Monarc
29 Helena Underwood
Já havia se passado uma semana, uma semana de lágrimas que pareciam não acabar, uma semana de dor, uma semana apenas, e lá estava Nicholas, na portaria do prédio, colocando outra garota em um táxi, já era a segunda, e se passava apenas uma semana desde que eles haviam terminado, ele não parecia se importar com essas garotas, porém pela forma que elas iam embora era claro o que havia acontecido, dessa vez Helena não desviou, não se escondeu, apenas ficou encarando ele retornar a portaria, quando o mesmo parou na sua frente ergueu uma sobrancelha:
— Perdeu alguma coisa?
— Estou proibida de olhar para a porta do prédio que eu moro, Nicholas?
— A porta está lá e não aqui.
— É, onde você deixou sua acompanhante, eu vi. Semana movimentada não?
— O que te importa o que eu faço, Helena? Você que quis terminar.
— E aparentemente você não poderia estar mais feliz.
— Você acha que eu estou feliz?!
— Eu não acho nada Nicholas, não sei porque entramos nesse assunto.
— Também não sei, namorada do príncipe.
— É só fofoca. Você sabe bem disso.
— Sim, minha última conversa com Felipe deixou isso bem claro.
— Como assim? O que conversaram?
— Em resumo? Ele acha que você está certa, não quis me estender, tenho negócios a manter e não posso perder meu tempo colocando aquele mauricinho no lugar.
— Achei que vocês se davam bem.
— Agora não temos mais motivos para isso, não é? O caminho dele está livre.
Helena revirou os olhos e respirou fundo antes de responder:
— Você não sabe do que está falando. Só quer mudar o assunto da sua semana super movimentada.
— Helena, é só sexo. Não vou ficar me lamentando por você também. E você desceu aqui só para brigar comigo?
E quando Helena foi abrir a boca para responder, em um timing perfeito, Thomas parou atrás de Noah cruzando os braços e assumindo sua expressão mais séria:
— Cheguei muito cedo?
Noah travou o maxilar enquanto Helena abria um sorriso exibindo os dentes que fazia seu coração doer, quando se virou Thomas estava descruzando os braços e recebendo Helena entre eles, Noah sentiu sentimentos diversos em questão de segundos, não se deu ao trabalho de se despedir e subiu pela escada.
Helena ao ouvir os passos fortes de Nicholas respirou fundo ao se afastar e ver Thomas afastando o cabelo do seu rosto:
— Você está se sentindo melhor?
— Sim, obrigada por ter vindo, mesmo eu sendo uma péssima amiga.
— Todos temos momentos ruins.
— Mara não quis vir? Estava ansiosa para conhecer sua namorada!
— Então torce para ela ser minha namorada quando voltar do intercâmbio de férias.
— Por que? Vocês terminaram?
— Três meses longe é muita coisa, quando estivermos no mesmo reino de novo conversaremos.
— Faz sentido, e onde vamos hoje? Confesso que não pensei em nada.
— Pensei no mus…
— Vou te interromper aí, eu não vou no museu.
— Helena, você vai deixar de fazer algo que gosta por causa daquele cara?
— Tom, eu não vou conseguir parar de chorar.
— Tudo bem, eu fico do seu lado e te ofereço meu ombro. Mas você vai sim no museu, venha!
Tom pegou a mão de Helena e enganchou seus braços a guiando para seu carro, incrédulo com a pergunta que veio na sequência:
— Quer que eu dispense os seguranças? Eles te incomodam?
— Eu não faço nada ilegal Helena, pode deixa-los fazer o trabalho deles.
— Desculpe, não foi a intenção ofender.
— Eu sei, eu entendo. Era esse tipo de coisa que me deixava preocupado com você.
— Eu achava que era somente ciúmes.
— Era também.
Helena sorriu e achou melhor não continuar essa conversa, sua música favorita estava tocando no rádio quando ligou e ela começou a cantar para acompanhar indo mais alto conforme o carro andava que nem percebeu o momento que Tom desligou o rádio até terminar sua canção.
— Ei, por que desligou?
— O som do rádio estava atrapalhando meu show particular.
— Que besteira!
— Você canta muito bem, sabe que isso não é novidade, teve quase todos os solos do coral no último ano.
— Como você sabe?
— Eu fui nas apresentações, Matt convidou por causa da Lindy e da Cher. Mas você sabe roubar a cena.
— Não era minha intenção roubar a cena.
— Eu sei, é um dos motivos que tornava ainda mais especial, seus solos sempre foram minha parte favorita do espetáculo.
— Então eu tenho um fã?
— Acho que pode se dizer assim, mas não fique se achando também viu?
Helena e Tom se olharam e riram e quando chegaram ao museu, Tom desceu e abriu a porta para ela antes de entregar o carro para o manobrista, o coração de Helena se apertou ao encarar a estrutura, sua mente voltou ao primeiro encontro que teve com Noah e uma lágrima escorreu, mas Helena a limpou rápido, não queria chorar, havia aproveitado a mensagem de Tom naquela semana para se aproximar e conversar, só queria uma tarde tranquila com um amigo, e por mais que seja horrível admitir, Felipe estava ocupado e por isso seguiu com Tom, mas como se lesse seus pensamentos veio o questionamento:
— Por que quis sair comigo? Achei que ia se consolar com Felipe, os sites de fofoca não param de falar de vocês.
— Ele está fazendo uma agenda real para achar a esposa ideal.
— Então eu sou seu estepe?
— Você faz parecer horrível colocando assim!
— Está tudo bem, eu apenas achei estranho. Achei que iria ignorar aquela mensagem.
— Por que?
