Monarc
21 Lindsay Smith
Lindsay após ter ido buscar mais bebidas com Melissa, perdeu a amiga para Gabriel assim que chegaram, e ao entrar na cozinha para guardar as garrafas, esbarrou com Thomas preparando café e deu um pequeno riso, chegava a ser estranho a semelhança entre pai e filho num ato tão pequeno, mas ignorou o pensamento antes que levasse isso mais a fundo e continuou:
— Quer ajuda?
— Não precisa, Tommy. Obrigada.
— Eu queria conversar com você, acha que vamos ter outro momento para isso?
— Sinceramente? Acho difícil. É uma casa cheia de pessoas invasivas.
— E você não é uma delas?
— Eu acho que eu sou a principal delas.
Thomas riu baixo balançando a cabeça e mesmo contra a vontade de Lindsay, começou a ajudá-la com as sacolas, e quando pegou seu refrigerante de baunilha deu risada enquanto fazia careta:
— Você ainda gosta disso?
— É uma delícia e você sabe.
— Você tem um gosto bem duvidoso.
Lindsay revirou os olhos abrindo sua lata de refrigerante e bebendo um gole, e Thomas sorriu revirando os olhos ao ver que alguns hábitos não haviam mudado, se esforçou para conter o sentimento de tristeza que ameaçava nascer, então entrou no assunto antes que perdesse a coragem:
— Você e meu pai... O que vocês tem, é sério?
— Eu queria que fosse, mas seu pai diz que ainda não está pronto depois da sua mãe, e por mim tudo bem, eu vou vivendo minha vida enquanto isso.
— Você realmente gosta dele, Lindsay? Você sabe que seu pai vai odiá-lo, não sabe?
Lindsay deu de ombros ao responder:
— Ele já me odeia mesmo, um motivo a mais não irá fazer diferença.
— E meu pai sabe... sobre nós dois?
Lindsay ficou quieta enquanto continuava guardando as garrafas, se demorando de propósito enquanto olhava a geladeira:
— Lindsay, você sabia que ele era o meu pai?
Lindsay fez que sim com a cabeça ainda sem se virar.
— Por que não contou nada?
Lindsay respirou fundo e finalmente reuniu coragem para encarar Thomas nos olhos:
— Não queria piorar a imagem que ele já conhece de mim, eu fui horrível com você. E eu me enrolei tanto que agora parece que não faz mais sentido contar... Você vai falar alguma coisa?
Thomas respirou fundo e começou a enrolar as sacolas entre os dedos então balançou a cabeça:
— Não consigo, ele parece estar feliz, meio inseguro, mas quem não se sente inseguro com você? — Ele respirou fundo antes de continuar — Só...Não magoe ele, está bem? Faz tempo que não o vejo gostar de alguém, e você finalmente fez ele ter coragem de terminar um casamento horrível. Pode não ter sido o melhor começo, mas pelo menos não fizeram nada errado. Eu espero que sejam felizes, Lindsay.
Os olhos de Lindsay já estavam lacrimejando quando Thomas terminou de falar, sua boca abria e fechava, mas ela não encontrava as palavras certas, e ele apenas balançou a cabeça e se aproximou a abraçando, o que fez ela não conseguir mais conter o choro:
— Obrigada, Tommy.
— Não posso guardar ressentimentos da minha madrasta, não é?
Lindsay fez careta e riu secando as lágrimas ainda sem se afastar:
— Isso é tão bizarro quanto parece?
— Sim , Lindsay, é sim.
Os dois riram ao se afastar e Thomas afastou o cabelo de Lindsay grudado no rosto e com o polegar secou o restante de suas lágrimas, seu olhar era uma incógnita, mas ele beijou a testa de Lindsay e se afastou, parou na porta da cozinha olhando a tela do celular de Lindsay e olhou ela revirando os olhos enquanto mostrava a foto de Felipe na tela:
— Ele ainda?
— Ele é meu amigo.
Thomas sorriu com certa malícia ao entregar o celular para ela:
— Eu sei, eu também era.
E então saiu da cozinha enquanto Lindsay atendia a ligação:
— Querido, aconteceu alguma coisa?
— Não, só queria saber se está livre, podíamos sair amanhã cedo, o tempo vai estar bom, lembrei da trilha que você queria ir...
— Por mais que eu adore a ideia, eu estou na viagem com o pessoal do colégio, lembra? E você não ia sair com seus amigos?
— E saí, mas é que a casa que eles alugaram é aqui perto. Daí por isso lembrei. Foi mal te incomodar, nos falamos na volta?
— Claro, até. Se cuide e tenha mais juízo do que eu.
— Sempre.
