Monstros Sobre Meu Lençol

7 É Mais Fácil Quando Se Faz Direito


Notas iniciais
Eu espero que vocês gostem desse capítulo porque eu simplesmente amei ele, foi uma delícia escreve-lo. Leiam ele escutando Misery Business do Paramore, eu sei que o capítulo é muito grande para uma música de apenas 03:20, mas ela é tão boa que não tem como não repetir haha Beijoss!!

Depois de uma semana criei coragem para voltar para meu apartamento, deixando Brian meio triste. Aquele dia foi realmente uma loucura e vai ficar guardado na minha lista de "coisas para relembrar com meus filhos e netos". Anotando ele no meu diário pude recapitular o ocorrido: Acordei no apartamento de Brian, fui pra casa e expulsei Carlos da mesma, voltei para o apartamento de Brian, fomos para o karaokê, fomos no meu apartamento pegar minhas coisas, voltamos para seu apartamento, tivemos um clima tenso seguido de um telefonema da minha amiga Sandra, que gerou depois de um tempo uma série de gargalhadas e me fez acreditar que finalmente vou para o Caribe, e no fim de tudo fui questionada sobre minha situação de estado. Nossa, que loucura! Quer dizer, eu não tenho motivos para não ser feliz. Desde criança recebi muito carinho de meus pais, familiares e amigos. Cresci estudando num lugar ótimo, tinha um lar em perfeito estado para morar, havia comida na mesa todos as vezes que me sentava para uma refeição, havia uma cama super confortável que eu sabia que toda noite me esperava. Nunca fui de ir muito em festas, mas sempre ia quando não havia algo melhor para fazer. E muitos se perguntam: "Tem algo melhor que dançar, beber, curtir com os amigos, tudo em um lugar só?" Eu amo dançar, mas sempre fui tímida em publico. Nunca fui de beber todo final de semana e da trabalho, mas bebia nas oportunidades. Curtir com os amigos era o que eu mais gostava de fazer. Mas festas me deixavam com um pé atras, pois sempre tinha quem dava PT, sempre tinha aquele grupo de amigos que mexiam com todas as garotas e em situações extremas que pegavam em suas partes intimas, sempre tinha o grupo que arrumava briga, sempre tinha os casais que arrumavam briga com qualquer um que os olhasse, sempre tinha as meninas arretadas que adoravam rebolar na cara dos canalhas, bom tinha de tudo na verdade, e situações como essas descritas me deixavam agoniada quando se tratava de festa. Por isso sempre preferi um barzinho, um churrasco na casa de um amigo, uma ida ao shopping para curtir o cinema ou comer em companhia dos amigos algum lanche muito gorduroso. Enfim, tive minha formatura, me formei. Fui para a faculdade, me formei naquilo que eu realmente amava fazer. E agora aqui estou eu, vivendo nessa cidade, tendo meu próprio canto para morar, mesmo estando longe dos meus pais e meus amigos de sempre. Não há muito do que reclamar, estou com saúde, estou ganhando meu dinheiro, tenho quem amo em meu coração. Eu sou feliz! Mas acho que em certos momentos de nossas vidas a dor nos consome ao pouco e se permitimos isso cada vez mais, ela nos domina. Sou daquelas que acredita que todo dia é um novo desafio e que todas essas situações ruins e difíceis que passamos é para nos testar, testar tudo o que afirmamos confiar. Todo dia é um novo desafio, cada erro é um aprendizado. Eu apenas não estava feliz com minhas escolhas mas isso só o tempo há de afirmar se é certo ou errado e aqui estou eu, na espera de uma resposta. Para ser sincera não pensei em tudo isso no momento que Brian me perguntou, apenas olhei para ele e dei um risinho frouxo, e falei para pedirmos uma pizza porque eu estava faminta. Para ele isso não significava nada e ainda deve ter ficado se questionando sobre sua pergunta, mas para mim isso signicava uma resposta porque não há nada que cure melhor minha tristeza momentânea do que pizza, além de musica. Não, chocolate não cura nada, só me deixa mais gorda e mais triste por estar mais gorda.

Abri meu email para ver sobre a passagem que Sandra havia prometido de me mandar. Era o terceiro email que eu não havia lido na minha caixa de entrada, o segundo era de uma oferta sobre um celular que tinha função até de te mandar para a lua, mais conhecido como vírus (odeio essas ofertas e sempre sou irônica quando as vejo), e o primeiro era de Carlos. Ô droga! Meu coração palpitava só de ver seu nome escrito, enquanto eu queria afirmar para mim mesma que eu não me importava mais com ele. Cliquei no seu email, nele dizia:

Amanda, eu sei que você está muito zangada comigo e com razão porque fiz uma besteira e tanto. Mas isso não justifica você não atender nenhuma das 32 ligações que te fiz e nem responder uma das 75 mensagens que te enviei.

