Monstros Sobre Meu Lençol
6 Chefe da Sintonia
Notas iniciais
OK, tudo aquilo só podia ser loucura. Eu conheci o cara ontem na rua e de repente vim parar no apartamento dele, onde termino meus trabalhos e penso no outro cara que expulsei de minha antiga casa. Certo Amanda, tudo certinho viu.
— Brian, vamos com calma... — Falei num tom meio baixo, afirmo que me senti bem envergonhada e nem sei ao certo o motivo. — Acabamos de nos conhecer, exatamente ontem sabe. Eu sei que foi muito divertido nosso jantar ontem e o karaokê hoje, foi tudo muito bom mesmo. Te devo muito pelo jantar alias, chamar um amigo editor para lhe apresentar a uma desconhecida, isso é muito gentil! Mas eu não acredito em nada a primeira vista, se é que me entende.
— Amanda, me desculpa, eu nem sei o que ao certo estou fazendo.– Ele põe a mão na nunca, e depois na cabeça e me olha meio desconcertado. Resumindo, ele estava envergonhado. — A minha intenção não era me jogar em cima de você tão depressa desse jeito, eu só queria dizer como gosto de sua companhia, mesmo que o contato tenha sido tão rapido e ao mesmo tempo tão pouco.– Agora sim, eu podia sentir minhas bochechas corando. Coisas assim mudavam meu dia.
— Magina Brian, eu que me desculpo por não ter interpretado da maneira que você queria.– Uma pequena pausa para demonstrar nosso momento de vergonha, até que nossos olhos se cruzam e... caimos na gargalhada. Que bobeira, pareciamos dois amigos de infância! Mas admito que o momento chegou a ser tão tenso que ficou engraçado. – Então, podemos ser bons amigos.
— Claro, bons amigos.– Apertamos a mão como dois parceiros, e sorrimos um para o outro. Sinto meu telefone vibrar do bolso de minha calça, corto aquele clima amigavel e logo penso que poderia ser aquele babaca mas na verdade era a minha amiga Sandra.
— AMIGA!! — O vizinho do primeiro andar deve ter escutado meu berro. — Finalmente você deu um sinal de vida, quanto tempo.
— Olha quem fala né Srª Rose, nem respondeu as minhas mensagens, não me ligou e se não fosse eu ligando hoje, nossa amizade estaria enterrada no cemitério mais próximo. Mas sem broncas agora, estou ligando para informar minha viagem ao Caribe.– Ok, eu poderia ser muito grossa e xingar ela, perguntar porque isso me interessa e dentre outras formas invejosas de me expressar, mas sou bem suave ao lhe dirigir a palavra.
— Hm, que delícia!! Mas você está me dizendo isso pois quer que eu cuide da Betty?– Betty é a sua poodle toy a qual nem preciso dizer que sou apaixonada e trato como a filha que ainda não tive. — Bom porque pra mim não teria o menor problema, ainda mais se tratando de sua felicidade com o...
— NÃO DIGA ESSE NOME AMANDA. Eu larguei do Bruno, 3 horas depois que te mandei aquela mensagem, e sim eu estou muito bem. Só preciso refrescar minha mente. E não quero que você cuide da Betty, estou te falando pois quero que você vá comigo.– Ai meu Deus, será que a Sandra ainda ta com esse pensamento de que dinheiro cai do céu? Triste isso.
— Sandra, não é tão fácil assim sabe. Eu adoraria ir para o Caribe, você sabe como eu amo lá mas o dinheiro não tá facil e tem meu trabalho também sabe.
— Deixa de ser besta Amanda. Faz 4 anos que você guarda um puta dinheiro para viajar com o seu love de São Paulo que não tem coragem de gastar passagem de ônibus pra vim te ver, quem dira viajar com você para o exterior. E outra, você trabalha tanto, da um tempo para si mesma também, vai curtir um pouco.
— Eu realmente preciso te contar muita coisa... Mas ok, é só que eu acabei de encontrar alguém que se interesse pelos meus livros e eu não poderia perder a oportunidade.– Logo vejo Brian puxar o telefone para si, e fico espantada.
