Monarc

16 Helena Underwood


No domingo após o baile havia combinado de encontrar com Nicholas na portaria após o almoço, e quando desceu, com o shorts que havia feito cortando uma das calças de seu pai e uma regata que também havia pego "emprestada", o encontrou esperando segurando o skate embaixo do braço conversando com o porteiro, e encerrou a conversa se aproximando sorrindo:

— Ruivinha, esse estilo cai bem viu?

— Obrigada, faz tempo que está aqui?

— Um pouco, estava trocando uma ideia com o Theodore, vamos?

— Vamos. Quer que peça pro meu motorista nos levar?

Nicholas puxou os cantos do lábio segurando o riso e balançou a cabeça:

— Acha que aguenta andar sem a equipe do seu pai? É aqui perto. Sem perigos.

— Eu nunca tentei ficar sem eles, mas acho que um dia não faz mal, né? Um instante.

Helena perguntou o telefone conversando com alguém por dois minutos, e ao desligar vários homens que estavam ao redor deles se dispersaram ainda mais, Nicholas ficou impressionado com o tanto de seguranças, havia deixado passar dois na última vez que havia contado enquanto esperava.

— Pronto Nicholas, seremos só eu e você.

— Eu prometo que te trago em segurança.

— Eu espero que sim, não vai querer partir o coração de um pobre senhor ao dizer que algo aconteceu com sua filha favorita.

— Achei que não tinha irmãos.

— Por isso a favorita.

Nicholas riu um pouco a fazendo sorrir enquanto saíam do prédio e ela seguia o caminho que ele fazia tão naturalmente que Helena tinha certeza que era uma rota muito comum.

— Você está mais solta hoje.

— Eu não sinto que somos dois completos estranhos hoje.

Ao erguer a sobrancelha, ele retrucou:

— Então ontem eu era um completo estranho?

— E não era?

— Nós nos conhecemos na aula de história. No seu primeiro dia.

Helena se forçou a lembrar, mas não conseguia, provavelmente porque no primeiro dia estava completamente encantada com Thomas que apagou quase todas lembranças que ele não estava presente, e quando percebeu a expressão emburrada de Nicholas, mesmo ele tentando disfarçar, ficou vermelha ao perceber que tinha mesmo esquecido.

— Desculpe Nicholas. Eu não lembro muita coisa do primeiro dia.

— Não achei que fosse tão pouco memorável, essa doeu! — Ele riu após colocar a mão no peito em um gesto dramático — Deve ser por isso que não lembra também que disse que pode me chamar de Noah.

E o apelido fez a memória de Helena desbloquear, ele era o cara sem noção do primeiro dia.

— O exibido! Eu lembro de você. Meu Deus, como você foi irritante!

E o comentário fez Nicholas rir alto e Helena acabou o acompanhando, levemente vermelha, se culpando por ser tão transparente, novamente.

— Exibido? Irritante? Guardou algum outro elogio?

— Quem sabe mais tarde eu posso contar? Mas de verdade, eu queria bater o livro na sua cabeça.

— E eu tinha te achado uma menina tão tranquila, como as aparências enganam não?

Helena concordou com a cabeça e quando eles chegaram na pista de skate Nicholas cumprimentou batendo na mão de um grupo de garotos que estavam logo na entrada, e ela ficou um pouco para trás completamente sem jeito, apenas ouvindo a conversa deles:

— E ai, você...?

Nicholas interrompeu batendo na mão dele e confirmou com a cabeça:

— E ai! Vocês vão ficar por aí?

— Já estamos de saída, comer um rango. Ta afim?

— Não, eu vim andar um pouco com ela.

— A gata ali não tem cara de quem sabe andar não, não tenta enganar a gente Nicholas, ou é tr...?

— Ela vai aprender! Estou no trabalho de ensinar ela. Mas valeu o convite, mande um abraço pra patroa.

— Pode deixar! Nos vemos na próxima. Lembranças pro seu velho!

Nicholas concordou com a cabeça um pouco mais sério do que segundos atrás, o comportamento dele durante toda a conversa era estranho, mas como Helena não o conhecia bem, decidiu ignorar, talvez fosse a forma que ele se sentisse mais à vontade, ou suas intenções com Helena não eram de amizade, mas ela também não quis seguir por essa linha de raciocínio.

