Monstros Sobre Meu Lençol
5 Sede de sorrisos
Notas iniciais
OBS: Escutem "My Heroine" do The Maine, eu escrevi uma parte do capítulo escutando ela. É linda e muito viciante.
Eu estava tão triste que eu poderia chorar nos ombros da primeira pessoa que eu visse pela frente, sendo ela uma criança ou até uma pessoa da 3° idade, que já aprendeu tanto com a vida e hoje em dia só quer saber de paz. Essa sensação é terrível, imagina esses adolescentes que sofrem de qualquer namorinho que terminam, imagina as mulheres quando o marido pede divórcio, deve entrar na menopausa pra sempre. É como se tivessem me cortado a mão esquerda, que é a qual eu escrevo e faço tudo, e só tivesse ficado com a direita: inútil, sem fundamento. Não, eu não estou sentindo como se tivessem arrancado meu coração, me sinto inútil por está chorando por homens. Poxa, eu tenho 22 anos de vida, passei pela fase das descobertas e das paqueras e ainda não consegui aprender que contos de fadas não existem na nossa vida. Será que vou precisar quebrar a cara inúmeras vezes pra me tocar? Totalmente sem fundamento. Recordo-me de minha doce e inocente infância, quando eu fazia biquinhos e caretas para tirar foto e isso era alegria, de quando eu inventava vários tipos de maquiagem e de quando me apresentaram Nirvana, eu era apaixonada pelo Kurt Cobain e ainda sou. Hoje em dia escuto até AC/DC e Pink Floyd, porque meu pai os amava. Eu dizia que amava preto, mas às vezes aparecia com roupas coloridas, o preto me trazia tristeza muitas vezes. Minha infância realmente foi boa, mas eu preciso parar de pensar muito, levanto-me e pego um copo de água, pois estou nervosa demais, não vou agüentar ficar sem alguém novamente, dessa vez eu desabei de vez. Eu não tenho ninguém por perto, apenas...Brian!
Saio correndo até seu apartamento, novamente. Chego lá, bato na porta e em menos de minutos ele me atende.
— Amanda, aconteceu algo? Você está bem? — Brian me pergunta com os olhos arregalados, demonstrando preocupação até demais.
— Não, não estou bem. — Dou lhe um abraço apertado, sem nem perguntar se poderia entrar, mas com certeza ele não negaria. Abraço ele como se fosse meu urso de pelúcia favorito. Ele retribui, me apertando mais ainda.
— Amanda, me conte o que aconteceu, eu ainda não aprendi a descobrir as coisas sozinho. — Ele diz sério, mas vejo que têm vontade de dá uma risadinha. Eu o ignoro por alguns minutos, enxugo minhas lágrimas e olho para ele. Ele aponta para a poltrona que tem em sua sala e me manda sentar ao mesmo tempo. Eu explico toda a história pra ele, e ele me olha com toda a atenção possível.
— E você está chorando por isso? Amanda, você têm um ótimo futuro pela frente, é inteligente e muito bonita. Sem contar que com todo respeito, mas você tem 22 anos, você tem capacidade suficiente para saber que amores assim não duram. Agora por favor, melhore, eu estou te escutando e quero que você fique bem. — Ele diz tão sério que de alguma forma, isso me faz sentir bem.
— Mas, e os antigos sentimentos? Será que ele os jogou todos os foras, de repente? Tínhamos tantas coisas, vivemos tanto juntos. Eu enviava músicas de rock com letras lindas e ele sempre retribuía. Agora eu não posso nem mais triscar nas músicas que tenho, todas vão me trazer nostalgia. Nós éramos capazes de distribuir nosso amor por ai de tão grande que era as pessoas sempre nos diziam. — Pergunto intrigada, vendo o modo que ele reage a todos os meus sentimentos. Rio mentalmente.
— Sentimentos? Ele te abandona por um aumento de 10 reais no salário, te faz promessas na internet, te manda músicas amorosas e no fundo ele está com outra, depois de tudo isso você acha que esse cara tinha sentimento por você. Talvez pudesse ser alguém incrível antigamente, seu melhor amigo como disse, mas as pessoas crescem e mudam Amanda, é sempre assim. Ele compôs as músicas que te enviou? Se não compôs, então não há problema algum em escutá-las, apenas pense que a música é de tal cantor e ele escreveu por alguma razão que ELE tinha não para esse seu "amigo"te mandar. — Ele faz o sinal das aspas no amigo, eu sorrio. — Não vejo amor nesse cara, talvez você tenha de sobra. Mas vejo que você foi à única que contribuiu no jogo. A vida é maravilhosa Amanda, vá aproveitar, procure viver melhor cada dia mais. O mundo ainda é maravilhoso. — Eu sorrio com tanta vontade, nunca ouvi coisa mais sincera. Doeu um pouco, mas me sinto confortável.
