Monstros Sobre Meu Lençol
8 Filosofias De Davi, O Surfista
Notas iniciais
Finalmente chegou o dia dessa bendita viagem, eu não via a hora. Eu e Sandra estavamos tão animadas, pareciamos até duas adolescentes. Eu estava me sentindo o máximo e com a melhor auto-estima possível, e desde o momento que encontrei com ela não paramos de brincar e fazer piadas. Minha boca já estava doída de tanto que ri. Depois de uma longa viagem chegamos ao tão esperado e belissímo lugar: Caribe, ou conhecido como "Paraíso" pela minha pessoa. Fomos para nosso hotel deixar nossas malas, tomar banho e escolhermos uma roupa para já curtir a primeira noite.
Fomos para um bar super conhecido e o relógio marcava 20:47, ou seja, estava parcialmente cedo ainda. Havia muita gente bonita, alguns estavam conversando em mesinhas, outros estavam dançando ao som de uma música bem suave. Ficamos conversando muito tempo, fazendo amizade com outros turistas. Nem nos demos conta quando já era 00:10, e era o horário que o bar mudava totalmente seu estilo. De um estilo lounge para uma mini balada com direito até a strippers. Eu e Sandra estavamos tão fora de si que sabiamos o que estavamos fazendo mas não conseguiamos evitar. Acordando no outro dia, lembro-me de uma parte em que estavamos cantando e pulando bem alto e Sandra puxa um stripper pela gravata para bem perto ele lhe diz: Mamá pasó mucho azúcar en mí. Eu dei uma gargalhada bem alta, Sandra tava tão louca que a única coisa que eu ouvi sair de sua boca antes que ela tacasse um beijo no moreno alto e bonito, foi: Açúcar o caralho. Nem preciso falar que somos péssima em outros idiomas se não o nosso, estudei inglês por um tempo mas desisti pois para mim não há melhores aulas de inglês que não sejam as músicas. E tive aula de espanhol na escola durante o ensino médio inteiro, achava a matéria tão boba que nem procurei estuda-la ao sair. Mas vejo que para Sandra não era tão fácil assim, rio de meu pensamento. Ai minha cabeça dói! Bebi demais noite passada. Olhei para a cama se solteiro ao lado que era onde Sandra dormia e ela não estava mais lá. Fui para cozinha e vi que ela havia comprado belas comidas para nosso café da manhã e cantarolava aparentemente feliz.
— Bom dia meu amor!!!– Pude sentir seu bom humor penetrar meu ouvido de uma forma tão contagiante que meu humor foi de 30% para 60%. – Amanda você não sabe o quanto essa noite me fez bem, se nós fossemos embora hoje eu nem reclamaria. Mas é sempre bom experimentar o paraíso mais vezes né.– E me deu uma piscada. Eu ri de sua reação. Sandra francamente é louca das ideias.
— O que uns bons beijos e bebidas não fazem na vida de uma pessoa, hein? Essa noite foi das boas, realmente.– Falava enquanto ia me sentando na mesa para degustar do belo café da manhã. — Mas o que temos para hoje mesmo?
— Lembra quando nós costumavamos viajar para Maresias para pegar uma onda com o Filipe, Wagner, Jorge e mais a galera toda? Então, pensei que a gente podia fazer isso de novo só que em outro lugar e sem toda a turma.– Sim! Esse era o mais maravilhoso Hobbie que nós tinhamos em comum. Viajar e surfar, Maresias era nosso lugar favorito.
— Você diz, surfar?? Sandra você bateu a cabeça essa noite? Faz muito tempo que eu não toco na minha prancha, ela esta até em Fortaleza com meus pais.
— Vai me dizer que você não sabe mais como subir na prancha? Poupe-me Amanda. Sem desculpas. Temos 22 anos ainda, não 42. Já esquematizei tudo, preparei até meu celular para mandar uma foto para nossa turma, sinto falta de todos.– Eu concordei. Realmente todos faziam uma tremenda falta, nossa turma era incomparavelmente a melhor. Eu não tinha do que reclamar.
— Vamos encarar essa onda então, bro!– E fiz aquele sinal que o Davi havia inventado para nossa turma. Ele era um barato, sempre despreocupado com a vida, apenas buscava o equilíbrio nas pequenas coisas da vida.
Nos arrumamos e partimos para Soup Bowl, que fica localizada em Barbados. Arrumamos todo o traje e a prancha num local perto, onde alugava por umas horas. Ocorreu tudo muito bem porque estamos vivas, sem arranhões graves nem nada. Mas preciso admitir que o medo era tanto pois fazia 5 anos que eu não via uma onda na minha frente, nem subia numa prancha então fica naquele pé atrás como se fosse a primeia vez. E depois tudo se acalma, faz lembrar dos tempos de competições. Saímos da praia e fomos comer abacaxi quente porque não há nada mais gostoso depois de uma boa surfada. Ficamos sentadas comendo nosso abacaxi enquanto observavamos à quem passava. Conhecendo bem Sandra, ela não deixaria qualquer detalhe passar despercebido. Passou uma menina em nossa frente, aparentando ter seus 16 anos, e a mesma estava reclamando de uma sensação de frio a qual eu e Sandra (e talvez todos os banhistas daquela praia não estavam sentindo). Atrás dela havia dois rapazes fortes que estavam lhe observando como se fosse uma picanha bem suculenta. Até que um dos meninos resolve lhe oferecer seu casaco. E logo se vê a cara de menina boba e iludida, eu dou risada.