— E então ruivinha, vamos começar?

— Vamos. O que eu preciso fazer primeiro?

— Subir no skate. E se equilibrar. Venha, eu te dou apoio até se acostumar.

Nicholas segurou suas mãos enquanto explicava o que ela precisava fazer com os pés, e às vezes quando necessário seu tronco, em outros momentos a pele exposta na sua cintura, a fazendo corar todas as vezes, após uma tarde de ensinamentos, quando ele finalmente a soltou, já perto da hora do Sol se pôr, ela se empolgou e ao virar para trás para olhar o rosto dele e o skate prendeu em algo e ela caiu para o lado ralando o cotovelo e quando Nicholas chegou em segundos do seu lado se abaixando preocupado, fechou a cara automaticamente ao perceber que ela estava rindo.

— Você me assustou caralho! Se machucou?

Sem conseguir parar de rir ainda, Helena respondeu:

— Acho que me ralei, mas isso foi ridículo, Eu definitivamente não levo jeito pra isso!

— Eu acho que se você olhar para onde está indo, dá mais certo! Mas foi bem para o primeiro dia.

Nicholas estendeu a mão para ajudá-la e Helena levantou limpando suas penas e braços sujos de asfalto, ainda rindo um pouco, enquanto percebia Nicholas a avaliar, procurando por machucados.

— Relaxe Noah, eu vou olhar esse lindo pôr do Sol e deixar você andar um pouco no seu skate.

Helena sorriu para ele e subiu no topo de uma das pistas de skate, enquanto ele realmente foi andar um pouco, manobrava como se fosse tão simples, exibido, e Helena resolveu tirar foto do céu naquele momento, que estava um misto de laranja, roxo e rosa, queria replicar mais tarde, e no momento da foto Nicholas manobrou bem em sua frente, apesar da foto ter ficado boa, tirou novamente uma sem ele, e ele logo apareceu sentando ao seu lado:

— Se queria uma foto minha, era só pedir.

— Eu te mando a sua para você poder se admirar.

— Admita, vai dormir beijando minha foto que eu sei.

— Eu não tenho o costume de beijar fotos.

— Beijar de verdade é muito melhor né?

Helena corou, não sabia responder essa pergunta, a verdade era que nunca havia beijado ninguém, o máximo que já fizera foi um selinho com um menino que gostava há muito tempo, mudanças atrás, e Nicholas ao perceber sua reação pigarreou e coçou a nuca:

— Foi mal, não quis forçar a barra. Só estava brincando?

Helena sorriu e chutou de leve o pé dele, e virou o rosto na direção dele encarando aqueles olhos de um tom verde-escuro ao responder:

— Dizem que toda brincadeira tem um fundo de verdade.

Por um instante Helena jurava que podia ter visto Nicholas corando, e ele chutou o pé dela de novo ao fazer uma leve aproximação ao responder:

— E se tiver?

Helena encarou os olhos dele que olhavam para sua boca e então quando olhou para boca dela, Nicholas encarava seus olhos, sem saber qual dos dois rompeu o espaço que havia entre eles, quando se deu conta eles estavam envolvidos em um beijo, Nicholas era calmo, carinhoso, porém voraz, se afastou aos poucos, com pequenos beijos puxando o lábio de Helena entre seus dentes, o que a causava arrepios, e quando abriu os olhos sentia seu rosto queimando por inteiro, e o sorriso com o canto da boca que ele exibia a deixava ainda mais sem jeito.

— Eu não sei o que falar agora.

— Não precisa falar nada, ruivinha. Mas acho que agora qualquer chance de te ver somente como amiga foram arruínadas.

— E como você me vê agora?

— Como a garota que eu estou doido para beijar de novo.

Helena sorriu tímida, e as palavras saíram tão espontaneamente que seu coração bateu forte quando se deu conta:

— E o que está esperando?

Nicholas sorriu e fez charme se distanciando antes de se aproximar para voltar a beijá-la, não conversaram muito depois disso, quando o Sol desapareceu por inteiro Nicholas achou melhor voltarem para casa e Helena o acompanhou, ele abraçou seu ombro despreocupado, e Helena se perguntou se seria sempre assim que ele agia com as garotas que ficava, será que no dia seguinte no colégio ele ainda a trataria bem? Eram tantas dúvidas.