Lindsay sorriu ao desligar o telefone e abriu as mensagens que ele havia mandado, eram fotos dos lugares que ela havia comentado com ele que gostaria de ir, quando viu Helena entre as fotos uniu as sobrancelhas, até o momento não conhecia essa amizade, procurou Nicholas também, mas não o encontrou, decidiu que perguntaria isso para Lindy mais tarde e decidiu levar o cooler para a piscina onde todos se encontravam rindo de alguma coisa, Brandon sorriu assim que ela chegou batendo no lugar ao seu lado enquanto abria espaço na espreguiçadeira que estava e Lindsay se aconchegou em seus braços:
— Qual o assunto tão engraçado?
— Luany estava tentando ensinar Gabriel a fumar baseado.
Lindsay riu mais alto do que pretendia e cobriu a boca com a mão rapidamente:
— Eu não queria ter perdido isso!
Brandon uniu as sobrancelhas confuso:
— Você fuma?
— Não, eu não suporto, no colegial meu cabelo ficava com o cheiro impregnado e com o tempo não conseguia mais chegar perto. Mas o Gabriel tentando tragar deve ter sido hilário.
— O que estava fazendo lá dentro? Compraram tanta cerveja assim que levou todo esse tempo para guardar?
— Tommy estava passando café e conversamos um pouco, e depois Felipe me ligou.
Ao ouvir o nome de Felipe, a expressão de Brandon mudou de imediato, perdendo toda suavidade:
— O que ele queria?
— Só me mostrar que estava perto daquela trilha que eu havia comentado com você, aliás tem uma outra aqui perto, nós bem que podíamos ir né?
— Sabe que não gosto dessas coisas...
— Ah... — Lindsay ao virar o rosto para os demais levantou a voz ao continuar: — O que vocês acham de trilha amanhã cedo?
Henry foi o primeiro a se pronunciar:
— Sabe que eu topo!
— Ah, acho que vai ser legal, vamos amor?
Gabriel olhou Melissa e sorriu ao concordar:
— Pode substituir minha rotina matinal, acho que fará bem.
Luany sorriu e concordou com a cabeça:
— O velho Brandon vai numa trilha? Achei que fosse alérgico à natureza.
— Ah não, ele não está afim...
Brandon a interrompeu:
— De ficar em casa, claro que eu vou Luany.
Lindsay uniu as sobrancelhas e virou o rosto para ele confusa que apenas deu de ombros:
— Então vamos todos? Alguém se opõe?
O silêncio serviu como resposta e Lindsay se deu por satisfeita.
No outro dia, de madrugada, Lindsay já estava de pé pronta para sair quando Brandon finalmente abriu os olhos:
— O Sol nem nasceu...
— Mas a ideia é vermos o Sol nascer, vamos vamos!
— Já estou me arrependendo de ter concordado com você.
— Não é nenhum Morro dos Apaixonados, é uma caminhada rápida e leve. Para de fazer corpo mole.
— Se fosse esse daí, eu nem cogitaria levantar hoje.
Brandon aos resmungos levantou e foi se arrumar para saírem, na sala Henry já tinha separado as coisas para levar e ele e Tommy estavam carregando as mochilas:
— Bom dia garota, passou protetor? Repelente?
— Está achando que eu sou amadora?
— Falou para meu pai passar?
Lindsay deu um sorriso amarelo e subiu correndo entrando no banheiro para avisar Brandon, quando o viu no chuveiro precisou de um grande autocontrole para não desistir de seus planos, mas se apressou para descer novamente e pegou uma pêra para comer no momento.
— Avisado.
— Você tem energia mesmo, não é garota?
Melissa quem respondeu vindo da escada:
— Você nem faz ideia, Henry.
— Cadê o Gabriel?
Catherine gritou da cozinha:
— Ele está lá fora se alongando.
— É outro de muita energia, não sei se quero sair com vocês de novo.
Arrastando os pés, Melissa foi para o lado de fora. Após todos prontos, eles começaram a caminhada para um morro próximo, por ter uma vista linda do mar, se chamava Morro dos Mares, ou era isso pelo menos que Lindsay tinha visto no Google antes de dormir, Lindsay e Henry iam a frente conversando animados, sendo acompanhados por Caio, o professor de educação física e Gabriel, e logo atrás vinham Melissa, que estava próxima devido Gabriel estar a motivando, Henrique, Catherine e Luany conversaram empolgados sobre algo que Lindsay não tinha pego, e no final estavam Thomas e Brandon, ao chegarem ao topo Brandon estava ofegante, vermelho e cansado, olhou Lindsay com um misto de raiva e carinho, então se aproximou para um abraço suado, apesar da pele grudenta, Lindsay não se afastou, e ficou nesse abraço vendo o Sol nascer junto a ele.
— Acho que a vista valeu a pena, não?
Brandon sorriu concordando com a cabeça:
— Só você para me tirar de casa para isso.