Arggh, verdade. Ele encheu meu celular de melações e desculpinhas. Se eu li alguma das mensagens? Nem se Robert Downey Jr. me desse um beijo eu ousaria mexer numa mensagem. Se eu atendi alguma vez? Admito que foi só uma e SUPER sem querer, pois acreditava que era Brian me ligando. Será que não tem um pingo de consciência? Em saber que se ligou 4 ou 5 vezes e não atendeu, é porque a pessoa não queria falar com você? Ta faltando de um tapa na cara para acordar, não é possível.

E já que você não quis saber o que eu tinha para te falar, vai ser por aqui mesmo. Olha eu preciso admitir que quando tudo começou entre a gente, eu não tinha o menor interesse em continuar alimentado esse amor. Eu só pensava no que seria do meu futuro na área de negócios e busquei tantos lugares ao qual poderia ser bem sucedido. E dai você começou com todos os planos e nos mudamos para Santa Catarina, e consegui um emprego até que bom para nos sustentar. Passei um longo tempo ao seu lado até perceber que eu já estava cativando um grande sentimento por você, muito mais que especial, e não queria me importar com mais nada. No dia que recebi minha proposta de emprego em São Paulo, eu fiquei horas com minha mente plenamente pertubada, procurando maneiras de te falar, procurando soluções e resolvendo se era realmente aquilo que eu queria. Eu não queria ir para São Paulo! Eu queria ficar ao seu lado. Mas aquela oportunidade era a que eu mais almejava e como você sabe, sou apaixonado naquilo que faço assim como sei muito bem que você é apaixonada no que você faz também, tanto que trabalha sem parar. Desde a hora que te contei, que vi você chorar de tristeza e logo depois de felicidade por eu ter conseguido esse trabalho, que vi você me ajudando a fazer as malas, que vi seu rosto com os olhos todo cheio de lágrimas naquele vidro de despedida que todos os aeroportos costumam ter, foi quando percebi que realmente amava você. Não consegui parar de pensar um minuto, desde o momento que entrei naquele avião até chegar no meu novo lar em São Paulo. E você era tão mocinha, acreditava em amor a distância e me fez acreditar também. Eu saía do trabalho todos os dias sabendo que logo quando chegasse em casa, poderia ligar a webcam para te ver. Quando chegava minha hora do almoço, eu nem pensava na comida, só em ter a oportunidade de falar 5, 10, 25 minutos ou até mais com você. Lembro do dia que nós brigamos e você desligou na minha cara, apoiei minha cabeça na tela do computador e comecei a chorar. Dizia que não ia aguentar, que aquela situação foi a pior que já ocorreu comigo, mas não queria ficar daquele jeito então resolvi sair para esfriar a cabeça. Acabei indo num bar muito frequentado do meu bairro, bebi todas que podia e conheci uma garota. Eu não sei se foi pelos efeitos da bebida, ou do cheiro do lugar que me deixava alucinado, ou por ter muita gente, mas aquela garota me lembrava você. E conversa vai, conversa vem, nos beijamos. Acordei no outro dia, estavamos na minha cama, e ela me beijava. Eu não sei definir se estava triste ou feliz, mas era como se ela tivesse trazido paz ao caos. E mesmo assim ainda pensava em você, e que eu iria te ligar. Mas as circunstâncias ao lado dela fizeram com que isso não ocorresse, e ela me fez esquecer muita coisa por um tempo. E tudo isso porque ela me lembrava bastante de você, tinha mais ou menos os mesmos costumes, só que numa versão loira. Curtimos muito, chegou o dia que meu chefe deu minha folga e eu vi que a partir dali já havia dado o que tinha que dar. E não entenda pelo sentido perverso da coisa. Encontrei ela e falei que ia para Santa Catarina, e que foi muito bom enquanto durou mas que já havia de acabar. Ela ficou bem triste, fiquei sentido por ela mas o meu coração ainda te pertencia, e continua pertencendo. Numa dessas ela deve ter vistos minhas mensagens e viu seu nome em uma delas, e por isso fez o que fez. Acima de tudo eu queria dizer que é tudo muito sincero sabe Amanda, tudo que eu sinto por você. Posso ter errado no ínicio mas o resto foi feito com tanto carinho, sempre visando nossa felicidade. Eu te amo, me da mais uma chance por favor?

Li tudo e não demorou mais de meia frase para eu começar a chorar. Será que eu devia? Mas e quando ele voltasse para São Paulo, iria acontecer tudo de novo? Quase certeza que sim. Eu fiz ele acreditar que amores a distância existiam, e agora vou fazer ele acreditar que foi tudo um engano. Ele estava tão desesperado por uma resposta minha que o Assunto do email era o seguinte: "NÃO ME IGNORE DESSA VEZ, EU SUPLICO". Bom, o seu pedido é um ordem.


"Segundas chances, elas jamais importam, as pessoas nunca mudam". Me erra querido, passar bem.

Notas finais
Comentem se gostarem, por favor!! Obrigada