— Voltou a ficar séria. Fiz algo que você não gostou? Ou não quer que seus seguranças nos vejam juntos?

— Não, nada disso. Só estava me perguntando como seria te ver no colégio amanhã.

— Precisa mudar algo como nos comportamos no colégio?

— Eu acho que não, você acha que precisa?

— Eu acho que sim, quase não nos falamos lá. Seria bom não ser ignorado na aula de história.

— Só não se comportar como um idiota.

— Olha, é um pedido bem difícil que você está me fazendo, mas vou fazer um esforço, por você ruivinha.

Helena riu e revirou os olhos, ainda tinha muitas dúvidas sobre este tipo de relacionamento, mas não queria parecer uma criança perguntando, então guardou para si.

— Você tem algo mais te incomodando? É o cowboy? Por mim tudo bem se não quiser que ele saiba, só estamos saindo de boa. Sem compromisso nenhum.

— Que cowboy? Ah... Você está falando do Tom? Não tenho motivo para esconder dele que saímos juntos. Eu e ele somos apenas amigos.

Nicholas riu ironicamente ao responder:

— Nós também.

— Você me entendeu, Noah, é diferente. Eu só estava pensando no que é que é isso.

— Nunca ficou com alguém sem compromisso?

Helena balançou a cabeça negativamente, sem coragem de admitir que nunca tinha se relacionado com ninguém de nenhuma forma. E Noah a soltou passando a mão no cabeça levando seu topete para trás:

— Porra! Sério? Mas você não acha que isso é algum compromisso né? Porque eu não to afim dessa dor de cabeça de novo, Helena.

— Não Noah, eu não acho isso. Eu não acho nada, é isso que estava pensando. Não sei se sair sem compromisso tem regras, se vamos sair de novo, se depois de hoje não saímos mais. Pra mim é confuso!

— Eu curti sair com você esse fim de semana, quero sair mais vezes. E você?

— Eu gostei também, seria legal. Você é uma boa companhia.

— Valeu! Então vamos fazer uma regra só, bem de boa, nós vamos saindo e se curtindo, e se em algum momento, um dos dois se incomodar com alguma coisa, ou não gostar de algo que o outro fez, vamos ser sinceros, fechado?

— Fechado.

Automaticamente Helena ergueu o mindinho para selar o pacto e Noah olhou sua mão confuso:

— Que porra é essa?

— É uma promessa de mindinho, para confirmar que é um acordo sério que será cumprido.

— Por causa de um mindinho?

Helena manteve a expressão séria ao assentir com a cabeça e responder:

— Sim, por causa de um mindinho.

Nicholas riu e juntou seu mindinho com o de Helena, se sentindo ridículo ao fazer aquilo, mas parecia que ela estava satisfeita com este pequeno ato e eles continuaram seu caminho e quando chegaram no andar de Helena ele segurou o elevador com o skate:

— Te vejo amanhã?

— No terceiro período. Como todas as segundas.

— Acho que é a primeira vez que não vou querer dormir na aula.

Helena sorriu e beijou seu rosto demoradamente e Nicholas olhava sua boca enquanto se afastaram, mas ela virou rápido e seguiu para seu apartamento sem olhar para trás enquanto Nicholas subia para o seu.

Ao entrar em casa não achou seu pai, e foi para cozinha fazer algo para comer, até ver uma mulher saindo de fininho do apartamento e seu pai aparecendo instantes depois na cozinha abrindo os armários:

— Voltou cedo do seu encontro.

— E o seu terminou só agora?

— O que um homem como eu pode fazer? Seria egoísmo privar uma mulher tão legal quanto ela do prazer que posso oferecer.

— Pai! Nojento!

— Você é muito fresca. E o seu encontro? Como foi?

Helena ficou vermelha terminando de bater sua vitamina e enquanto se servia e servia um copo para seu pai, ele a encarava:

— Lena...

— Foi bom, nós nos beijamos. Ele me ensinou a andar de skate, conversamos e depois não deu para conversar tanto.

— Usou proteção?

— Pai, nós só nos beijamos!

— Hoje você ia sair com quem mesmo? O menino Bankoff?

