Monarc
28 Lindsay Smith
Lindsay havia chegou em seu apartamento após o passeio na praia, o cheiro de café indicava que Brandon estava ali, o que a fez sorrir e se apressar na direção da cozinha, onde ele estava colocando os pratos para o café da tarde, ele se abaixou e lhe deu um selinho antes de continuar colocando a mesa:
— Espero que não se importe, imaginei que chegaria cansada…. O que fez hoje? Escalada? Bungee Jump?
— Acredita que apenas caminhei na praia? Estava com a Mel.
— Estou surpreso.
— Amanhã irei com Henry para uma trilha, então não precisa ficar tão surpreso assim.
— Você e o Henry tem passado bastante tempo juntos não?
— Você não gosta de me acompanhar!
Lindsay deu de ombros e se sentou começando a se servir enquanto Brandon unia as sobrancelhas pensativo, foi Lindsay que quebrou o silêncio:
— Não quero começar uma briga, mas que cara é essa? Há problemas na minha amizade com Henry?
— Não, Lindsay, é que não gosto de sentir que quase não passamos tempo juntos desde que começamos a namorar!
— Eu faço as coisas que você gosta, vejo suas novelas chatas, até estou terminando aquele livro que você adora. Mas eu não vou deixar de fazer o que eu gosto, você me acompanhando ou não.
— Eu irei te acompanhar.
— O que?
— Eu quero ter mais tempo com você, você realmente se empenhou para participar dos meus hobbies, eu quero retribuir.
— Começamos amanhã? Ou quer algo mais tranquilo?
— É muito difícil essa trilha que vocês vão amanhã?
— Não, só é longa, bem cansativa, mas tranquila.
— Então iremos amanhã.
Lindsay aplaudiu empolgada e levantou abraçando Brandon que já estava sentado por trás beijando seu rosto antes de voltar ao seu lugar, e Brandon vendo ela tão feliz sentiu que estava tomando a decisão certa.
Na madrugada seguinte, Lindsay e Brandon estavam dirigindo para encontrarem com Henry no ponto marcado, Brandon estava tentando se manter acordado com café, mas era difícil, Lindsay por outro lado já havia acordado dispersa e cantava durante todo o caminho, e Brandon amava ouvi-la, a voz despertando uma memória adormecida…
Brandon estava andando pelos corredores, irritado, sua aula havia sido muito difícil e sem Lindsay para auxiliá-lo Felipe havia passado todos os limites que podia, sequer imaginava ele que a ajuda faria tanta falta quando a liberou para poder assumir o coral.
Murmurando consigo mesmo reclamava e sua cabeça começava a doer quando ouviu um toque de violão e uma voz doce e angelical, nunca tinha escutado algo tão bonito, sequer pensou, apenas seguiu o som, que o levou até Lindsay.
Lindsay estava concentrada em seu próprio mundo, as feições suavizadas sem a malícia natural que ela tinha, era somente ela e o violão, nada a alcançava, Brandon se encostou na porta para ouvi-la, o sorriso surgia em seu rosto a cada verso, era uma linda música de amor, em espanhol, que Brandon jamais tinha ouvido, sequer imaginava que Lindsay era tão boa em espanhol.
Quando a mesma terminou, poucas lágrimas caiam de seu rosto, e ela secava enquanto se levantava indo guardar o violão quando seus olhos se cruzaram, na época Brandon não entendia porque seu coração batia tão forte com apenas um olhar, e Lindsay se apressou em secar o restante das lágrimas:
— Sr. Roberts, posso ajudá-lo?
— Voltamos as formalidades, Srita. Smith?
— Achei que era o que o Sr. queria. Disse que deveria ser mais profissional.
— Não quis ofendê-la, apenas acho que estávamos nos excedendo para um ambiente de trabalho.
— Eu entendi.
— Era uma linda música, nunca tinha ouvido.
— É porque foi minha mãe que fez, ela cantava para eu dormir quando eu era criança.
