Monarc
3 Helena Underwood
Após a orientação Helena se despediu de seu pai e tentou encontrar sua sala, mas estava quase se atrasando quando duas louras se aproximaram dela, a mais alta delas dirigindo lhe dirigindo a palavra:
— Precisa de ajuda para encontrar sua sala?
— Seria bom, eu preciso ir para cálculo, no bloco D.
— Estamos indo para lá, podemos ir juntas. Você é Helena Woods, certo? Eu me chamo Melinda e essa é minha irmãzinha, Cheer. Pode me chamar de Lindy se quiser. Você vai ficar magoada se eu falar que não gosto muito das músicas do seu pai? Minha irmã é fã dele, mas não sei, parece faltar algo. Você também canta? Nós temos o coral no colégio e precisamos de mais gente para as competições…
Lena estava realmente surpresa com a velocidade de palavras que saiam por segundo da boca da loura, não sabia exatamente por onde começar a responder, mas se alegrou em saber que não era uma fã de seu pai querendo se aproximar em troca de autógrafos e encontros com o ídolo, parecia alguém legal para se criar amizade, mas ela buscava não se apegar as pessoas, já que nunca ficava muito tempo no mesmo lugar. Em seus devaneios se perdeu no que ela está falando enquanto entraram na sala, apenas assentiu com a cabeça, o que a fez dar um pulo animada antes de começar a organizar seu material sobre a mesa com sua irmã:
— Os testes serão depois do horário de aulas fixas, me encontre no último horário que vamos juntas, você irá amar as pessoas do coral! E sente aqui com a gente.. — ela apontou para a cadeira na frente dela — Normalmente o Tom fica neste lugar, mas ele não irá se importar, tenho certeza.
— Eu só não sei se conseguirei cantar durante o teste, meu pai é cantor, mas eu meio que tenho pavor de plateia, se for muita gente…
— Não se preocupe, deixe o problema de depois para depois!
Os irmãos Bankoff quando entraram foram diretamente aonde elas estavam sentadas, o que aparentava ser mais novo beijou o rosto da Cheer e fez sinal para que o outro ficasse no lugar ao lado de onde ela estava indo para a carteira de trás e ela que estava quieta até o momento entrou numa conversa animada com o mesmo, talvez apenas estivesse sem espaço para falar como ela própria estava se sentindo momentos atrás, mas ao ser mencionado algo sobre o baile de boas vindas eles não tiveram mais paz para conversarem entre si depois que Melinda resolveu participar da conversa.
— Eu gostaria de te falar que ela não é sempre assim, mas seria mentira. — O outro garoto se sentou ao seu lado com um sorriso tímido e simpático.
— Eu acho que já vi piores, ela só é… enérgica?
— Acho que é uma forma de descrever. Alias, eu sou o Tom. E você…?
— Helena, mas eu prefiro que me chamem de Lena.
— Por que? Helena é um nome muito bonito, combina com você.
Eu senti minhas bochechas corarem ao responder:
— Eu nunca gostei muito dele. E meu pai também nunca usou, parece estranho.
— Então está bem, Lena, se prefere assim. Você é nova no colégio, né? Nunca te vi aqui antes.
— E você conhece todos os alunos? — Sorri após um segundo para mostrar que não falava sério quando pareceu entrar em defensiva — Eu sou nova sim, me mudei no início deste mês, meu pai irá entrar em um período sabático, diz ele.
— E por que você não acredita nele?
— Todo início de ano ele decide que será um ano sabático, então os meus tios que tinham uma banda com ele antigamente o chamam para uma oportunidade única e ele nunca diz não e a gente sempre precisa se mudar.
— E por que não mora com sua mãe?
— Porque ela é totalmente desequilibrada. Você não faz nem ideia de quem eu sou, não é?
— Uma garota com pais problemáticos? — A voz dele demonstrava que estava confuso enquanto ele arqueava a sobrancelha — Eu deveria saber quem você é?
— Não, com certeza não deveria. Mas é estranho isso, para mim. Não se preocupe, é um estranho bom. Mas me fale sobre você, quem é Tom?
— Só um garoto curioso sobre quem você é. — Ele deu risada — Não sei, o que quer saber?
— O que faz, onde mora, sempre viveu aqui. Essas coisas, o padrão de quando se conhece alguém.
— Bem, eu estudo, ajudo meus pais com os afazeres da administração da fazenda da nossa família, eu não moro exatamente aqui, vivo na fazenda Bankoff na saída da cidade, mas moro lá desde que nasci, e você? Por que sempre está se mudando? Com o que seu pai trabalha?
— Ele é cantor, Jared Woods.
— Jared Woods? Aquele Jared Woods?
— Sim, ele mesmo. — Ela deu risada enquanto o mesmo se endireitou em seu lugar aparentemente inquieto. — Posso saber por que isso parece te incomodar? Tem algo contra meu pai?
— Não, não é isso. É que… — dessa vez foi ele quem corou — Eu pretendia te chamar para conhecer a cidade após a aula, mas acho que não é tão simples quando você é tão famosa assim.
— Se você não se incomodar com alguns seguranças por perto, sempre, não vejo razão para não irmos.
— Então, quer dizer.. — ele ajeitou o óculos pigarreando — Por você tudo bem? Quer conhecer a cidade após a aula?
— Claro, vou adorar conhecer a cidade com você. Quero ir ver o que tem de interessante naquele relógio velho.
