Notas iniciais
nao aguentei e tive que postar hoje sou leitora tambem e nao gosto de demora"!!!

Sou acordada suavemente pela aeromoça avisando que já estamos prestes a pousar. Me ajeito na poltrona, ainda com sono. O voo passou rápido, ou talvez eu tenha dormido mais do que imaginei.


Enquanto o avião pousava, minha mente voltava à confusão de tudo o que estava acontecendo. Meus tios... lembro pouco deles. Minha mãe disse que eles têm dois filhos. Também mal me lembro deles, só de algumas fotos antigas. Sei que vou estudar aqui e conviver com pessoas da minha idade, mas isso, ao invés de animar, me deixa tensa. Não sei o que esperar. Não sei quem vou ser aqui.


Ao sair do avião, caminho pelo aeroporto observando os rostos desconhecidos, até encontrar uma mulher com uma plaquinha com meu nome. Loira, cabelos enrolados e olhos claros — iguais aos da minha mãe. Ela sorri ao me ver e se aproxima com carinho.


— Luna! Que bom te ver, querida! — me abraça apertado — Como foi a viagem?


— Oi, tia. Foi tranquila. E com a senhora, tudo bem?


— Tudo sim, mas pode me chamar só de Marianne, tá bem? Nada de “senhora”, que isso me envelhece! — ela ri.


Com ela estão dois rapazes, aparentemente da minha idade. Um deles, loiro e mais alto, parece forte, talvez até demais. Deve ser meu primo Trevor. O outro é moreno, de cabelo levemente bagunçado, olhos castanhos. Está de calça jeans e camiseta preta.


— Esse aqui é o Trevor, seu primo — ela diz, apontando para o loiro — E esse é o Pietro, amigo dele. Eles vieram me ajudar com as malas.


— Oi — digo, com um aceno discreto.


— E aí — dizem os dois quase juntos.


Seguimos até a esteira. Eles pegam minhas malas sem dificuldade, principalmente Trevor, que carrega quase tudo sozinho. Parece gostar de exibir força.


Na saída, ele se adianta:


— Eu vou na frente.


Minha tia se vira para mim com um sorriso gentil:


— Você se importa de ir atrás com o Pietro?


— Claro que não.


Pietro entra no carro logo depois. Me sento do lado da janela e fico olhando para fora, tentando entender onde estou, tentando aceitar tudo isso. Sinto Pietro me cutucar de leve no braço.


— Tudo certo?


— Mais ou menos. É estranho ficar longe dos meus pais — respondo sem entrar em detalhes.


— Imagino... Se quiser dar uma volta mais tarde, pra conhecer a cidade, a gente pode ir.


— Obrigada, mas acho que vou querer descansar primeiro.


— Sem problema — ele responde, com um sorriso educado.


O caminho até a casa é tranquilo. Quando chegamos, vejo uma casa bonita, de dois andares, com jardim bem cuidado. Um lugar aconchegante, com janelas amplas e detalhes de madeira.


Ao entrarmos, vejo uma garota loira na sala, se olhando no espelho e ajeitando o cabelo. Ela veste um short jeans e uma blusa soltinha com tênis — pronta pra sair. Usa maquiagem, mas nada exagerado. Deve ser a Britney, minha prima.


— Onde vai? — pergunta minha tia.


— Na casa da Brenda. Você tinha dito que tava tudo bem, lembra?


— Não disse que era hoje — responde minha tia, meio séria.


— Mãe, relaxa. Não vou voltar tarde. Quem é?


— Sua prima Luna.


Britney me encara por um segundo, sem expressão. Depois apenas acena com a cabeça.


— Oi. Bem-vinda — diz, antes de sair apressada pela porta da frente.


— Ela é assim mesmo — suspira minha tia — Vive no mundo dela. Festeira, mas tem bom coração. Você vai ver.


Sorrio sem graça, mas não digo nada. Subimos. Meu quarto é maior do que imaginei. As paredes são de um azul suave. A cama, o armário e a escrivaninha são brancos. Tudo muito limpo e organizado.


— Pode se acomodar, querida. Se quiser jantar mais tarde, estarei lá embaixo.


— Obrigada, tia. Acho que vou descansar um pouco.


— Claro, qualquer coisa, me chama.


Ela fecha a porta com cuidado. Respiro fundo. Começo a tirar minhas coisas da mala. Arrumo as roupas no guarda-roupa, coloco minha câmera na escrivaninha e espalho algumas fotos que trouxe comigo.


Quando vejo a primeira imagem minha com meus pais, sorrindo em frente à Torre Eiffel, o aperto no peito se torna insuportável.


Me sento no chão, abraço os joelhos, e deixo as lágrimas caírem.

A saudade, de novo, bate forte.

E pela primeira vez desde que cheguei, sinto realmente o peso do que perdi.



Notas finais
O que acharam???