— Não, nosso vizinho do andar de cima, Nicholas Miller.

— Ah. Cuidado viu? Essa família é complicada.

— Achei que você tinha estudado com o pai dele,

— Por isso eu sei que eles são complicados, Dylan é meu amigo, mas tem os seus defeitos, e se o filho for igual, eu não quero ele namorando minha filha.

— Não estamos namorando. E o que pode ser tão ruim assim?

— Uns boatos que eles se meteram em muita coisa errada, qualquer comportamento que esse menino tenha com você me conta tá bom? E não fique dispensando nossos seguranças, temos um motivo para contratá-los.

— E o principal motivo não é a minha mãe? Que não aparece faz anos?

— Não dê sorte ao azar, não ligo de sair com o Miller, mas promete que sempre vai me falar a verdade do que estiver acontecendo entre vocês?

— Claro que prometo, sabe que não temos segredos pai!

Jared ergueu o mindinho e Helena logo de imediato enganchou, e com a outra mão entregou a vitamina para ele.

— E então você finalmente beijou alguém! Demorou, hein filha!

— Pai!

— Anda, me conta melhor essa história. Quero saber o que o garoto Miller tem que fez você largar sua vocação de freira.

E então enquanto tomavam suas vitaminas e Jared fazia panquecas com mirtilo Helena contou tudo desde sexta na festa que começou a falar com Noah, o baile com o Tom, até aquele momento e quando estava tarde, foi para seu quarto e seu pai foi fazer um show local que não contava como quebra do ano sabático, e então ela sem sono, após se trocar com sua roupa de ficar em casa, pintou o quadro do por do Sol postando em sua rede junto com a foto da inspiração, recebendo notificação que estava sendo seguida por Nicholas e logo depois do comentário dele na foto:

"A que eu apareço é muito mais bonita kkk Faltou só isso pro quadro ganhar um 10"

E no privado Helena encaminhou a foto dele para ele mesmo:

"Para dormir se admirando"

Sem demora, ele respondeu:

"Admita que estava beijando minha foto aí que eu sei ;)"

Helena tirou uma foto somente de rosto revirando os olhos e encaminhou, recebendo de resposta:

"Gata demais até deboxadinha assim."

"Está me deixando sem graça"

"Fica na minha que eu te faço ver o quão gata você é e você para de se esconder como se não fosse linda"

"Eu vou dormir beijando essa foto aí com certeza"

"Já que você não dá né"

Helena tremeu enquanto digitou:

"Por que não? É só você descer"

"Seu pai não vai brigar? Está tarde"

"Ele foi fazer um show privado, deve voltar de manhã"

E quando Nicholas não respondeu mais, ela começou a se preocupar que tinha falado algo errado, até que chegou em seu celular:

"Você precisa vir abrir a porta"

E foi quando Helena se desesperou, se trocou rápido colocando um pijama fofo combinando deixando a roupa suja de tinta jogada embaixo da cama, correu no banheiro enxaguar a boca para não ter bafo e soltar o cabelo e ajeitar num bagunçado que parecesse natural, e então correu para porta parando para respirar para não parecer ofegante, finalmente abrindo a porta, encontrando Nicholas com calças de pijama e um moletom largo, as mãos estavam no bolso e aquele sorriso convencido já estava em seu rosto quando ele quebrou o silêncio:

— É falta de educação recusar um convite.

Helena sorriu e abriu espaço para que ele entrasse:

— E você com certeza é um moço educado.

Nicholas esperou ela fechar a porta antes de a puxar pela cintura e responder:

— Sempre.

E a noite se seguiu tranquila, eles colocaram um filme de terror qualquer que Lena já tinha visto umas cinquenta vezes no mínimo, mas não prestaram muita atenção, ou nenhuma atenção, quando não estavam se beijando, estavam conversando e se conhecendo melhor, e quando ficou realmente muito tarde, Nicholas disse que teria que ir, mas Helena que já estava sonolenta e praticamente dormindo disse para que dormisse ali, se dando conta somente na manhã seguinte quando acordou presa nos braços dele.

