Monarc

17 Melissa Calle


Melissa estava na oficina de Daniel, que nesses meses que se passara já podia considerar um amigo, seu carro havia dado problema a semana inteira e por mais que ela procurasse, não encontrava o defeito, e após ele falar várias coisas que ela não entendeu, saindo de baixo de seu carro sujo de graxa e após limpar as mãos pegou uma cerveja no canto da sala, e olhou para ela sorrindo:

— Quer uma?

Melissa fez que sim com a cabeça, mas levantando a sobrancelha questionou:

— Não é meio anti ético beber no seu trabalho?

— Creio que meu chefe não vai ver problema nisso.

Melissa riu e pegou a cerveja bebendo um gole, fez uma leve careta com o amargor, o que fez Daniel rir:

— A senhora diretora nunca tinha bebido antes não?

— É que já faz tempo.

Se encostando no balcão olhou para ela unindo as sobrancelhas:

— Desde que entregou aquele fardo para minha filha?

— Aquele fardo pertencia ao meu ex.

— Ah sim, o simpático delegado. É por causa dele que você anda com segurança agora?

Respirando fundo,Melissa assentiu com a cabeça:

— Gabriel insiste, acha arriscado eu ficar por conta própria.

— Ele tem uma certa razão. Vocês estão juntos?

— Eu também queria saber! Quer ir comigo perguntar pra ele?

Daniel riu e pegou o pano de seu bolso passando no rosto como se limpasse algo da graxa, mas apenas a espalhou:

— Quer testar seu carro antes de ir? Não quero o primeiro ministro me acusando de coloca-la em risco.

— Eu não deixaria, Sr. Cambell.

Melissa piscou para ele e bebeu mais um gole antes de ir para o volante, apenas tirou da oficina e colocou de volta, aparentemente tudo certo, não havia mais barulhos estranhos e luzes piscando no painel. Descendo do carro, pegou novamente sua cerveja e seu cartão entregando para ele:

— Qualquer problema, pode voltar sempre que precisar.

— Obrigada. E como estão as coisas por aqui? E a Sra. Campbell?

— As coisas não vão bem, mas você veio para consertar o carro e não sair deprimida.



— Mas quero saber o que houve. Eu precisarei esperar um tempo antes de sair mesmo.

Melissa ergueu a cerveja e Daniel após passar o cartão e a devolver respirou fundo, então baixou a porta da oficina e se sentou sobre um carro que estava estacionado ao lado do dela, não entendia muito de carros, mas reconheceu o modelo, Impala 1967, item de colecionador.

— É besteira, Jo anda distante, falando sobre terminar, Mary quer ir embora comigo, Pablo não deixa a mãe de forma alguma.

— E para onde você irá?

Daniel então olhou em volta e girou seu dedo mostrando o espaço, sorrindo de lado, continuou:

— Não posso sair daqui tão cedo enquanto Mary ainda está estudando.

— E acha que não tem chance de se acertar com Jo?

— Não. Nosso casamento acabou, acho que só continuamos ali pelas crianças.

— Elas não têm idade o suficiente para entender a situação?

Daniel suspirou e com um gole terminou a cerveja antes de pegar outra, e mais uma para Melissa, que apesar de estar achando amarga, continuou bebendo:

— Eu acho que é delicado para eles, muda muita coisa.

— Deveria dar um voto de confiança para eles não?

Daniel deu um breve riso e baixou a cabeça ainda sorrindo, Melissa erguendo a sobrancelha questionou:

— O que foi?

— Está falando como diretora.

— Bem, eu sou a diretora.

— Pode ser apenas Melissa se quiser, seu segurança está lá fora e acho que não tem perigo nenhum aqui dentro.

Melissa sorriu e andou, se encostando ao lado dele no carro:

— Ultimamente não tem me sobrado muito tempo para ser apenas Melissa.

— E quem o primeiro ministro conhece?

— A diretora, Srita. Calle…

— Que chato! E ele ainda não se cansou disso?

Melissa riu e deu um tapa de leve no braço de Daniel que a olhou erguendo as sobrancelhas com um meio sorriso:

— Deveria ter doído?