Ele sorriu, e conversamos um pouco até Melinda desistir de conversar com sua irmã e o namorado e voltar a atenção para nós dois nos convocando para ajudá-la na organização do baile de boas vindas que haveria no final daquela semana para marcar o início de um novo ano, não aceitando não como resposta, a única coisa que a fez parar de falar foi a assistente de turma se apresentando, que Helena entendeu posteriormente que era irmã mais velha das duas, apesar de não terem nada de semelhante fisicamente entre elas, e depois descobriu que o aluno insuportável que não deixava o professor falar em nenhum momento era o príncipe, Felipe Bressiane, que parecia ser bem próximo da irmã de Melinda, que foi quem conseguiu fazer o mesmo deixar o professor terminar a aula, quando a aula acabou Tom a acompanhou até a porta e quando foi abrir a boca parecendo que iria falar algo, Melinda saiu da sala enganchado em seu braço a guiando para longe já falando:
— Eu ouvi que vocês têm um encontro depois da aula! Não sabia que Helena Woods gostava do estilo agroboy.
— Pode me chamar somente de Lena, e com certeza não precisa usar meu sobrenome. E não é um encontro exatamente… Ele vai me apresentar a cidade.
— Não seja bobinha, Tom não é muito sociável, você realmente chamou a atenção dele. Ou foi você que o chamou? Não escutei a conversa toda.
— Foi ele, e eu acho que ele só quis ser gentil, prefiro não fantasiar sem motivo. E você? Como o conhece tão bem?
— Meu pai é amigo de todo mundo que tem poder neste reino, inclusive o pai dele, e minha irmã começou a namorar o irmão dele, então eu estava ali, ele ali.
— Ah sim, não sabia que tinham algo, se quiser posso desmarcar;
— Não seja maluca, nós só fazíamos companhia um para o outro enquanto seguramos vela para nossos irmãos, ele é como se fosse um irmão para mim, ou algo menos bizarro considerando nossos irmãos. Pode sair com ele tranquilamente, por mim. Talvez não pela Cheryl Brooks, de uns tempos para cá eles sempre estão juntos, parecendo um casal, mas se ele chamou você para sair não deu certo com ela, e ainda bem viu? Não a suporto! Mas nós duas estamos na equipe de líderes de torcida, daí tentamos manter a convivência animada né? Porque líderes de torcida precisam ser animadas! O que acha de entrar na equipe?
— Acho que não esse ano, quem sabe no próximo? Meu medo de público talvez desapareça até lá.
— É estranho pensar que você tem medo de palco, quando te vejo nas revistas parece tão desinibida.
— Mas é porque estou com meu pai, é diferente estar com ele numa entrevista e estar num palco sozinha.
— Não faço ideia de como seja, eu dificilmente consigo ver meu pai, somente em eventos, mas é porque vem outros pais, e ele acha que pode encontrar uma oportunidade de negócios. — Ela revirou os olhos antes de prosseguir — Ele é ótimo nisso, sempre sabe onde acha uma forma de fazer dinheiro, não importa onde esteja.
— Sua mãe também é empresária?
— Ela morreu quando eu tinha uns dois anos, mas não era empresária, ela dançava. Minha irmã mais velha lembra melhor dela, eu e a Cheer escutamos mais as histórias que ela conta.
— Sinto muito, não quis ser insensível.
— Não se preocupe, não tenho problemas em falar disso, mas é melhor evitar com minha irmã, a Lindsay, não a Cheer. Ela é bem ressentida com isso. Deve ser porque era mais velha. Que aula tem agora? Eu estou indo para literatura e nem te perguntei, talvez você não precise aguentar a bruxa da professora Marta.
— Agora tenho literatura, depois história. E por que a professora é uma bruxa?
— Ela é velha, e não gosta muito de jovens, não tolera atrasos, nem perguntas, nem conversas, apenas entre, escute e copie tudo que ela passar. E faça anotações, nem que não precise, ela acha que você não presta atenção se não te vê escrevendo.
— Obrigada por avisar…
Melinda realmente não estava exagerando, durante a aula de literatura a mulher chamou atenção dos alunos pelos mais diversos motivos, levantar jogar lixo sem pedir licença, olhar para o lado, não anotar durante a explicação, não conhecer o livro que seria o primeiro trabalho, Helena saiu daquela aula cansada, a próxima aula não era junto com Lindy e também não viu Thomas na sala, quem sentou do seu lado foi um rapaz que estava na aula de cálculo, as feições eram sérias, parecia quase mal humorado, vestia um moletom largo, mas era possível perceber pelo maxilar marcado que estava pouca coisa abaixo do peso, mas forte, traços angulosos, e ela só percebeu que olhou por tempo demais quando ele olhou de canto para ela, finalmente relaxando a expressão em algo parecido com um sorriso:
— Gostou do que está vendo, novata?
— Eu apenas estava tentando me lembrar se te vi em algum lugar. Não precisa ficar convencido.
— Não nos conhecemos, você com certeza se lembraria de mim, e eu acho que lembraria de você, ruivinha.
— Me chamo Helena.
— Eu prefiro ruivinha, e se quiser pode me chamar de Noah.
— Eu acho que prefiro não conversar com você.
— Quem vai perder é somente você.
Ao dar de ombros ele se esparramou na carteira enquanto o professor, Henrique, começava sua aula introdutória, por mais que fosse apenas uma introdução, Lena não conseguiu deixar de se incomodar quando percebeu que Noah estava dormindo, e quando acordou não melhorou, conversou despreocupadamente com seus amigos sem se importar se atrapalhava e quando ele estava saindo algo chamou atenção nele, ele estava entregando alguma coisa para outro aluno, mas como o plano era ficar longe dele nas próximas aulas ignorou aquilo e seguiu procurando alguma das pessoas que considerava possível conviver para o intervalo.
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