— Venha, vou te levar em um ótimo lugar. É pra se divertir, então anime. — Ele puxa minha mão e me leva. Andamos um pouco até chegar a um...karaokê. Há bebidas, pessoas conversando, se beijando e muita música. Vejo que estamos indo em direção ao palco, subimos e percebo que estamos prestes a cantar.
— Brian, você está louco? Eu não sei cantar. — Estou desesperada, porém animada demais.
— Não sabe? Então vai aprender agora. — Ele me dá um sorriso enquanto dá um alô para a galera e dizem que vai escolher uma música, todos olham para o palco atenciosos. Ele escolhe uma música chamada"my heroine"e vejo que pertence a banda the maine.Ok sou completamente apaixonada por essa música. Ele sabe meus gostos, eu sorrio.
— Pronta? — Ele diz com um sorriso de universitário estampado no rosto.
— Talvez sim, — Sorrio e ele pisca pra mim. — Vamos ver no que vai dar. A música começa a tocar e cantamos que nem loucos, fico com medo da platéia no início e depois nem me lembro que a mesma existe. De repente dou uma olhada e todos estão em pé, cantando e ficando loucos, até o barman ta curtindo o som. Nós somos bons. A música termina e todos nos aplaudem, com muitos gritos e saudações. Agradecemos e saímos do palco.
— E aí, foi tão ruim assim como pensou? — Brian me pergunta suado de tanto pular.
— Na verdade não, poderíamos fazer isso de novo outra vez? — Eu sorrio e nos sentamos no bar.
— Sempre, que bom que gostou. Senti falta desse lugar. — Ele diz como quem sente falta mesmo.
— Brian, você acaba de levar um 10 por me salvar de uma afogação particular. — Ele me olha intrigado e bebemos nossa bebida, que havia sido colocada ali e eu nem tinha percebido.
—Afogação particular? O nome do seu novo livro? — Eu rio e ele ainda me olha intrigado, mas com vontade de rir.
— Não Brian, essa é a expressão que uso para me referir ao sofrimento, mágoas e outras coisas parecidas. — Tomo vários goles da bebida, e o olho.
— Adorei, vou me lembrar disso e mandar para o Douglas da próxima vez que mandarem um dicionário de língua portuguesa para publicar, ele terá que adicionar isso. E falando nisso, estou te afogando em bebidas, não beba muito ou eu terei que tirar sua roupa sozinho de novo hoje. — Ele diz sorrindo, talvez maliciosamente ou só de bobagem, é difícil explicar. Eu tento dá um olhar do tipo "estou chocada com sua afirmação”, mas me saio mal. Não consigo sentir mágoa ao seu lado, estranho demais, me sinto no paraíso mesmo estando em um karaokê onde só a gente louca pra cantar, dançar, beber e se divertir é claro. Pensar que algumas horas atrás eu estava me afogando em lágrimas, quanta bobagem. Têm tanta coisa me esperando por aí e eu preciso encarar uma vida normal.
Saímos do bar depois de muito tempo conversando, estamos andando e rindo. Percebo que o Natal está quase chegando e que faltam menos de dois meses, e eu realmente adoro essa época do ano. A cidade já está começando os preparativos e tudo fica bem mais bonito. Lembro-me de quando minha mãe desperdiçava metade de seu dinheiro enchendo a árvore de natal só de presentes pra mim, me lembro de ir fazer algo com minha mãe e meu pai, sinto falta deles. Sinto-me tão leve no Natal, vendo as crianças à espera do Papai Noel enquanto eu penso em Jesus, e penso no quão importante o Natal é. Sinto-me preguiçosa no Natal pra ser sincera, é uma data muito confortável. Minha barriga me tira de meus pensamentos, ela começa a me alertar de que está com fome e vejo Brian me olhar.
— Acho que você está com um pouco de fome. — Ele olha pra minha barriga e ri do seu tom sarcástico.
— Também acho. — Eu rio de volta. Preciso de chocolate, sim, muito chocolate. — Vou comprar chocolate.
— Nem pensar, chocolate é um pulo para a depressão. Você vai se alimentar bem. — Brian me alerta, eu franzo a testa em desaprovação. Não discuto, nem irei porque estou com tanto sono que nem estou preocupada com isso. Eu quero dormir, me sinto cansada.
