Monarc

2 Lindsay Smith


Lindsay acompanhava a diretora pelos corredores do colégio que com certeza conhecia melhor do que a mesma quase impaciente, a notícia que Felipe, seu melhor amigo desde a infância, continuaria estudando ali lhe agradou muito, devido a agenda real ainda não tinham conseguido se falar muito do último evento que havia comparecido no castelo até então, quando a diretora abriu a porta Lindsay encarou um dos homens mais bonitos que havia visto em sua vida, que causava uma estranha sensação de familiaridade. O moreno de aproximadamente um metro e noventa se aproximou após limpar o óculos e colocá-lo novamente em seu rosto lhe dando um ar de seriedade:

— Brandon Rogers, prazer. — Ele esticou a mão.

— Lindsay Smith, o prazer é meu. — Ao apertar a mão dele teve a decepção ou o alívio de perceber uma aliança, o plano era não se relacionar com colegas de trabalho, sua reputação ali não era muito boa, e pela reação do professor percebeu que ele já sabia disso.

Ao se apresentar para turma logo viu suas irmãs e a filha de Jared Woods conversando ao fundo, próximo delas estavam os irmãos Bankoff, se admirou de Cheer e Matteo terem cálculo junto aos alunos do segundo ano, nerds, Felipe estava a frente conversando com uma ruiva que ela tinha a impressão já ter visto antes, mas eles pararam para lhe ouvir:

— Eu estarei auxiliando alguns professores, e cuidarei das aulas de reforço de literatura e espanhol, porém a professora Marta não gostou muito da ideia de dividir a atenção da turma de vocês, por isso se me virem por lá saibam que só estarei em observação. Seria melhor evitarem falar comigo durante esta aula.

— E se eu precisar de uma aula de reforço em casa? — Um aluno sentado ao fundo da sala perguntou, se Lindsay não estava enganada ele havia acabado de se mudar para o Village com o pai e irmão mais novo.

— Acho que sobre aulas particulares falamos em particular.

Lindsay escolheu se sentar próximo a mesa do professor pegando seu tablet para tirar notas da metodologia, levantando poucas vezes que ele solicitava algum material ou pedia uma opinião, ao decorrer das aulas percebeu que algumas vezes seu olhar se dirigia ao comprimento da sua saia, que ela sabia estar mais curta do que o apropriado, mas preferiu ignorar essa observação.

Felipe não era um aluno fácil, sempre se intrometendo fora de hora, não aceitava muito bem ser contrariado, e não perdia uma chance de usar seu trunfo “Você sabe com quem está falando”, até que chegou o momento que ela precisou interferir percebendo a irritação do professor:

— Querido, será que podemos terminar essa aula? Nem todos tem uma equipe de professores a postos para quando não quiserem prestar atenção em sala. Por favor.

— Eu apenas considero que tem maneiras melhores de iniciar uma aula do que com apresentações desnecessárias e o programa do colégio, nós já o conhecemos.

— Sua realidade não é a de todos. Querido, por favor?

Após a encarar por alguns segundos e respirar fundo ele assentiu com a cabeça então deixou Brandon terminar sua aula introdutória, que realmente era repetitiva, mas ela entendia a necessidade do que ele falava quando percebia as perguntas dos alunos sobre o que havia acabado de ser explicado, após encerrarem as aulas do primeiro período se dirigiram juntos a sala dos professores durante o intervalo, quando ele decidiu iniciar uma conversa:

— Então, o que está achando de seu primeiro dia?

— Eu confesso que gostava mais do Pascoal do que da nova diretora, mas até que está interessante, gostei bastante de sua metodologia Sr. Roberts.

— Fico feliz em saber disso Srita. Smith, sei que a minha área não é a que pretende atuar futuramente.

— Com certeza não, nunca fui boa em exatas, o que te levou a escolher justamente essa área?