— Talvez?

— Acho que precisa melhorar. Posso te ensinar, quem sabe você dispensaria o guarda costas.

— Vai me ensinar a bater em você? Eu não queria de fato te machucar.

— Mas vai que uma hora você queira.

— Não é meio estúpido ensinar uma mulher onde te machucar para caso ela precise?

— Eu sei que jamais vou fazer nada que você queira me bater, acho que me safo dessa.

Melissa sorriu e terminando sua segunda cerveja deixou a garrafa no chão:

— Então me ensine!

Daniel terminou sua cerveja também levando as duas garrafas para uma caixa com as demais e voltou ficando de frente com Melissa:

— Vamos ver o que você já sabe, me bate.

— Eu não sei o que fazer, assim do nada.

— Só vem pra cima de mim, imagina que eu sou alguém que você está com raiva.

— Daniel, eu realmente não consigo!

— Me dá um soco, só um.

Melissa respirou fundo, e ao levar sua mão para frente fechou os olhos preocupada em machucar ele, porém seu peitoral era duro como uma rocha e seus dedos ficaram brancos e doloridos:

— Primeiro, olhe onde quer acertar. Segundo, você é mais forte que isso, para de se segurar. E a mão fica assim…

Daniel segurou sua mão ajeitando o polegar entre os dedos e veio do seu lado explicando o movimento que o braço deveria fazer enquanto guiava o braço dela para frente e a outra mão segurava a sua cintura, Melissa já estava a meses sem nenhum tipo de contato, e aquilo estava levando sua mente por outro caminho, quando Daniel voltou para sua frente ela o socou na barriga descarregando aquela corrente elétrica e ele a incentivou a continuar e ela foi um soco atrás do outro, até que rindo ele segurou seus braços:

— Calma aí também, boneca.

— Acha que eu dou conta agora?

Daniel interpretando os dois sentidos daquela frase a encarou com seus olhos verdes e assentiu com a cabeça, levantou a camisa mostrando seu abdômen forte e marcado com os socos que havia ganho:

— Me diga você. Acha que dá conta?

— Parece que sim, não?

Daniel sorriu e sem aviso a puxou pela cintura e a ergueu sobre o capô do carro a beijando vorazmente, Melissa não pensou duas vezes antes de retribuir e tirar a camisa de Daniel a jogando do outro lado da oficina, competiram por quem despia o outro mais rápido enquanto suas mãos e bocas exploravam um o corpo do outro, Daniel não a demorou para levar para o banco de trás de seu carro e Melissa deu conta, algumas vezes, até o seu telefone começar a tocar sem parar, e assim que ouviu a voz do outro lado da linha se arrependeu de atender enquanto a língua de Daniel se divertia um pouco abaixo de sua cintura:

— Mel, fiquei preocupado. Não responde há horas…

Tentando disfarçar a rouquidão e se segurando para não emitir nenhum som diferente, Melissa respondeu tentando alertar Daniel:

— Gabriel! Não se preocupe, só o carro que está com mais problemas do que o que eu havia pensado.

Daniel ergueu o olhar para ela e pelo seu sorriso parecia se divertir com a situação, então continuou o que fazia com ainda mais vontade, enquanto Gabriel falava:

— Não quer que eu peça para nosso mecânico olhar para você? Sei que Daniel é seu amigo, mas talvez seja bom olhar com mais de um, vai que ele deixou passar alguma coisa?

Melissa mordeu a mão para não emitir nenhum som, Daniel sabia exatamente o que estava fazendo, e sem saber porque estava mentindo para Gabriel, continuou:

— Não precisa, você já faz tanto por mim. E acho que ele não deixou passar nada, está quase acabando o serviço.

A última frase estava longe de ser mentira, faltava muito pouco para ela chegar onde Daniel queria, e Gabriel ficou quieto um instante antes de continuar:

— Tudo bem, deve estar cansada de passar o dia na oficina. Que tal eu te levar para jantar?

— Eu estou cansada Gabriel, podemos ir amanhã? Hoje ainda teria que ir em casa tomar um banho.