— Olá Sandra, aqui é Brian. Eu sou a pessoa que ela afirmou está interessada pelos seus livros e dou a minha permissão para que ela vá a essa viagem com você, ela pode reiniciar os trabalhos quando voltar. Bom, foi um prazer trocar meia palavra com você, isso é tudo.– Ele da uma risadinha e pisca pra mim, mexendo a boca de um jeito meio safado, e eu dou um sorriso meio torto. Ele me devolve o celular enquanto fala, sem emitir som algum: "Sem mais desculpas".
— Err, acho que voltei.– Dou uma virada e olho para Brian, que agora está analisando o que eu estava a fazer antes de sua declaração.
– ACHO QUE VOCÊ TEM MUITO O QUE ME CONTAR MESMO, UHUUUUL– Sandra sempre foi aquele tipo de amiga super animada com detalhes bobos. Brian escuta seu grito, olha pra minha cara e olha de volta para meu trabalho só que rindo dessa vez. – Bom, só aviso que as passagens estão compradas. SIM, eu comprei a sua também pois sabia de todas essas desculpas, você nunca me engana. Vou te mandar tudo certinho por email. Te espero em Guarulhos gatinha, dois beijos.– Antes que eu pudesse brigar com ela pelas passagens e agradecer ao mesmo tempo, sinto que ela havia desligado o telefone. Tiro o mesmo do ouvido, com um olhar duvidoso e sento numa cadeira ao lado de Brian. Olho para o celular, olho para minhas mãos, e sinto seus olhos em mim.
— Deixa eu adivinhar... Você ta muito feliz que vai viajar mas ainda não consegue deixar de pensar nele?– Olho com uma cara de menininha de 15 anos para ele, enquanto vejo suas sobrancelhas erguidas. Eu estava muito confusa. Não sabia se tinha tomado a decisão certa ao expulsar Carlos de casa sem nem deixar ele se explicar, ou se eu podia mesmo abandonar meu trabalho por uma viagem, deixar Brian na mão por umas semanas. Mas quer saber, essa é a viagem que eu queria mesmo. Eu sou apaixonada pelo Caribe e agora que tenho a oportunidade de visitar, não quero estraga-la por qualquer problema.
— Quer saber? Na verdade estou muito feliz sim. Quem é ele? Brian você sabia que não pode falar comigo sobre pessoas que não conheço ao menos que você vá me apresentar a ela. Pois é, as coisas funcionam assim comigo. É que eu sou bem curiosa, mas posso te dizer que esse "ele" é a primeira pessoa a qual não quero conhecer. Engraçado né!?– Levanto e faço gestos como se estivesse dançando em volta da cadeira. Brian abre um sorriso sugestivo pra mim.
— É mesmo Dona Amanda? Prometo não falar mais sobre pessoas desconhecidas a qual não irei lhe apresentar, e sobre pessoas desconhecidas a qual você não gostaria de conhecer.– Ele levanta fazendo um gesto de cavalheiro e eu começo a gargalhar e me debater, como se estivesse bebada, e como eu sempre faço quando quero rir de verdade. Sim, é bem estranho mesmo mas essa sou eu. Ele me olha, me olha, continua me olhando e isso fica por uns 2 minutos enquanto eu dou risada sem parar. Quando consigo parar, limpo minhas lágrimas, olho de maneira seria para ele.
— Brian, me desculpa se isso foi bem estranho pra você mas quando eu acho algo muito engraçado eu preciso me debater, isso me da vontade de rir mais.– Me apoio em um dos assentos, e passo a língua pelos meus lábios, balançando a cabeça com um sinal positivo enquanto olho para todos os outros comodos. Sim, estou com bastante vergonha.
— Amanda, eu achei tudo isso tão...– Ele falou gesticulando com as mãos e de uma maneira séria, achei que ele ia me dizer que não posso fazer isso na frente dos outros até que vejo ele caindo na gargalhada também. Olho assustada, pergunto se ta tudo bem, se algum fantasma estava fazendo cócegas nele. Ele ri tanto que depois para e continua. — Divertido. Essa risada? Foi a mais engraçada que já escutei. Você é uma comédia.– E eu começo a rir mais um pouco. O clima volta ao normal depois de um tempo, estamos sentados no sofá descansando nossos animos.
— Então Amanda, gostaria de esclarecer uma coisa sobre essa nossa tarde fascinantemente estranha e divertida.
— Diga Brian.– Olho para ele, querendo rir mais um pouco. Ainda estava com vontade.
— Você é mesmo feliz, ou está feliz?
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