— Não gostou de ter vindo?
— Gosto de ver você animada desse jeito, mas não sei se te acompanho. Vou ter que começar a ir para academia com você. Se não, o que vai ser do nosso namoro se eu não conseguir te acompanhar?
— Brandon, você está ex...Você disse namoro?
— Olha, eu definitivamente não tinha planejado essa trilha e a intenção era o pôr do Sol, mas Lindsay, você é incrível, e eu quero te acompanhar, onde você for.
Brandon então se afastou, tirou um anel delicado prateado com uma pedra tão brilhante que parecia uma estrela e segurou as mãos de Lindsay, a olhando nos olhos continuou:
— Eu não consigo mais continuar dividindo você, acho que irei enlouquecer se continuar vivendo num mundo que você não é minha e eu não sou seu, e sinto que você se sente da mesma forma. Será que podemos oficializar nossa relação?
— Isso foi melhor do que todos os cenários que criei na minha cabeça, por que demorou tanto? Claro que eu aceito!
Lindsay esperou impaciente Brandon terminar de colocar o anel em seu dedo e pulou o abraçando enquanto ele a girava e a colocava no chão novamente enquanto se beijavam, ela olhou Brandon sem conseguir parar de sorrir e questionou:
— Quando mudou de ideia? Por que? Não estou reclamando, mas até ontem você disse que tudo era muito precipitado.
— Eu sempre odiei te ver saindo brava, mas no último dia que você foi dar aula para o Felipe... Eu percebi que apenas odeio te ver saindo.
— E isso não tem nada a ver com a conversa sobre Melissa e Daniel?
— Um pouco também, você estava certa. E eu não quero me importar com todas as pessoas que estiveram na sua vida até hoje ou a forma que elas estiveram com você, só quero que a partir de hoje, ninguém esteja da mesma forma que eu.
Lindsay sorriu e seus olhos brilharam ao responder:
— Ninguém nunca esteve.
E ela soube, naquele momento, que era verdade, toda confusão, todo o medo, todo o redemoinho, tudo caia num mar tranquilo e calmo, um novo sentimento, desconhecido, porém nada aterrorizante, a ansiedade finalmente se despedia abrindo espaço para um sentimento tão bom, que ela ainda não tinha certeza do que se tratava, mas não tinha mais pressa para descobrir.
— Eu conversei com meu filho, ele me falou da conversa de vocês.
— E o que Tommy disse?
— Que me dava a benção dele, que mesmo achando uma péssima ideia por trabalharmos juntos, guardaria o preconceito dele para ele, desejou que fôssemos felizes.
— Ele é um garoto incrível. Você fez um ótimo trabalho.
Brandon riu balançando a cabeça:
— Ele fez quase tudo sozinho, talvez com o nosso eu acerte mais.
Lindsay já sentia as bochechas doer, mas o sorriso não se desfazia:
— Se vê tendo filhos comigo? Você tem certeza do que está falando?
— Sim, tenho, toda alternativa de futuro que eu vejo, é com você. E esse é um deles.
— Acho que estou gostando desse negócio de ser namorada.
Brandon riu balançando a cabeça a puxando pela cintura para mais perto:
— Eu acho que eu também sabia.
E então enquanto o Sol se erguia iniciando um novo dia, eles se beijavam despreocupados e apaixonados. De longe Thomas observada os dois feliz por seu pai, mal viu quando Luany se aproximou:
— Eles formam um casal muito bonito.
— Sim, eles formam mesmo.
— Não se sente mal com isso?
Thomas olhou Brandon e Lindsay se olhando como dois adolescentes apaixonados então olhou Luany sorrindo:
— Eu amei uma Lindsay que não tem mais nada a ver com a mulher que meu pai conhece hoje, e se ele acordou cedo, saiu de casa sem uma xícara de café, e ainda está sorrindo, ele deve mesmo amar essa nova Lindsay.
— Acha que depois que nosso divórcio sair, encontraremos um amor como o deles?
— Eu fiquei feliz por anos com um amor como o nosso. Sentirei sua falta, Lu.
— Igual sentiu a dela?
— Não, ela pode ter sido meu primeiro amor, você é a mulher que eu esperava que fosse o último.
Luany sorriu enganchado em seu braço e deitando a cabeça no seu ombro:
— Também queria que você fosse o último. E não acredito que vou perder a fase da sua vida onde sua ex vai ser sua madrasta.
Thomas riu levando a cabeça para trás:
— Você é uma idiota, sabia?
— E mesmo assim, você sentirá minha falta.
Thomas não sentiu necessidade de responder, sabia como Luany se sentia em relação a isso também, então eles ficaram ali observando o Sol, apenas aproveitando um a companhia do outro, já que provavelmente não teriam outros momentos assim.
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