— Não nos falamos direito desde que você e Nicholas iniciaram um relacionamento.
— Porque você se afastou de mim!
— Eu era apaixonado por você Helena, não era fácil. Ainda mais com o trabalho dele, mas fiquei preocupado se aconteceria algo todo esse tempo.
— Eu estou aqui, sã e salva.
— Vocês pareciam estar brigando quando te encontrei.
— Ele dormiu com duas garotas essa semana.
— Não faz uma semana que vocês terminaram?
— Sim.
— Que canalha.
— Não precisa falar assim dele também.
Tom deu um riso fraco ao parar na frente de um quadro de uma paisagem chuvosa, onde um casal dançava no meio, Helena sorriu com a ironia de aquela ter sido a inspiração que utilizará quando pintou depois do primeiro encontro que tiveram, observou as expressões de Tom ao analisar o quadro, era diferente de ir com Noah, com Noah havia expressões e fortes opiniões, discussões acaloradas, mesmo com o distanciamento que mantinham em excesso para parecer apenas estranhos que se esbarraram em um museu, já com Tom ele mantinha o braço dos dois enganchados desde que entraram, e apenas observava contemplativo, sua expressão mudava apenas o subir e descer das sobrancelhas, até irem para a próxima e ser da mesma forma, e na quarta que pararam, Helena quebrou o silêncio:
— O que está achando?
— São ótimos quadros, lindos, não entendo como isso é arte e aqueles rabiscos sem sentido também.
— Aqueles rabiscos são usados como forma de expressão, são um misto de sentimentos onde o artista busca extravasar e liberar tudo que não sai em traços capazes de fazer formas.
— Desculpa, eu retiro o que eu disse.
Helena não esperava essa resposta e por isso não conseguiu responder, ela acreditou que ele discordaria, que tentaria a convencer do contrário, mas não, apenas seguiram um caminho tranquilo até a arte abstrata, onde Tom a questionou
— Como você vê tantos sentimentos? Eu só vejo telas sujas.
Então Helena se empolgou e começou a falar sobre tudo que via naqueles quadros, os sentimentos que acreditava ser, sobre o uso das cores, esperando que Tom a .interrompesse, mas no final ele apenas sorria e a observava falar e apontar o quadro até dizer:
— Entendo porque gosta. Mas estou com fome, quer ir almoçar?
Helena sorriu e fez que sim, então seguiram para o restaurante ali perto onde Tom pediu uma garrafa de vinho para dividirem e ambos decidiram dividir uma pizza:
— Obrigada Tom, eu estava precisando disso.
— Não precisa me agradecer, não é para isso que servem os amigos?
— Eu não sei, eu sei que estou me sentindo muito melhor, a Mara com certeza vai ser muito idiota se te perder por um intercâmbio.
— Eu não acho que alguém se arrependa disso Helena, não sou tudo isso.
— Tom, você é incrível. Eu precisei de um dia para chegar nessa conclusão.
— E precisou de apenas uma pessoa melhor para mudar de ideia, acontece. Eu sou acostumado.
— Você sabe o primeiro quadro que paramos hoje? Do casal dançando?
— Sim, o que isso tem a ver?
— Eu usei de referência para esse quadro…- Ela pegou o celular mostrando o quadro do primeiro dia — E sabe qual foi a inspiração?
— O Nicholas?
— Não idiota, foi você. Eu fiz isso quando cheguei em casa depois do nosso primeiro encontro.
— Nossa. É legal saber disso.
— Então se coloque no seu lugar, saiba que qualquer garota teria sorte por ter você.
— Obrigado, Helena.
— De nada, Thomas.
Ambos conversaram por mais um pouco até terminarem de comer, depois de Thomas a levar em casa, o mesmo insistiu de acompanhá-la até a porta de sua casa:
— Você realmente não precisava subir comigo.
— E qual o problema? Quero te deixar em casa em segurança.
— Em caso do elevador cair? Quer garantir que vai os dois pra melhor nesse caso?
— Helena, eu fui educado assim, então por favor, me deixe usar minha educação.
— Claro, jamais impediria.
Thomas riu fraco e Helena o acompanhou, quando chegou na porta abriu a maçaneta e ainda segurando a mesma olhou para Tom que estava com as mãos no bolso:
— É isso…Estou segura em casa.
— Sim, nos vemos por aí?
— Sim, não some, vamos aproveitar para sair enquanto você não volta para faculdade.
— Posso fazer algo antes de você decidir se quer sair de novo?
— O que?
— Isso…
Thomas tirou as mãos do bolso e segurou o rosto de Helena e olhou nos seus olhos mostrando seu nervosismo antes do ato que vinha a seguir, um beijo calmo e romântico, onde ele pedia permissão para explorar cada canto da boca de Helena com sua língua, no começo Helena foi pega de surpresa e não teve reação, porém se permitiu aproveitar aquele momento, era bom o beijo de Thomas, e ela se via desejando por mais, até o momento que eles se afastaram, e ambos se encararam por segundos que pareciam horas, o silêncio era ensurdecedor, até que Helena teve a iniciativa de falar:
— Eu não esperava que o dia acabasse assim.
— Eu não conseguiria continuar me perguntando como seria, desculpe se fui desrespeitoso.
— Não foi, eu gostei, foi bom. Só que Tom…
— Eu não quero nada sério, você tem o Noah, eu tenho a Mara. Só…
— Eu sei, eu também.
— Bem, nós temos o verão, caso queira, claro.
— Eu gostei disso, nós temos o verão.
— Então vamos se ver de novo?
Antes de fechar a porta, com uma piscadela, Helena respondeu:
— O verão acabou de começar.
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