– Dançar?

– HmHm. Despacha-te.– Disse saindo.

Suspirei e vasculhei a mochila.

"Que andas a tramar agora, Liam?"

Vesti uma saia justa preta e camisola vermelha descaída. Calcei as botas um segundo antes de Liam bater á porta.

Quando abriu ele vestia uma t-shirt verde que fazia realçar os seus olhos e umas calças brancas.

"Porcaria de hormônios. Fiquem quietos. É apenas um idiota bem vestido. Apenas um idiota bem vestido."

– Pronta?– Perguntou analisando-me com um estranho sorriso de satisfação. Mais um.

Ele parecia ainda mais estranho depois do maldito encontro de á pouco.

– Pois. Aonde vamos?– Perguntei fechando a porta.

– Dançar.

– Já disseste isso.

– Então espera para ver, florzinha.

Quinze minutos depois chegamos a uma discoteca. Quinze minutos depois estava a tentar controlar-me para não o matar. Durante todo o caminho não parou de falar e falar e falar... Sobre minhas pernas..

"Eu juro que o mato!"

– Devíamos estar á procura de Strigois e não a dançar.- Reclamei olhando para o bando de pessoas dançando e bebendo como se suas vidas fossem perfeitas.

– Um descanso primeiro.- Disse Liam andando até ao bar.- Bebe apenas o que eu te der.

– Sim, mamã.– Brinquei voltando a atenção para a pista de dança.

–Estou falando sério, Christa. Apenas o que eu te der. Aqui.– Peguei no copo que ele me deu revirando os olhos.- Queres dançar?

Olhei para algumas figuras tristes na pista de dança e ri.

– Definitivamente não.

Ele deu de ombros e foi até á pista de dança. Vi conforme ele começou a dançar com uma loira bonitinha sem lhe dizer nada. Ela apenas se encostou a ele sem troca de palavras.

"Ok, ele é lindo mas também… mas também o quê, Christa?"

– Ele é incrível.– Murmurei..

– Disse alguma coisa?

Olhei para trás e olhei o rapaz do bar. Ele tinha cabelos castanhos e grandes olhos azuis alegres.

– Apenas pensando alto.

Ele assentiu.

– O teu namorado é rápido.- Disse apontando para Liam.

– Ó, ele não é meu namorado.

– Não?– Os olhos dele brilharam com o que pareceu esperança.

"Porque todos me perguntam isso?"

– Definitivamente não.

Ele sorriu e olhou para uma bebida que preparava.

– Ainda bem.

Senti-me sorrir e fui em frente.

"Se Liam podia porque eu não?"

– Sou a Christa.

O rapaz sorriu e estendeu uma mão.

– Mason.

– Christa é diminutivo de quê?

– Christabell.

– Nome bonito, menina bonita.

Ok, eu corei.

– Obrigado.

Mason voltou a sorrir. Um sorriso bonito num rapaz bonito.

– Vai uma bebida?

Levantei o copo já a metade que Liam me dera.

– Tenho uma.

– Posso-te dar algo mais forte. Fica por conta da casa.

– Claro.

"Liam não é ninguém para mandar em mim."

Hoje estava a sentir-me para experimentar coisas novas, só esperava não me arrepender depois. Mas, eu raramente me arrependo.

Enquanto Mason preparava a bebida vi Liam pelo canto do olho. A loira estava a dançar á volta dele mas ele estava quieto a olhar para o bar. Congelado com um olhar fatal.

Estremeci.

"Malditos olhos verdes."

Voltei a minha atenção para Mason que sorria fazendo a bebida.

– Certo. O que é isso?– Perguntei levantando-me para olhar sobre o balcão.

– A minha nova especialidade. Rum, Martini, gasosa, cerveja e pouco mais.- Ele acabou de preparar a bebida e entregou-me uma.- Experimenta.

Dei um gole e esperei que o líquido explodisse. Picante e doce encheram-me a boca. Nem era mau de todo.

– É bom. Um pouco forte demais, mas é bom.

Mason sorriu contente.

– Ainda bem que gostastes.

Assenti com a cabeça e tomei outro gole.

– Tens jeito para a coisa- Elogiei-o.

Viu-o corar um pouco.

– Apenas faço o que gosto.

Reconheci as minhas próprias palavras nele. Cada vez gostava mais dele.

– Podes vir aqui?– Perguntou Mason.

– Atrás do balcão? De certeza?

– Sim. Quero-te mostrar como se faz.

Assenti.

– Como entro?

–Há uma porta do outro lado do balcão.

E isso significava que teria que ir por entre uma multidão.

"Nem pensar."

– Chega para lá.

Mason frangiu a testa divertido mas afastou-se. Sentei-me no balcão e passei as pernas para dentro.

– Muito bem. Já cá estou.– Disse quando saltei para o seu lado.

Mason riu.

– Foi mais útil assim.

– Nem sabes o quanto.

Mason pegou um copo e várias garrafas.

– Podes jogar com os sabores. Um doce com um amargo ou um forte com um fraco. Quanto mais diferentes forem os sabores mais estranho será o sabor.- Explicou.

