Monstros Sobre Meu Lençol

4 Vadia não, Otária sim


Acordo um pouco tonta, bom, acho que estou bem melhor que ontem ao menos. Espreguiço-me e me levanto, observando o lugar que estou. A cama onde eu dormi (assim espero) é de casal, há uma estante pequena com livros e uma escrivania com um notebook, um guarda-roupa pequeno e um espelho. As janelas ainda estão fechadas, fazendo com que o quarto fique num tom preto e branco. Logo percebo que não estou vestindo a mesma roupa de ontem à noite e sim uma blusa branca grande, parecendo mais de um homem. Lembro-me da mensagem que recebi ontem, de quem será? Quem seria essa tal pessoa que eu tirei dela? Não me lembro de ter beijado ninguém nos últimos 8 meses. De repente, sinto alguém abrir a porta de leve.

— Amanda, finalmente você acordou. Como se sente? -Brian diz, consigo sentir o alívio em sua voz.

— Me sinto melhor, um pouco tonta, mas tudo bem. O que aconteceu quando eu apaguei? — Pergunto sentando na cama e espero ele falar, ansiosa.

— Bom, você caiu em meus braços, havia um médico no restaurante e ele nos ajudou a socorre-la antes que a ambulância chegasse. Quando ela chegou e te levou, fomos acompanhando atrás no carro de Douglas, já que estava em uma situação dessas não podíamos te deixar só. Não demorou menos de meia-hora para te darem alta, então o médico chegou e falou que estava tudo bem, você só teve um ataque nervoso e que precisa de um bom descanso. Falando nisso, espero que esteja descansado. — Brian me dá um sorriso, e ao mesmo tempo sai rapidamente do quarto e me volta em menos de 1 minuto, trazendo consigo uma bandeja com suco de laranja, pão, manteiga e bolachas água e sal. — Sinto que você precisa se alimentar, fiz um café da manhã um pouco saudável mas assim é melhor.

— Nossa Brian obrigada mesmo, estou faminta pra falar a verdade. — "Seja mais educada, Srª Sinceridade A Todo Momento" — E obrigada por me trazer pra sua casa e ter deixado eu dormir aqui.

— Realmente não precisa agradecer Amanda, você estava tão mal e eu não sabia onde você morava. — Logo quando ele termina de falar, penso em Carlos. O que será que ele está pensando? Deixei ele sozinho. — Algum problema Amanda? O suco está ruim? — Percebo que estou segurando o copo de suco e que dei uns goles alguns minutos atrás.

— Não, apenas lembrei de meu amigo, deixei ele sozinho no apartamento e prometi que voltaria. Ele deve está preocupado. — Falo mais preocupada ainda.

— Aaah claro, seu "amigo" — Ele faz o sinal das aspas com os dedos e dá um sorriso bobo — Carlos, ligou e veio te visitar, mas você ainda estava dormindo profundamente e ele não quis te atrapalhar. Expliquei o que aconteceu e ele disse que voltaria ou ligaria.

Oh! — Brian, — Digo, terminando de tomar meu suco e e o pão com manteiga. — Eu preciso ir, tenho que por as coisas em ordem. Preciso devolver sua roupa.

— Você não precisa devolver a roupa, pode ficar, ela fica boa em você. E tome a sacola, suas roupas estão aqui. Só me diga uma coisa antes de ir... você se sente melhor mesmo? Não quero sair na rua e encontrar você jogada por aí. — Ele diz sério.

— Me sinto ótima. — Dou lhe um pequeno sorriso. Ele me acompanha até a porta e nos despedimos. Pego o elevador, e vejo que já estou na recepção. A mensagem vem em minha mente e eu decido encarar, odeio deixar tudo pra depois.

"Quem é você? Quem foi a pessoa que eu tirei de ti? Me responde, ou nunca saberia o que fiz de errado." - Pressiono o botão "enviar" e mando para a pessoa anônima. Continuo andando e 11 minutos depois recebo uma resposta.