— Quando era mais novo eu não entendia bem a matéria de matemática e sempre pedia ajuda para meu pai, ele era um homem inteligente, mas não era bom explicando o que sabia, gritava, e batia os livros, o que me deixava muito frustrado, me sentindo burro, então decidi que não queria que outras pessoas se sentissem da mesma forma que eu me sentia, então me tornei professor, e quando meu filho precisa de ajuda faço o possível para ser o mais paciente que posso. E você? Por que não quis seguir com os negócios de sua família?

— Eu odeio administração, não suporto a ideia de tanta pressão em mim, e quando estudava aqui observei muitas coisas que poderiam ser melhoradas, mas ninguém fazia nada a respeito.. Como Smith fui capaz melhorar alguns pontos, mas como aluna sempre era vencida com o argumento “O que uma aluna sabe sobre isso ou sobre aquilo” então decidi que me dedicaria à educação, e por isso me candidatei para trabalhar aqui, para poder observar deste lado o que ainda pode ser feito.

— Confesso que esperava um motivo mais superficial Srita. Smith.

— Todos sempre esperam, minha reputação me precede. Aliás, pode me chamar de Li.

Ao entrarem na sala dos professores e pegarem seus respectivos almoços, ele puxou a cadeira para ela se sentar antes de continuar a conversa:

— Não sei se é adequado lhe tratar desta forma em nosso ambiente de trabalho. Do mesmo modo que não sei se é adequado você se dirigir ao seu namorado como querido em sala de aula.

— Felipe não é meu namorado. — A ideia a fez rir enquanto enrolava o macarrão no garfo — Somos amigos de longa data, meu pai é amigo do rei, eu e minhas irmãs crescemos junto com ele, não existe nada entre a gente. E porque inadequado? Não falei nada impróprio.

— É um colégio tradicional, os pais esperam formalidade.

— Eu preciso me dirigir a ele como? Sr. Bressiane?

— Sim, de preferência. Essa é uma das coisas que pretende mudar futuramente? — Ele sorriu exibindo os dentes ao perguntar.

— Não me decidi sobre isso ainda. Como aluna eu não me incomodava ao me dirigir aos meus professores como Sr. ou Sra. … — Inclusive nas relações que teve fora do ambiente escolar considerava isso bem excitante.

— Ouvi falar pouco sobre você como aluna, mas o pouco que ouvi posso dizer que foi…significativo.

— É um modo muito bonito de te falar que falaram que eu sou uma vadia.

— Não tenho a intenção de ofendê-la, e todos cometemos deslizes quando adolescentes, não tantos, mas acho que ninguém sai impune.

— Então Sr. Smith, me conte qual foi o seu?

— Eu fui pai antes de me formar no colegial, acredito que você conheceu meu filho, tem a sua idade.

— Qual o nome dele? Estudou no Monarc também?

— Sim, como sou professor, ele ganhou bolsa para estudar aqui, Tomás Roberts.

— Sim, eu o conheço, Tommy, era capitão do time de basquete, meio anti-social, mas gostava dele, era divertido quando queria.

Brandon após conversar mais um pouco pediu licença ao perceber que Lindsay não estava de fato presente na conversa e foi lavar a louça que sujou durante o almoço, deixando ela com seus pensamentos, fazia sentido a beleza do professor chamar tanto sua atenção, era dali que vinha a beleza do primeiro garoto por quem realmente foi apaixonada, ela e Tommy chegaram a ter um curto relacionamento de seis meses no final de seu primeiro ano, tudo acabou quando seu pai soube que ele era filho de um professor, era inaceitável que uma de suas filhas se relacionasse com alguém que ele considerava tão inferior, e ela não teve coragem de contrariá-lo, Tommy havia ficado tão magoado e/ou furioso que nunca mais falou com ela, a ignorou nos próximos dois anos, quando ela ganhou a reputação que a perseguia até hoje, mas considerando que Brandon a estava tratando tão bem presumiu que ele não fazia ideia dessa história ou se fazia, não sabia que ela estava envolvida.