— Veja Amanda, como as meninas estão se valorizando cada vez menos. E tudo por alguns musculos a mais. Eu faço coisas erradas, todos nós fazemos. Mas acho que tenho mais consciência que essas meninas ai. Bom talvez seja pela idade.– Ela da de ombros, se encostando em sua cadeira de praia e bebendo sua caipirinha. — Mas olha não é frio coisa nenhuma viu, é falta de piroca. Falo mesmo, se elas não falam, eu falo por elas.– Sandra solta uma gargalhada enquanto me cutuca, e faz com que eu dê risada junto com ela. É cada uma que a minha amiga fala mas ela pode até estar certa. E eu não sei porque raios eu lembro de Carlos nesse momento. É só falar de menina assanhada que me vem aquela piranha na cabeça, droga. Do nada começo a lembrar dos beijos mais românticos que já dei em Carlos, que saudade da boca dele, tão carnuda e molhada.
— Eeei, tudo bem?– Sandra me assusta, eu estava viajando.
— Ah, claro.
— Mentir é feio Amanda, achei que seus pais haviam te falado isso.– E faz uma cara de brava, que acompanha um biquinho que só Sandra consegue fazer.
— E atrapalhar a brisa da amiga também é. Davi não te ensinou isso?– Faço um runf. E dou um sorrisinho.
— Brisa!? É assim que se fala vei, tamo junto. – Batemos nossa mão e fazemos aquele sinal de sempre. — Mas sinceramente, quando a brisa não é boa, é melhor atrapalhar mesmo. Eu te conheço Amanda.– Ela pisca , se levanta e sai andando. É, que brisa errada, como já dizia nosso grande Davi.
Já é de noite, estavamos nos arrumando para ir jantar em algum lugar tranquilo, quando saio do meu banho e vejo que Sandra vinha em minha direção segurando meu celular na mão. Pego meu celular sem nem perguntar quem era, mas pensando que poderia ser meus pais ou Brian. Ops, nada disso...
— Você é sonso ou só se faz?– Atendo num tom levemente calmo, como se pode perceber, pois fui criada de tal forma que deveria agir de maneira delicada com aqueles que perdessem minha confiança. Vocês sabem né, delicada igual coice de mula.
— Amanda, pra que isso? Para de tentar se fingir de garota malvada, que já superou. Não é assim, eu sei que seu coração doi lá no fundo a cada vez que você me despreza.– Não deixava de ser verdade, mas quem ligava no momento? Eu estava no Caribe baby, era tipo estar em Las Vegas. Eu não podia ficar triste no meio de uma viagem dessas!
— Olha aqui, deixa eu te informar que eu estou muito bem, to numa bela viagem e estou curtindo bastante, então não tente estragar isso. Carlos já basta. Olha se você quiser me dizer alguma coisa que seja quando eu voltar para Santa Catarina, marcamos um lugar para nos encontrar e você fala tudo que tem para falar. Fechado?
— Mas Amanda até você voltar eu já estarei em São Paulo.– Foi o que eu imaginei.
— SE VIRA FILHO.– Falei num tom agressivo e ao mesmo tempo dominador. Desliguei em sua cara. Olhei para Sandra que estava ouvindo tudo de camarote, e assustada com minha atitude.
— Uau! Amanda Rose é você mesmo ou estou realmente enganada sobre minha amiga? Você se superou mocinha.– Ela jogou sua toalha em volta de mim enquanto dizia "UUUUUUH" e dava risadas, como uma bêbada, mas é difícil definir quando Sandra esta ou não alterada pois para mim da na mesma.
— Bom, vamos nos aprontar para mais uma noite.– Dou um mega sorriso e corro para nossas malas, experimentar roupa por roupa até achar a ideal. A cada vez que eu desprezava o Carlos, sentia-me cem vezes mais poderosa e cinquenta vezes mais malvada. Essa conversa extremamente rápida com o Carlos só me fez pensar o quanto eu vejo que as pessoas esperam demais de mim, acham que não há mudança. Sabe, as pessoas evoluem e o que alguém pensava de mim há 4 anos atrás já não pode ser mais totalmente o mesmo atualmente. Esperam que eu seja sempre um doce de pessoa, que eu sempre diga sim aos favores, as segundas chances, aos compromissos, não é assim. Tem coisas que uma hora cansam, o tempo passa e muito do que era tudo para você, perde a graça. Na sociedade em que estamos todos têm estado tão folgados, tem que ser tudo pra já. Calma cara, como o Davi em alguns de seus momentos alucinantes dizia: "A gente não pode escolher nem o próprio nome e ainda querem que a gente escolha quais decisões tomar na vida". E é exatamente isso.
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