Monstros Sobre Meu Lençol

3 Amanda, Manda, Ama... Prazer


Notas iniciais
Esse capítulo é sobre o jantar de Amanda com Brian e seu amigo.

Chegando ao restaurante aonde iríamos nos encontrar me sinto como uma adolescente de 14 anos prestes a apresentar seu trabalho para toda turma. No momento queria ser tele transportada para qualquer lugar do Brasil, até mesmo para Recife, onde meus queridos pais vivem, quanta falta eles me fazem. Entrando no restaurante, uma elegante moça se dirige a mim e fala:

— Olá, seja muito bem vinda. Gostaria de escolher um lugar para sentar ou alguém já está sua espera? — Ela diz com um belo sorriso estampado no seu rosto. Está usando um vestido vermelho elegante e um salto de camurça acompanha o mesmo, dando a entender que ela vai a algum casamento ou algum compromisso bastante delicado.

— Bom, eu espero que as duas pessoas que estavam a minha espera já estejam aí. — Digo num tom irônico e ao mesmo tempo dou uma olhada geral no lugar. Logo vejo Brian, que estava a conversar seriamente com seu amigo e logo dá um aceno delicado para mim. Droga, ele tá vindo aqui.

— Olá Amanda, você parece elegante, caprichou. — Diz ele beijando minhas mãos como uma forma de cumprimento e eu me sinto envergonhada ao mesmo momento. Eu realmente adoro receber elogios, mas sempre fico envergonhada quando os recebo.

— Oi Brian, você está... Moderno. — Eu sorrio para ele, que está em uma blusa branca e uma jaqueta preta por cima e vestindo calça jeans com um tênis bem moderno. Melhor dizendo, um estilo bad boy.

— Moderno? — Ele dá uma pequena risadinha. — Gostei da sua definição, agora se você puder fazer o favor de me seguir, pois temos muito a conversar com meu amigo. Ele realmente é muito gentil. Seguro sua mão e ele me leva até a mesa. Logo chegamos à mesa e vejo um homem, que aparenta ter seus 29 anos, ele estava em um terno azul e a sua calça era do mesmo tom, sua gravata era preta e os sapatos, sociais, o mesmo. Ele é loiro, tem uma pele bronzeada e um sorriso potente. Logo, sinto Brian me tirar de meus pensamentos:

— Douglas, essa é Amanda, a escritora. — Ele diz fazendo um gesto de apresentação, e logo vejo Douglas me cumprimentando da mesma forma que Brian fez quando cheguei. — E Amanda, esse é o meu amigo que trabalha na editora.

— Muito prazer, Sr. ? — Eu digo, tentando parecer elegante.

— Danuthe. Mas como acho meu sobrenome um tanto bizarro, prefiro que me chame de Douglas mesmo, alias meu sobrenome é mais profissional. Talvez deixe você me chamar assim se eu aprovar suas histórias e você vier trabalhar na editora. — E dá um pequeno sorriso. — Ah, o prazer é todo meu.

Uau! Estou chocada. Ele é bem direto. — Ok, hum... Douglas.

— Sente, por favor, Amanda — Brian diz rapidamente puxando a cadeira para eu sentar e depois me ajudando a sentar na mesma. Não posso deixar de dizer que ele é gentil e um grande cavalheiro. Ficamos todos em silêncio e decido acabar com isso, já que sinto agonia de silêncios desnecessários:

— Então, vocês dois estão me esperando há muito tempo?

— Bom, chegamos 20 minutos antes de você. — Brian me dá uma olhada de alerta, e Douglas toma uma golada de vinho.

— Me desculpem, é que meu — Hum, não sei se ele é mais meu namorado, tenho dúvidas —... Amigo acabou de chegar de São Paulo e acabei conversando tanto com ele que perdi hora.

— Não senti firmeza no "amigo". – Brian diz me dando um olhar duvidoso. Parece que ele me conhece desde sempre.

— Talvez seja o namorado e ela esteja querendo esconder isso de nós. — Douglas dá uma risada e olha para Brian que faz o mesmo, depois olha pra mim de volta. — O fato de você ter ou não ter namorado, não altera sua vida profissional Amanda.

Caramba me sinto como se estivesse na escola sendo motivo de piada sem nem ao menos entender o fato.

— Bom, eu não tenho certeza se você pensaria o mesmo se eu dissesse que meu namorado fica mais de 6 garotas em uma festa e transa super bem. — Percebo o que eu acabei de dizer e olho para mim mesma chocada, mas sinto uma pequena vontade de rir, mas me seguro. Brian e Douglas olham pra mim com os queixos no chão, completamente chocados.

— Isso foi uma piada, certo? — Brian me pergunta chocado.

— Mas é claro que foi, era só pra descontrair. — Digo dando um sorriso inocente. Os dois me olham aliviados e sinto que venci o jogo, eu nunca fico de fora. Logo vejo que Douglas muda o assunto rapidamente.