Assenti.

– Vou ajudar-te. Aqui. Deita um pouco disto.

Peguei na garrafa e deitei apenas um pouco.

– E fazes o mesmo com os restantes.

Quando o copo já estava cheio, Mason pegou num isqueiro grande.

– O que vais fazer?

– Vamos ver a quantidade de álcool.

Ele chegou o isqueiro ao copo e ele logo deitou uma chama azul.

– Uau! Está a arder.

– Por causa do álcool. Ele tornasse muito inflamável.

– Incrível.

– Agora a melhor parte. Vamos provar.

Levantei uma sobrancelha.

– Tens a certeza? E se acabamos no hospital por causa disso?

– É de maneira que ganho o dia.- Disse sorrindo. – Eu primeiro.

Ele bebeu e fez uma cara engraçada me fazendo rir.

– Estás bem?

– Sim. Nem ficou muito mau.

Peguei no copo da mão dele e dei um gole que logo cuspi. Mason riu e tirou o copo da minha mão.

– Isto é horrível.

O álcool sentia-se muito assim como o amargo.

– Para quem gosta de bebida mesmo, mesmo fortes não.– Tentou Mason.

– Não adianta Mason. Isso é mesmo horrível.

Mason olhou para o copo e depois para mim.

– É. É horrível.

Rimos e pouco depois Mason atendeu um cliente.

– Aqui está.- Entregou a bebida e virou-se para mim de novo.- Gosto desta música. Danças comigo?

– Claro. Mas aviso-te que não sirvo para isto.

– Vamos ver.

Agarrou-me na mão e puxou-me devagar para ele. Rodopiei algumas vezes sentindo o sabor ainda do álcool.

– Acho que o álcool não vai sair do meu sistema até amanhã á noite.

Mason riu e abraçou-me.

– Bebe um litro de água que isso passa.

– E depois vou passar a vida na casa de banho.

Ele riu ainda mais e eu acompanhei-o. Rodopiamos juntos mais umas vezes até batermos em algo... ou alguém.

– Vamos embora.

Olhei para a furiosa parede de músculos e depois olhei para Mason.

– Lamento.

– Tudo bem. Diverti-me bastante esta noite.

Dei-lhe um beijo na bochecha, agradecida por esta noite.

– Eu também.

Ele sorriu e afastou-se quando Liam me pegou e me pôs do outro lado do balcão.

– Liam!– Adverti.

Ele apenas saltou e me puxou para a saída.

– Liam! Pára!

Ele apenas continuou a puxar-me.

"Idiota estúpido!"

Quando estávamos longe o suficiente para ninguém nos ver, agarrei-o na mão dele e deitei-o ao chão.

Ele gemeu de dor.

– Eu disse para parares. E pára de ser um idiota.

Entrei no carro fechando a porta com força.

– Eu sou um idiota e tu és o quê? – Disse entrando o furacão.- Estavas a deixar-te levar por um garoto que nem conheces, nem o nome dele deves saber.

– E tu por acaso sabes o nome da menina com que danças-te?

– Não estamos a falar de mim!

– Claro que não. Apenas falas do que te interessa.– Bufei.

– NÃO CONHECIAS O GAROTO!

– E DEPOIS?! Também conheci Mike assim para tua informação.

"Mike."

Eu só me apercebera disso agora que o tinha dito.

Foi assim que conhecera Mike. Um menino tímido e dedicado que gostava do que fazia.

– É diferente.– Disse Liam calmamente.

– Não sei como.– Resmunguei de dentes serrados.

O resto do caminho, foi um doloroso silêncio até paramos em frente do motel. Ainda tinha tanta raiva daquele idiota sem sentido.

– Mason.

– O quê?

– Mason. O nome do rapaz do bar. É Mason. Ao contrário de ti eu gosto saber o nome com quem converso.

E sai do carro fechando a porta com força atrás de mim.

"Canalha, estúpido, idiota!"

No próximo capitulo de Monsul Academy...

– Devíamos ir para outro lado.

–O que eu quero está aqui.

– O que fazes aqui?!

– Achas-te mesmo eu te ia deixar vir sem mais nem menos?

–Como consegui-te sair?

–Eu conheço-te, Chris.

– Cristo, vai para a Academia.

–Nem sequer sabes se ele está vivo.

–Não dá para se aperceber se é Mike ou não.

– Mel disse que ele está aqui.

–Ele será um Strigoi, Chris. Nunca mais voltará a ser o Mike. Tu estás aqui por vingança.

–E?

– Por favor. Apenas me deixa fazê-lo.

–Somos mais fracos.

–Fala por ti.

– É a Mel.

–CHRISTA… Já o encontrastes?

–Chris, o Connor anda louco á tua procura. Mandou uma equipe de buscas, atrás de ti.

–Connor foi falar com o rei.

–O quê?

Notas finais
Mais intrigas na vida de Christa e uma visita surpresa. Terá sido o maior segredo dela quebrado? Fiquem atentos Beijos