"QUEM FOI A PESSOA? Cínica você, não? Nem percebe que Carlos deixou tudo só pra te ver. Ele era todo meu e me amava, eu o amava tanto. Eu era seu maior desejo, a pedra mais preciosa que ele tinha. Eu o perdi porque sempre perco as coisas boas, mas isso não pode ser Você é um erro na vida dele, na minha, você é um erro. VADIA."

Que Deus me ajude, eu não acredito. Carlos tinha uma namorada. Fico paralisada na esquina de uma rua, olhando apenas para a mensagem sem expressão alguma. Mas e tudo aquilo que ele me diza por email, e todas as conversas que tivemos, ele me prometia o mundo e dizia que ainda me amava e que teríamos um futuro feliz. Eu não consigo acreditar. Eu preciso esclarecer isso agora.

Corro direto ao meu apartamento, enxugando todas as lágrimas que caem e segurando aquelas que estão prestes a cair. Abro a porta do meu apartamento com toda a força possível, vejo Carlos tirando as coisas de sua mala e logo quando me vê corre ao meu encontro, me abrançando e eu o empurro para longe, com toda minha força.

— Carlos, eu prefiro que você não faça isso enquanto eu não tiver uma explicação bem definida para esse tipo de mensagem. — Mostro pra ele a mensagem que a tal menina havia me mandado na noite anterior. Ele olha perplexo, mas ainda sem entender. Logo em seguida, mostro a que recebi alguns minutos atrás. Ele olha, olha e não diz, passa a mão pelo cabelo e depois pelo rosto.

— Eu realmente não faço a mínima idéia de quem...

— VOCÊ NÃO FAZ IDÉIA? — Interrompo ele, gritando.

— Amanda por favor, eu explico. — Ele diz com medo.

— Então explica agora ou eu perco a paciência de vez. — Ele fecha os olhos e eu me contento para não sentir pena dele, e consigo sem muitos esforços.

— Ela é Jessica. Eu tive um caso com ela, por 4 meses, e eu realmente gostava de sair com ela. Mas não passou de muito, alias, eu só ficava com ela porque sentia sua falta e ela cobria isso pra mim. — Oh Carlos, sua sinceridade machuca pra caralho. Eu não posso acreditar que escutei isso.

— TEVE UM CASO COM ELA PORQUE SENTIU MINHA FALTA? VOCÊ ACHA QUE EU NASCI QUANDO? ONTEM? — Estou com uma fúria que só Deus pode distinguir no momento. — Você ainda teve a vergonha na cara de continuar me prometendo coisas e falando sobre amor comigo enquanto transava com outra? Que tipo de homem você é? Pelo amor de meu Santo Deus, que otária eu sou.

— Amanda, eu não sei o que dizer mas ainda assim eu te amo muito. — Ele diz com uma cara de tristeza.

— Me ama coisa nenhuma Carlos, olha, se você não sair de meu apartamento agora, eu faço questão de chamar a polícia ou de chamar a segurança para te levar pra bem longe daqui. — Digo com toda a força que tenho para segurar minhas lágrimas e enfatizo no "agora". Ele rapidamente pega suas coisas, as põe de volta na mala e a pega enquanto eu olho com raiva para ele, sem dizer nada. Caminho até a porta e à abro, ele chega com a mala e a pasta na mão, me olha e diz:

— Você não vai dizer mais nada? Não vai me dar outra chance? Eu sinto muito Amanda. — Ele diz abaixando a cabeça.

— Você sente muito? Eu sinto muito por ter sindo tão idiota e ter acreditado em suas promessas. Chance? Quem sabe essa tal Jessica não te dá uma. Alias, peça para ela NUNCA mais me enviar mensagem alguma, me ofendendo de maneira agressiva ou não. Passar bem Carlos. — Fecho a porta na cara dele, me encosto na porta e vou caindo aos poucos, quando percebo estou aos prantos, agarrando meu joelho.