Não, eu não estou indo pra casa. Eu realmente prefiro ficar com a companhia de Brian, me sinto tão bem ao seu lado e ele me pediu pra ficar. Não estou preparada emocionalmente para voltar. Merda continuo falando sobre a mesma coisa comigo o mesma. Brian me interrompe no momento certo, eu diria.
— Estou me sentindo o Edward tentando ler os pensamentos da Bella, nesse instante. — Ele ri com gosto, acho que está brincando com minha cara mas tudo bem. Eu gosto de seu senso de humor.
— Estou me sentindo como se fosse Jacob falando com a Bella, sempre na ironia. — Eu dou uma risadinha, mesmo não conhecendo muito bem a história.
— Mas eles não conversam só na ironia, eles sabem conversar muito bem. — Ele diz como se tivesse acertado uma aposta, e me dá um olhar sério que é engraçado. E foi a partir dali, da forma mais estranha possível, que eu comecei a pensar na vida a qual iria enfrentar. Agora eu tinha uma razão para continuar: meus livros e Brian, meu direito, pois sou um ser humano que precisa se satisfazer e um destino que pode parecer brilhante, se eu colaborar. Eu podia ter certeza de onde eu estava indo, eu não queria mais olhar para trás.
Nem consigo perceber, mas vejo que já estamos em seu apartamento e já tínhamos ido até buscar minhas roupas e meus apretechos para ficar aqui. Tomei um belo banho e me sentia suave, Brian tomou logo em seguida fazendo eu ficar de olho na omelete que ele estava preparando. Ele voltou e me ajudou a terminar, preparamos a mesa, jantamos e depois lavamos a louça. Lembrei-me que precisava terminar uma conclusão para um de meus livros que Douglas havia pedido. Pego meus materiais rapidamente e vejo que Brian me olha de longe.
—Algum trabalho? — Ele me pergunta tentando descobrir de longe o que estou fazendo.
— Conclusão de um livro, apenas. — Digo depressa e volto ao meu dever. As coisas de minha pasta caem no chão, bagunçando tudo novamente. Quase me bato.
—Vou te ajudar, espera, pode continuar fazendo a conclusão, eu organizo. — Olho pra ele e façosim com a cabeça. Volto ao meu trabalho e ele se senta para organizar tudo direitinho. Depois de um belo tempo minhas mãos estão cansadas, eu olho para ele e vejo que está quase terminando. Sinto-me culpada, por um motivo que não sei.
—Desculpa desperdiçar seu tempo e deixar você fazendo isso por mim, eu realmente não me preocuparia em arrumar, mas você é tão gentil e eu não desperdiço uma boa oferta. — Eu digo dando de ombros, sorrindo e me sentindo idiota.
—Não sou eu que estou me sentindo cansado nessa história toda, — Ele sorri pra mim e vejo que estava se referindo a minha parada —Mas eu estou ótimo, ajudar você não me deixa melancólico. -Oh! Confessou bonito agora. Sinto-me uma adolescente.
—Posso saber por que está melancólico? — Eu pergunto sem muito interesse, ou talvez com um pouco.
—Nada demais, confessei alto demais. — Ele diz e volta a olhar a papelada, e eu concordo mentalmente. —Deus sempre prepara as coisas certas, na hora certa. — Ele sorri como se tivesse acabado de fazer uma piada e ela fosse totalmente sem graça, porém tivesse algum significado.
—Não entendi. — Pergunto totalmente confusa.
—Meu sorriso, Deus pôs ele quando eu te conheci pessoalmente. Sabe há quanto tempo eu fiquei sem sorrir do jeito que tenho sorrido ultimamente? Faz mais de meses, eu quase me esqueci do significado de um sorriso para alguém. Eu sou um cara sem muito humor, acho que o barman se assustou quando me viu sorrindo hoje. — Meu coração quase pulou, estou saltitando por dentro. Isso sim foi uma confissão e tanto.
—Você sem sorrir? Não consigo imaginar isso. — Digo num tom brincante, mas o que mais quero é estar séria e esperar ele falar mais um pouco.
—Sim, eu não tinha expressão alguma. — Ele diz um pouco tímido, mas ainda tão sério. — Você me olha e eu sinto que estou ficando louco, que algo está invadindo meus sentimentos. Eu olho pra você e te vejo tão firme e percebo que o prêmio é seu, eu sou um bom moço sem controle.
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