Após esse dia, Nicholas descia para passarem as noites juntos com frequência, como Helena sofria de insônia e Nicholas trabalhava a noite nos bares de seu pai, ele às vezes ia direto para casa dela, para assistirem ou conversarem, não faziam nada além de se beijar, mas o pai de Helena a presenteava com camisinhas toda semana, o que a deixava completamente envergonhada, ele e Nicholas se viram pouquíssimas vezes, mas Helena nunca guardou nada em segredo, e nos fins de semana que Nicholas não ganhava folga de seu pai, Helena saia com os outros amigos, menos com Tom, que havia se distanciado, porém três meses depois, quase na data do baile, dia que Helena estava chateada porque Noah precisaria fazer um trabalho para seu pai, novamente, ela não entendia como dono de bares demandava tanta coisa para o filho. Sendo que ele trabalhava como garçom/bartender. Lhe tirando de seus devaneios durante o intervalo. Tom se sentou ao seu lado no gramado do colégio onde estava tomando Sol.

— Essa cara emburrada é falta do seu namorado?

— Se refere ao Noah?

Com um sorriso brincalhão respondeu:

— Não sabia que tinha outros.

Helena percebendo a abertura, sorriu, fazia tempos que eles não se falavam.

— Bom deixar as opções em aberto.

— Ele sabe disso?

— Ele que insistiu para que não nos prendêssemos em rótulos, acho que sabe.

— Insistiu? Então você queria mesmo namorar com ele?

— Tom, eu não sei. Eu gosto dele. Mas ele estou feliz com essa relação sem rótulos, o que eu não estou feliz é o trabalho dele. Acredita que o pai dele vai fazer ele trabalhar no dia do baile?

Tom franziu os lábios pensativo antes de responder, não sabia qual carreira Helena estava se referindo. Ponderando, respondeu:

— Por que ele não pede uma folga?

— Ele pediu, parece que vai ter um evento que ele precisa realizar algumas entregas. Não sei porque o pai dele não contrata mais gente para garçom e entregador.

E então Tom percebeu que Helena não fazia ideia qual era a principal fonte de renda da família Miller, o tráfico, e ele tinha quase certeza que essa entrega seria aos arredores do baile, talvez se Helena o visse trabalhando, poderia se poupar e ninguém teria que se dar ao trabalho de contar. Com esse plano em mente, venho o convite:

— Por que não vamos juntos? Podemos ir em grupo. Com nossos amigos.

— Cher e Matteo? Lindy e Ryan? Não acho que eles vão querer companhia.

— Mas eu adoraria sua companhia. Ou já esqueceu de um velho amigo?

Helena ergueu o olhar encontrando com o dele enquanto abria um sorriso tímido, o que foi suficiente para o coração de Tom acelerar antes mesmo de ouvir as palavras:

— Não esqueci Tom, vou adorar ir com você. Só pensei que não estivesse mais falando comigo.

— Não gosto do seu namorado. E vocês dificilmente andam separados.

— Por que não gosta dele? Você nunca me contou o motivo.

— Acho que temos percepções diferentes de ética. Só isso.

— Nossa. Achei que teria um motivo maior.

— Bem, ele começou a sair com a garota que eu gostava e isso não ajudou.

— Quando isso? Ele começou esse ano aqui não?

— Sim, a garota era você. — Ao ver os olhos de Helena se arregalando e a boca se abrindo sem sair uma palavra, continuou com uma mentira: — Mas eu já superei isso. Acho que consigo voltar a ser seu amigo.

Helena soltou o ar aliviada e sorrindo respondeu:

— Que bom. Senti falta do meu amigo.

Tom sorriu e antes que pudesse responder alguma coisa, o sinal para o retorno às aulas tocou, e ele se levantou esticando a mão para Helena sentindo o arrepio percorrer seu corpo a hora que ela levantou e seus rostos ficaram a poucos centímetros de distância, mas num movimento rápido ela deu um passo para trás se afastando:

— Obrigada, Tom. Tenho matemática agora. E você?

— História. Nos falamos depois sobre o baile?

— Claro, você tem meu número.

E Tom ficou observando enquanto ela partia para a sala de aula, e quando esbarrou em Nicholas no corredor e ele viu o momento que o mesmo roubou um selinho dela, revirou os olhos e decidiu seguir seu caminho para outra sala.

Notas finais
Música inspiração: RBD - Besame Sin Miedo Link: https://www.youtube.com/watch?v=us9hIgCTNPE