— Sabe que não tenho problema em te esperar, mas se não quiser, tudo bem. Deixamos para amanhã.

— Acho melhor… — Melissa não conseguiu evitar o som que sua garganta fez ao continuar — Vou desligar, chegando em casa conversamos tudo bem?

— Claro, Mel. Até mais tarde.

— Até.

Melissa desligou rápido e quando chegou lá se segurou para não fazer tanto barulho, preocupada com a distância que o segurança a aguardava do lado de fora, e desceu rápido buscando sua roupa após isso, exclamando:

— Você não vale nada, você sabia?! Eu estava no telefone!

— Se você não estivesse gostando, eu teria parado.

Daniel riu e vestiu a cueca e a calça, e ao ir na direção da porta para abrir para ela sair Melissa o segurou:

— Vista o resto da sua roupa, o segurança não deve te ver assim!

— E eu achei que você não tinha nada com o primeiro ministro. Mas tudo bem!

Após vestir a camisa, Daniel foi até ela segurando sua nuca e lhe dando mais um beijo demorado que a deixou de pernas bambas antes de se dirigir a porta enquanto ela ia para o banco do motorista, se olhando no retrovisor viu o quanto estava suada e vermelha, e agradeceu por ter recusado o convite de Gabriel, amanhã eles conversaram melhor, após a porta da oficina ser erguida ela saiu com o carro e logo localizou o carro do seu segurança a acompanhando, em certo momento teve um vislumbre achando ter visto o carro de Clark, mas passou tão rápido que acreditou ter sido somente impressão, ao chegar em casa mandou mensagem para Gabriel o avisando, após tomar banho e colocar o jantar de Coronel foi se deitar, estava exausta. Não acordou nenhuma vez naquela noite.

No dia seguinte, ouviu barulhos no andar de baixo, preocupada pegou sua arma no bidê ao lado da cama e desceu sorrateiramente, seguiu os sons até chegar na cozinha, onde se Gabriel não tivesse se virado na mesma hora levantando as mãos teria levado um tiro:

— Desculpa Mel, eu mandei mensagem que estava aqui. Vim fazer um café para a gente.

— Como entrou?

— Com a chave que você me deu para emergências, lembra?

— Isso não é uma emergência.

— Desculpa, queria lhe fazer um agrado. Fiz panquecas e trouxe bolo de cereja, seu favorito.

Melissa soltou o ar que estava segurando até o momento e colocou a arma sobre o balcão da cozinha, beijando o rosto de Gabriel agradeceu:

— Obrigada, eu gostei.Só foi o susto… Não imaginava.

— Imaginei que estaria cansada e não teria tempo de comer antes de sair para o trabalho, eu ia mandar entregar, mas queria te ver então aproveitei para vir.

E naquele momento a culpa pesou no coração de Melissa, mas decidiu seguir sem contar sobre o que fizera na tarde anterior, o ajudando a terminar de colocar as coisas na mesa respondeu:

— É um belo gesto, não precisava se incomodar.

— Já disse que você não é nenhum incômodo. E coloquei ração para o Coronel.

— Obrigada! E você? O que fez ontem?

— Organizei algumas questões com meu irmão, ajudei Felipe com matemática, depois apenas relaxei.

Melissa arregalou os olhos e pareceu mais surpresa do que gostaria de demonstrar:

— Você relaxa?

Gabriel riu e passou o dedo no chantilly do bolo e após na ponta de seu nariz sorrindo:

— Você já me conhece melhor do que isso para saber que sim.

Melissa sorriu e limpou o nariz balançando a cabeça e ao dar a primeira garfada no bolo o garfo bateu em algo duro, confusa ao ver algo brilhando dentro do bolo tirou com o garfo, algo em um formato circular, Gabriel então pegou e limpou o chantilly revelando uma aliança prateada delicada, e se ajoelhando proferiu as palavras que Melissa até queria ouvir, mas não naquele momento:

— Mel, deseja ser minha namorada?

E Melissa ainda mais inconsequente, mesmo com a consciência pesada e sem certeza do que sentia, respondeu:

— Sim.