Monarc
15 Lindsay Smith
Lindsay mais uma vez não acordava em casa, sorria enquanto Brandon beijava suas costas nuas, e não se preocupou em ser silenciosa quando esses beijos desceram, a fazendo chegar lá logo pela manhã, quando ele apareceu no meio das cobertas de novo limpou o canto da boca com o polegar e sorriu malicioso ao dizer:
— Bom dia, Lindsay.
E Lindsay sorriu quase rindo ao responder:
— Um delicioso bom dia, Brandon.
— Assim como você.
E então antes deles levantarem, Brandon a fez dele de novo, e de novo, e quando levantou já estava cansada demais para começar um novo dia, e ele foi preparar o café, enquanto ela tomava banho, Lindsay adorava o apartamento que Brandon havia comprado, talvez em partes porque havia ajudado na decoração, então muitas coisas eram ao seu gosto, mas em partes porque sempre estavam perto, no apartamento de seu pai até quando todos estavam no mesmo cômodo ainda ficavam longe, e isso nunca acontecia ali. Ela amava isso.
Enquanto secava o cabelo, sentiu o cheiro do maravilhoso café que Brandon fazia chegando e fazendo sua barriga roncar, percebendo que estava com mais fome do que achava, Brandon entrou no banheiro a abraçando por trás e beijando seu rosto:
— Que tal irmos comer e depois você termina seu cabelo?
— E eu me atrasar de novo? Logo Gabriel me demite!
— Eu agradeceria se não tivesse dar mais aulas para aquele menino.
— Brandon...
Ele a soltou erguendo as mãos, mantendo o sorriso em seu rosto:
— Está bem, só venha comer Lindasy, ou o café vai esfriar.
Lindsay terminou de secar o cabelo e decidiu terminar de se arrumar no caminho, estava realmente com fome, ao sentar a mesa, Brandon já tinha deixado seu prato feito e o café adoçado como ela gostava, como sempre.
— Mel estava me perguntando se você vai na nossa viagem.
— Eu acredito que sim.
— E nós vamos juntos?
Ele encarou a caneca enquanto se servia, fazendo uma expressão que Lindsay já conhecia muito bem, as sobrancelhas baixando e o maxilar contraído quase imperceptivelmente antes de dizer com a voz carregada:
— Lindsay...
— Tudo bem, eu entendo. Ainda é cedo.
— Não me entenda mal, eu gosto de você, só é muita coisa acontecendo.
— Eu já disse que tudo bem, eu só estou muito atrasada.
— Quer uma carona?
— Não, Felipe já mandou o motorista dele me buscar.
— E ele sabia que estaria aqui?
— Ele também não podia saber sobre nós?
— Sinceramente, eu prefiro que ele saiba.
— Por?
— Porque ele gosta de você, Lindsay.
— Você e a Melissa enxergam coisa demais em uma amizade viu? Enfim, o motorista chegou. Até depois.
Ao deixar seu pão pela metade e terminar a xícara de café, Lindsay saiu a passos rápidos ignorando o gesto que Brandon fez se aproximando para se despedir, ela se esforçava para não parecer uma maluca carente, mas estava cada dia mais difícil, ela estava completamente apaixonada por Brandon, desde muito antes deles finalmente começarem a sair juntos, ela estava quase desistindo do sentimento quando ele cedeu, após ele se reaproximar depois do baile e ter pedido sua ajuda para decorar o apartamento que comprara depois do divórcio, eles foram comer numa lanchonete que ele gostava, e como naquele dia ela não queria voltar para casa, disse que poderia ficar na casa dele, que no momento tinha um colchão, uma geladeira e uma TV.
Brandon abriu a porta de seu apartamento, Lindsay se impressionou com o pouco de espaço que havia, da entrada já conseguia ver a sala e a cozinha, no prédio que morava isso nunca seria possível, Brandon pareceu sem jeito ao jogar a própria jaqueta numa pilha de roupas no outro lado da sala:
— Eu disse que estava vazio.
— Não estou julgando, só é diferente.
— Eu sei que não tem muitas opções, mas fique a vontade. É bem-vinda quando quiser se esconder do seu pai.
Rindo, Lindsay respondeu brincando:
— Então acho que vou morar com você.
E rindo também, ele respondeu:
— Se souber cozinhar, aceito a companhia.
— Droga, perdi meu esconderijo.
— Quem sabe se fizer um curso de culinária podemos podemos rever essa proposta.
— Sem chance, eu odeio cozinhar.
— Já tentou?
— Sim, Ro tentou me ensinar quando eu pedi pra ela, eu queimei tudo, menos o arroz que eu afoguei.
— Quem é Ro?
— Nossa governanta, mas é como se fosse da família pra mim, eu a amo tanto, você iria adorá-la! E a comida dela então...Ela sim você ia querer que morasse com você.
— Hum, acho que vou precisar ir atrás dessa Ro.
— Eu não deixarei você tirar ela de mim.
— Eu achava que você seria muito mais metida pelo que ouvi, sabia?
— E o que você ouviu sobre mim, Sr. Roberts?
Brandon mordeu o lábio antes de responder, o que fez Lindsay não conseguir tirar os olhos de sua boca por quase um minuto:
— Ouvi coisas demais ao seu respeito Srita. Smith, não sei se é adequado lhe falar tudo.
— E você acha que os rumores são fundamentados?