— Sua mãe parece uma mulher muito doce.
— Ela era. Hoje o que resta é a música.
Brandon ao perceber engoliu em seco sem jeito, coçou a nuca e ajeitou o óculos enquanto buscava palavras para se desculpar, mas Lindsay o interrompeu:
— Não precisa. Eu estou bem. Apenas estava com saudades, e foi um momento frágil que você acabou presenciando, já passou.
— Você pode se permitir ser frágil comigo, não irei usar contra você nada disso.
— E quem disse que eu não usarei contra você?
— Acho que está voltando para o campo arriscado, Lindsay.
— Eu amo como pronuncia meu nome, pena que é com tanta roupa entre nós…
Lindsay sorriu maliciosamente e pegou seus materiais, quando passou por ele segurou sua gravata ao se despedir:
— Se não quer que eu entre nesse campo, não deveria passar tanto tempo me olhando. Os sinais podem ser confusos.
Brandon não se mexeu quando Lindsay se aproximou de seu rosto, mas com um olhar brincalhão beijou seu rosto e foi embora, Brandon soltou o ar que não reparou estar segurando, e daquele dia em diante foi impossível tirar Lindsay da cabeça.
No carro, Brandon sorria ao lembrar deste dia, vendo a mesma expressão leve e despretensiosa em seu rosto, um dos poucos momentos que sua guarda baixava, e ao chegarem esperou a música acabar para descerem do carro, Henry já estava lá, Lindsay correu e o abraçou que a levantou e aquele abraço durou mais do que Brandon gostaria, mas ele entendia a proximidade dos dois, visto que faziam quase tudo juntos.
— Ela finalmente conseguiu te convencer a nos acompanhar?
— É o que parece, não?
— Então vamos garotos, que eu quero chegar antes do Sol nascer.
— Quem precisa dormir não é mesmo?
Lindsay riu e Brandon forçou um sorriso, os acompanhando durante todo percurso, Henry as vezes tentava o incluir na conversa, mas ele estava cansado e sonolento demais para conseguir acompanhá-los e ainda conversar, mas quando chegaram lá em cima, a vista fazia valer a pena, e a alegria de Lindsay ainda mais, seus olhos brilhavam e Brandon se sentiu muito idiota de ter perdido esse rosto tantas vezes, prometeu para si que se esforçaria para alcançar o ritmo da namorada.
Lindsay tirou fotos da paisagem, dos três, com o Henry, somente com ele, até mesmo de uma joaninha que estava parada por ali, se explicando:
— Dizem que joaninha é sinal de boa sorte.
— Garota, você inventa essas coisas.
— Não sei se é mesmo verdade Henry, mas quando acreditamos, se torna verdade não?
Henry balançou a cabeça e foi para o mato se aliviar enquanto Brandon se aproximava dela:
— Faz sentido ser sinal de boa sorte.
— Por que concorda comigo?
— Porque tinha uma dessa na minha sala minutos antes de você entrar, se não é sinal de boa sorte, não sei o que pode ser.
Lindsay sorriu mostrando os dentes, o seu dia não poderia ter começado melhor, após descerem, os três foram almoçar na casa de Henry, onde o filho dele estava, era um adolescente de personalidade forte, mas com o tempo se acalmou, Lindsay sabia lidar bem com adolescentes assim, e na hora de ir embora, Brandon foi dirigindo:
— O filho do Henry é difícil! Não sei como ele consegue.
— Você sabe quem ele me lembrou?
— Não faço ideia, quem?
— Seu amigo, Felipe. São iguaizinhos.
Lindsay revirou os olhos e mostrou o dedo do meio para ele, apenas olhou para a janela, sentia tanta falta de Felipe, mas sabia os desentendimentos que causava, apenas ignorou o sentimento, no colégio falaria com ele, amanhã já era segunda mesmo. Brandon preocupado uniu as sobrancelhas ao perguntar:
— Falei algo errado?
