Monarc
4 Melissa Calle
Melissa estava exausta após o primeiro dia de trabalho, mas ainda não podia ir para casa, precisava entregar os pertences de Clark, achou que o melhor lugar para isso seria no trabalho dele, a delegacia, ainda assim se sentia insegura e tremia durante todo o percurso, lembranças rondavam sua cabeça, lhe causando uma leve enxaqueca, quando chegou em seu destino suspirou profundamente antes de descer do carro, ele já aguardava na frente do prédio e se aproximou em passos rápidos:
—Mel, eu estava preocupado, nunca se atrasou tanto.
—Bem, eu estou aqui não? E já trouxe tudo para resolvermos isso de vez.
—Mel…- Ele parou ao seu lado enquanto ela abria o porta malas e segurou seu braço a fazendo olhar para ele — Sabe que não precisa ser assim, não sabe? Isso tudo… é um grande erro.
— Ter sido sua noiva foi um grande erro, que ferrou com toda minha vida, então pegue suas coisas e vamos encerrar isso bem, sim?
Clark apertou mais seu braço antes de prosseguir:
—Você irá se arrepender disso. Não prefere evitar enquanto ainda há tempo?
—Já não há mais tempo, Clark… Por favor, me solta.
—Se não o que? Vai gritar para a polícia? — Aquele maldito sorriso presunçoso surgiu em seu rosto enquanto segurava o outro braço de Melissa a pressionando contra o carro a fazendo sentir o que estava se levantando por baixo de sua calça.
Antes que Melissa pudesse responder, escutou uma voz grossa mais próxima a cada palavra que proferia:
—Hein, delegado! Minha mulher fez algo errado?
Clark me soltou rápido, deixando meu braços doloridos e as costas que tinha batido no porta-malas, e pegou a caixa com seus pertences:
— Não senhor Campbell, não sabia que estavam juntos.
—É recente, achamos melhor dar um tempo, você entende, quase ninguém sabe que está namorando a Joanne. Acho que é pelo mesmo motivo, não?
A notícia deixou Melissa em choque, já desconfiava que isso iria acontecer, até suspeitava que tivesse sido traída com ela, porém não foi nada disso que levou a separação, então sequer lembrava da existência desta mulher, ela era nova na delegacia que Clark trabalha, pelo que lembrava, estava ali há uns seis ou sete meses, e eles estavam separados há quase dois meses, tudo estava acontecendo muito rápido, não conseguiu nem ouvir o restante da conversa direito, pelo pouco que ainda a alcançou Clark deu uma desculpa esfarrapada e logo entrou, então o homem correu até ela, era familiar, mas não fazia ideia de onde.
—Ah! Diretora! — ele balançou a cabeça ajeitando o cabelo que estava penteado para o lado como se afastasse o mesmo pensamento de familiaridade — A senhora está bem? Parecia bem incomodada.
— Estou sim, você apareceu em boa hora. Términos, não? — Estava sem graça da situação que tinha sido pega e fechou o porta-malas na esperança dele não perceber seu rosto vermelho.
— Parece que foi um término difícil, ainda mais com aquele cara. O mais mala que aparece na minha oficina, com certeza!
— Daniel Campbell, o senhor esteve na ambientação hoje. Seus filhos se adaptaram bem? — Ela só precisava mudar de assunto e ir embora logo dali. Então conseguiria ficar em paz.
—Eu acho que ainda é cedo para dizer, primeiro dia em colégio de riquinho, mas não estão reclamando mais do que reclamaram dos outros colégios. Quer que a gente te acompanhe até em casa? Não sei se conseguirei ficar em paz comigo te deixando ir sozinha depois disso, penso se fosse minha filha.
— Se o senhor for se sentir melhor, só que eu moro bem longe daqui. Fazendas Calle.
— Moramos na vila lá perto.
— É uma longa viagem até o colégio todo dia… — As palavras apenas saíram de sua cabeça, mas conseguiu controlar antes de falar que era muito caro para quem vivia nas vilas seis e cinco que eram as perto da fazenda onde vivia.
— Sim, mas como trabalho para cá fica fácil de trazê-los, além que ganharam bolsa os dois, seria burrice desperdiçar.
— Com certeza, um dos melhores colégios da região. Bem, vamos?
Após Melissa se dirigir para o motorista, Daniel foi para seu carro e a seguiu durante todo o percurso, por mais que não fosse admitir em voz alta, isso causou um grande conforto nela, mesmo se ele fosse fazer algo ruim quando chegassem, jamais seria pior do que Clark poderia fazer se ela estivesse sozinha, ao chegarem seu pastor alemão correu até eles se escondendo atrás dela quando Daniel desceu do carro, seguido de uma jovem loira, com traços parecidos com os dele, pelo menos os olhos eram iguais:
— Obrigada Sr. Campbell, foi uma grande gentileza. Eu não tenho nada pronto para lhe oferecer, aceita um café, cerveja, chá…?
— Eu acho que é melhor irmos, minha mulher já deve estar preocupada, mas fica com meu cartão. Se precisar, pode me ligar se tiver uma emergência.
— Obrigada novamente. E até amanhã!
— Eu aceito a cerveja por ele, se você ainda quiser compensar. — A loira falou desinibida.
— Vou lá pegar, Srita. Campbell. Podem entrar! — Fui para a cozinha segurando o riso e peguei o pack de cervejas que estavam abandonadas ali, não conseguia beber desde que Clark fora embora, era bom ter uma forma de se livrar delas, já que tinha esquecido de levá-las mais cedo e não achou que ele fosse cobrar por elas.
— Era só uma tia, não quero deixar você sem nada aí não.
— Mary, será que você pode falar só obrigado? — Ele olhou a repreendendo franzindo levemente a testa, o que Melissa considerou um gesto paterno fofo, seus tios nunca foram tão calmos.
— Obrigada tia, desculpa qualquer coisa viu? — Ela pegou o pack de cerveja colocando sob o braço e esticou a outra mão.
— Não por isso Mary, se cuidem na volta.
Quando eles se foram Melissa se jogou ao sofá onde Coronel logo se deitou ao seu lado, vendo o que ela observada, o cartão de visitas de Daniel Campell, mecânico móvel, atende em domicílio e possuía sua oficina na terceira vila, provavelmente onde morava as pessoas com dinheiro não iriam, as pessoas do reino sempre foram elitistas. Um cartão tão simples. Um homem tão simples, de jeans sujo e uma jaqueta desbotada. E ainda assim, foi isso que evitara que ela tivesse mais uma lembrança ruim para se juntar com as outras que não a deixariam dormir direito nem naquela noite nem nas outras, era mais grata do que ele pensava por aquele simples ato, após alguns minutos largou o cartão jogado na mesa de centro da sala e foi fazer sua rotina da casa, arrumar o que estava fora do lugar, jantar, pois Coronel precisava comer, se não fosse por ele, ela provavelmente pularia essa refeição, tomar um longo banho e conferir a trava e as balas de sua arma de cabeceira antes de dormir, pouco depois que Coronel se aninhou em seus pés ela adormeceu, acordando diversas vezes durante a noite, conferindo a arma em algumas, até acordar exausta no dia seguinte, se esforçando a estar pronta para mais um dia de trabalho no Monarc.
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