— Eu acho que você é uma pessoa incrível, e com certeza melhor do que eu esperava.
— Eu gosto de ouvir isso.
Brandon sorriu, e olhou para sua boca, mas quando ela achou que ele iria se aproximar, ele se afastou na direção da geladeira e apontou na direção de uma porta ao final do pequeno corredor:
— Acho que precisaremos pedir comida mais tarde, quer tomar um banho enquanto eu procuro algo? Eu posso te emprestar uma roupa.
— Eu vou aceitar a oferta, mas não me incomodo em não usar nada.
Lindsay sorriu de canto e foi andando de costas até o banheiro, e quando entrou decidiu tomar um banho de água gelada. Quando saiu do banheiro enrolada na toalha, Brandon a entregou uma camisa dele e o olhar dele foi tão intenso que ela quase paralisou e engoliu seco, apenas deixando a toalha cair, não houve nenhuma desculpa depois disso, eles finalmente fizeram o que queriam há tanto tempo no colchão no chão da sala, e muitas outras vezes desde então, no começo Lindsay realmente acreditava que era apenas um caso com outro professor para passar o tempo...
Mas agora no presente, na limusine de Felipe enquanto se maquiava no banco de trás, já sabia que era muito mais que apenas um caso, pelo menos para ela, apesar de gostar de manter as opções abertas, já que Brandon a deixava confusa, pois a tratava tão bem quando estavam somente os dois, mas em público havia se distanciado, argumentou que não queria causar problemas no colégio, e Melissa confirmou que realmente havia a regra dos funcionários não poderem se relacionar, mas acreditava que Brandon a estava usando. Ela não era a única que pensava deste modo.
Lindsay sempre pedia a opinião de Felipe, mas por alguma razão, ele odiava tudo que era sobre o professor, quando chegou no castelo, Felipe estava na porta a esperando e sorriu erguendo um croissant enquanto ela se aproximava, logo falou:
— Caso tenha saído sem comer direito, de novo.
— Atrasos acontecem, sabe que sou péssima com horários.
— Sim, disse para meu tio que tínhamos mudado o horário de hoje para as 10h.
Lindsay beijou seu rosto ao pegar o croissant e respondeu:
— Obrigada querido! Você é demais.
— Fica me devendo essa.
— Pode colocar na conta junto com o resto.
Felipe riu e balançou a cabeça, ao chegarem na biblioteca abriu a porta para ela e então foram para mesa de estudos:
— Já preciso começar a falar em espanhol?
E em espanhol, Lindsay respondeu:
— Se não quiser, posso lhe passar um trabalho de 50 páginas.
Felipe processou uns segundos o que disse, então revirou os olhos e se sentou ligando seu notebook, e decidiu por seguir com o diálogo em espanhol, falando um pouco devagar para encontrar as palavras:
— Ainda não voltou para casa?
— E não estou com vontade nenhuma de voltar.
— Seu pai continua ligando?
— Me ofereceu até um carro novo.
— E não foi suficiente para você voltar? O apartamento do Brandon é tão bom assim?
— Eu gosto de lá,
— Do apartamento?
— Ah querido... Você sabe que eu gosto dele. E eu estou começando a achar que é mais do que eu pensava.
Felipe olhou para o notebook fingindo procurar alguma coisa enquanto seu coração se quebrava em pedaços com aquelas palavras, as palavras que temia que teria de ouvir em algum momento, mas se forçou a sorrir ao continuar:
— Não achei que te veria gostando de alguém.
— Nem eu, querido, nem eu. Mas tem algo nele... Eu só fico preocupada.
— Com o que?
— Ele é pai do Thomas, lembra dele?
"PUTA QUE PARIU", foi o que veio na mente de Felipe, mais uma vez perdia a mulher da sua vida para um Roberts, ele não conseguia entender, devia ser algum composto do DNA. Dessa vez, apesar de disfarçar, não acha que foi tão bem ao responder:
— E ele sabe que vocês namoraram?
— Não, e como ele acha melhor não falarmos nada para ninguém até ser sério, também não falou com Thomas, eu acho.
— E você acha que ele vai contar para o pai dele sobre vocês?
— Eu não sei, talvez não, foi há tanto tempo já, talvez pra ele eu nem seja relevante mais, agora que ele está casado.
— Você procurou ele de novo?
— Eu queria saber como ele estava com o divórcio! Brandon disse que estava sendo difícil, mas ele não postou nada.
— Nem todos gostam de ter uma vida pública, ele deve ter puxado isso do pai.
— Acho que você tem um ponto. Mas e você? Nenhuma garota chamou sua atenção ainda?
Felipe olhou de Lindsay novamente para tela em branco do notebook, segurando o ar, pensando na melhor resposta, mas apenas quis desconversa, voltando ao idioma nativo:
— Não consegui me lembrar das palavras para te responder, podemos fazer um intervalo?
— Claro querido, qual seria a frase que queria formar?
— Me dê um minuto, irei tentar sozinho.
— O tempo que precisar.
Ao voltar para o espanhol, errando de propósito, Felipe respondeu:
— Garota alguma atenção chamar, obrigações de rei demais.
E isso foi suficiente para Lindsay focar em explicar as regras gramaticais e de pronúncia, a diferença dos idiomas, e quando se empolgou nesse assunto, Felipe apenas a ficou admirando, era tudo que lhe restava fazer.
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