— Não, nada. Apenas fazia tempo que não pensava em Felipe.
Era mentira, Lindsay tinha feito questão de buscar Melissa no horário que fora pensando que teria uma desculpa de rever o amigo, que por sorte estava menos amargurado do seu distanciamento, porém já havia a substituído, ele iria ver a nova amiga, Helena, que era incrível e o ajudava muito e blá blá blá. Por sorte Melissa não demorou, Lindsay não queria soar amarga.
— Sente falta dele?
— Eu o vejo todo dia.
— Mas não da forma que vocês se viam antes.
Brandon conteve o máximo que pode para não expressar o que sentia, seu coração apertava só de imaginar Felipe presente em suas vidas de novo, ele nunca havia contado para Lindsay da conversa que tiveram poucos dias após o início de seu relacionamento não oficial.
— Você acha que é homem para ela? Você tem idade para ser pai dela!
— E o que você entende? É apenas um pirralho! E é desse jeito que ela olha para você, ou vai embebeda-la sempre para que tenham alguma chance?
— Do que você está falando?!
— Eu vi vocês juntos no baile, e ela sequer teria pensado em ficar com você se eu já tivesse me separado naquela noite!
— Não fizemos nada naquela noite. Eu jamais faria algo com Lindsay naquele estado. Ela é uma dama e deve ser tratada como tal.
— Pelo menos concordamos em alguma coisa.
— Você sabe que ela gosta de você já faz meses e fica alimentando seu ego com isso, por que eu devo acreditar que você vai cuidar dela agora? Por que dormiram juntos?
— Eu acredito que não devo explicações para uma criança.
— Então será que o coroa pode deixá-la em paz? Que eu tenho certeza que ela encontrará alguém melhor que a fará bem mais feliz.
— Espero que não esteja falando de você.
— Qualquer um seria melhor do que você! Que eu acho que está claro que você apenas está brincando com minha amiga!
— Olha pirralho, eu vou te explicar só para você me deixar em paz: O que eu tenho com a Lindsay não é da sua conta, mas eu não perderia meu tempo e nem o tempo dela se fosse apenas curtição. Eu e a Lindsay somos pra valer, então desiste.
— Se você magoar ela, um pouco que seja, eu juro que acabo com você.
— Não que você seja capaz, mas pode ficar tranquilo, não é minha intenção.
Lindsay não queria responder Brandon para falarem sobre Felipe, ela sabia que ele não gostava nada de seu amigo, e foi ela mesma que decidiu se afastar, ele em nenhum momento pediu que fizesse isso, mas nesses curtos momentos, se questionava sobre sua decisão. Brandon a tirou de seus devaneios:
— Por que não liga para ele? Talvez se sinta melhor.
— Eu estou bem, e ele deve estar bem também.
Brandon concordou com a cabeça e não levou muito tempo para Lindsay abandonar todos aqueles pensamentos, quando chegaram na casa de Brandon fizeram planos para outros programas que a deixou animadíssima, e foi tomar banho antes de se deitar, quando Tommy ligou para Brandon pedindo um documento que aparentemente tinha ficado no meio das coisas dele na mudança, realmente havia uma caixa que Brandon nunca tinha visto há fundo o que tinha quando reparou que eram coisas da infância de Tommy, como desenhos e histórico escolar, estavam ainda em ligação enquanto Brandon mexia na caixa do sótão, ao tirar uma das pastas de trabalhos do colégio uma foto voou caindo de cabeça para baixo, ele não sabia reagir ao desvirar ela, a foto revelava ele e Lindsay em um baile escolar, ele tentaria acreditar que não era o que ele estava pensando se os dois não tivessem se beijando, apenas desligou o telefone e foi direto para o quarto, assim que Lindsay saiu do banheiro lhe perguntou ao mostrar a foto:
— Pode me explicar o que é isso?
Fale com o autor