— Percebi que você têm uma tatuagem de... — Ele faz uma pausa olhando para minhas canelas e apreciando minhas pernas, eu posso realmente ver isso. — Fios elétricos embolados!?

O que? Eu ri. — Na verdade são várias montanhas, porém concordo com sua percepção. Acho que meu tatuador estava meio bêbado, posso ter certeza disso, tenho até hoje a imagem das montanhas que pedi a ele.

— Oh! Mas é bonita, muito bonita. — Nesse momento fiquei confusa querendo saber se ele se referia a minha tatuagem ou as minhas pernas, mas deixei isso de lado.

— Por Deus, vamos logo falar sobre as histórias de Amanda, estou agoniado. — Brian diz mais do que depressa, assustando eu e Douglas, ao mesmo tempo. No fundo, concordei com ele e logo peguei minha pasta e tirei meus rascunhos e minhas histórias, as entreguei. Douglas olha tudo com muita atenção, acho que ele faz isso em meia hora. Quando termina, organiza os rascunhos e as histórias, tira seus óculos e o guarda no estojo, pega minha pasta e coloca tudo dentro. E de repente, ele olha pra mim.

— Amanda, eu estou impressionado. Você têm uma capacidade maravilhosa de escrever, parece que sua criatividade está por toda parte do mundo, sempre descobrindo algo à mais. Estou impressionado e adoraria falar com você sobre a editora. — Ele diz, com um enorme sorriso, parecendo realmente impressionado.

Só? Pergunto-me espantada. — Só isso? Você não quer que eu escreva mais nada? — Estou assustada e envergonhada, é claro, recebi elogios.

— Não, só preciso conversar com você sobre e a publicação dos livros e como tudo ocorre. — Ele diz chamando o garçom para fazer o pedido. — Eu gostaria do prato tradicional, meu predileto. E por sinal, quero a carne muito bem passada. Vocês gostariam de me acompanhar? — Ele nos olha.

— Eu aceito qualquer coisa Douglas, estou com tanta fome que vocês não têm noção. — Brian diz depressa.

— Eu aceito o mesmo, por favor. — Digo delicada. E o garçom se retira.

— Graças a Deus que você gostou Douglas, eu sabia, o trabalho de Amanda é impressionante. O vejo como um Best-seller. — Brian está parecendo uma criança com planos, e eu me seguro para não dizer o quão estúpido foi ele ter dito isso. Best-seller? Por favor, eu mal comecei a negociar o acordo para a publicação de meus livros. Douglas o ignora e se dirije a mim.

— Eu não sei se essa pergunta irá ser meio indelicada, mas eu realmente gostaria de saber por que você fala tanto sobre lésbicas na sua história, sente algum interesse?

— Oh! Na verdade não é bem assim, eu apenas gosto de falar um pouco sobre o modo de vida moderno que as pessoas adotam. Afinal, eu adoraria que não existisse preconceito. Nunca tive contato com lésbicas, mas tenho amigas bissexuais e eu não vejo nada de errado. — Digo dando de ombros quando termino.

— Ah, mas isso não foi um ponto negativo, não pense por isso. Suas histórias são impressionantes.

— Eu sei. — Digo num tom seco e entendedor.

— Eu amo as histórias dela cara. — Brian diz com uns olhos brilhantes.

— Nem deu pra perceber né? — Meu tom soa bem irônico e eu sorrio.

— Não seja chata, não brinco quando digo isso. — Brian me olha decepcionado. Eu? Chata? Ilusão sua.

— Não sou chata, mas obrigada realmente por se importar com minha história tão bem. — Dou um belo sorriso e faço com que ele se anime. — E se... E se ninguém gostar? — Faço a pergunta antes mesmo que perceba que a fiz.

— Quem liga? Eu gosto, Douglas gosta e mais um monte de fãs do seu blog gostam. O resto é resto. Quem não gosta de suas histórias, certamente não têm meu respeito. — Brian diz glorioso e me sinto um pimentão preste a explodir de tão vermelha que fiquei.

Ficamos conversando sobre os livros e sobre a publicação de cada um, depois falamos um pouco sobre nossas vidas pessoais, mas do nada sou ocupada por uma mensagem anônima. Ah não, outra vez não. Mas dessa vez percebi que não poderia ser do Carlos e sim de alguém fora de controle, a mensagem dizia: "Sua puta, cretina, não acredito que você fez isso, você conseguiu fazer ele se separar de mim e vai pagar tão caro por isso. Eu odeio você, O-D-E-I-O." Sinto todo meu corpo amolecer, começo a tremer e suar frio. Brian percebe minha situação e logo me socorre.

— Mas Amanda, o que está acontecendo com você? — Ele diz me dando um copo de água. E vejo que Douglas pede ajuda, e grita socorro. Depois disso, eu desmaio rapidamente nos braços de Brian.